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quarta-feira, 22 de junho de 2011

O Brasil e o Segundo Tempo da Crise Econômica Mundial

Como nos lembra o nosso sempre perspicaz Allan Patrick, a Crise Econômica Mundial se aproxima do seu Segundo Tempo. Se, em um primeiro momento, vimos a explosão da bola do sistema financeiro, cujas implicações transcenderam o campo das finanças,  atingindo o domínio econômico e arrastando vários países junto. Agora, baixada a poeira do primeiro momento da crise, assistimos a uma nova escalada, na qual a economia americana começa a arcar com o ônus do seu largo e continuado endividamento - a despeito de emitir a moeda hegemônica, como previmos aqui -, a União Europeia vê sua situação se agravar, vítima da sobrevalorização internacional do Euro e dos impactos internos da homogeneidade monetária - como se vê no caso grego - e o Japão, por sua vez, além de estar enrascado com a crise econômica, ainda se viu destruído por um violento desastre natural que comprometeu sua planta energética nuclearizada, o que terá um impacto profundo e duradouro; enquanto isso, China, Brasil e Índia emergiram fortalecidos desse cenário, mantendo altas taxas de crescimento econômico e se voltando para dentro 

Acrescentamos da nossa parte que embora a desregulamentação nos países cêntricos, sobretudo os EUA, tenha colaborado para o atual momento, isso foi apenas uma fissura que se abriu mais ainda com o abalo, mas não foi a causa dele.  O fato é que as economias capitalistas se reuniram desde o pós-guerra em torno dos Estados Unidos e não constituíram instituições internacionais propriamente ditas para auto-sustentarem o sistema; nada de moeda única como sonhava Keynes: o dólar passou a funcionar como essa moeda de reserva, embora seu funcionamento como tal nunca tenha deixado de ser precário. Fosse como fosse, o mundo capitalista seguiria dali em diante dependente de decisões internas dos EUA a respeito de sua moeda.


A grande questão que não foi levantada é: e se os governos americanos começasse a tomar atitudes irresponsáveis de forma indiscriminada? Todo o sistema capitalista - agora mundializado, com o colapso soviético - dolarizado nas trocas comerciais e nas reservas dos Estados, acabaria por ruir. Com a política de irresponsabilidade fiscal de Bush Filho - altos gastos militares, favorecimento do grande complexo bélico-industrial junto com o petroquímico - e a insustentabilidade do modelo de produção e consumo local - expresso por um incontornável déficit comercial -, a multidão tomou um susto: o rei estava mesmo nu e tudo era é uma farsa. A partir daí, as coisas saem dos eixos.

Se na primeira onda de choque, o Brasil acionou os mecanismos do regime contracíclico de gastos públicos - que consiste basicamente em economizar nos tempos das vacas gordas para gastar na crise- para sustentar a economia por meio do aquecimento do mercado interno - pela geração de emprego e da renda e incentivar o consumo das famílias -, empreitada da qual se saiu muito bem-sucedido, agora o momento é outro; a economia voltou a crescer e, como prova o exemplo chinês, é preciso que os Bric's se voltem para dentro, uma vez que o comércio internacional tende a declinar severamente.  


Apesar da propaganda da oposição no último pleito, que pegava uma fotografia de certo momento do funcionamento da política contracíclica para "provar" que as contas do país estavam estouradas, o Governo executou devidamente a política; passado o pior, novamente a austeridade e o déficit público voltou a encolher, tomando dimensões razoáveis. 


Neste momento, o Governo está a pôr em prática uma política de grandes obras para aquecer o mercado interno - ainda que de forma um tanto atribulada, como demonstra o caso de Belo Monte e das obras da Copa e das Olimpíadas -, busca agregar valor à cadeia produtiva - como demonstra a troca de comando da Vale feita por Dilma - e segue com políticas que estimulam a geração de emprego e renda salarial - segurando em outra ponta a inflação por conta de um cálculo de custo-benefício em relação aos ganhos que determinada oferta de crédito pode produzir contra o impacto da desvalorização monetária. O câmbio - livre, mas "sujo" - é deixado valorizado como instrumento de combate à inflação porque isso colabora para a incorporação tecnológica, sendo que já não é mais tão relevante para o país continuar a ter gigantescos superávits na balança comercial, até pela boa quantidade de reservas que temos. 


Em tese, está tudo no lugar, mas esse novo momento forçará o Brasil invariavelmente a adotar uma postura ofensiva: é possível aliviar as contas públicas se o país começar a adquirir títulos das dívidas dos europeus, mas não só: isso seria importante para o equilíbrio da União Europeia, que é, enquanto existir, uma importante parceira brasileira. Se boa parte do processo de internalização da nossa dívida externa se deu, infelizmente, por meio de uma operação de alto custo na qual convertemos boa parte das divisas que ingressaram com o boom das exportações em títulos da dívida americana - que até outro dia não traziam grande retorno - para constituir nossas reservas. 


Isso não só teve um custo econômico alto - pois a diferença entre o que esses títulos nos traziam de retorno e o quanto nós gastamos com a manutenção da nossa dívida é um ônus pesado para arcar - como também serviu, de certa forma, para alimentar por alguns anos mais a irresponsabilidade fiscal e monetária dos EUA, causa de boa parte dos problemas do mundo hoje. Agora, em tese, temos mais opções e, não só, o mundo precisa que o Brasil assuma efetivamente o peso que acabou ganhando nos anos Lula: temos como e precisamos ser um ator global de relevo.








sábado, 19 de março de 2011

Três Debates Estratégicos: Líbia, Comissão da Verdade e a Visita de Obama

Dilma e Obama em Brasília -- foto: Agência Brasil

Assim mesmo, tudo junto e misturado. Na última quinta-feirao Conselho de Segurança da ONU aprovou a Resolução nº 1.973 que, por sua vez, aprova o uso da força contra a Líbia, em virtude da violenta repressão da Ditadura Kadafi contra as forças rebeldes - o Brasil, enquanto membro eleito desse Conselho, se absteve junto com Rússia, China, Alemanha e Índia, sendo que os dois primeiros não utilizaram do poder de veto (que dispõem na medida em que são membros permanentes). Na última sexta-feira, o TUCA (Teatro da PUC-SP) recebeu a 48ª Caravana da Anistia, a primeira do atual Governo, contando, inclusive, com a presença do Ministro da Justiça José Eduardo Cardozo - também professor da Casa - que, após o evento, declarou à imprensa que o Governo está unido em relação à implementação da Comissão da Verdade - como este humilde redator testemunhou a alguns metros de distância. Hoje, o Presidente Americano Barack Obama, em visita ao Brasil desde ontem, discursou em Brasília ao lado da Presidenta Dilma Rousseff.

São três itens centrais que se relacionam entre si e dizem respeito ao novo momento do Brasil no mundo. Sim, o Brasil depois de Lula é um país importante, diferentemente do que era no fim dos anos 80 - quando México e Argentina ainda eram os países mais relevantes da América Latina - ou do que ele poderia já ter se tornado nos anos 90. Isso não quer dizer que nosso país não tenha problemas graves ainda: O fato de estarmos já na 48ª Caravana da Anistia e o legado da Ditadura não ter sido superado - diferentemente do que houve no Chile e na Argentina - é gravíssimo. Ainda assim, é preciso considerar que a fala de Cardozo durante sua exposição e, depois, na entrevista para os órgãos da mídia corporativa foi contundente e alentadora - além de suscitar certo respaldo do Palácio da Alvorada. Não, o Brasil não poderá ser o país importante que ele quer ser - e que o próprio mundo, neste momento crítico, demanda com urgência - se não superar de vez o legado presente de sua Ditadura, isto é, o que resta neste exato momento do refluxo reacionário que produziu o 1º de Abril de 1964 - tudo de ruim que a Ditadura poderia ter feito já passou, o que interesse são os efeitos presentes, a negação de abrir arquivos históricos, de punir torturadores etc. Isso não é revanchismo, dado que se refere a problemas que existem em ato. O mundo precisa de um Brasil forte, mas não de um Brasil covarde que se autoanistia de crimes contra a humanidade, é condenado pela Corte Interamericana de Direitos Humanos por conta disso e permanece inerte.

Por que o mundo precisaria tanto de um Brasil forte? Vejamos, a atual Crise Econômica Mundial expôs que o sistema econômico global é, na verdade, um gigantesco parque de diversões construído sob um pântano tenebroso, enquanto o fenômeno Wikileaks trouxe à luz, por sua vez, o fato de que o sistema político global, como não poderia ser diferente, é o Estado de Exceção de Agamben dito e feito. A União Europeia é um fracasso  - e a Rússia pós-soviética não é muito diferente, só que piorada -, o Japão se vê diante da iminência de uma hecatombe nuclear. O que resta ao mundo? Os EUA em crise, mas ainda imponentes com seu arsenal nuclear e sua presença imperial pelos quatro cantos - com algum eco libertário soterrado sobre os escombros do Iraque e preso entre as grandes de Guantánamo -, uma ascendente - e ditatorial - China, quem sabe a Índia e...o Brasil.

A humanidade, depois do Governo Bush Filho e da inércia de Obama vive a situação mais assustadora desde os anos 30. Ainda que se possa questionar bastante a atuação americana ao longo da segunda metade do século 20º, as atitudes tomadas nos últimos dez anos foram particularmente temerárias. A China, se muito, oferece apenas soluções para si mesma. O Brasil, portanto, é chave nesse processo em virtude de sua proposta de atuação não-belicista, favorável ao fortalecimento do sistema multilateral e cética em relação à gestão da economia mundial nos últimos trinta anos - o que produziu essa terrível crise econômica. Claro, a visita de Obama tem mais a ver com a necessidade dos EUA se apoiarem em um novo parceiro de peso - para sobreviverem - e, digo mais, com as próprias ambições político-eleitorais do Presidente americano - em suma, transformar essa aproximação com o Brasil em um fato político positivo para 2012, coisa que ele não foi capaz de fazer até agora por pura incompetência, sobretudo pela atuação ambígua de Washington no que se refere ao golpe hondurenho.

O Brasil precisa ser colocar como o fiel da balança da nova ordem, manter o diálogo produtivo e em posição de igualdade com os EUA - que não vai deixar de ser uma nação importante -, mas ao mesmo tempo manter a aliança com a China. O que nos interessa, enquanto brasileiros e seres humanos, é ver o Brasil contrabalanceando a China com o manutenção do diálogo com Washington e neutralizando os EUA com a manutenção da aliança com Pequim. Nesse sentido, a posição brasileira diante da invasão da Líbia - favas contadas desde que a insurgência contra Kadafi tomou corpo e ele preferiu destruir o próprio país a renunciar - foi correta; sim, Kadafi é um ditador insano e precisa cair; não, infelizmente, a intenção das potências que aprovaram o "uso da força" contra a Líbia são as mesmas que passaram os últimos anos alimentando toda sorte de ditaduras naquela região e, por sua vez, procuram neutralizar a todo custo as vitórias das mobilizações populares, grandiosas e intensas, que derrubaram as ditaduras de Ben Ali na Tunísia e a de Mubarak no Egito. Menos do que uma apologia à democracia, o Ocidente pretende estacionar tropas no Magreb para, digamos, negociar melhor a democratização da região. Nesse aspecto, refaço apenas as minhas críticas à posição tímida do Brasil frente à revolução tunisiana e egípcia. Agora, o álibi para a invasão ocidental na Tunísia é inevitável, o que resta é procurar a evitar que a futura presença militar da OTAN na Líbia não frustre a democratização de Tunísia e Egito.

É essa sensibilidade histórica que o Governo Dilma precisará ter: A luta pelo Brasil dar certo já não é mais apenas problema nosso, a humanidade toda depende disso.

sábado, 13 de março de 2010

O Brasil e a Crise Mundial - O Resultado de 2009

A Crise Econômica Mundial de 2008 foi o mais grave acontecimento da era da mundialização do Capitalismo e o mais sério desequilíbrio desde 1929. Sua deflagração trouxe uma única certeza: Após a poeira baixar, a ordem econômica - e por conseguinte o próprio equilíbrio geopolítico - da era pós-sovietica seria drasticamente alterado. No nosso país, isso ascendeu luzes amarelas justamente no momento em que o país voltava a se desenvolver depois da longa noite que foi da falência do Estado Varguista até o PAC. A sensação de termo sido atropelados por circunstâncias exteriores a nós e o histórico negativo do Brasil em crises nos anos anteriores deixaram os ânimos em polvorosa.

O fato é que nos saímos relativamente bem: Pelos dados divulgados a dois dias atrás, registramos uma queda de apenas 0,2% no ano todo e cravamos um crescimento de 2% no último trimestre. Foi o terceiro melhor desempenho dentre as dez maiores economias do planeta, perdendo apenas para China (8,7%) e Índia (5,6%) e dentre as economias do G-20,o país só perdeu para Indonésia (4,5%), Austrália (2,4%) e Coreia do Sul (0,2%) - segundo o Instituto Nacional de Estatísticas da Argentina, sua economia da Argentina cresceu 0,9%, mas existem questionamentos a esse respeito. Estados Unidos (-2,4%), Japão (-5%) e União Europeia (- 4,2%), os aclamados centros de poder do período em que a história teria acabado, se deparam com sérias crises, em especial o último deles que além de se deparar com o desafio de uma complexa integração econômica, agora também se vê às voltas com o dilema de como se inserir enquanto conjunto - ainda inacabado - neste novo momento da economia globalizada.

Honestamente, eu não apostava numa queda, por menor que fosse, do PIB brasileiro em 2009, mas esperava que o resultado ficasse mesmo em torno de zero; ainda assim, não esperava que os impactos reais dessa crise sobre as pessoas fosse tão brando: O país assistiu, em plena crise, a um aumento do consumo das famílias na ordem de 4,1% e o desemprego fechar em apenas 6,8% - menor nível dos últimos 6 anos, segundo a serrista Folha de São Paulo -, em suma, os trabalhadores não pagaram pela Crise neste país. Enquanto nuvens negras ainda se encontram bem presentes no horizonte próximo da economia americana - que requer um reforma urgentemente - e a tempestade esteja simplesmente desabando na Europa, o Brasil saiu incólume do processo.

Outro indicativo é o deslocamento cada vez mais acentuado -e voraz - do poder econômico mundial para a Ásia - o que beneficia até mesmo países de cultura majoritariamente ocidental que ficam para aquelas bandas como a Austrália -, o que aponta para um ponto fundamental: Como o fato da diplomacia brasileira ter rompido com a lógica de alinhamento atlantista nos rendeu não apenas frutos econômicos imediatos como também nos colocou no caminho certo nas relações políticas e econômicas; o exemplo mexicano não pode ser ignorado; aquele pais fez basicamente tudo aquilo que a direita brasileira defende caninamente - alinhamento econômico e políticos aos EUA, baixa carga tributária e ausência de políticas sociais - e agora encontra-se quebrado de uma maneira aguda, arrastado pelo turbilhão dos acontecimentos. Ainda há muito o que ser feito no Brasil, mas não podemos ignorar o que aconteceu - e o que deixou de acontecer - no Brasil em 2009.

quinta-feira, 2 de abril de 2009

Crise Mundial e a importância dos BRIC's


Logo após a queda da União Soviética e do bloco socialista, o nosso porvir estava traçado de forma irremediável e previsível segundo proclamavam os grandes ideólogos daquele momento: A História acabara e em virtude disso a luta de classes era coisa do passado, o Estado de bem estar social uma peça de museu na medida em que os governos não eram mais necessários e as empresas resolviam tudo, o G7, sob as bençãos dos EUA – o país que mandava porque voava mais alto e por isso via mais que os outros – se sentava à mesa e resolvia as questões do mundo enquanto os países de terceiro mundo deveriam se livrar de suas estatais ao mesmo tempo em que poderiam, quem sabe, dolarizarem suas economias.

Enquanto esses dogmas e tantos outros eram espalhados aos quatro cantos nos anos 90, a China e a Índia experimentavam um crescimento econômico respeitável; devido as profundas mudanças que permearam a China anos antes, seus habitantes experimentaram uma abertura econômica cada vez maior sob a égide de um capitalismo de Estado eficiente que enquanto gerava – e gera – um crescimento econômico gigantesco, também produzia – e produz - uma exploração pesada da mão-de-obra, do meio ambiente e da comunidade de um modo geral, ainda que tenha resultado no enriquecimento material e a melhora em algum grau da qualidade de vida de toda a população; os indianos que nunca experimentaram um socialismo formal como os chineses, mas adotavam um sistema de capitalismo estatizado altamente ineficiente, passou a elaborar saídas com a dinamização deste, sem, no entanto, abrir mão de um projeto de país ou sucumbir ao mercadismo ratasqueiro – realizando, por exemplo, um grande avanço na área de indústria e de serviços. China e Índia, permanecem crescendo bem até os dias atuais.

Do outro lado, Brasil e Rússia viviam momentos opostos a China e Índia; enquanto o nosso país vivia, desde os governos Collor e FHC, o desmonte do tripé clássico de sua economia (capital privado nacional/capital estatal/capital estrangeiro) se desequilibrar fortemente com os processos de privatização e uma abertura tresloucada que falia a indústria nacional – resultando em taxas de crescimento econômico anêmicas -, a Rússia, após o fim da URSS passava por um processo seguramente mais severo que o Brasil no que toca privatização de estatais – a famosa terapia de choque de Gaidar/Yeltsin – e ainda sofria um desmonte da sua rede de proteção social, o que implicou numa queda violenta da qualidade de vida no país, tendo, inclusive a expectativa de vida desabado ferozmente no período – e aqui, mais do que baixo crescimento econômico, viu-se uma depressão.

As coisas em ambos mudaram por meio de trocas de postos; Vladimir Putin, um ex-burocrata da KGB, professor de Direito Internacional em São Petersburgo é alçado pela oligarquia formada nos primeiros anos de capitalismo russo para salvar o país que eles usaram como instrumento de enriquecimento e agora poderia virar simplesmente pó – some-se isso a alta nos preços internacionais dos hidrocarbonetos e a Rússia de Putin experimentou um crescimento considerável, dentro de uma lógica de política nacional e com uma organização ainda que primitiva, mas superior ao que foi o infantilismo de Yelstsin; No Brasil, a eleição de Lula em 2002 resultou em uma síntese entre o sistema herdado com um retorno mínimo ao planejamento, à política nacional, a uma política externa mais independente e de certa maneira àquilo que denominamos por desenvolvimentismo com o PAC – resultando no fato de que o país passou, ao menos, a crescer no ritmo da economia mundial, enquanto sua média no anos 90 era de apenas 66% da média mundial.

O fato é que desses processo que surgiu o conceito de BRIC – o grupo dos mais expressivos países em desenvolvimento, denominado por conta das iniciais de Brasil, Rússia, Índia e China; em 2008, segundo dados do CIA World Factbook utilizando os dados do Programa de Comparação Internacional do Banco Mundial para se efetuar o cálculo da Paridade de Poder de Compra, constata-se que a economia dos quatro alcançou aproximadamente 21,7% da PIB mundial, o que é extremamente relevante se pensarmos que o PIB dos EUA fechou o mesmo ano girando em torno de 20,6% do PIB do mundo enquanto o da UE bateu em 21,1% . Em suma, a fantasia do G7 resolvendo os problemas do mundo foi por água abaixo, daí a importância realização de encontros de um G20: Não é mais possível sequer imaginar um debate sobre os problemas do mundo sem a presença dos principais países em desenvolvimento.

Mas nem tudo são flores; se os quatro terminaram 2008 ainda com um bom crescimento econômico, é bom não esquecer que já no final do ano eles sentiram os efeitos da crise e em 2009, o ritmo de todos eles cairá; ainda assim, o Brasil deve manter-se pouco acima da média mundial ao passo que China e Índia devem se manter crescendo acima da média mundial – a China deve crescer esse ano por volta de 6,5%, muito pouco para os 9% ou 10% dos últimos anos, mas certamente algo espetacular nesse não muito admirável mundo novo. O que preocupa aí - e muito - é a Rússia; a queda do preço dos hidrocarbonetos teve um impacto pesado sobre a economia do país e o governo se mostra mais paralisando na gestão dos efeitos da crise do que a média – fala-se em um queda entre 5,6% e 4,5% do PIB do país, o que pode ter um impacto político significativo e gerar tensões perigosas na região pós-soviética, ainda mais se ponderarmos que os seus vizinhos também estão com profundos problemas. Em breve, falarei mais da Rússia e da Índia, na medida em que já tratei de Brasil e China, por ora, deixo essa vista panorâmica da situação.