segunda-feira, 27 de julho de 2009

A Questão do Ateísmo

Como a grande maioria dos brasileiros, venho de família católica. Como, ainda por cima, sou pernambucano, a significação que o catolicismo tem dentro da minha família tende a ser maior do que a média do que se vê numa família paulista, por exemplo; a geração dos meus pais, o pessoal que nasceu ali pelo final dos anos 50 e início dos 60, já convivia com uma cultura laica aqui em São Paulo, enquanto em Pernambuco, isso só veio acontecer mais tarde e, ainda assim, a prática da religião católica permanece mais arraigada e profunda lá do que aqui.

Papai sempre teve uma posição mais cética em relação a Igreja do que mamãe, mas ambos se tornaram cada vez mais laicos ao longo do tempo - hoje, raramente vão à missa. Eu, por minha vez, nunca gostei muito de religião quando era pequeno; sou batizado, fiz Primeira Comunhão, mas parei por aí. Meus pais nunca me obrigaram a nada e nunca me condenaram. Sempre fui uma figura inquieta, questionadora e isso não se coaduna com o dogmatismo que se exige de um bom fiel.

Em suma: O que sempre me incomodou foram os dogmas. A doutrinariedade. Por isso sempre fui cético em relação a um certo cientificismo que se vende por aí - e que se ampara também num dogmatismo. Ironia das ironias, fui estudar Direito numa faculdade católica - ainda que o clima que respiremos lá ainda seja laico, o problema mesmo é o caráter dogmático que os teóricos do Direito imprimem em relação ao que produzem e como isso convive com o seu desejo de dar um status científico a esse campo do saber humano (se científico por quê dogmático? se dogmático como científico?).

No que toca a religião e a relação comigo, me mantenho alheio ao discurso religioso; do ponto de vista político, aí sim, as coisas mudam de figura porque a religião é também um fenômeno político e que nem sempre tem uma convivência tranquila com os valores republicanos e democráticos.

Deus existe? Claro, mas a pergunta a ser respondida não é essa, mas sim quem criou quem: Foi o Homem quem criou deus ou foi Deus quem criou o homem? A resposta para isso, obviamente, não pode ser dogmática porque daria numa resposta negativa ou positiva imediata e acrítica. A fé está fora de questão, portanto. A via tem de ser racional e ao mesmo tempo zetética - se é que se pode ser dogmático e racional simultaneamente. Também creio que isso que chamamos de ciência está longe de responder a essa questão. A Filosofia, como sempre, é o melhor caminho. Por ora, não tenho resposta ara essa pergunta, algum dia talvez a tenha, mas seja como for, ela virá ou não por via de uma tentativa racional.

17 comentários:

  1. E PODE SER:A FILOSOFIA PODE SER MELHOR CAMINHO PARA TENTAR ENTENDER ESSAS QUESTÕES DO QUE A PROPIA CIÊNCIA.

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  2. Oi Hugo,

    ontem gastei uns minutos do meu dia ouvindo o sermão da pastora Carol, a moça que se casou com o Kaká. Mudou minha vida! Por isso escrevi o post de hoje! hehe
    Aproveitando a deixa do seu comentário familiar. Eu tinha uns 9 anos quando fazia as aulinhas da primeira comunhão. Fazia de manhã e tenho dificuldades, até hoje, em manter uma vida matutina. Meu pai ia me levar para a Igreja e na rampa da garagem, acho que ele percebeu minha expressão contente, me perguntou: você ainda quer fazer a primeira comunhão? eu disse: não, pai. Ele me mandou de volta pra cama e nunca fiz a primeira comunhão. O engraçado é que até hoje se brinco com alguma coisa "de deus" com meus pais, eles brigam comigo. Devem ter se arrependido de ter me dado escolha! Um abração

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  3. Flávia,

    Eu tive vontade de dizer também um "não, pai" nos tempos de catecismo (tinha uns nove também), mas tive medo de magoar a minha mãe que fazia tanta questão daquilo - mas acho que eles teriam me ouvido. No fim das contas, essa experiência acabou sendo o que me afastou da religião: Já muito cedo, via que o catolicismo não explicava o que eu queria saber, nem explicava as coisas do jeito que eu queria saber.

    Abração

    P.S.: Pastora Carol? Eu já não tenho mais paciência para assistir essas coisas, estou ficando velho e ranzinza :-))

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  4. Hugo,

    Artigo bonito, bem mais sensato do que a defesa xiita do ateísmo que tenho lido por aí.

    O fato de você ter trazido seu relato pessoal o enriqueceu tremendamente.

    Se entendi bem, creio que compartilhamos da crítica aos ateus que dizem acreditar apenas na ciência, por não deixar de ser essa uma crença dogmática, repositada num ente que, assim como as religiões institucionais, errou enormemente e causou danos enormes ao longo dos séculos - e continua causando.

    Mas um aspecto que escapa à maioria das discussões sobre ateísmo é que a fé não pertence ao âmbito racional (e portanto não pode ser traduzida em palavras senão por mímese), nem ao âmbito emocional (embora a este se ligue), mas ao plano espiritual. Não é, portanto algo passível de ser racionalizado - na minha opinião nem mesmo filosoficamente: ou se tem fé ou não, ou se sente a presença, a existência e a comunhão com Deus ou não. É inútil racionalizar.

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  5. Maurício,

    Aquilo que eu critico negativamente é a dogmática: Partir de premissas inquestionáveis para se chegar a uma conclusão; creio que a busca pelo conhecimento da dimensão objetiva e real das coisas passa pelo constante questionamento das suas premissas. Isso não quer dizer que todo ateu seja dogmático ou todo aquele que defende a Ciência o seja, mas que o dogmatismo corrompe a própria Ciência criando um cientificismo e que sim, existem ateus dogmáticos.

    A questão da resolução dessa pergunta que eu levantei, não passa pelo crivo da fé porque ela se sustenta em premissas inquestionáveis previamente fornecidas (dogmas) ou na Ciência tal e qual a compreendemos (por conta da dificuldade praticar uma experiência nessa escala), mas sim na especulação filosófica; na razão e na sua própria transcendência, gnosticamente.

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  6. Sou ateu, graças a Deus! Nem primeira comunhão eu fiz.

    Mas até acredito em algumas coisas... por exemplo, juro que pedir ajuda a São Longuinho dá certo!

    As religiões todas são, ao meu ver, um conjunto de mitos e estórias fermentadas pela imaginação popular por dezenas de milhares de anos, que tentam explicar, numa linguagem metafórica, qual o(s) sentido(s) da vida. Às vezes, surge algum messias que conglomera vários desses mitos - Jesus, Maomé, Moisés, Buda. Não à toa, várias religiões compartilham mitos e preceitos parecidos, em virtude das migrações populacionais de eras passadas que não só transportaram pessoas, mas também idéias.

    O problema são as instituições religiosas. No processo de formação do Estado, há muito tempo, as elites dominantes de então precisavam de um elemento de coesão social para consolidar seu domínio sobre a população - esse conjunto de mitos foi então apropriado (e monopolizado) pelo sacerdócio e utilizado como ferramenta de controle social.

    Religião é a cultura do povo jogada contra ele mesmo.

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  7. E quanto à religiosidade jurídica, Hugo?

    Estava no Biscoito Fino agora há pouco, no último texto sobre o golpe em Honduras. Era previsível que alguém escreveria um comentário justificando o golpe pela 'leitura constitucional' dos fatos:


    O golpe, segundo a CONSTITUIÇÃO HONDURENHA, era o que pretendia o Zelaya


    O Idelber assim o respondeu:


    Ora, como pode um documento de papel escrito em 1982 ler a mente de Zelaya em 2009?


    E olha só como o sujeito fez a retórica:


    Documento de papel? a Constituição?
    IMPRESSIONANTE!


    Num debate que assisti na TV Paraná Educativa sobre o toque de recolher para a juventude que algumas cidades do interior tinham decretado para 'diminuir a criminalidade', havia um promotor que, ao falar diretamente para a câmera, empunhava a constituição numa mão e com a outra apontava com o dedo indicador para o alto. Parecia um pastor.

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  8. Victor Seiji Endo29 de julho de 2009 06:45

    Max Weber ( e antes dele alguns libertinos franceses mas sem o embasamento e o aprofundamento teórico do primeiro ) já discorriam acerca desta questão da separação entre fé e ciência. Acho que uma não deve interferir na outra pois se tratam de esferas diferentes que tem um autonomia e uma objetividade própria e particular.

    Agora, o que eu acho muito engraçado são aqueles ateus radicais ou alguns anarquistas libertários por exemplo que são irônicos, ou, em casos extremos, ofendem aquelas pessoas que dizem crer em uma religião especifica - principalmente o catolicismo - mas são ( os ateus ) ao mesmo tempo á favor e apoiadores do relativismo cultural. Uma contradição tão gritante que até Karl Marx levantaria do túmulo de tão assustado e impressionado.

    Sou católico e acredito em Deus mas não deixo que minha crença ( ou minhas ideologias politicas ) interfiram na minha análise cientifica de um determinado tema assim como um ator de teatro ou cinema não deixa que as caracteristicas de um personagem interpretado pelo mesmo reflita exatamente a sua real personalidade na sua vida privada e cotidiana.

    Acredito que os chamados ''crentes'' da ciência não devem tentar impor juizos de valores acerca do assunto Religião em especifico, mas se atentar a realizar pesquisas cientificas sobre ele. Como foi falado aqui , uma discussão mais acalorante e aprofundada compete á Filosofia

    Abraços

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  9. Luís Henrique,

    Eu tendo a concordar contigo acerca do credo em si e as instituições, mas só até o ponto em que dá pra separar o credo das instituições - sim, eu levantei muitas vezes essa bola, mas hoje eu vejo que nem sempre os dois estão separados.

    Sobre a Religiosidade Jurídica, isso não merece um post, mas um livro - e um pouco de divã, haja vista que eu tenho de aguentar isso diariamente.

    Tentando sintetizar a questão, você pega a palavra "jus" e ela tem origem lá no sânscrito como um ordem sagrada; em Roma e nas cidades da Heláde, política, direito e religião se confundiam a princípio; em Roma havia o jus fetiale que consistia nas decisões que os sábios extraíam da leitura das vísceras dos animais em cerimônias sagradas - os "fetos" ou "fatos" e que que também dá origem palavra "feitiçaria".

    Mesmo com a superação do jus fetiale e a instauração do jus civile, o direito mesmo saindo da esfera do sagrado e passando para o humano - o político -, ele conserva características religiosas nos seus ritos e enunciados.

    As coisas caem de novo no colo da religião na Idade Média e quando vemos a superação disso - notadamente nas duas últimas revoluções burguesas -, o positivismo jurídico parido pelo liberalismo da Europa Continental conserva o que eu chamaria de sacralidade laica.

    Mesmo com as transformações do pensamento jurídico seja com o publicismo germânico ou o pós-positivismo jurídico, isso não é definitivamente superado; nem mesmo a Revolução Russa e o Socialismo leninista superou isso no Leste Europeu - principalmente pela participação decisiva e Stalin, o que deu num normativismo codificado com pinceladas vermelhas e nada mais.

    Daí, você chega num debate sobre Honduras e um cara tá alegando se o que está escrito numa folha de papel justifica aquela bárbarie ou não - felizmente não, mas veja só a forma de raciocínio que é feita: É como se a realidade estivesse em função de um papel e não o contrário.

    Há quem diga que o racionalismo está esgotado, mas, honestamente, se você pega um ramo do saber humano do porte do Direito e ainda encontra irracionalidades como essas - recorrentes nessa verdadeira metafísica chamada doutrina jurídica -, você vê que a humanidade pode perecer de tudo, menos de excesso de Razão.

    abraços

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  10. Grande Victor,

    Concordo plenamente que a fé não pode ser confundida com a ciência - há quem o faça, mas isso resulta em verdadeiros desastres.

    A história do relativismo cultural, como já debatemos pessoalmente, deveria ser seriamente repensada por certos campos da esquerda; virou chique ser relativista, mas as pessoas conciliam isso com conceitos um tanto incongruentes - veja só, não faltam ditos comunistas que andam com camisas de organizações fundamentalistas islâmicas por aí. Honestamente, não sei até que ponto se é possível conciliar racionalismo com relativismo.

    Mas também devemos ponderar que muitos ateus se posicionam de forma agressiva por uma questão de auto-afirmação diante do fato de serem minoria e sim, serem discriminados.

    Sobre os crentes na ciência, eles deveriam mesmo rever suas posições porque a ciência resiste a muitas coisas, menos dogmas - um deles, a própria objetividade.

    Enfim, fico feliz por você ter concordado quanto a proposta da reflexão filosófica para tentar explicar essa relação de causa e efeito.

    abração

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  11. Se entrei em uma igreja depois da meninice mais que dez vezes, foi muito. Comunhão e confessionário então... conto nos dedos de uma mão. Dogmas e doutrinas me enjoam. Mas, pequenino que sou, ainda me encolho no escuro, debaixo do cobertor, e peço, a quem quer que seja, que olhe por mim e pelos meus, que me livre das barbaridades que vejo por aí dia sim, outro também, que me ajude a viver.

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  12. Hugo,

    Bem, foi o que eu disse - as instituições religiosas se apropriaram das crenças populares e monopolizaram a interpretação delas. Por isso que nem sempre é possível separar crença e instituição.

    Já sobre o relativismo cultural, eu o apoio. Penso que se o ser humano é fruto do meio em que vive, não existe uma dicotomia 'bem e mal' absoluta e ninguém escolhe os pais, o comportamento diametralmente oposto ao relativismo cultural/multiculturalismo - o etnocentrismo - não tem razão (palavrinha chave) de ser.

    Os 'comunistas que andam com camisas de organizações fundamentalistas islâmicas por aí', geralmente para demonstrar solidariedade ao povo do oriente médio covardemente bombardeado por armamento high-tech, extrapolam o (necessário) combate ao orientalismo numa demonstração altamente equivocada (e infantil) de apoio ao absolutismo moral de um certo grupo - justamente o contrário do que se espera de quem se auto-intitula defensor do relativismo cultural/multiculturalismo!

    O que você disse sobre a objetividade eu concordo plenamente. Não é possível abstrair a nossa pessoa, ou seja, isolar a mente numa espécie de Torre de Marfim para então efetuar uma análise científica qualquer com uma pretensa objetividade. De onde essa objetividade vem, afinal?

    Sempre que alguém vem com discurso em prol da 'objetividade pura', o faz massageando o próprio ego - é como se dissesse: 'eu vejo tudo, ao contrário de vocês que vestem o cabresto ideológico' de uma forma mais polida.

    Um abraço

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  13. Luis,

    Mas e quando as crenças, melhor dizendo, as regras e princípios de uma determinada religião trazem em si a fundação de instituições? Voltemos à religião jurídica: Na Constituição Federal encontramos normas constitucionais de princípio institutivo ( art. 89, p. ex.), ou seja, é o momento onde a regra funda a instituição e, nesse momento, elas são indivisíveis.

    Durante muito tempo, eu efetuei essa divisão, mas hoje eu vejo que ela nem sempre é possível - talvez apenas só quando as instituições criam práticas não previstas para alimentar o jogo interno de poder (venda de indulgências, p. ex.), mas ainda assim, há casos em que a instituição repete o que a prática determina e isso não é necessariamente bom.

    Sobre a questão do relativismo, creio que o ser humana é, em parte fruto do meio, mas em parte da sua natureza, ou seja, daquilo que nos une - brasileiros, chineses ou finlandeses - enquanto uma única raça. Não acredito que situação seja uma necessária dicotomia expressa por relativismo x etnocentrismo, mas que há sim a possibilidade de um universalismo de convergência - não é possível todos os povos terem razão, nem um povo apenas ter razão, mas que haja uma razão que seja acessível a todos os povos e que ele possam compartilhar seus conhecimento e, sim, corrigir os erros dos outros.

    No caso dos comunistas que andam com camisetas de organizações fundamentalistas islâmicas, creio que é possível perfeitamente ser solidário ao povo árabe sem usar camisetas do tipo; é mais ou menos, aquela coisa de unir todos que são contra o imperialismo ocidental, mas peraê, mesmo que o cara seja defensor da teocracia?

    Na questão da objetividade científica, Victor e eu normalmente quebramos o pau discutindo isso - fraternal e lealmente, claro, daí a cutucada. Eu sou mais pela assunção da nossa subjetividade e da nossa parcialidade seguida do necessário afastamento crítico como primeiro passo para a honestidade científica.

    abraços

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  14. Victor Seiji Endo1 de agosto de 2009 14:31

    Para Hugo e Luis

    LUis, você havia colocado uma questão em seu post onde você escreve ''De onde essa objetividade vem afinal??''. POis bem, esta objetividade está literalmente no próprio conjunto e pluralidade de subjetividades ( modos de pensar, ideologias, culturas, estilos de vida, gostos...etc) que existem e compõem a própria realidade social e que passa por transformações regidas pela vida cotidiana. Elas ( as subjetividades ) se tornam uma objetividade porque á partir do momento em que, racionalmente falando, o individuo ou pesquisador constrói, organiza e molda teoricamente um objeto de pesquisa e se atendo também na busca da identificação de uma metodologia analitica que apreenda aquele objeto em especifico ( lembre-se que ''OBJETO de pesquisa'' e ''TEMA de pesquisa'' são conceitos bastante diferentes, assim como MÉTODO e TÉCNICA )ele chega á um resultado que muitas vezes irá lhe surpreender por ser diferente daquilo que era de seu conhecimento. Descobre-se desta maneira novas nuances da própria realidade social.
    Grande Hugo ( companheiro das discussões acaloradas haha ), na minha análise da questão posta aqui por você ( muito adequadamente diga-se de passagem ) não dá para ser honesto cientificamente sendo parcial porquê ai você não entra justamente na questão da objetividade, que infelizmente é tão criticada e mal- entendida. Muitos pesquisadores que não conseguem ser imparciais em suas pesquisas pecam principalmente em entender que POlitica, REligião e Ciência para exemplificar são esferas e campos DIFERENTES, cada uma composta por signos e simbolos especificos, relações objetivamente diferenciadas entre seus agentes e instituições...etc. Se há uma interligação ou interferências entre os campos ela se dá por consequencia da manifestação e do prevalecimento dos interesses particularistas - portanto parciais e tendenciosos- em completo detrimento da preservação do coletivo ( lembrando que uma simples soma de individuos não forma o CORPO COLETIVO )´. Deve-se tomar bastante cuidado em dizer que a Neutralidade Axiológica é um mito. Aliás, não se esqueça que para ser parcial é necessário ser primeiramente imparcial. Por exemplo, você não gosta de uma determinada ideologia ( parcialidade ) porque você inicialmente apreendeu os conceitos referentes á esta ideologia de uma forma IMPARCIAL


    Nas Ciências Sociais muitos estudantes comodamente dizem que não existe imparcialidade pois sabem que suas ''análises'' ( mais parecendo opiniões no caso ) estão cheias de juizos de valor como ''liberalismo de merda, ''porco capitalista'', ''fascista autoritário'', ''marxista ultrapassado''...etc. Não estou dizendo de modo algum que nós nunca devemos fazer juizos de valores, mas na esfera da ciência, ou seja, quando se está escrevendo uma tese ou pesquisa acadêmica por exemplo, deve-se procurar abstrair estes pré-conceitos e para mim em particular isso é bastante fácil ( não qurerendo ser egocêntrico mas sim VERDADEIRO ). Me considero, se for para me taxar ideologicamente, de centro-esquerda mas não deixo que minha convicção politica interfira nos meus ESCRITOS CIÊNTIFICOS. Agora, tomando uma cervejinha no bar ou fora da sala de aula na universidade posso discutir minhas opiniões livremente. e o Hugo por exemplo sabe disso, hehehe.

    Só reiterando que se trata somente da minha análise e cabe um novo aprofundamento deste tópico caso achem viável.

    Abraços.

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  15. Victor,

    Aristotelicamente pensando, a questão novamente vai para além do binarismo que se apresenta inicialmente. Veja, o que esses estudantes fazem não é falta da objetividade, mas sim a exaltação da doxa sobre a epistemé, isto é, da opinião sobre o conhecimento - em suma, aquilo que a Filosofia se prestou a pôr fim em tempos remotos.

    Exemplos disso vão desde os estudantes de Ciências Sociais que escrevem "porco capitalista" até casos extremos como teses soviéticas de "partidarismo da história" - que resultavam em livros de História escolares onde constava que o Tratado de Tordesilhas foi entre Rússia e a Turquia e que foram os russos que inventaram o avião.

    O que eu proponho é o estabelecimento de uma metodologia que afaste a pretensão da objetividade - haja vista que estamos irremediavelmente limitados ao nosso ser -, mas que também não implique numa dogmatização da subjetividade que resulte em pura doxa.

    É partir de um ponto que reconheça a nosso subjetividade para tentar supera-la mirando na dimensão objetiva - na qual não estamos, portanto, não somos objetivos, nem chegaremos, mas não custa tê-la como caráter de meta para projetar o reflexo mais fidedigno da verdade.

    Pensemos no jornalismo. Não podemos escrever uma reportagem partindo da premissa da objetividade, pois no fim das contas o que estará ali é o nosso sujeito contando uma história sob a prerrogativa da infalibilidade; também não pode se acomodar diante do mundo das aparências e das opiniões, posto que aí teremos um fraude: O texto de ficção vendido como reportagem. O caminho é o reconhecimento da nosso subjetividade, narrando o fato de um modo que deixe claro para o nosso leitor que aquilo se trate de um ponto de vista possível feito por um determinado tipo de pessoa. É a isso que eu tomo por honestidade.

    abração

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  16. Victor Seiji Endo1 de agosto de 2009 21:48

    Hugo

    Concordo plenamente com você meu caro Hugo. Quando falei na objetividade não quis me referir á uma busca por absolutização universal e indiscutivel. Mas sim objetividades dentro da dimensão da investigação metodologica dos fenômenos e fatos sociais como forma de garantir um desenvolvimento epistemológico do próprio campo acadêmico no caso. É claro que se formos transferir essa prática para o Politico estaremos justificando o Totalitarismo ou uma Ditadura

    Agora, é como você falou, devemos preservar nossa subjetividade pois não somos objetivos á priori mas sempre ter como parâmetro a meta de uma objetividade. Pois se ficarmos somente na subjetividade e na pluralidade deixando tudo como está estaremos legitimando o individualismo, o descompromisso, a desconfiança e a liquidez ( de liquido mesmo, nada a ver com o conceito da Economia ) dos vinculos e valores sociais.

    E fora a premissa de que os russos inventaram o avião e de que o Tratado de Tordesilhas foi realizado entre Russia e China, o Stalinismo ainda exzigiu que todos os acadêmicos do país escrevessem algumas teses sobre o chamado ''Darwinismo Socialista''. Essa é pra morrer...de rir.

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  17. Victor,

    É bom saber que chegamos a um entendimento sobre esse assunto.

    P.S.: A do Darwinismo socialista é de matar de rir mesmo - se não matar de desgosto antes.

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