terça-feira, 31 de março de 2009

Feliz Primeiro de Abril

Hoje, Primeiro de Abril, comemoramos aqui, nas terras de Pindorama, o aniversário de uma revolução, mas não se espante com as idiossincrasias dela meu bom leitor: Ela foi uma revolução sem povo, mas como todos sabem, no nosso país, o povo é um mero detalhe. Aliás, essa revolução está completando hoje quarenta e cinco primaveras.

Pensei em escrever um texto sobre como essa revolução não foi tão revolucionária assim, pensei em escrever como o regime decorrente dela estagnou o país em tantos sentidos, pensei em escrever sobre o quanto esse regime foi covarde...ruminei, ruminei e ruminei até que desisti da empreitada.

Daí me ocorreu um insight: achei uns vídeos interessantes sobre como eram boas as coisas nos tempos da ditabranda que foi instaurada em virtude desse episódio. Imaginem, meus sapientíssimos leitores, que há algumas luas atrás – não muitas -, uma universidade incrustada no coração de nossa paulicéia ousou fazer vista grossa para o movimento estudantil e pagou caro por isso.

Imaginem mais que do isso: Que essa universidade tinha a ousadia de subverter o estado policialesco que reinava no país por meio da forma como funcionava sua comunidade, imaginem que ela tinha a ousadia de promover eleições para reitor enquanto não havia eleições para presidente – e em muitos casos nem para prefeitos -, imaginem que ela tinha a ousadia de trazer junto ao seu seio professores demitidos nas universidades estatais por desmandos políticos, imaginem que ela tinha a ousadia de estar a frente do tempo de seu país não por esnobismo ou por alguma síndrome vanguardista, mas sim porque se prestava a correr os riscos necessários para fazer seu povo perceber que não é um mero detalhe – até que ela cometeu o erro fatal de permitir um encontro de estudantes. Um encontro de estudantes. E essa foi a gota d'água.

Essa universidade foi violada. E como imagens falam mais do que palavras, aí vai:

(só peço, por obséquio, que tirem as crianças de perto do computador quando aparecerem as mensagens subversivas estampadas nos cartazes apreendidos)

http://www.youtube.com/watch?v=1QT94aSvF-k&feature=related

http://www.youtube.com/watch?v=P9AGedeSPu4&feature=related

http://www.youtube.com/watch?v=718T766fpQA&feature=related

O que me entristece é saber que hoje, ainda hoje, há quem escreva em editoriais que o que houve por aqui foi, na verdade, uma ditabranda - de uma maneira que dificulta compreender se foi em tom de saudosismo ou de projeto – e que essa mesma Universidade, há pouquíssimo tempo foi violada por si mesma - e continua o sendo, de certa maneira.

4 comentários:

  1. Hugo,

    Este é um período que precisa ser lembrado e revisitado. Hoje é comum encontrar pessoas saudosas da ditadura, muitas nem viveram este período e mesmo assim reproduzem discursos mentirosos e sem nenhum embasamento na História.

    Foi uma ótima idéia postar esses vídeos. Não conhecia nenhum deles e assisti com muito interesse.

    lendo seu post até me arrependi um pouco do enfoque eu dei no meu post sobre o golpe. Assim como você eu também pensei em várias opções de como escrever e acabei publicando um texto sobre o apoio que a opinião pública deu ao Golpe e continuou dando durante os primeiros anos da ditadura. Um enfoque bastante diferente do que eu havia pensado inicialmente.

    Prabéns pelo post. Os vídeos já estão nos meus favoritos!

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  2. Eduardo,

    Valeu cara, os vídeos são muito legais, bacana que você os tenha assistido - leia também o último texto que está linkado, vale a pena lê-lo. Vou lá dar uma passadinha no Conversa de Bar.

    abraços;

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  3. Victor Seiji Endo3 de abril de 2009 21:19

    Grande Hugo

    Este tema realmente foi muito polemico e deixarei aqui minhas contribuições camarada

    Bom, já que eles usaram essa palavra amrdita poderiam ter dito dfireto que isso aqui foi uma DITAMOLE. ( bem broxante heim )

    E olha que essa expressão nem surgiu aqui no Brasil, huahua. Ela foi pronunciada num discurso pelo Excelentissimo Senhor Ditador Chileno Augusto PInochet. Ele disse algo como : '' Gostaria de esclarecer á nação de que o que está sendo realizado aqui é uma Ditabranda, pequenos atos de carater descentralizado para impedir a revolução da subversão''

    Que delicia né? Realmente lá ocorreu uma ditabranda...

    Essa mania pegou;...

    Abraços cara

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  4. Grande Victor,

    Sobre a ditabranda, não há como não cair na tentação de subverter o velho ditado: Diga-me que tu parafraseias e eu te direi quem és. Aquilo foi simplesmente nojento e dá margem para imaginar muitas coisas - e nenhuma delas é muito agradável.

    abraços e apareça sempre.

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