Este blogueiro que vos escreve já gostou tanto de futebol, mas tanto, que é até difícil dizer. Hoje, não muito. Sim, um pouco do meu desgosto tem a ver com as desditas do bom e velho Palmeiras - não tanto pelas derrotas, mas pela maneira particularmente tristes como elas se sucederam nos últimos anos -, mas o desânimo tem muito mais a ver com dinâmica do futebol mundial nos últimos anos e, em particular, do brasileiro. Muitas coisas colaboram para isso, desde o derretimento do futebol numa massa pastosa e indeterminada à luz de holofotes tantos até a degeneração do craque em celebridade e garoto-propaganda que (eventualmente) joga bola, passando, ainda, por uma imprensa esportiva que cansa (e como). Boa parte dos jovens craques brasileiros, nascidos e crescidos numa época em que os "empresários" controlam o mundo da bola e o grande objetivo é jogar num clubegrandedaeuropa - que, não raro, se torna um clube da segunda divisão italiana que lava dinheiro para máfia -, se perderam ainda tão novos e hoje fazem bons comerciais de Televisão, mas não conseguem construir uma carreira minimamente estável. Um grande exemplo da nossa época é Ronaldinho Gaúcho. Era para ter se tornado um dos nossos grandes, mas se apequenou (e como) num mundo de glamour, altos salários e paparicação sem limites; depois de grandes temporadas no Barcelona, refugou vítima do próprio ego, se omitiu de responsabilidades, desapareceu numa Copa do Mundo na qual tinha tudo para brilhar e diminuiu no próprio futebol de clubes. Eis que depois de uma mal-fadada ida para a Itália, ele reaparece num verdadeiro leilão, onde seu irmão-agente - o equivalente contemporâneo da mãe de miss - o oferece para clubes ávidos por darem satisfações às suas torcidas, tudo em troca de um salário maior do que aquele que ele ganhava no Milan. De repente, todos ganharam o que queriam, Ronaldinho volta a ficar em evidência e irá ganhar um baita salário no Flamengo, enquanto dirigentes de Palmeiras e Grêmio se mostraram pró-ativos. Um grande espetáculo midiático que, naturalmente, não garante nenhum espetáculo futebolístico futuro - como tem sido a tônica da carreira do meia gaúcho nos últimos anos. Torço para que ele dê certo na Gávea, apesar de duvidar que isso aconteça - e se acontecer, tenho dúvidas que isso seja minimamente duradouro -, mas não tenho como não ficar feliz por ele não ter ido para o Palmeiras...