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domingo, 3 de julho de 2011

A Europa e os Rumos do FMI pós-Strauss-Kahn

DSK sai da cadeia em companhia de sua esposa - EFE
Dominique Strauss-Kahn, tipico socialista europeu dos dias atuais, poderia ser definido como alguém disposto a dar uma vocação social ao "sonho" europeu, nada mais. Isso talvez não seja novidade alguma, afinal, ao que me conste o termo socialista já andava batido desde os tempos de um certo Manifesto, quando já restava plenamente naturalizado - e domesticado - nos salões da Velho Mundo - talvez depois disso tenha retomado algum tom perigoso até retornar à inofensividade. Pois bem, DSK era até bem pouco dirigente maior do Fundo Monetário Internacional (FMI). Aquele órgão, uma das pernas do sistema financeiro internacional do pós-guerra, instituição gêmea-siamesa do Banco Mundial, normalmente dirigida por europeus, enquanto o outro ficava sob o comando nominal de um americano.

O "até bem pouco" poderia ser traduzido por "até um escândalo sexual de proporções catastróficas" em Nova Iorque, quando ele foi acusado de ter abusado de Nafissatou Diallo, camareira de um hotel da rede francesa Sofitel, o que o obrigou a se demitir do cargo pouco depois - o que além disso, também deve lhe custar a indicação do Partido Socialista para ser seu candidato presidencial no ano que vem. Nos últimos dias, o caso sofreu uma  profunda reviravolta, com incongruências surgindo no depoimento de Diallo, resultando na libertação de DSK que cumpria prisão preventiva. O processo ainda segue. 

Nós sabemos que em casos de crimes sexuais, não raro, a defesa tenta transformar o acusado em vítima - às vezes com a complacência do próprio Judiciário -, mas também sabemos que usar de escândalos sexuais para desacreditar figuras de relevo também não é prática estranha ao jogo pesado da grande política - Julian Assange que o diga. E DSK era um alvo considerável, seja por ser um possível (e forte) adversário do atual Presidente Nicolas Sarkozy ano que vem, quanto por poder ser uma pedra no sapato no comando do FMI - agora que essa instituição ganha importância estratégica para o continente europeu com a crise na sua periferia. No meio tempo, eleições foram realizadas para a direção do FMI, com a vitória, vejam só que coincidência, de uma ministra e correligionária de Sarkozy, Christine Lagarde.

Não é possível de nossa parte afirmar se DSK cometeu ou não o ato criminoso do qual ele é acusado, mas é fato que o episódio marca uma virada política substancial. Longe dele ser alternativa para qualquer coisa, mas a direita francesa que o sucede no comando do FMI, o é: sua posição - alinhada a de alemães, holandeses e demais vencedores do sonho europeu - é clara em esquivar a União Europeia de suas responsabilidades para com sua periferia e fazer com que países como Grécia, Portugal, Espanha e Irlanda arquem sozinhos com uma crise estrutural do bloco - tendo de se virar com empréstimos do FMI, cujas condições de pagamento, nós bem conhecemos cá em terras brasileiras. Isso serviria para o capital franco-germânico passar pela tempestade sem se molhar.

Tudo em política é uma questão de custo-benefício e de limites. A direita dos grandes países da Europa aposta que passar toda conta da crise para a sociedade civil grega - e mais tarde para algumas outras - é viável; a corda ficaria tensa, mas não estouraria e o custo da crise política e social interna seria não só suportável como também apontaria para a reprodução da prática, logo mais, em Portugal e Espanha. Para realizar isso, ela terá o comando do FMI agora perfeitamente alinhado. Pode até ser que a corda não estoure mesmo, ainda que as dúvidas sobre a viabilidade disso sejam cada vez maiores, mas mesmo assim o Euro e toda a estrutura podre do capitalismo financeiro continuarão lá: portanto, estamos diante de medidas de austeridade para, apenas e tão somente, chegar a uma saída paliativa na manutenção do status quo. 

O exaurimento de legitimidade da UE é uma realidade. Ora, o plano de resolver as contradições do sistema por meio de uma terapia de choque, que tem avançado como uma divisão de blindados, se assenta na expectativa da postura torpe dos partidos social-democratas se manter e, ainda, nada surgir das pressões nas ruas. O suspeito caso DSK caiu como uma luva para tudo isso poder ser levando a cabo, agora é preciso combinar com os russos...digo, com os gregos para tudo dar certo.



sexta-feira, 24 de junho de 2011

Crise na Europa: O Novo Governo Português

Passos Coelho e Paulo Portas
O XIX Governo Constitucional português tomou posse há menos de uma semana. A coalizão liderada pelo novo primeiro-ministro social-democrata Pedro Passos Coelho assume o país, sucedendo seis anos de governo socialista que, sob a liderança de José Sócrates, chefiou o XVII e (o curto) XVIII Governo Constitucional. A vitória de Sócrates, ano passado, se deu muito mais pelo temor do eleitorado frente ao radicalismo ultra-liberal de Manuela Ferreira Leite do que por sua força eleitoral; este ano, com a constância do fracasso das tentativas de Sócrates de salvar o país da crise e sua demissão e, ainda, a reunião dos (até então rachados) social-democratas em torno do nome jovem de Passos Coelho, o pleito resolveu-se facilmente para o PSD, que teve 38,6% dos votos (e mais os 11,7% do CDS-PP) contra 28,06% do PS (e, ainda, 7,91% da coalização comunista-verde e 5,1% do Bloco de Esquerda).

Basicamente, a história recente de Portugal não é outra coisa senão a própria expressão da ordem decorrente da Revolução dos Cravos em 1974, quando o tardio regime fascista foi enfim derrubado. Nenhum partido se assume como "direitista" - nem mesmo o CDS-PP - e o grande representante da centro-direita local é, tal como no Brasil, um partido nomeadamente "social-democrata" - que nasce nos corredores universitários sob a inspiração do sucesso da social-democracia nórdica nos anos 70, enquanto o Partido Socialista é uma criação de marxistas independentes da linha de Moscou e trabalhistas no exílio, restando o outro naco para o Partido Comunista, ortodoxo e alinhado à União Soviética. Não à toa, quem é imediatamente reconhecido como representante da esquerda europeia ocidental é o PS e não o PSD, que vagou perdido pelo espectro político local para, depois de colaborar com a entrada de Portugal na Comunidade Econômica Europeia (CEE, embrião da União Europeia), dar uma guinada para o social-liberalismo sob a liderança de Aníbal Cavaco Silva, se estabelecendo como o representante da centro-direita no país.

A existência não-social-democratizada dos social-democratas lusos tem muito a ver com os rumos que os socialistas, uma vez tendo assumido a hegemonia política após a Revolução dos Cravos, deram à própria Revolução; o fervor revolucionário e todo o caldeirão de ideias do Portugal do início dos anos 70 foi, rapidamente, liquefeito em prol de uma entrada segura e conservadora do país no "sistema europeu" - na prática, a abertura do país para a entrada do Capitalismo europeu. Nesse sentido, torna-se Portugal mais uma democracia parlamentarista (aqui, republicana, mas isso é uma alegoria como a monarquia o é em outras partes do velho mundo), na qual os partidos hegemônicos tendem a ser apenas a variação do mesmo padrão alinhado, por sua vez, ao processo de universalização do capital europeu. O PS de força revolucionária assume o que ele realmente foi desde seu nascedouro, numa medieval cidade alemã sob a proteção da social-democracia local, um partido reformista de centro-esquerda enquanto os social-democratas se puseram como antagonistas.

Os socialistas portugueses, diferentemente dos seus congêneres gregos e espanhóis, não conseguiram fazer governos de concertação minimamente eficientes, com o líder socialista Mário Soares amargando relevantes fracassos nos anos 70. É aí que começa a longa história da crise que o país vive hoje; depois de um duradouro governo social-democrata com Cavaco Silva, os socialistas voltaram ao poder apenas com António Guterres nos anos 90, perdem o poder para o mal sucedido (e curto) governo de Durão Barroso (PSD) e retornam com José Sócrates, que conduziu o PS para a chamada terceira via, ocupando uma larga faixa que ia da centro-esquerda à centro-direita, empurrando seus rivais para a extrema-direita - o que o permitiu governar por mais tempo que o ícone de sua legenda, Mário Soares. 

Seu grande mote, o europeísmo, rigorosamente, não tem nada de original ou própria dos socialistas, é uma bandeira compartilhada por todos, fosse um social-democrata e faria, rigorosamente, o mesmo. Sob sua liderança, aliás, as matizes que ainda diferenciavam socialistas e social-democratas se apagaram. Manuela Ferreira Leite tentou estabelecer, sem sucesso, um diferencial para os social-democratas à direita, o que lhe custou a derrota. O atual primeiro-ministro luso, Passos Coelho, ascende depois de vencer a disputa interna do PSD este ano, ao defender que o partido volte ao centro político. Eleitoralmente, isso não só faz sentido como também funciona, mas a política, como sabemos, vai muito além de meras eleições. Suas ideias, entretanto, nada tem de novo ou melhor como seu próprio livro "Mudar" - a bem da verdade, uma peça publicitária-eleitoral - ilustra: o pouco que há de original ali não é bom e o resto já está superado.

Hoje, o problema português em nada difere do caso grego: existe um déficit em conta corrente gigantesco porque uma economia como a lusitana, ao compartilhar a mesma moeda que economias muito mais competitivas, estará fadada a apresentar grandes déficits comerciais; não só, os mecanismo da União Europeia apenas serviram para construir uma falsa equiparação econômica entre as partes, com o crédito sendo estimulado para portugueses (assim como para gregos e espanhois) que estariam fadados a importar produtos de Alemanha e França. Abalado os mecanismos da dívida infinita ou melhor, o sistema financeiro internacional, com a atual crise, supervalorizado o Euro por conta da desvalorização do dólar, a hemorragia aumenta em Portugal e o resultado é que o Estado precisa gastar recursos salvando bancos e, ao mesmo tempo, a balança comercial começa a ficar mais desfavorável ainda; por outro lado, as potências europeias saem de perto para não se contaminarem e Portugal arca, mais rápido do que pode gritar por socorro, com um ônus imenso.

O que teria Passos Coelho a dizer sobre isso? A velha cantilena da centro-direita europeia, enevoando fissuras estruturais evidentes com uma cortina de fumaça primária, que passa por chavões que culpam o bem-estar social pela crise; de repente, são as pessoas comuns, que não assumem o "custo" dos serviços de saúde e de educação que oneram a máquina pública - nesse mundo mágico, não há mais déficits comerciais crônicos por conta do Euro nem custos sociais gravíssimos resultantes da financeirização econômica (fruto de algo mais grave, que atende por problema da realização do valor), apenas uma população fraca e covarde, que não arca com seus gastos e assim destrói o erário público. Em nome de "uma responsabilidade pessoal", o sistema de proteção social deve ser desmontado, enquanto o Estado resta gigantesco, mas posto em função de um sistema econômico disfuncional por sua própria natureza - incapaz até de reconhecer que tais investimentos em educação e saúde sempre serviram para a capacitação (engorda) dos trabalhadores cuja produção explora (devora).

Nessa farsa, se encontra a centro-esquerda local, tão parecidos com seus rivais que os próprios atores começam a confundir a personagem que deveriam representar. De repente, o eleitorado da Islândia e da Grécia tiram seus governos e de centro-direita para elegerem governos de centro-esquerda que farão algo parecido, enquanto portugueses e húngaros ( talvez espanhóis logo mais) fazem o contrário; é a "covardia" (que não é  outra coisa senão o próprio ethos) da social-democrata servindo como ponte para o fascismo - como não só testemunhou Walter Benjamin, mas anteviu como constante. O que há, agora, é o Estado feito grande pelos progressistas d'antanho que, tão logo pôde, terminou por fagocitar as tendências libertárias em seu interior para se livrar dos grilhões de um estado de bem-estar social, aparentemente desnecessário com a ausência de um certo espectro que já rondou a Europa. A luta, agora, passa pelas ruas.


segunda-feira, 20 de junho de 2011

Zeca Afonso: a Morte Saiu à Rua

Ano passado, postei algo aqui sobre o bom e velho Zeca Afonso: Os Vampiros - o que vinha bem a calhar no momento político das últimas eleições, convenhamos.  Honestamente, considero que Zeca não foi apenas um dos nomes mais relevantes da cena musical portuguesa no século passado, mas também uma das maiores figuras históricas do país, seja como artista ou como ativista. Ele foi parte de uma geração de ouro portuguesa, a mesma que nos deu um Saramago, nascida sob a égide de um regime fascista que tardava a ruir e, em relação ao qual, não só resistiu bravamente como ajudou a derrubar. Sua arte transpira um intenso devir partisan, algo tão importante nesse momento em que vivemos: é preciso uma política do sensível que se funde na emoção intensa de resistir ao fascismo. Fiquemos com a Morte Saiu à Rua:

domingo, 19 de junho de 2011

A Crise Grega como Ponta do Iceberg para a Crise Europeia

Resistência na Acrópole
O mundo foi atingido por uma verdadeira onda de choque entre meados de 2008 e início de 2009. Passado o susto inicial, começou a ficar claro quais eram os reais problemas da economia mundial: longe de ser ela mesma a crise, o abalo do mercado imobiliário americano foi apenas um gatilho financeiro que expôs os pés de barro da economia globalizada. A União Europeia, o grande projeto do capital europeu desde o pós-guerra - e um dos maiores pilares dessa nova ordem -, foi aquele que teve mais fissuras expostas e agravadas. Um dos casos mais taxativos da atual crise foi o dos periféricos da Europa Ocidental, sobretudo, o caso grego: em um primeiro momento, a relutância do Consenso em admitir o que realmente aconteceu, colocando tudo na conta da corrupção local e do caso cavalar de sonegação fiscal que se viu ali; no máximo, falava-se que "o país acumulou dívidas demais" - como se pudesse não tê-las contraído -, mas sempre passávamos batido por eventuais causas daqueles problemas, é como se as coisas, de repente, tivessem brotado do nada. Trata-se, como bem sabem os leitores deste blog, de uma tragédia anunciada.

Pois bem, o arguto leitor deste blog deve estar se perguntando qual a importância de um país tão pequeno para toda a estrutura da Europa e do Mundo e de que modo - e por qual motivo - ele  contraiu tantas dívidas. O primeiro ponto diz respeito como a União Europeia já era um projeto concebido desde o fim da Segunda Guerra: o que restou do Capitalismo na Europa precisava não apenas de políticas de emergência internas para frear a expansão do socialismo soviético - o que deu na social-democracia do pós-guerra - como também de integração e cooperação direta, entre os Estados, no plano externo. Um primeiro passo foi a integração dos grandes mercados - França, Alemanha Ocidental, Itália, BeNeLux, Reino Unido -, depois a absorção dos periféricos - Portugal, Espanha, Grécia e Irlanda -; por menores que fossem a economia dos pequenos, era da ausência de um processo de rejeição deles que dependia - como depende - a expansão do bloco. Eis aí que chagamos ao segundo ponto: se tudo corre bem com a integração de mercados e a política de acesso ao crédito e programas de equiparação regionais, dos anos 70 aos 90, com a adoção do Euro surge um problema, as contas dos países começam a não fechar, pois eles não estão nem de longe de condições de igualdade com a Alemanha ou a França.

Aparentemente, isso não era um problema: os gigantescos déficits comerciais de Portugal, Grécia ou Espanha - e os déficits públicos para bancarem essa equiparação - eram cobertos por vultuosos empréstimos que resolviam o problema de caixa, engordavam a receita de bancos alemães e franceses e, de quebra, movimentava a indústria dos grandes países - naturalmente mais competitiva que a dos seus vizinhos periféricos.  Um país como a Grécia enriquecia de um modo estranho, sem desenvolver devidamente sua cadeia produtiva, mas recebendo funções adjacentes da administração do Capitalismo Europeu; pátrias de consumidores de produtos dos seus vizinhos, abastecidos pela (aparentemente) infinita máquina de crédito europeia. Como em matéria de economia não há intervenção que não tenha, ao mesmo tempo, ônus e bônus e nada que não tenha limite, a corda do endividamento dos pequenos esticou demais e, com o choque da crise financeira americana, acabou por estourar: a estrutura financeira de Alemanha e França entenderam por bem não correr riscos, cortaram linhas de crédito e os periféricos foram deixados a própria sorte, precisando de empréstimos do FMI e expostos a "´planos de austeridade".

No que toca ao caso grego: é fato que a alta sonegação fiscal e o fato que as contas públicas, de fato, estavam numa situação pior do que a alegada, agravaram a situação, mas ela não é causa da problemática grega. Do contrário, seria um fenômeno meramente grego. Infelizmente, não é o caso. O endividamento atual, está para além de 150% do PIB decadente e, simplesmente, não há condições de paga-lo. De acordo com os dados do Eurostat, a situação do país não é nada animadora e o problema não é apenas o déficit de 10,5% do PIB nas contas públicas: A Grécia também está arcando com um déficit comercial de quase 9% do PIB. O déficit em conta corrente, que é o que realmente interessa, portanto, é gigantesco. O ponto é que justamente por não ter mais um moeda própria - e, pior, fazer parte de uma homogeneidade monetária com países muito mais competitivos -, que o Estado grego precisa arcar com um pesado custo dessa integração. O Euro gera um custo altíssimo para a Grécia, que precisaria trabalhar com superávits nas contas públicas na casa de 8% ou 9% para manter o equilíbrio sistêmico. Concretamente, isso é impossível, ainda mais graças às fraudes fiscais e aos resgates do Estado junto ao seu mercado financeiro interno devido a crise, o que fez com que o erário público local foi mais pressionado mais ainda, extrapolando seus limites. Não há como cortar quase 20% do PIB em gastos públicos do nada  no curto ou médio prazo, sem um plano de reequilíbrio acompanhado pela comunidade internacional.

Não existe, dentro desse contexto, "plano de austeridade fiscal" - eufemismo para cortes de programas sociais para o pagamento de dívidas - que seja social ou politicamente sustentável na Grécia. A moratória da dívida é a única saída possível para os gregos, mas não só: por mais que seja altíssimo o ônus de arcar com a saída da Zona do Euro, é nesse sentido que as autoridades gregas deveriam, ao menos, discursar para criarem uma pressão sobre o motor franco-germânico; é preciso que ele também arque com os prejuízos do bloco, depois de tanto tempo apenas ganhando com ele. Tivessem uma moeda própria, os gregos não apenas não teriam entrado em uma situação tão greve como também teriam como, da desvalorização monetária, conseguir fazer ajustes nas contas de uma forma um tanto menos pesada - basta lembrar do Brasil dos anos 90 que, depois da rotunda trapalhada da paridade com o Dólar, pôde desvalorizar sua moeda e, assim, garantir um ajuste sustentável nas suas contas. Claro que isso tornaria a Grécia a pequena pedra que, uma vez movida, derrubaria todo o monte, gerando um soterramento; isso teria consequências que iriam para muito além do econômico e do diplomático, mas é a saída.

A postura autista da chancelar alemã Angela Merkel e do presidente francês Nicolas Sarkozy denota, na verdade, desespero: esperam eles que os contribuintes dos países periféricos arquem sozinhos com o custo (como se pudessem!) da crise atual para fazerem seus países atravessarem a tempestade sem se molhar, mas esquecem que se isso der errado, e o arrocho derreter aquelas economias, tratar-se-á não mais de um efeito dominó financeiro como também político e social, cujas consequências são assombrosas. Logicamente, é preciso rediscutir o pacto monetário europeu, o que tem implicações profundas. Seriam capazes as atuais lideranças europeias, sobretudo dos grandes países, assumirem realmente os encargos da manutenção do sistema de "solidariedade continental", peça-chave que tem garantido a paz desde o final da Segunda Guerra? Claro que esse é um questionamento cínico da minha parte, essa problemática não está, nem pode ser, posta pelas atuais forças políticas dominantes no Velho Mundo: a organização da UE nesses moldes não é fruto do mero acaso do destino, mas das necessidades [de universalização] do grande capital local. A questão atual é saber se o movimento multitudinária que está a invadir as praças públicas, como visto na Espanha mês passado, ganhará força e esvaziará, por falta de público, a farsa encenada nos parlamentos europeus ou se, uma vez mais, a máquina tirânica catalisará a xenofobia continental e assim irá sobreviver.


domingo, 27 de março de 2011

Crise Mundial: Reino Unido e Portugal

Manifestação gigantesca em Londres contra política de socialização de prejuízos - The Guardian

Ontem, quatrocentas mil pessoas saíram às ruas de Londres para protestar contra o plano anti-crise elaborado pelo governo britânico. O plano do gabinete do premiê David Cameron não passa de mais uma repetição da manobra mais batida entre manobras batidas do nosso tempo; cortam-se verbas para o financiamento de serviços essenciais como Educação e Saúde para cobrir um rombo cuja origem está nas próprias incongruências do sistema capitalista. Sim, o Capitalismo, como pontificou Marx há séculos, também tem seu movimento de sístole e diástole: O mesmo sistema que privatiza os ganhos socialmente produzidos é também aquele que socializa os prejuízos individualmente gerados - e isso é cíclico. 

No entanto, hoje, mais do que nunca, a Vida está posta em função do Capitalismo, o que só é possível pela existência de um Estado gigantesco que nos envolve a todos com sua política de exceção. Vivemos na era do cinismo em pessoa: O mesmo Governo Britânico, que está em guerra na Líbia por razões essencialmente imperiais - como o faz no Iraque e no Afeganistão há anos - também é o mesmo que alega não ter dinheiro para custear hospitais e escolas. Nada muito diferente da República Portuguesa que assistiu a queda do Governo Sócrates, há seis anos no poder, depois do Parlamento ter rejeitado um plano de recuperação similar ao refutado pelos britânicos nas ruas - embora aquele Parlamento não tenha decidido (e tampouco o fará) sair também da zona do Euro, o que faz com que aquela decisão seja apenas um capítulo do impasse na vida daquela república ibérica.

Se do lado português, a crise suscita a existência de um arranjo delirante do sistema europeu, constituído no fato de que países periféricos compartilham da mesma moeda usada por países como França e Alemanha, podemos dizer algo parecido do lado britânico: A bomba relógio monetária também aparece aqui, mas o faz na forma da superavalorização da Libra Esterlina. Para os países periféricos da Europa, o fato de  pertencerem ao sistema do Euro os torna dependentes de um ciclo de endividamento infinito possibilitado por um sistema de crédito com limites - para não verem suas contas explodirem imediatamente pelo déficit em conta corrente via balança comercial, aqueles Estados foram se endividando massivamente nas últimas décadas, mas pelo jeito a corda estouro. 


Já o Reino Unido, a pátria do eurocetismo, mesmo que não tenha entrado na Zona do Euro, também caiu numa arapuca monetária - aliás, a peculiar arapuca monetária *e cambial* britânica é o que explica o país não ter aderido à moeda comum europeia; falo aqui da maneira como a economia britânica se tornou mais e mais financeirizada, criando uma elefantíase do mercado de seguradoras, o que fez com que seguidos gabinetes mantivessem uma moeda incrivelmente valorizada, fato que somado aos custos das guerras nas quais o país se envolveu, gerou um rombo incontrolável nas contas do país. É preciso cortar em algum lugar, mas o que fazem, diante disso, os líderes britânicos e portugueses? Cortam verbas que iriam para hospitais e escolas. 

Nada muito diferente de líderes alemães e franceses que, enquanto motores do sistema monetário europeu, se acham profundamente espertos ao jogarem todo o ônus da crise sobre os seus vizinhos mais pobres, fechando as torneiras do sistema de crédito que eles próprios apresentaram aos portugais e grécias da vida como a garantia inabalável - e inesgotável - de viabilidade do Euro  - como se isso pudesse evitar uma contaminação sistêmica, via Euro, causada pela provável quebradeira geral que se avizinha no horizonte.

Isso, claro, sem falar em como a crise social e política na periferia da Europa irá lhes afetar. Não à toa podemos dizer que essa é, seguramente, a mais limitada geração de líderes europeus desde os anos 3o, algo sintomático em um momento no qual os partidos estão engessados na mais pura falta de criatividade e desconexão com a realidade social - a crise da esquerda partidária europeia está aí para nos provar isso. Ou a Europa produz novas saídas políticas - e Ed Miliband é uma esperança no Reino Unido - ou irá ser engolida pela crise. A implosão da União Europeia que se desenha é dos mais graves eventos que se pode conceber.

sábado, 31 de julho de 2010

Os Vampiros

Poucos músicos incorporaram com tamanha precisão o espírito do Portugal do pós-Guerra que apesar dos pesares produziu a Revolução dos Cravos - um feito num país, cuja tradição medievalista sempre o tornou aparentemente imune aos avanços e transformações da Europa que o cercava ao Oriente. Pode ser que o os percalços da História tenham reduzido os efeitos do Abril de 74, mas, certamente, depois daquele mês, Portugal foi um lugar melhor. Uma geração que tinha Saramago na literatura e um Zeca Afonso na música não era pouca, seja em capacidade ou intenção. Qualquer homenagem nossa àquela geração lusitina é pequena. Segue, uma música do saudoso Zeca - que nos deixou tão cedo de maneira tão desditosa -, tão atual no Brasil de hoje que parece brincadeira - ainda mais com a sombra de um Serra pairando.





No céu cinzento sob o astro mudo
Batendo as asas Pela noite calada
Vêm em bandos Com pés veludo
Chupar o sangue Fresco da manada





Eles comem tudo Eles comem tudo
Eles comem tudo E não deixam nada [bis]




A toda a parte Chegam os vampiros
Poisam nos prédios Poisam nas calçadas
Trazem no ventre Despojos antigos
Mas nada os prende Às vidas acabadas






Eles comem tudo Eles comem tudo
Eles comem tudo E não deixam nada [bis]



Se alguém se engana com seu ar sisudo
E lhes franqueia As portas à chegada


Eles comem tudo Eles comem tudo
Eles comem tudo E não deixam nada [bis]




No chão do medo Tombam os vencidos
Ouvem-se os gritos Na noite abafada
Jazem nos fossos Vítimas dum credo
E não se esgota O sangue da manada





Eles comem tudo Eles comem tudo
Eles comem tudo E não deixam nada [bis]



São os mordomos do Universo todo
Senhores à força Mandadores sem lei
Enchem as tulhas Bebem vinho novo
Dançam a rondam No pinhal do rei


Eles comem tudo Eles comem tudo
Eles comem tudo e não deixam nada [bis]


Se alguém se engana Com seu ar sisudo
E lhe franqueia As portas à chegada
Eles comem tudo Eles comem tudo
Eles comem tudo E não deixam nada


Eles comem tudo Eles comem tudo
Eles comem tudo E não deixam nada [bis]

terça-feira, 29 de junho de 2010

Notas da Copa: Paraguai e Espanha

Hoje, as quartas de final da Copa foram encerradas. Paraguai, nos pênaltis, eliminou o Japão. A Espanha, pelo placar mínimo eliminou Portugal. Com esses resultados, das equipes que se classificaram em primeiro lugar nas suas chaves, apenas os EUA foram eliminados. Ademais, a América do Sul colocou quatro times entre os oito melhores do mundo e sua quinta equipe, o Chile, foi eliminado pelo também sul-americano Brasil nas oitavas. A África, muito embora seja o continente sede da Copa, só emplacou Gana, terceira seleção africana na História a chegar nas quartas-de-final - na esteira de Camarões (90) e Senegal (02) -, repetindo a boa atuação da última Copa, quando parou nas oitavas, vitima do Brasil. A Europa decaiu, mas as três equipes que o Velho Mundo emplacou entre as oito não foram fruto de nenhum acidente: A Espanha é a atual campeã europeia e fez uma grande campanha nas eliminatórias, Alemanha e Holanda foram regulares ao longo de todo quadriênio. O que muda no mapa da bola é que a seleções médias da América do Sul - incluso aí o bicampeão Uruguai que há quarenta anos era simplesmente um zero à esquerda - são capazes de jogar de igual para igual com as médias e até os bons times nacionais da Europa. Brasil e Argentina sempre foram potências do futebol mundial.


Pela tarde, o Paraguai enfrentou um time animado do Japão. Ambas as seleções chegaram com méritos nas oitavas, mas jogaram pouco. Os paraguaios conseguiram cravar a primeira colocação no grupo da atual campeã, a Itália, os japoneses caíram no complicado grupo da Holanda e conseguiram superar os bons times de Camarões e da Dinamarca - mostrando uma obstinada trajetória de evolução ao longo das quatro copas consecutivas que disputaram. O time do Paraguai marca muito, tem um bom goleiro, Villar, dois laterais que no papel defensivo são ótimos, Bonet e Morel Rodríguez, uma boa zaga, Da Silva e Alcaraz, mas seu meio-de-campo, ainda que marque bem se ressente de uma crônica falta de criatividade, enquanto seus atacantes, Barrios e Santa Cruz, jogam por característica enfiados, o que resume seu jogo ofensivo à bola parada e aos lançamentos. O Japão, nesse sentido, já tem um leque de opções melhor: Pontas rápidos, Okubo e Matsui (alternando com Hasebe) e um bom centroavante, Honda, além de chutar bem de fora da área. As equipes, no entanto, se anularam o jogo inteiro e o jogo foi para a prorrogação, onde o Paraguai foi ligeiramente melhor, mas não definiu. Nos pênaltis, vitória paraguaia no gol de Cardozo (foto:AP).


(Espanha comemora - Marca)

No outro jogo, Espanha e Portugal fizeram o clássico ibérico, jogo que não se repetia desde 2004 quando o time lusitano treinado por Felipão eliminava a Espanha pela Euro. A Espanha jogou num 4/4/2 contra o 4/3/3 luso. Depois de um bombardeio espanhol durante os primeiros dez minutos - nos quais a fúria, comandada por Villa, só não chegou ao gol pelas intervenções de ótimo goleiro português Eduardo -, Portugal equilibrou o jogo na marcação, mas só conseguia criar algo com nas subidas de Fábio Coentrão pela lateral-esquerda - suprindo a nulidade que atuava pela ponta-esquerda chamada Cristiano Ronaldo - e mais nada. Os espanhóis, com a entrada de Iniesta não se aproveitavam das constantes subidas do lateral português, pois com a entrada de Iniesta, não tinham jogava por aquele setor. A zaga portuguesa anulava Fernando Torres e não houve como o placar sair do zero. Na segunda etapa, o jogo da Espanha melhorou, sempre pelos pés de Villa enquanto Portugal restava travado. O miolo de zaga português falha por duas vezes e Llorente que entrara no lugar de Torres cabeceia para Eduardo fazer um milagre e depois, na base da linha-burra - que não falhou, mas sim milimetricamente o bandeirinha - Villa fez no sufoco o gol da vitória. Amargaram os portugueses a dura realidade de jogar fazendo linha, afinal, como já dissemos por aqui, não basta acertar, mas rezar para que os bandeirinhas também o façam. Os lusos, mesmo com a queda de produção do time espanhol não foram capazes de empatar e caíram eliminados. Foram embora tendo enfiado uma ilusória goleada na Coreia do Norte - a maior diga-se - e sem ter feito gol em ninguém. A Espanha provou qualidade, mas precisa de solidez, sua sorte é que só precisará mostrar isso na semi, pois no jogo contra o Paraguai será um novo jogo de ataque contra defesa - o que tem lá os seus riscos como nos lembra a Suiça.

domingo, 27 de junho de 2010

Notas da Copa: Raio X do Brasil

Amanhã a Seleção Brasileira enfrenta o Chile pelas oitavas de final da Copa. Trata-se do maior freguês do Brasil na era Dunga, mas é necessário ponderar a boa primeira fase realizada - a única derrota que sofreu foi fruto de falha infeliz de seu goleiro. Da primeira fase brasileira, o que se pode dizer é que o time estreou nervoso, teve a melhor atuação da segunda rodada da Copa e depois desperdiçou o terceiro jogo com testes mal-feitos.

A estreia ocorreu dentro da margem da normalidade, ainda que abaixo das expectativas; o time esteve muito nervoso durante todo o primeiro tempo contra a Coreia do Norte (2x1) e só entrou em campo no Segundo Tempo, quando Kaká - visivelmente no sacrifício físico - passou a participar mais e Elano e Robinho passaram a se movimentar pelas pontas - além da memorável atuação de Maicon. Ainda assim tomamos um gol por distração.

No jogo contra a Costa do Marfim (3x1), onde o único placar que interessava era a vitória, o time brasileiro fez seu melhor jogo, cozinhando o galo, procurando espaços na  marcação e tocando a bola - Luís Fabiano fez uma partida memorável na frente e Kaká, mesmo com as limitações físicas e a forte marcação, desequilibrou no meio, compensado ainda pelas boas atuações de Robinho e Elano pelas pontas.

Contra Portugal, Dunga fez bem em poupar Robinho, mas errou ao entrar com Júlio Bapstista na posição de Kaká - injustamente expulso no jogo anterior - e como Daniel Alves no lugar de Elano, ambos foram muito mal e as substituições tardaram a acontecer - notadamente a presença do curinga Ramires. Nilmar, no entanto, foi bem no lugar de Robinho e é um reserva de luxo.

Das atuações individuais - segundo as notas que eu atribui nos três jogos - tivemos o seguinte:


1. Júlio César: 6,83
2. Maicon: 7,50
3. Lúcio: 5,50
4. Juan: 5,66
6. Michel Bastos: 4,00
5. Felipe Melo: 4,66
(17. Josué):5,00
8. Gilberto Silva: 5,33
7.Elano: 7,25
(13. Daniel Alves: 4,16)
10. Kaká: 7,25
(19. Júlio Baptista:4,00)
(18.Ramires: 6,50)
11. Robinho: 6,50
(21.Nilmar: 6,00)
9. Luís Fabiano: 6,16
T. Dunga: 6,16


Evidentemente, analisar um time de futebol de maneira atomizada diz menos do que pensa, apenas aponta para certos detalhes. O que conta é o conjunto mesmo. O ponto é que analisado individualmente, o time está abaixo das suas potencialidades. O esquema 4/2-3/1 depende muito do armador central, ou seja, Kaká, um jogador que não chegou bem fisicamente, mas quando foi exigido, conseguiu se superar e foi bem. Os outros dois jogadores que completam o trio de armação, Elano e Robinho foram bem - especialmente Elano, autor de dois gols, e dono de uma movimentação inteligente. Luís Fabiano foi muito bem contra a Costa do Marfim e atuou apenas medianamente nos outros dois jogos. O problema mora atrás: A dupla de volantes brasileira é lenta, Gilberto Silva não me parece em grande forma e Felipe Melo, uma das convocação mais contestadas de Dunga, esteve abaixo da média - o que é particularmente complicado, pois na medida em que Felipe é o volante pela esquerda, as coisas se complicam mais ainda pelos setor, haja vista que Michel Bastos vai muito mal pela lateral-esquerda. Pela lateral-direita, Maicon é o melhor jogador da Copa na posição, a zaga formada por Lúcio e Juan é boa, está em forma, mas foi displicente demais ao longo da primeira fase. Júlio César está soberbo no gol.

É fundamental que o time corrija seu problema pelo lado canhoto; Gilberto poderia entrar no lugar de Michel e Ramires poderia entrar como segundo volante no lugar de Felipe Melo - pela direita, com Gilberto Silva trocando de lado -, isso daria mais segurança para Robinho avançar e também protegeria o time de uma jogada particularmente forte do time chileno por ali - Valdivia várias vezes atuou como ponta-direita no 3/4/3 chileno, esquema que eu duvido que se repita, embora Bielsa deva escalar pontas, seja para para segurar Maicon ou para explorar as deficiências de Michel, portanto o Chile deve entrar num 4/2-3/1, mas as dúvidas são muitas, com vários jogadores suspensos, Bielsa, que em situações normais costuma ser surpreendente, certamente tirará um coelho da cartola amanhã.








sexta-feira, 25 de junho de 2010

Notas da Copa: Enfim, definidas as Oitavas de Final

Agora há pouco, a Espanha meteu 2x1 no Chile atuando com um jogador a mais. Foi um bom início de jogo do time espanhol frente a um Chile afobado que, ainda por cima, acabou prejudicado pela arbitragem. Os dois gols tomados puseram dúvidas quanto à classificação chilena, mas depois o time diminuiu e equilibrou o jogo - enquanto no conflito de retrancas, Suíça e Honduras acabaram terminando no previsível e justo 0x0. Sim, Honduras merece um prêmio da FIFA por ter deixado a Suiça de fora das oitavas, até porque isso implicou na classificação de duas equipes que jogam um futebol ofensivo, leve e veloz, coisa rara na Copa sul-africana. Pena o Chile não ter ficado em primeiro, mas de qualquer modo, sua classificação já se constitui numa grande vitória para o futebol sul-americano, cujas cinco seleções se encontram nas oitavas.

A melhor seleção da primeira fase foi a Argentina de Maradona e Messi, seguida da Holanda - a outra equipe a fechar com 100% de aproveitamento -, Uruguai e Brasil. Vamos à análise dos confrontos:

Uruguai x Coreia do Sul
A Copa que os uruguaios estão fazendo surpreende (positivamente) a todos; o time marca com firmeza e tem um belo poder de fogo nos contra-ataques com Forlán. Os sul-coreanos caíram num grupo onde a Argentina sobrou e a Nigéria sumiu, souberam jogar com inteligência, mostrando um futebol veloz e disciplinado, mas lhes falta muita coisa ainda. Aqui, para o Uruguai não se classifica não basta a carruagem virar abóbora, mas também um milagre do lado de lá.

EUA x Gana
O time americano é bom: Joga há muito tempo junto, tem jogadores experientes, um bom condicionamento físico e até certa qualificação técnica - com jogadores como Donovan, Dempsey e Bradley. A equipe encarou bem a Inglaterra, arrancando um empate e depois, mesmo sendo vítima de erros de arbitragem, empatou com a Eslovênia e venceu a Argélia demonstrando superioridade. Gana estreou mal contra a Sérvia, mas foi beneficiada pelos erros do rival e venceu o jogo, depois empatou com a Austrália jogando pouco e perdeu para a Alemanha em seu melhor jogo no campeonato - sim, é o único time africano que restou no torneio; trata-se de uma equipe forte fisicamente e com boa técnica. O confronto será parelho. A vantagem está como os americanos, mas ela é pequena.

Holanda x Eslováquia
A Laranja Mecânica não encantou, mas venceu todos os jogos da primeira fase e foi a segunda melhor equipe naquela fase. O time está junto há algum tempo, Robben está voltando, Sneijder está jogando, Van Persie está por aí. Em outros tempos, o time holandês voava em campo e era surpreendido logo mais, será que dessa vez a falta de brilho esconda finalmente o prenúncio de uma chegada firme? Os eslovacos são a maior surpresa da Copa, ainda mais depois de terem eliminado a Itália, atual campeã mundial. Não os vi jogando grande coisa, sofreram empatando com a Nova Zelândia, perderam para o Paraguai e ganharam de um time esgotado que não sabe atacar - apesar de sua grandeza. Aposto firme na Holanda.

Brasil x Chile
No confronto entre sul-americanos, o Brasil vem de uma campanha oscilante na primeira fase, embora tenha jogado quando realmente precisou. Kaká, Elano, Maicon e Robinho dão a tônica do time nacional que ainda tem Júlio César no gol e Luís Fabiano no ataque, mas ainda persistem problemas graves no setor de marcação do meio-de-campo e na esquerda da defesa. O Chile atual é a melhor geração do futebol daquele país desde Salas e Zamorano, conta com jogadores como Suazo, Valdivia, Beausejour, Sánchez e Paredes além do técnico argentino Marcelo Bielsa, ao meu ver, o melhor treinador da primeira fase - a equipe joga bem e joga para frente como já adiantei. Será um belo jogo, mas o Brasil é favorito sim.

Argentina x México
A Argentina foi o melhor time da primeira fase devido à estrela de Maradona no banco, às estrelas do setor ofensivo - Messi, Higuaín, Tévez e Di Maria - e ao banco privilegiado, tudo isso somado a um sorteio que lhe  jogou num grupo fraco o suficiente para não saber explorar o seu calcanhar de aquiles: A defesa. O México pode até ser superior a qualquer equipe que a Argentina já enfrentou no torneio, mas demonstra problemas no meio de campo - falta gente para executar a saída de bola e a armação não funciona bem - assim como o seu ataque não encanta - sua classificação, a rigor, se deve a um bom segundo tempo contra a morta-viva França. É pouco e los hermanos devem seguir aqui também.

Alemanha x Inglaterra
A Alemanha teve uma estreia arrebatadora ao enfiar uma goleada com propriedade na Austrália, mas depois foi imprudente demais para um time que quer ser campeão contra a Sérvia, protagonizando um dos jogos mais estranhos dessa Copa. Depois, veio a classificação suada e sem brilho contra Gana. A Inglaterra empatou com os EUA jogando melhor que o adversário, foi horrorosa contra a Argélia e melhorou contra a Eslovênia. Por ora, o time alemão mostra mais consistência tática - seja pela variabilidade ou pela disposição em campo -, capacidade técnica - Gerrard e Lampard estão bem na Inglaterra, mas o resto do time ou não é bom ou está quebrado, enquanto a Alemanha tem Ozil, Podolski, Muller, Klose - e até mesmo banco. Não será fácil, mas eu creio que a Alemanha é favorita.

Paraguai x Japão
Os paraguaios são outra boa surpresa do torneio ao se classificarem em primeiro no grupo da atual campeã - e veja só, eliminada - Itália. O time mantém as linhas-gerais do futebol de seu país, a precisão defensiva e a robustez na marcação somada, dessa vez, com um poder de fogo razoável na frente, com Lucas Barrios e outros bons atacantes. O Japão, por sua vez, prossegue crescendo. O time atual fez partidas táticas contra Camarões e Holanda - ganhando o primeiro por 1x0 e perdendo o segundo pelo mesmo placar - e teve um jogo simplesmente luminoso contra a Dinamarca, na última rodada. Se a trajetória de crescimento do time nipônico se mantiver no torneio, ele deve se classificar, mas o Paraguai é inteligente o suficiente para anula-lo. Situação complicada, mas eu aposto nos sul-americanos.

Espanha x Portugal
A Espanha era apontada como uma das favoritas ao título, mas não teve um desempenho lapidar: Perdeu para o glorioso ferrolho suíço na estreia, sofreu para furar a retranca hondurenha e teve lampejos contra o Chile - muito embora deva se considerar que administrou o placar em vários momentos. O ataque, especialmente David Villa, se destacou assim como a dupla de meias de criação, formada por Xavi e Xabi Alonso - a defesa, assusta. Portugal, por sua vez, se classificou em segundo sem ter um jogado nem levado um gol sequer - o que não significa que tenha jogado bem, pois foi pior do que Costa do Marfim, pegou uma Coreia do Norte arrasada e um Brasil desfalcado e acomodado. Clássico é clássico como diz a máxima do futebol, mas a Espanha me parece favorita aqui.





 

Notas da Copa: Brasil OxO Portugal e o Grupo G

(Maicon vs. Coentrão - Reuters)

Hoje, o Brasil finalizou a sua participação na primeira fase da Copa e garantiu a primeira colocação de seu grupo, muito embora tenha feito seu pior jogo no torneio. De um jogo contra Portugal, no qual o empate servia para as duas equipes, não era de se desconfiar que tal placar se concretizasse. O mistério mesmo ficava por conta do que se daria no jogo. Sem Kaká, injustamente expulso no jogo anterior, Elano, se recuperando da entrada violenta sofrida no jogo anterior, e Robinho poupado, Dunga escalou respectivamente Júlio Baptista, Daniel Alves e Nilmar mantendo assim o esquema 4/2-3/1 de todo dia contra um adversário que jogava no 4/3-2/1 - o esquema oposto, portanto.

Maicon marcava Coentrão, Lúcio e Juan marcavam Cristiano Ronaldo - que flutuava pelo centro do ataque -, Michel Bastos topava com Danny, Felipe Mello e Gilberto Silva batendo de frente com Tiago e Raul Meirelles, Daniel Alves aberto pela direita contra Duda, Júlio Baptista pelo meio contra Pepe, Nilmar pontado pela esquerda marcado por Ricardo Costa e Luís Fabiano na área contra Ricardo Carvalho e Bruno Alves. No gol, Júlio César defendia a meta brasileira e Eduardo a lusitana.

No primeiro tempo, o Brasil, com as subidas de Nilmar, alguma jogada de Luís Fabiano como pivô e Maicon subindo. As outras modificações de Dunga, no entanto, não funcionam: Daniel Alves erra praticamente tudo e Júlio Baptista, incumbido de armar, fica perdido. Os volantes demonstram dificuldades para sair jogando - e algum desassossego no caso de Felipe Melo. Michel Bastos novamente vai mal pela esquerda. No meio de tanta confusão, Lúcio sobe para o ataque coberto para Gilberto Silva, mas suas chegadas, sempre conduzindo demais a bola - e o fazendo pelo meio -, resultam em muito pouco. Com Felipe Mello discutindo às raias de uma expulsão, Dunga, acertadamente, o substitui por Josué ainda no Primeiro Tempo. Os portugueses, pelo seu lado, se defendem mal e não conseguem articular jogadas de contra-ataque muito coerentes. Júlio César mostra segurança. O jogo é nervoso e mais violento do que poderia se supor.

A segunda etapa vem e o Brasil se mostra mais confuso. Portugal segue a tônica da etapa anterior e não consegue criar. Se Josué equilibra a marcação, por outro lado, erra muitos passes. Cristiano Ronaldo faz boas poses para fotos, mas erra. Dunga fica nervoso à beira do gramado - e, na mesma medida, sem timing para mexer no time. As coisas não fluem de lado a lado. Maicon e Nilmar estão cansados demais para qualquer coisa. Ramires entra, com pelo menos vinte minutos de atraso, no lugar de Júlio Baptista e faz mais do que o colega durante todo o jogo. Grafite substitui Luís Fabiano, mas não aparece.

Termina o jogo, um 0x0 insosso, insípido e inodoro que classifica o Brasil em primeiro, tirando-o do caminho de uma Argentina - mas colocando-o na rota de uma Holanda. O Brasil fez um jogo ruim, depois da estreia razoável contra a Coreia do Norte e o bom jogo contra a Costa do Marfim. Fica claro que o time depende bastante de Kaká, Elano e Robinho. Portugal, chega a cinco pontos e se classifica a depeito da vitória de Costa Marfim por 3x0 contra a Coreia do Norte, mas não convence: Fora o 7x0 contra a Coreia do Norte - uma anormalidade que teve mais a ver com a instabilidade psicológica dos rivais, do que necessariamente com sua ruindade -, muita pose e pouca bola.

Atuações do Brasil:

1. Júlio César: Não trabalhou muito por conta dos rivais, mas mostrou segurança toda vida. 7,5
2. Maicon: O melhor lateral-direito da Copa, um grande primeiro tempo, mas não conseguiu manter o mesmo ritmo, técnico e físico, na segunda etapa. 8,0
3. Lúcio: Subiu muito para o ataque para tentar suprir as deficiências de armação, mas falhou na empreitada e ainda deixou espaços na marcação. 4,0
4. Juan: Pode até ter ficado sobrecarregado pelas subidas de Lúcio, mas deu espaços além do necessário. 4,5
6. Michel Bastos: Tímido, não consegue apoiar nem marcar. É o oposto de Maicon no time. 3,5
5. Felipe Melo: O mesmo de sempre, lento e impreciso, acabou sacado no Primeiro Tempo para não ser expulso. 3,0
(17. Josué): Ágil na marcação, mas errou mais passes do que deveria. 5,0
8. Gilberto Silva: Marcou bem, mas demonstrou muita lentidão. 5,0
13. Daniel Alves: Errou quase tudo que tentou. 3,0
19. Júlio Baptista: Não conseguiu armar a equipe, mas merece um desconto por ter sido escalado numa posição que definitivamente não é a sua. 4,0
(18.Ramires): Na falta de sua não escalação como titular, poderia ter entrado bem antes. Nos quase quinze minutos que esteve em campo, fez bem mais do que Júlio. 6,5 
21.Nilmar: O jogador de ataque mais perigo do time no primeiro tempo. Depois cansou. 6,0
9. Luís Fabiano: Fez boas jogadas no Primeiro Tempo, mas sumiu na segunda etapa. 5,0
(23.Grafite) Ficou pouco tempo em casa. sem nota.
Nota Média: 5,00

Dunga: Acertou ao poupar Elano e Robinho - assim como no que toca a escalação de Nilmar como titular -, mas errou feio ao escalar Daniel Alves pela direita no meio e na entrada de Júlio Baptista na armação. Durante o jogo, mexeu bem ao tirar Felipe Melo antes que ele fosse expulso, mas errou ao demorar nas demais substituições - embora tenham sido tecnicamente corretas. 5,0

sexta-feira, 18 de junho de 2010

Resquiescat in Pacem Saramago

(foto retirada daqui)

Faleceu hoje, aos 87 anos, em sua casa nas ilhas Canárias, o escritor, jornalista, militante comunista e, no fim da vida, blogueiro  José Saramago. Uma perda, sem dúvida, irreparável. Saramago nasceu em 1922 e pertenceu a uma geração de intelectuais - da qual foi o maior expoente artístico - que nasceu e viveu sua mocidade num Portugal que, muito embora já tivesse se livrado de uma monarquia perdulária e inepta - se é que não estou sendo redundante -, encontrava-se sob o jugo de uma ditadura fascista que corrompeu a República ainda em sua meniníce, levando-a à inquietação, à crítica social e ao ativismo político - de uma maneira um tanto romântica - o que se concretizou naquela que talvez tenha sido a maior inflexão modernizadora portuguesa de todos os tempos, cujo momento-chave foi a Revolução dos Cravos. Dono de um ceticismo cortante e de um estilo literário desafiador e polêmico, Saramago desafiava desde os dogmas patéticos da gramática até os cânones católicos, pendores nacionalistas e, até mesmo, convicções racionalistas. Foi laureado com o Prêmio Nobel de Literatura em 1998 e, seguramente, foi o maior escritor de língua portuguesa do século 20º.

Dentre tantas polêmicas em que se envolveu, uma delas se deu quando a indicação de O Evangelho Segundo Jesus Cristo - meu livro favorito dele - para o prêmio europeu de literatura foi vetada pelo Secretário de Estado da Cultura português Sousa Lara. A alegação? A obra seria elemento de desunião para o povo português, afinal, o livro faz uma crítica ácida aos evangelhos ao narrar a vida de Jesus despida de qualquer aura divina, retratando-o como um homem entre os homens, irritando o clero católico e muitos fiéis - curiosamente, sua última obra, Caim, segue a mesma temática, batendo desta vez no Antigo Testamento. Recentemente, irritou os portugueses ao propôr que seria melhor para Portugal ser integrado à Espanha formando uma espécie de Federação - o que, como se não bastasse a perseguição religiosa que sofria em pleno século 21º, ainda lhe valeu críticas dos nacionalistas d'antanho de seu país.

Foi comunista até o último dia de sua vida e nunca deixou de denunciar a crise da democracia nos dias atuais - como também não deixou de relegar a direita de seu país ao devido escárnio, chamando Cavaco Silva, atual Presidente da República e maior líder conservador do país no pós-Revolução dos Cravos, de "gênio das banalidades". Enfim, foi-se um dos grandes e pouco a pouco o século 20º vai nos deixando - enquanto o projeto desumanista dos dias atuais avança, apesar da geração de Saramago o tenha refreado substancialmente em seu tempo. Agora é conosco.

terça-feira, 15 de junho de 2010

Notas da Copa: Brasil 2x1 Coreia do Norte

(Foto: Reuters)


Pois bem, o Brasil finalmente entrou em campo e o fez contra um time disposto a não perder - e disciplinado até o  último fio de cabelo na marcação e, apesar de lhe sobrar engenho, de longe percebe-se que é carente de arte. Entramos em campo no mesmo esquema que as melhores seleções nacionais do mundo tem adotado desde que a Holanda reinventou o 4/3/3 no início do século, o que deu nesse 4/2-3/1 que os especialistas tanto repetem: Dois laterais mais ou menos móveis, dois jogadores no miolo de área, dois volantes, um armador centralizado com o dever de flutuar para criar, dois jogadores ofensivos abertos se projetando do flanco do meio de campo - em linha com o tal armador central - para as pontas ou entrando em diagonais - os chames de meias-atacantes abertos ou de pontas - e um homem no comando de ataque. Em suma, fomos de Júlio César/Maicon, Lúcio, Juan e Michel Bastos/Gilberto Silva e Felipe Melo - Elano, Kaká e Robinho/ Luís Fabiano.


O primeiro tempo era de um Brasil totalmente enfiado no seu campo de ataque, bombardeando a valente Coreia do Norte que tentava contra-atacar com Tae Se, seu melhor jogador, também chamado o "Rooney da    Ásia", único jogador norte-coreano acima do nível da medianidade, que derramou lágrimas ao som do seu hino e batalhou instante a instante do jogo. Dominávamos, atacávamos, era como se a Coreia do Norte fosse um lutador de boxe jogador contra as cordas, tentando alguns golpes, indo para o trinch, mas sem nunca se deixar nocautear - e como fomos formidavelmente previsível durante todo o Primeiro Tempo.


No intervalo, Dunga não muda nada para mudar tudo e o time começa, enfim, a se movimentar. Kaká começar a se mover, Robinho e Elano começam a passar em velocidade, Maicon começa a subir e, apesar do exagero de jogar nessas condições com dois volantes, nos tornamos final e efetivamente ofensivos. Foi em mais uma jogada pelo lado direito, quando Elano tocou para Maicon ultrapassando para o lateral concluir ao invés de chutar e assim fazer um gol espírita - com alguma ajuda do goleiro. Depois disso, o Brasil cresceu no jogo, passando a atacar e ver a Coreia saindo, finalmente para o jogo, o que deu o espaço necessário para Robinho enfiar para Elano fazer o segundo gol e fechar a contagem. Aí Dunga passou a fazer as modificações, tirando o próprio Elano para colocar Daniel Alves na sua posição, mas colocou Nilmar - que deveria ter entrado logo no intervalo - no lugar de Kaká assim como Ramires no lugar de Felipe Melo para ver como ficava a saída de bola. O time ficou um pouco bagunçado, mas o placar já estava selado, apesar do susto de ter levado um gol aos 43 minutos com Yun Nam recebendo de Tae Se que fez o pivô. 


Não foi a estreia que esperávamos, não tanto pelo Brasil, mas pela postura da Coreia montando a mais perfeita retranca que eu já vi nessa Copa - e olha que não foram poucas a entrar em campo, gerando uma sequência de jogos onde um equipe apenas atacava e outra se resignava apenas em defender. A Coreia do Norte seria um teste para qualquer ataque dessa competição e conseguimos superar isso, mas sua forma de jogar não ajudou a perceber - e, por tabela, a ajustar - os problemas de marcação no meio bem como ainda nos deixou com um gosto amargo de nos ter enfiado um belo gol. Depois do 0x0 de hoje entre Portugal e Costa do Marfim, onde os lusos pegaram até agora o melhor time africano que eu vi jogar, mas não furaram seu potente bloqueio defensivo, as coisas aparentemente tendem a ser mais duras ainda do que se previa no Grupo G.


Análise do Brasil_ Jogador a Jogador:


1. Júlio César: Trabalhou pouco e tomou um gol que só os melhores entre os melhores no queima-a-roupa conseguriam evitar. ¨6,0
2. Maicon: O melhor do time, sem trabalho na marcação, avançou e atacou bem, se movimentando com inteligência. Fez o primeiro gol. 8,0
3. Lúcio: Sem trabalho na marcação nem culpa no gol, aproveitou para tentar alguns lances de ataque. 6,5
4. Juan: O mesmo que seu companheiro de zaga. 6,5
6.Michel Bastos: Subiu bastante, mas falhou bastante no apoio, chutando quando não devia e hesitando quando podia. 5,0
8. Gilberto Silva: A função de primeiro volante que exerce foi desnecessária no jogo atual, como não por característica apoiar, ficou só na cobertura, mas não comprometeu. 5,5
5. Felipe Melo: O Mesmo que Gilberto Silva. 5,5
(18. Ramires): Entrou para dar mais velocidade a saída de bola, mas teve pouco tempo. sem nota.
7. Elano: Fez um gol e deu uma assistência, é essencial no que faz, seja em apoio ou marcação, na direita. 7,5
(13. Daniel Alves): Entrou para fazer as jogadas pela direita com Maicon, mas a função que lhe foi dada era confusa e não rendeu. 5,0
10. Kaká: Nulo no Primeiro tempo, subiu de produção na segunda etapa e armou o time com precisão e velocidade. 6,5
(21.Nilmar): Entrou e arriscou jogadas de velocidade, poderia ter entrado antes no lugar de algum volante. 6,0
11. Robinho: Como boa parte do time, melhorou no segundo tempo, deu até uma assistência. 6,5
9. Luís Fabiano: Perdeu a briga para a zaga norte-coreana, conseguiu acertar só um lance. 4,5.
Nota Média: 5,69


Dunga: Mesmo diante de uma possível retranca, manteve o esquema padrão que utiliza e pretende manter para a Copa. Mexeu bem na forma da equipe jogar no intervalo, mas poderia tê-la tornado mais ofensiva com substituições, haja vista que para o jogo de hoje, dois volantes eram desnecessários. Modificou parcialmente bem. 6,0