quarta-feira, 13 de junho de 2012

Sucessão Paulistana: Erundina vice de Haddad

As negociações entre PT e PSB para as eleições paulistanas parecem ter confluído para algo bom: Luiza Erundina possivelmente será a candidata a vice na chapa de Fernando Haddad para a Prefeitura. Erundina é uma figura importantíssima na história política paulistana, pois foi a gestão, para além de todos os problemas que enfrentou, a deixar o legado político mais relevante - antes de mais nada, porque no governo, Erundina não foi governista, ela se desfez do pedestal estatista e procurou, junto à associações de moradores e movimentos sociais, fazer a boa política, focando na questão da moradia (sem dúvida, a questão central da política local) e no diálogo franco com a sociedade.

São Paulo é uma cidade politicamente complexa e profundamente problemática. Todas as gestões, exceto a de Paulo Maluf (1993-96), terminaram com um desgaste altíssimo - e Maluf, mesmo tendo feito sucessor, o falecido Celso Pitta (1997-2000), sofreu um pesado desgaste posterior, seja pela revelação de escândalos seus quando na Prefeitura ou pelos efeitos do desastre da gestão Pitta. Tanto é verdade, que Maluf, depois de ter refeito sua carreira política com certo êxito no pós-ditadura, não só jamais conseguiu vencer uma eleição majoritária novamente, como também viu seu tamanho político severamente diminuído: mesmo eleito com boas votações para a Câmara dos Deputados, sua influência é pequena e sua figura é condenada a uma representação quase tragicômica, mesmo entre os meios conservadores que lhe sustentavam.

Erundina, por motivos outros e na outra ponta do espectro político, não deixaria também de sofrer um processo de fritura, mas ao contrário de Jânio, do já referido Maluf, de Marta ou Kassab, ela deixou linhas gerais de como fazer política na capital, que persistem até hoje. Não só, Erundina saiu pessoalmente incólume dos escândalos e absurdos mil comuns à política local. Hoje, ela persiste sendo reeleita como deputada federal - não mais pelo PT, onde sempre teve problemas com a direção, mas sim pelo PSB - e exerce um mandato bem avaliado, sustentada por um eleitorado cativo, focando sobretudo em questões como a comunicação social e apresentando bom trânsito na política nacional.

Trata-se, sem dúvida, de um bom norte para a candidatura do jovem Fernando Haddad. A reaproximação de Erundina com o PT não deixa de ser um bom sinal, uma vez que o partido da estrela, sem dúvida a mais relevante legenda de esquerda do país e da capital, anda em círculos desde o fim da gestão Marta, que embora tenha implementado boas políticas públicas, fragmentou o partido e o deixou em um permanente tensão interna nos últimos anos. Também faz bem para o PSB de Erundina, pois fortalece a ala não-fisiológica e com a alguma disposição social do partido, minoritária em relação a uma direção estadual alinhada com o governo Alckmin.

Haddad precisa disso em uma campanha na qual, ainda que venha garimpando um espaço razoável na mídia, é desconhecido pelo eleitorado e precisa não só de um impulso eleitoral como, também, de uma ancoragem política que lhe dê mais densidade no nível municipal. Ainda que José Serra seja um líder de pesquisas anômalo, por ser também o candidato com a mais alta rejeição - tanto por questões pessoais como por ser o sucessor de uma gestão fracassada como a de Kassab -, é fato que ele é o candidato a ser batido pelo franco apoio do establishment local. Em termos propriamente políticos, a presença de Erundina na chapa, a norteia na posição em que ela precisa estar para ter razão de ser. Seja como for, trata-se de uma boa notícia.

16 comentários:

  1. Uma pena. Perderemos uma deputada maravilhosa pra ficar a tiracolo do inútil Haddad, cuja ação - ou falta dela - resultou em mais uma greve dos professores.

    Resta torcer para, se ele sair dos 3%, pedir pra cag** e deixar a Erundina governar.

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    1. Tsavkko: nesse ponto, discordamos mesmo. A atuação de Haddad no MEC foi positiva, sendo a cabeça do primeiro grande esforço desde a dita redemocratização para promover acesso à universidade e construir uma rede pública de ensino. Esse esforço foi bombardeado à direita e, não sei se coincidente ou naturalmente, pela extrema-esquerda - e, perdoe-me, o grau de obsessão nisso supera o aceitável, já que nem Haddad é mais o ministro da educação, nem sequer o MEC é o maior responsável pela atual crise nas federais, nesse arranjo complexíssimo que é a atual coalizão governista e na confusão que é o Congresso. No mais, sobre a presença de Erundina na chapa, o que queremos, que a candidatura fique mais à esquerda ou mais à direita? Ou vamos torcer pelo quanto pior, melhor (junto com setores do PT que preferiam, a exemplo do Rio, apoiar um "aliado")?

      P.S.: Sobre a greve em si, o Lucas que comenta aí embaixo tem belos textos a respeito: greve não é necessariamente sinônimo de ação de esquerda, aliás, pode ser muito bem o contrário - o exemplo da greve dos caminhoneiros contra Allende é batido, mas acho que vale algum estudo.

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    2. Positiva? Os 4% dados aos professores - ou melhor, prometidos, pq dado só depois da ameaça de greve quase um ano depois - fazem uma boa gestão? Ou as universidades incompletas do REUNI e os salários de temporários dos professores destas? Sobre coalizão, Dilma escolheu, logo, não é desculpa para um governo péssimo, de direita, privatista e que não dá a mínima para a educação - a não ser para precarização e uniesquinas que não param de lucrar e crescer.

      Haddad é de direita, é do Pt, que migrou para a Direita. Erundina apenas se queima ao participar desse circo.

      E a greve dos professores não é apenas legítima como necessária e o governo que sequer negociar - com ajuda do silêncio da mídia que os milicianos tanto adoram critica. Proque claro, salário do professor e sua carreira são maravilhosos... Porque tão reclamando, né? Só pq Dilma prometeu depois da greve anterior dar aumento e não deu, negociar carreira e não apresentou nada? Coitada, né? Ela tem coisas mais importantes pra fazer, tipo pregar homofobia, se aliar com Marginais da Fé, privatizar a previdência...

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    3. a melhor coisa de Tsavkko são seus absolutos (chama-los de Hegelianos seria ainda um elogio e um eufemismo): "PT migrou pra direita (true) então é de direita (false)". Como se direita e esquerda não fossem, por definição, posições relativas num eixo, jamais absolutizaveis (Jayme Lerner e ACM eram do PFL, da direita ambos - mas é obvio que Lerner estava muito menos a direita que ACM, e portanto muito mais a esquerda ou ao centro).

      Minha chefa diria: "o ótimo é inimigo do bom".

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    4. Menos, Raphael: nem Haddad e nem o PT são "de direita" e isso tampouco é o debate em questão - até porque não é o fato de ser de esquerda que torna alguém "bom" (no sentido moral) e também porque isso não é um debate moral. O ponto é que o Reuni é um processo, no primeiro momento marcou sim uma melhora nas universidades estais, delineou a matriz de sua expansão, e no caso do Prouni, temos uma norma de direito público dispondo sobre como as bolsas que as universidades privadas precisam conceder. Ignorar a importância disso, é dar bom dia a cavalo. Não considerar a complexidade do processo em curso, idem. Hoje, há uma crise nas universidades federais que é expressão de um desconforto por essa expansão, mas também não sei até que ponto isso seja um acerto estratégico - embora não chegue a ser uma barbaridade como o recente motim policial, apoiado por uma esquerda a procura de qualquer coisa contra o governo, o que dificulta qualquer crítica contra ele. É evidente que não é uma situação fácil, tampouco que o cenário paulistano o seja também - e é ele o foco desse debate -, mas é preciso de mais matizes e menos maniqueísmos. E Erundina está bem longe de ser qualquer idiota útil aqui.

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    5. Pois é Hugo, pregar e incitar homofobia, privatizar, desrespeitar sistemaicamente os direitos humanos, passar por cima dos indígenas em "n" situações, pregar um "desenvolvimento" que visa apenas criar mercado de consumo pros financiadores de campanha e coisas do tipo devem ser políticas de esquerda, mas esqueceram de avisar ao resto da esquerda! Acho engraçado omo ha alguns anos muita gente do PT - que hoje o apoio fanaticamente - dizia que a social-demcoracia européia era nada mais que a direita com cores rosa. Qual a diferença dessa direita rosa para o PT?

      Reuni e Prouni nasceram com boas intenções, mas no fim não passarma de boas intenções, ou nem isso. Reuni [é cosmético, as universidades foram entregues incompleras e os professores são tratados como lixo, temporários. E ProUni deu Fôlego às UniEsquinas, que nunca crsceram e lucraram tanto. E o que foi feito? Criminalizou-se as greves.

      E, complexidade é conseguir entender alianças do PT com Katia Abreu, Kassab, Maluf... Isso sim é complexo. Falar em esquerda frente a esse cenário é simplesmente cuspir na história do PT.

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    6. Viva os princípios e a ética de quem não está no poder e as favas as circunstâncias reais de quem tem o poder nas mãos. A diferença abismal de administração que implica as duas posições faz entender bem esse debate! Complexo é tentar reduzir a complexidade do jogo político e seus obstáculos reais a um debate moral e de princípios, ou questões como de esquerda e direita, progressista e reacionário, sol e lua, noite dia, calor frio e por ai vai!

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    7. Raphael, pregar e incitar a homofobia, o governo atual não fez, o que é diferente de tocar políticas insatisfatórias para o setor; incitasse e pregasse a homofobia e coisas como a união estável entre casais homossexuais não passaria no STF, só para ficar no começo de conversa - perdeu a matiz, se embanana na crítica (e numa crítica preciosa, diga-se). E o desenvolvimento, o desenvolvimento que Dilma tanto apregoa, não cria mercado consumo apenas para os financiadores de campanha, isso ajudar a explicar a popularidade alta do governo e é dessa compreensão, só a partir dela, que podemos constituir uma alternativa.

      A questão petista, a produção de uma esquerda real, que recusava tanto o bolshevismo quanto a social-democracia, sempre foi um projeto altamente complexo, cheio de idas e vindas, e exposta à captura por meio da ameaça permanente de reterritorilizações - entenda por "recuos" - bolshevistas (leninistas ou trotskystas) e social-democratas. Isso é um ponto bom para se debater. Não me agrada certa social-democratização do PT - embora seja uma social-democratização clássica e não de terceira via -, mas certamente também não é no que se chamou, ou se chama, de esquerda petista que está a solução para tanto - como nunca esteve.

      O Reuni não é, nem foi, "cosmético", mas um processo igualmente complexo ainda em aberto. Está em jogo. Não é questão de "ser disputado" [no sentido hegemonista], mas de ser constituído. O Prouni trouxe regras públicas para a farra das bolsas [não concedidas] pelas universidades privadas, mas só ajudou as universidades privadas no sentido que lhes concedeu isenções tributárias, isto é, não despejou dinheiro lá, só deixou de receber - a questão não é por fim ao Prouni, mas intervir nas universidades privadas que apresentam maus resultados, a menos que se espere que simplesmente fecha-las seja a solução para os problemas sociais ligados ao ensino superior.

      Por fim, estamos falando de relações poder reais, não de ideais, abstrações. Nunca falei disso aqui, se você entendeu isso, creio que me expressei mal. O problema de alianças com o PP, que eu sou contra, não é que ele - hoje tornado um partido fisiológico de centro, inerte e pouco capaz de influir num eventual governo - manche, em um sentido sim moralista, a "história" do PT, mas que o custo eleitoral (aumento razoável no horário eleitoral) é maior do que o seu ônus (o peso da justificada má imagem de Maluf, como exposto no próprio post). Simples assim.

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    8. Como visto, Erundina manteve sua ética e honra e não cuspiu na sua história. Haddad vai ter que botar Maluf de Vice, ou talvez o espancador de mulheres, o Netinho...

      Agora vejamos: Dilma não pregou homofobia ao dizer que não faria "proapganda de opção sexual"? Ou Maria do Rosária ao se CALAR diante de TODA agressão homofóbica? Ou o governo como um todo ao se ALIAR com homofóbicos, dar-lhes ministérios, cargos e dinheiro? Ou não houve homofobia na suspensão da campanha contra AIDS para os LGBT? Ou no veto ao vídeo sorbe sexo seguro com um casal gay, que DILMA vetou?

      Se isso não é homofobia, eu não sei o que é! O Brasil nunca viu tantas mrotes e tanta violência contra os LGBT e o govenro não dá um pio sequer. Nem FHC era tão canalha. E FHC É um canalha.

      E STF não é lucro do govenro. STf é STF. Não tente colcoar vitórias no STF na conta de Dilma ou do governo. Não cola.

      É, o desenvolvimento de Dilma dá 291 reais pra... "classe média"!? Que desenvolvimento fantástico! Ao passo que ela investe em ind´sutria de carros e o país caminha pra desendustrialização porque só temos carros pra fazer... Ah, temos Belo Monte também e o que é violar DH de índios e ribeirinhos? BEsteira! Só porque era um projeto d Ditadura que os fundadores do Pt combaterma por anos? MAs a aliança com Maluf mostra bem como o PT se preocupa com história.

      Huo, pra você tudo é "complexo" e ponto. Não, não é. O PT, hoje, é um patido de centro-direita, privatista, que tem algumas pessoas heróicas que ainda tentam trazer pra esquerda, mas dão murro em ponta de faca. O PT se nega a negociar com grevistas, privatiza, se alia com bandidos crentes e quer posar de esuqerda? Cadê reforma agrária? Ficou pelo caminho junto com a aliança com Kátia Abreu.

      O PT quer poder? Ele tem. MAs não é poder para transformar nada, só para deixar as coisas "complicadas", "complexas". O REUNI nos deu várias unviersidades. Semi-acabadas ou mesmo totalmetne inacabadas e professores temporários,t ratados como lixo. O que tem de bom aí? A intenção? O inferno tá cheio.

      ProUni tá aí, "complexo" pra uns, mas é definitivo: O objetivo é ajudar e salvar e ampliar UniEsquinas e, para uns poucos sortudos, a chance de uma particular séria. É o cosmético pra disfarçar quem realmente é beneficiado: Anhangueras da vida.

      O que tem de complexo em FORÇAR Uniesquinas a terem qualidade, terem doutores, mestres...? NAda, só vontade. O PT não tem. Afinal, 291 reais per capta dá pra pagar a Uniban, sobra pra geladeira e garante a re-eleição no ano seguinte. Este é o projeto: De poder.

      Não ouve avanço em NENHUMA pauta de esquerda. As relações dep oder reais tão aí, no colo do Maluf. Quem se alia com bandido, bandido é. E o PT hoje é isso aí.

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    9. Tsavkko tem um suspeitíssimo apego a essa questão da "homofobia" - que eu chamaria de viadagem encubada.

      Eu que dou o cu, chupo pica, e beijo quem quero onde bem entendo (mas eu moro na libertária, libertina e libidinosa Salvador, é verdade) não ando me queixando disso...!

      E longe de mim ser "dilmista": votei em Marina, e chamo a PresidentE (porque Cecilia Meirelles era poeta e não poetisa) de Geisel-de-Calçolão.

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    10. Pois é, eu tenho um imenso apego à um pequeno problema que tem matado cada vez mais, com apoio governamental.

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    11. Tsavkko: o que é simples é que a conversa é complexa, não o contrário, embora aí entre, pela sua parte, um wishful thinking da sua parte que remete àquela coisa do PSOL inicial, que achava que era só "substituir" - por ele mesmo, por coincidência - o PT no comando para as coisas melhorarem, até que não houve o colapso esperado no PT e restou o gozo perverso pela catástrofe - que veio agora, mas certamente você está satisfeito com a situação atual, não com a anterior.

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  2. em Salvador as coisas vão pelo mesmo caminho, mas ao contrário.

    Pelegrino (a quem Wagner sabidamente detesta, e com razão: julga-o um dantista) impõe sua candidatura, o PT não faz prévias. Pelegrino já foi candidato 3 vezes a prefeitura da capital. Perdeu todas em terceiro lugar. Walter Pinheiro, saindo do nada, chegou a segundo turno com mais de 40% dos votos ha quatro anos e ha dois se elegeu senador com mais votos do que Lidice da Mata (PSB) que tambem se elegeu.

    Não bastasse isso, escolhe para vice alguém do PP indicado pelo SETPS - sigla da máfia dos donos de empresa de marinete (Salvador não tem ônibus, tem marinete).

    Em que parece com Erundina-Hadad? LIDICE VAI SER CANDIDATA!

    o que não só enfraquece esse PTismo-peleguinho, como fortalece um nome que Wagner pode apoiar (ele não quer Lidice concorrendo ao Governo Estadual em 2014 contra Gabrielli) e ao mesmo tempo não ganha rejeição por isso (Lidice é adorada em todas as classes sociais como uma prefeita no minimo heroica - à epoca no PSDB, comeu o pão que o diabo amassou com ACM no governo estadual mas não arredou de fazer uma prefeitura participativa e do coletivo tanto quanto erundina. Em tempo: deixou de ser tucana antes de FHC se reeleger, tal qual Ciro Gomes tambem PSB).

    parece que o Partido da Estrela continua sem vontade de governar a Lisboa Revisitada. Bem, azar o dele! (contanto que o azar dele não vire azar nosso - mas com Peleguinho, a sorte do 13 é nosso azar na certa).

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    1. Lucas, aqui a situação ia em uma direção parecida, não fosse o grau de articulação de Haddad, poderíamos ter algo entre o desastre carioca ou a repetição do nome de Marta. Não que a situação não seja delicada e a atual campanha venha a ser fácil, porque não será. Mas o rumo, a duras penas, está certo e se acertando.

      abraços

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    2. Vale ainda lembrar que a bem sucedida (apesar da derrota em segundo turno) campanha de Walter Pinheiro 4 anos atrás teve Lidice da Mata de vice...

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  3. Um minuto e meio de incoerência

    Houve exagero nas reações contra o apoio de Paulo Maluf à campanha de Fernando Haddad. Os petistas não pareceram tão chocados quando o PP se engajou na reeleição de Lula e na vitória de Dilma Rousseff, com direito a ministério. E nem de longe a imprensa fez as mesmas caretas de nojo diante da aproximação do PSDB com o malufismo, gesto que traiu a herança do então recém-falecido Mário Covas.

    A batalha contra o serrismo privata só ganha limites ideológicos no front paulistano? E os entulhos autoritários só parecem monstruosos numa foto com Lula e Haddad?

    Por mim, Maluf passaria seus últimos anos de joelhos, esfregando latrinas com a própria escova de dente. Mas não acredito que o Poder Executivo, em qualquer nível, pudesse fazer algo para realizar essa fantasia. Não mais que o Ministério Público e o Judiciário, instâncias com meios e prerrogativas apropriados, embora estranhamente ineficazes e, apesar disso, imunes às bravatas do jornalismo oposicionista.

    Se o PP tem condições de barganhar minutos de propaganda, que ocupe seu inevitável antro estatal sob a coordenação de alguém como Dilma ou Haddad e o escrutínio feroz que a mídia corporativa dedica às administrações que odeia. Com José Serra, a lambança talvez não tivesse freios nem controle. Basta ver os descalabros cotidianos em São Paulo, feudo histórico do malufoquercismo tucano.

    Um efeito nefasto da maleabilidade pragmática é o espírito reacionário contaminar a plataforma vitoriosa nas urnas. Mas esse perigo não se restringe aos partidos menores, tampouco aos da direita tradicional. O excesso de fidelidade doutrinária progressista deveria rechaçar acordos com o PMDB, o PDT e o PSB, cujos líderes regionais vivem fazendo conchavos espúrios e propondo legislações execráveis. Um passeio pelo interior paulista daria bons motivos para Luiza Erundina trocar de partido.

    Os ataques injustificados à candidatura Haddad evidenciam o medo que ela inspira naqueles que fingiam menosprezá-la. E não chega a surpreender o número de líderes e militantes de esquerda que pertencem a esse grupo.

    http://www.guilhermescalzilli.blogspot.com.br/

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