quarta-feira, 18 de agosto de 2010

Debate entre os Presidenciáveis no TUCA


Multidão chegando ao TUCA

Hoje pela manhã, a UOL promoveu o segundo debate entre os presidenciáveis - que assim como o de ontem entre os candidatos ao governo de São Paulo, ocorreu no TUCA. Novamente, o mesmo esquema, nada de estudantes dentro, um telão no auditório 333 - só que desta vez, além da transmissão ter enroscado pelo grande fluxo de internautas, o esquema de transmissão interno no auditório estava pior. Sim, meus caros, foi tudo precário e provisório. Para além dos problemas puquianos, não posso deixar de comentar a gloriosa manchete que estampa a reportagem e o arquivo dos vídeos daquele portal, de propriedade do Grupo Folha: Dilma Rousseff e Marina Silva miram José Serra, que eleva tom contra o governo e contra o PT; mais parece que José Serra, coitado, era uma vítima indefesa e que houve uma união de forças para ataca-lo, o que não corresponde ao que foi o debate, tanto pelas regras que o próprio UOL estabeleceu impedindo que as perguntas se concentrassem sobre um único candidato quanto pela disposição das próprias candidatas, afinal, Serra sequer está em primeiro; notem, no entanto, que a linguagem é clara, quando Dilma e Marina marcaram posição, estavam mirando em Serra, quando Serra fez o mesmo ele apenas elevou o tom - o que não é problema algum, afinal, a essa hora do campeonato é perfeitamente natural acontecer algum tensionamento, o que não dá é para um portal construir uma manchete assentada numa hierarquia cínica entre os posicionamentos, onde se Serra bate nas suas adversárias só está "subindo o tom", se apanha, e hoje ele apanhou bastante, está sendo "mirado". Por sua vez, a presença de apenas três candidatos à Presidência da República, dentre nove, no debate trata-se de uma burla ao processo eleitoral, fato gravíssimo num país que gasta tempo e energias numa falácia como a Lei da Ficha Limpa, mas não atenta para esse detalhe essencial. Posto isso, vamos à análise da materialidade do debate.


A mediação de Fernando Rodrigues, com o perdão do sarcasmo, foi mediana; ele não se comprometeu, não cometeu erros, mas também não brilhou. No primeiro bloco, os candidatos pareceram bem mais soltos do que no debate da Band, Dilma e, sobretudo, Marina começaram num ritmo alto, Serra foi surpreendido por isso. No duelo pessoal entre Dilma e Serra, quando a candidata petista perguntou levantou a bola da Ação Direta de Inconstitucionalidade impetrada pelo DEM contra o Prouni - programa de concessão de bolsas para estudantes de baixa renda em universidades privadas -, afinal, já que tal partido é justo o do vice de José Serra, como poderia o PSDB estar propondo ampliação das vagas no ensino superior no mesmo estilo do Prouni? Serra saiu-se mal, tergiversou, fez acusações ao PT em relação às leis e programas que aquele partido já foi contra e hoje é a favor, mas não respondeu, Dilma respondeu bem ao dizer que naquelas ocasiões o PT errou e reiterou a mesma pergunta, Serra se perdeu e saiu mal. No confronto entre Serra e Marina, apesar da candidata do PV ter perdido o timing no fim, ela acabou com o candidato tucano quando lembrou a questão da educação em São Paulo, administrada há "20 anos pelo PSDB" - não são 20, são 15, mas não deixa de ser muito - e de onde Serra não leva nenhum projeto seu para sua candidatura à Presidência, em virtude dos péssimos índices alcançados - educação é a pedra no sapato de qualquer candidato tucano hoje, especialmente dos paulistas, asseguro que não à toa. No que toca a reforma política, Marina e Dilma concordaram em essência, uma constituinte exclusiva para a reforma política, mas enquanto a candidata verde atribuía a não realização de tal reforma durante o governo Lula ao arco de alianças que garantiu a governabilidade e engessou tal mudança, Dilma respondeu que dessa vez será diferente e que haverá empenho do próprio Lula, fora do Palácio do Planalto, para levar isso adiante - foi um bela questão, mas de um lado nem Marina explicou como governar sem o arco de alianças atual, nem Dilma conseguiu explicar porque agora será diferente a questão da constituinte especial para tal reforma também não ficou nem um pouco clara.


Serra levantou a bola dos problemas no ENEM contra Dilma. Ok, foi um erro uma falha, o "problema" do vazamento, que aconteceu na gráfica, ainda está sob investigação, mas o que fica é que uma pergunta irrelevante para o debate educacional, um verdadeiro balão de ensaio - se Serra quiser, precisará dar um jeito de dar substância às suas propostas educacionais e refinar sua capacidade de debate na área. A falácia das escolas técnicas, também levantada por Serra e denunciada por Dilma, foi um exemplo disso. Dilma perguntou para Marina  sobre desenvolvimento, a petista levantou a bola para o Governo Lula, Marina pautou a questão ambiental, do desenvolvimento sustentável e disse que mudanças foram fruto de ambos os governos. Depois, a candidata verde lançou uma pergunta para Serra sobre políticas de desenvolvimento para a periferia, reclamando do aumento de aumento da agressividade do debate, o que não fez muito sentido, pois ninguém destoou até ali, embora tenham sido mais agressivos do que na Band - Serra saiu declinando sobre seus programas em São Paulo de forma mecânica, mas a réplica de Marina foi genial, ela lembrou da favela de plástico do programa eleitoral serrista e dos problemas nas comunidades paulistanas que ela visitou, ele tergiversa e retoma a questão da educação, dizendo que o problema é nacional, mas não consegue defender a política tucana de ensino público.


No terceiro bloco, Dilma levantou a bola da ampliação do acesso à Internet e suas potencialidades educacionais para Marina e as duas fizeram uma bola tabelinha em relação a um tema fundamental. Marina jogou a questão da reforma política para Serra que não admitiu ser contra, nem se disse a favor e ficou em outra posição estranha no debate - daí, saiu-se com uma proposta que ele declarou como "gradualista" e defendeu o voto distrital (?!). Serra fez uma pergunta Dilma sobre carga tributária, alegando que temos a maior carga tributária do mundo - não, isso é um erro factual - e fez críticas à política tributária do governo Lula, mas Dilma saiu-se com alegação de que houve sim queda nos impostos no Governo Lula assim como também defendeu a Reforma Tributária, Serra replicou fazendo críticas ao Governo Lula e dizendo que Dilma só "olha para o retrevisor", Dilma treplicou dizendo que o Governo atual fez o Estado voltar a investir e de que o Governo praticou substituição de impostos durante a crise e Serra omitiu isso.


Os outros blocos, dedicado às perguntas feitas por vídeos pelos internautas para os candidatos - que pareceram verossímeis - foram bons, mas não acrescentaram muito. Dilma saiu-se bem de uma pergunta espinhosa sobre aborto, uma dura - mais fácil - sobre a possibilidade dela ser uma candidata biônica e o final sobre o fato da estabilidade ser mérito não só do Governo FHC como do dela - daí, ela joga pelo meio e disse que em parte sim, mas lembrou da crise que os petistas tiveram de resolver quando entraram no poder. Marina teve questões leves e Serra teve dois momentos impagáveis, o primeiro quando defendeu Roberto Jefferson - encampando a tese do próprio de que ele, na verdade, foi o herói que denunciou tudo isso - e o segundo quando disse que não era o candidato das elites. O nível material do debate foi consideravelmente melhor do que debate da Band e se Dilma saiu-se muito melhor, cortando da centro-esquerda para o centro, defendendo o Governo Lula - e marcando a sua participação nele - e propondo reformas - além da ampliação do acesso à Internet -, Marina também o fez, pontuando melhor sua pauta - mas se Dilma precisa parar de ser tão reticente nas suas falas, Marina tem de aprender a marcar melhor o tempo de fala -, Serra, por sua vez, enroscou em vários pontos e tergiversou bastante - embora tenha melhorado formalmente da Band para cá, suas adversárias melhoraram muito mais do que ele, materialmente, ele se pegou diante de situações que não sabia, nem tinha como, explicar e isso ficou claro.


Na saída, aconteceu uma das coisas mais insólitas que eu já vi, com Serra saindo por alguma porta secreta do Tuca que dá para a Rua Bartira e a multidão - um pessoal do movimento Gay e alguns grevistas do Judiciário, além de uma maioria de estudantes - indo atrás do carro dele que acelerou - deusmeu, se até em Perdizes tá desse jeito, imagina só na periferia. Enquanto a confusão rolava, Dilma saiu e foi para a multidão, deu autógrafos, abraçou as pessoas e até eu cheguei a cumprimenta-la. Marina não sei por onde saiu também. Nunca imaginei, no entanto, que os tucanos dissimulassem tão mal em público e que os petistas - digo figurões do PT - fossem para o meio dos reles mortais - e não me venham falar que os grevistas estavam lá por alguma conspiração lulopetista bizarra porque eu estava a um metro de Mercadante quando eu o vi ir até  o manifestante do judiciário perguntar sobre do que se tratava a manifestação deles. Aliás, a cena de Dilma na multidão foi das coisas mais surpreendentes que poderia imaginar, uma candidata à Presidência de um dos dez maiores países do Globo indo até a Plebe - digam o que quiser sobre o PT, eu até vou concordar em grande parte das críticas, mas compara-lo ao PSDB não dá e não dá mesmo.


Fotos:




  

Mercadante dialogando com o público que esperava a saída dos debatedores.















Dilma cumprimenta a multidão - deu trabalho tirar essa foto, consegui cumprimenta-la também, mas não deu para fazer isso e fotografar ao mesmo tempo, fiquei impressionado: Dilma é mais baixinha do que eu que tenho 1,73 ;-)







  Serra escapa da multidão, pela porta dos fundos, na Rua Bartira.
























A turba, sempre ela.


Autógrafo de Dilma

20 comentários:

  1. Hugo,

    Bacana as fotos!
    Não dá mesmo para imaginar o Serra sendo recebido com carinho pelo povo, aliás Serra e povo são duas coisas que não combinam. Para mim é um mistério que ele ainda tenha 30% das intenções de voto.
    Eu só assisti aos dois primeiros blocos, mas tive uma impressão um pouco diferente da sua. Para quem não acompanha outras fontes de informação, além dos jornalões, as estocadas de Serra no PT e na Dilma podem surtir efeito,ainda mais porque a candidata do PT, embora tenha melhorado bastante, tem muito menos malícia que o Serra. Ele é raposa velha, sabe onde bater. E vai bater cada vez mais forte.
    Voto em Dilma, o desempenho dela nos debates não fará diferença no meu voto, mas eu confesso que fico nervoso quando assisto as suas participações em debates e entrevistas, ainda mais quando, com apenas um minuto e meio para responder a uma ofensiva, ela começa com: "Olha, deixa eu te falar uma coisa...." Até aí já se foi quase um terço do seu tempo. Sou péssimo para falar em público e sei que não faria melhor, nem acho justo exigir mais dela, mas...ela é a minha candidata, a melhor, na minha opinião.

    Abraço!

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  2. Obrigado, Arthur e Patrick ;-) Edu, eu discordo de sua análise. O Serra hoje foi muito mal, as estocadas que ele deu - e como deu - são aquele velho discurso de pregação para convertido - mas é de uma espécie tão ruim que afasta sim um eleitorado centrista que ele precisa demais neste momento. Na questão do Prouni e da Reforma Política ele se saiu muito mal. Dilma foi muito bem e Marina surpreendeu depois de um péssimo debate na Band. Eu também imaginava antes de hoje que a relação entre tucanos e o povo não era exatamente uma lua-de-mel, mas o que se viu hoje foi algo bizarro, até numa coisa aparentemente corriqueira como a saída de um teatro onde rolou um debate, mostrou que essa relação está chegando a um brutal extremo - enquanto, por outro lado, o PT foi se tornando um partido mais e mais popular.

    abraços coletivos

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  3. Hugo,

    Espero que o seu ponto de vista em relação ao desempenho do e da Dilma Serra nos debates esteja mais correto que o meu. Eu dou aula para o terceiro ano do ensino médio e o ENEM, poe conta dessas trapalhadas todas, perdeu parte da credibilidade que tinha entre os alunos. A imprensa reforça isso e o Serra aproveita.

    E a Marina? Parece que resolveu disputar eleitores com o Serra. É novidade ou eu é que estava perdendo alguma coisa?

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  4. Sobre o caso do Enem, eu vejo que isso abalou sim a prova, mas não a tirou sua credibilidade. A imprensa reforça muitas coisas, mas se isso funcionasse bem, certamente Lula nem seria mais o Presidente do Brasil - e tudo virou um grande Pedrinho e o Lobo sem lobos; há uma exaustão do público em relação a grande mídia e seu jeito de denegrir. Uma capa daquela da Época contra Dilma seria um estardalhaço há dez anos atrás, enquanto hoje é um traque. Acho que Marina corre pelo meio, o ponto é que se Dilma está à esquerda cortando para o centro, Marina se põe no meio e Serra é o candidato da direita que lá se acomoda - por estar iludido e por ter poucas saídas.

    abração

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  5. Cara, como eu queria um autógrafo desse!

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  6. Hugo, belo post, bela reportagem - parabéns!
    Permita-me convidá-lo e a todos os seus leitores, para o lançamento de meu livro "A Imprensa x Lula - golpe ou 'sangramento'?"
    Será neste sábado, dia 21, das 17:00 às 19:00 horas, no stand da All Print Editora (Rua L 44), na Bienal Internacional do Livro de São Paulo.
    Um abraço, espero vê-lo por lá!

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  7. Belo post, faltou porém, falar sobre o cruzado que a Dilma deu no Serra, quando este foi falar de saneamento.

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  8. Pois é, não é Alexandre, isso ainda vai ser uma raridade ;-) Parabéns pelo novo livro Antônio, farei de tudo para estar lá no lançamento; muito bem lembrado Anônimo ;-)

    abraços

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  9. Ótimo texto.
    Vim pela indicação do "Biscoito fino...", e gostei muito.
    Pena que não deu pra ver o Serra "interegindo".

    Abs

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  10. Olá, Roberto, pois é, o negócio foi incrivelmente rápido, Serra passou por alguma saída que desconheço do Tuca, foi uma coisa bem non-sense - e idiota, sem dúvida. Essas fotos que eu tirei foi (literalmente) na correria.

    abraços

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  11. Cara, não consegui terminar de ler esse texto. Já pensou em dar uma revisada? Está MUITO mal escrito.

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  12. Hugo, adorei esse seu post!
    Mas Eduardo, se você me permite, "deixa eu te falar uma coisa":eu adoro quando a Dilma diz: "olha, deixa eu te falar uma coisa..."
    Isso é uma pérola do modo de se expressar mineirês.É mais ou menos uma expressão denotativa.É trem bão, uai!
    Ela não é candidata à âncora ou apresentadora de televisão.Isso de performance muito estudada, enlatadinha, "mericanizada',isso é que pegaria muito mal, sendo Dilma o luxo de pessoa humana que é! Ela esbanja valor humano,inteligência e coragem para a luta política.Esse é que é o "segredo" do avassalador encanto dela.
    O Lula curou os brasileiros dessa coisa toda que "já vem malhada antes de você nascer."
    Aqui é Brasil e já até merecemos ver essa menina de Floripa,Julie Philippe,estudante de Jornalismo, que aos seus lindos 18 anos,vai cantando:
    http://www.youtube.com/watch?v=sMGrqJuiA9g
    e tantas outras músicas bonitas que a gente pode ouvir no You Tube.
    Viva os muitos cantares e falares do Brasil!
    Bj.
    Maria Lucia

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  13. Também adorei o seu post,Hugo!
    Tá muito bem escrito,a meu ver, uma vez que depressinha vc cumpriu o dever de nos informar. Se no calor da hora, faltou uma regrinha gramatical, isso só dá animação e cor local. Acorrege, não!
    Daqui do Rio acompanho sempre o seu blog e até queria lhe pedir um post analisando o porquê dos paulistas estarem nessa empolgação com o Alckmin. Pelo viés carioca, ele não daria nem pro café.
    Me explica,meu irmão, como é que pode, qual o "segredo" dessa fissura do paulista por esse robô de opus dei.
    Fico grilada com isso. Daqui,sonho com uma virada, nem que seja de uma vitória suada e de chegada, e no segundo turno, do Merca. Que pode não ser uma perfeição mas, dentro do quadro político paulista e nacional real,no meu fraco entender, é o melhor.
    Bj.
    Aline Nogueira

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  14. Pois é, Aline, eu escrevi isso voando e muito embora concorde que a forma tem importância num texto, o significado é muito mais relevante - e não é porque eu estou falando de um post meu não, é questão de princípio mesmo. O formalismo gramatical - e o ortográfico também - é parte da ideologia de dominação: Não importa o que você escreveu, mas como você escreveu - e o "como" certo, só alguns "iluminados" conseguem acessar, na verdade, por uma questão de oportunidade ou de aptidão biológica (eu, por exemplo, sou um pouco disléxico, o que me torna, de certa forma, inepto para o sistema, mas eu estou muito pouco preocupado com isso). Ainda assim, daqui a pouco eu vou corrigir alguns errinhos, mas citando aqui o conservador Tancredo Neves para os meus críticos: Não empurra não, que empurrado eu não vou.

    Ademais, eu tenho acompanhado bastante as eleições paulistas. Se você digitar "São Paulo (estado)" no canto esquerdo alto, já vai encontrar muita coisa - mas não se preocupe não, eu vou escrever mais ainda sobre o tema. Rapidamente, Alckmin é uma figura que surgiu de uma manobra que Covas fez ao conseguir a indicação para ser candidato tucano ao governo de São Paulo para as eleições de 1994: O falecido político não queria a figura de um vice forte para lhe importunar e apostou em Alckmin, um quadro do terceiro escalão - realmente - do PSDB paulista, com uma certa base na região de Pindamonhagaba e que lhe foi fiel na campanha presidencial em 1989. Com a morte de Covas, Alckmin herdou todo o seu espólio político e, graças às suas tendências - mais direitistas do que as de seu mentor -, ele abriu as portas para quadros e eleitores conservadores que ficaram desarticulados com a implosão de Maluf no fim dos anos 90. Daí em diante, ele se torna a face visível de um sistema empresarial e político em relação ao qual Alckmin não tem o menor controle - ele apenas o gerencia. No entanto, um ponto que o mantém vivo é que o PT, no plano regional, é bastante omisso no que toca à atividade de oposição; a falta da construção de uma candidatura ao longo desses anos todos facilita a vida dos tucanos - cujo esquema é pesado; os petistas precisam se lembrar que no plano federal, a vitória de Lula em 2002 não caiu do céu, mas foi fruto de um embate pesado de quase uma década contra o esquema demo-tucano.

    beijos

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  15. Hugo
    Vc foi demais!
    Era isso mesmo que precisava saber: a origem dessa ave fria do mal,vulgo Alckmin.
    Quer dizer que tudo começou com o Covas engendrando esse aprendiz de feiticeiro neocon, movido à opus dei e truculência?
    Meu pai,que é paulista,sempre me diz que o Covas era perigoso.Que era um grande orador de massas, um lacerda mal disfarçado e que se ele não tivesse morrido teria sido presidente e aí, ba-báu: o Brasil teria sido todo, todinho vendidão!
    Vou ler tudo que vc escreveu sobre São Paulo porque invoquei e estou, daqui do Rio, pelos blogs e azucrinando parentes paulistas, fazendo campanha pela virada paulista.
    Sim, porque acho que a vitória em São Paulo é fundamental para as forças progressistas (digamos assim, para não ferir os pios ouvidos)e tem que ser construída pela união dos movimentos populares, a força do Lula e da Dilma e a famosa e eficiente "força do povo" da qual nos falava o velho Brizola.
    No momento, certamente que não vai resolver ficar contando só com o PT paulista, não. Tem que vir todo mundo junto num monumental arrastão da vitória.Estamos nessa!
    Concordo com vc sobre às questões linguísticas e gramaticais.O importante é que a emoção sobreviva e a gente expresse as idéias com lucidez. O resto é questão de hora e lugar, como reza o samba.
    Valeu, Hugo! Te agradeço muito.
    Bjs.
    Aline

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  16. Aline,

    Covas era um grande tecnocrata e Alckmin - de uma forma vulgar, é verdade - o copia nisso: Substituamos a democracia, a ideia da reunião e do debate público - lembro que ele acusava o PT de reunionista - por alguns iluminados - que assim podem ser chamados porque são capazes de acessar uma razão transcendental. Evidentemente, ele teve sua importância na desarticulação da direita bandeirante tradicional - perdulária e anacrônica - por um tempo, por tirar de cena a figura do líder personalista e implacável - mas logo depois tudo voltou a ser o que era antes pelas mãos de Alckmin, sem personalismos, mas com a aproximação com os setores oligárquicos que se valiam do velho sistema, o que faz com que o tucanismo de hoje, seja uma mistura de malufismo e covismo. Não sei, no entanto, se Covas teria conseguido vencer Lula em 2002. É necessário voltar as nossas baterias para a eleição estadual.

    beijão.

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