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segunda-feira, 28 de dezembro de 2009

A Temporada Verde



Ainda falando um pouco sobre futebol, resta uma análise do que foi a temporada do meu querido Palmeiras. Das incertezas da montagem de um elenco predominante jovem por Luxemburgo no início do ano até a decepção da perda não só do título como da vaga para a Libertadores na última rodada, muita água rolou, com um sobe e desce de expectativas bem grande.


Em um primeiro lugar, acho que a diretoria errou em manter Luxemburgo no cargo depois dos erros abissais que ele cometeu no Brasileirão 08, o que obrigaram a uma demissão do treinador ou uma reformulação quase total de elenco - a segunda hipótese foi concretizada, quase que automaticamente, numa decisão rara para o futebol brasileiro.

Por outro lado, Beluzzo assumiu a presidência do clube com a promessa de modernização de uma agremiação que, desde o fim dos anos 70, vive às voltas com o que Gramsci definiria por crise de hegemonia - excetuando a era Parmalat, um ponto fora da curva, quase tudo que envolveu o período de 78 em diante rimava com fracasso. Pesados prós e contras, Beluzzo não somente era - como ainda é - o melhor quadro dirigente alviverde.

Pois bem, o time começa o ano surpreendentemente bem, batendo e arrebentando no Paulistão, até que perde o rumo e o prumo e Luxemburgo não consegue, assim como em 08, reverter a trajetória de queda da equipe. De um início arrasador, o Palmeiras quase perdeu a liderança da Primeira Fase do Estadual para um ascendente São Paulo, mas acabou, logo mais adiante, sofrendo uma eliminação vexatória diante do Santos - não pelo rival, mas pela forma como se deram as coisas.

Luxa permanece como treinador, conduz o time a uma classificação surpreendente para a segunda fase da Libertadores - depois de um início titubeante -, mas tropeça nas quartas de final, diante de um fraco Nacional-URU, mesmo depois de ter, heroicamente, eliminado o Sport nos penâltis nas oitavas. O treinador, apesar do segundo fracasso, é mantido para o decorrer do Brasileirão.

A queda de Luxemburgo ocorre por um motivo tosco. Keirrison, até então estrela do time, acaba negociado com o exterior, usando o clube como mero trampolim, traindo o acordado com o próprio técnico, mas poderia, mesmo já tendo sido contratado, retornar ao Palestra Itália para ir para a Europa somente com o fim da temporada brasileira. Luxemburgo não concorda, afirma publicamente que não gostaria de trabalhar com o atleta nessas condições e acaba demitido pouco depois.


Venhamos e convenhamos, Luxemburgo poderia e deveria ter sido demitido no fim de 08, acho que ele cometeu erros suficientes naquele Brasileiro para tanto; até poderia ter sido demitido após o estadual ou da Libertadores, mas o motivo pelo qual e momento no qual ele foi demitido, realmente consistiram no primeiro grande erro da administração Beluzzo.


Ainda assim, o Palmeiras estava bem colocado no Brasileirão, mesmo disputando a Libertadores, acabou somando uma quantidade considerável de pontos. Beluzzo, no entanto, vai lá e comete o seu segundo grande erro e faz uma proposta pública para contratar Muricy Ramalho, recém-demitido do São Paulo, e acaba jogando o treinador contra parede. Acaba ouvindo um sonoro, mas educado não como resposta.

Beluzzo, com o rabo entre as pernas, passou a divulgar a versão de que não iria contratar técnicos medalhões para gastar o dinheiro com reforços - uma demagogia que fazia sentido na cabeça dos torcedores e ainda jogava a suspeita de mercenarismo sobre Muricy. O dirigente verde, ainda por cima, assistiu a um dos raros episódios de sorte do Palmeiras em décadas: O interino Jorginho, acometido pela magia que às vezes se abate sobre interinos, pôs ordem no time, juntou um elenco com os brios feridos pela saída de Luxemburgo e a rejeição de Muricy e desembestou a ganhar jogos, chegando à liderança do torneio.

Aí chegamos ao terceiro grande erro de Beluzzo. Tudo bem, ele teve duas chances até chegar nesse ponto, convenhamos que querer uma terceira chance seria demais também: Ele manteve as negociações com Muricy e anunciou o treinador justo quando o Palmeiras liderava o torneio. Isso foi um balde de água fria no elenco que havia se sentido rejeitado há pouco tempo atrás. A queda de desempenho do time da Barra Funda foi patente e rápida; de um time que jogava por música com Jorginho, veio à mediocridade.

Daí temos mais contratações;
Obina, uma incógnita vinda do Flamengo; Robert, um bom atacante reserva é trazido do futebol mexicano; Figueroa, uma boa revelação chilena é trazida do Colo Colo para a carente lateral-direita verde e Vagner Love, estagnado pelos anos num futebol de segunda categoria - como é o futebol russo atual -, é trazido a peso de ouro - consistindo no quarto grande erro de Beluzzo, esse, trágico. Mesmo a ideia de manter o excepcional Pierre tropeça numa das peças do destino: O excelente cabeça de área se contunde em um treino e acaba ficando meses afastado do elenco.

Aos trancos e barrancos o time se mantém na liderança do torneio até o seu ápice no torneio quando enfiou 3x1 no Santos. Depois daquele jogo as coisas desandaram, principalmente com declarações de Muricy falando que Diego Souza era "o único craque do time" - hã? Como assim e Marcos? -, soltando pelos cotovelos, ainda, algumas contradições do elenco que ele além de não ter resolvido, ainda aumentou. Disso daí em diante, ladeira abaixo. O que culminou na ridícula briga entre Obina e Maurício.

Depois de dezenas de rodadas liderando, o Palmeiras que era candidato a Libertadores de início, depois cismou em se apresentar como favorito ao título, acabou perdendo ambos com a derrota jocosa para o Botafogo na última rodada. As previsões para 2010 não são boas; Muricy é um morto-vivo no comando do time como Luxemburgo era de 08 para 09, mas não terá ao seu dispôr uma reformulação de elenco nem parecida.

Com o balanço de 09, provavelmente a parceira
Traffic vá rever muito dos investimentos que fez no Palestra Itália este ano, pois tudo leva a crer que o time fechará com contas não muito boas. As contratações de Leo pra zaga e Márcio Araújo complementam bem setores problemáticos do time verde, mas não resolvem. Vender Diego Souza pode ser uma grande pedida, o meio alterna demais e ainda não é o tipo da figura com maiores espíritos de grupos. A saída de Vágner Love, um jogador que eu já dizia à época que estava condenado a se estagnar ao deixar o Brasil tão cedo para atuar num futebol decadente, é um favor.

Pensando no elenco que ainda temos, Marcos ainda pode ser bastante últil enquanto Bruno não estiver pronto para ser titular; na zaga Maurício Ramos e Danilo podem subir de produção disputando vaga com Léo e ainda resta o experiente Edmílson - que, honestamente, não sei se terá pique para ser titular. Armero terá a figura do promissor Gabriel Silva pela lateral-esquerda, enquanto Figueroa tem tudo para fazer uma grande temporada pela direita; a manutenção de Pierre e Souza como volantes é positiva, ainda mais com a vinda de Márcio Araújo e a presença de Wendel que, não sei porque, não é mais utilizado na posição de origem; nas meias, Deyvid está em ascenção, mas eu faria uma força maior para manter Cleiton Xavier e vender Diego Souza - e não o contrário -, além de torcer para que
Valdivia volte; no ataque, manteria Robert, comemorei a saída de Vagner, mas não gostei de não terem mantido Ortigoza.

Em suma, 2010, para o horror da torcida palestrina, os ventos são favoráveis, novamente para o
São Paulo - com sua auto suficiência e sua bela organização de Clube - e para o Corinthians - que se não fosse pelo demasiado ufanismo que o ano do centenário produz nas já ufanistas torcidas, levaria muita coisa mesmo. O verde corre por fora. É esperar para que Beluzzo aprenda com seus erros, que algo comece a se fomentado nas instâncias administrativas verdes para produzir mais nomes capazes de dirigirem os times e que Muricy abaixe um pouco a bola, reúna o elenco em torno de um projeto e, com um cadinho de humildade, coma pelas beiradas no estadual e na Copa do Brasil - mas talvez tudo isso seja pedir demais.


domingo, 6 de dezembro de 2009

Brasileirão: O Desfecho



O Flamengo, depois de dezessete anos de jejum foi campeão brasileiro, rompendo também com nove anos sem títulos cariocas em brasileirões. Aliás, agora ele se junta ao São Paulo na galeria dos hexacampeões nacionais. O time mereceu, jogou o melhor futebol do Returno e acertou na mosca ao manter Andrade como treinador do time: Querido pelo elenco e pela torcida, tecnicamente capaz e com uma conduta profissional digna, ele não poderia mesmo ser removido - e aí a diretoria flamenguista acertou onde a palmeirense errou feio. Detalhe: O Flamengo foi o campeão com o menor aproveitamento percentual da era dos pontos corridos.

De resto, os meus três favoritos iniciais ao título se classificaram para a Libertadores; Inter, campeão do Turno, São Paulo, sempre perigoso por conta de sua estrutura e o Cruzeiro, vice da Libertadores por azar e só não brigou porque desperdiçou muitos pontos. O meu Palmeiras, por sua vez, não era favorito, mas como os pontos que somou durante a disputa da Libertadores e o impulso dado por Jorginho, arrancou e em dado momento pautou o campeonato até a Diretoria ter dado um tiro no pé ao contratar Muricy - que é um bom treinador, mas entrou no momento errado e da forma errada.

De resto, o Avaí, que eu gabaritava como favorito ao rebaixamento, acabou revertendo isso sob a égide de Silas, o melhor treinador do campeonato. Faltou consistência para o Goiás no Turno e capacidade de jogar fora de casa para o Grêmio. O Corinthians, por sua vez, jogou com o freio de mão puxado por conta do título da Copa do Brasil, mas mesmo sem ele, dificilmente ganharia esse título, afinal trata-se muito mais de um time copeiro do que campeonateiro - se a palavra não existe, acabei de inventar então.

O Santos refletiu sua decadência enquanto Clube depois do fenômeno Robinho e provou que merece uma reforma bem profunda - assim como Luxemburgo continua a demontrar sinais profundos de decadência. Estevam Soares, por sua vez, pode se dizer que salvou tanto o Barueri quanto o Botafogo, ambos os times que ele dirigiu durante o torneio. Dos rebaixados, Náutico e Santo André estavam, em um primeiro momento, entre os meus rebaixáveis. O Sport morreu pelas idiotices de sua diretoria quando não entregou o seu planejamento para Nelsinho. O Coritiba pecou pela falta de defesa e pela irregularidade. O Fluminense fez um campeonato de recuperação exemplar.

Elas por elas, foi o melhor campeonato de pontos corridos que eu vi, mas não foi tão bom quanto poderia ter sido por uma série de motivos, em especial, pelo próprio calendário.

segunda-feira, 12 de outubro de 2009

Um Pouco de Futebol

Eliminatórias

Ontem, a Seleção Brasileira, já classificada para o mundial da África do Sul, perdeu da Bolívia, uma das lanterninhas das eliminatórias sul-americanas por 2x1, fora de casa. Assisti o jogo só hoje - como já disse, há tempos não tenho muito ânimo para asistir jogos da Seleção, em parte por tudo que cerca a CBF, em parte por toda essa desterritorialização do futebol que faz as seleções nacionais cada vez mais fazerem menos sentido. Não vou ser aqui saudosista, de repente, essa desnacionalização do futebol tenha lá suas vantagens, mas o fato é que as competições de seleções deixa de fazer sentido. De qualquer modo, Dunga realiza um trabalho lapidar no comando técnico da Seleção sabendo administrar toda a burocracia, impedindo que os incêndios comecem com seu conhecimento de causa. No fim das contas, ele só está provando que para ser técnico da Seleção, mais do que entender de futebol, é preciso ser um político habilidoso - e isso, ele é. A derrota de ontem, por exemplo, foi irrelevante e só o foi por tudo que o time construiu ao longo da competição.

Por outro lado, o Paraguai, esse tão esnobado vizinho nosso, manteve a estabilidade dos últimos anos e disputa com o Brasil a primeira posição na tabela - se firmando como a terceira força do continente. Nessa última rodada, cravou 2x1 na Venezuela, fora de casa. Quem também chega, por sua vez, é essa nova - e excelente - geração do futebol chileno liderada por Valdivia; o time mandou 4x2 na Colômbia e está na África do Sul. Das vagas que restam, a Argentina de Maradona, dramaticamente - como tudo tem de ser naquele lado do Rio da Prata - se manteve na disputa batendo o irrelevante Peru por 2x1, agora irá para o Uruguai jogar o tudo ou nada contra esse seu rival clássico que também tem chances de chegar à Copa. Não sei se a Argentina passa, mas se passar, pode ser tão perigosa quanto o Brasil de Felipão em 2002. Equatorianos e venezuelanos ainda têm chances de chegar lá e agitam essa rodada das eliminatórias.

Brasileirão

O Palmeiras, líder, foi com o mistão para Recife e tomou um cacete homérico do Náutico, 3x0. Desfalcado por conta da Seleção, contusões e suspensões bobas, o time paulista perdeu a oportunidade de matar o campeonato nos dois últimos jogos, nos quais, além da sarrafada que tomou hoje, empatou com o Avaí em casa enquanto seus adversários diretos pelo título apanharam. De qualquer modo, o Palmeiras está com cinco pontos sobre segundo colocado. Por sua vez, o Náutico jogou uma de suas boas partidas, daquelas que animam sua torcida para depois se perder em um mar de derrotas ridículas; hoje, diante do virtual rebaixamento de Fluminense e Sport, ele praticamente disputa uma vaga na Série A com Botafogo e Santo André.

O São Paulo, depois da derrota verde, voltou ao campeonato. Vai para uma verdadeira decisão contra o Atlético-MG em casa; quem perder dá adeus à briga pelo título - e o empate é o abraço da morte, ainda mais depois da derrota do Atlético no clássico contra o Cruzeiro. Inter e Goiás dependem muito da próxima rodada. O Flamengo, idem - e joga contra o Palmeiras, fora. Grêmio e Cruzeiro poderão chegar entre os quatro? É questão de dar um gás, agora.

segunda-feira, 5 de outubro de 2009

Santos 1x3 Palmeiras

A grande contribuição de Muricy Ramalho como treinador foi conseguir aplicar em times brasileiros um conceito de disciplina tática e frieza psicológica comum apenas aos alemães e povos nórdicos. Os times de Muricy são isso daí mesmo, mantêm o mesmo ritmo e coerência do início ao fim enquanto os adversários alternam ao longo do mesmo jogo - o que é perfeitamente comum ao nosso futebol.

Falta ao treinador palmeirense, no entanto, conseguir produzir aquela faísca necessária para vencer mata-matas. Telê Santana demorou bastante tempo até conseguir, mas quando conseguiu, deslanchou. Creio que o mesmo tende a acontecer com Muricy.

Hoje, Palmeiras e Santos se anularam taticamente e se equivaleram tecnicamente ao longo do primeiro tempo - o que siginifica que o Palmeiras jogou muito menos do que pôde, dada a diferença técnica entre as duas equipes.

Na segunda etapa, o Santos começou melhor e numa jogada de Neymar, o melhor em campo até então, a equipe abriu o placar. O ponto de inflexão do jogo foi quando Marcos pegou uma bola difícil do mesmo Neymar; o time acordou, soube aproveitar a falha da zaga no gol de empate, produziu um belo lance com Diego Souza para Robert e depois enfiou um contra-ataque mortal e definitivo para fechar a fatura com Vagner Love.

Foi um balde de água gelada na nuca do São Paulo, afinal de contas, a vitória do tricolor contra o Náutico no Recife foi nada menos do que heróica e credenciaria o time do Morumbi a fungar no cangote verde caso o time da Água Branca não vencesse o Santos. Por outro lado, a derrota do Inter em Curitiba assim como a vergonhosa derrota do Goiás em casa, praticamente tiram essas equipes da briga pelo título.

Agora, o Palmeiras joga um peso enorme sobre os seus adversários direto
s e creio que tenha colocado uma mão na taça hoje à tarde.

domingo, 27 de setembro de 2009

O Clímax do Brasileirão

Na útlima quarta, o Palmeiras derrotou o Cruzeiro em Belo Horizonte por 2x1 na base da sorte, da ajuda de um péssimo árbitro que um dia o prejudicou (no jogo contra o Goiás) e na eficiência nos lances decisivos - o time pode não ser mais o mesmo na defesa desde a contusão do gigante Pierre, mas Vagner Love trouxe a força ofensiva que a equipe precisava, elevando a média de gols feitos por jogos. Ontem, jogando mal - e diria até mal armado -, a equipe venceu o Atlético-PR em casa pelo mesmo placar de 2x1; velhos defeitos apareceram, como a falta de um substituto à altura de Armero pela lateral-esquerda, os problemas físicos de Maurício Ramos na zaga, a desnecessária escalação de Jumar em um meio campo que já contava com Souza e Edmílson - além da própria má atuação do último que não tem mais velocidade para reproduzir metade do que Pierre fazia na cabeça de área. De destaques positivos, citaria o chileno Figueroa, que eu - assim como metade da torcida palestrina - nunca entendi como e porquê só veio estreiar agora pela lateral-direita (ontem ele fez um gol difícil e deu a assistência para o segundo) e de Marcos (puta que pariu, é o melhor goleiro do Brasil) que só não pegou mesmo o que não deu. De qualquer modo, o fato é que o time verde cravou 50 pontos e jogou um verdadeiro elefante nas costas de seus adversários diretos pelo títulos, afinal todos tem jogos complicados hoje.

Imagine um São Paulo tendo de jogar um clássico complicadíssimo contra o Corinthians tendo obrigação de vencer? Olha que o time de Parque São Jorge estreia hoje aquilo que mui provavelmente será a base de seu time no ano do centenário e ainda por cima vem de uma derrota de amargar no jogo contra o Goiás. Por sua vez, o Inter, que já deu mole demais nesse turno, tem pela frente o Flamengo que se recupera nas últimas rodadas. O Goiás vai para um jogo de seis pontos contra o Grêmio - sendo que o último, ao meu ver, é o time que joga o melhor futebol no país de um mês para cá. O Atlético-MG, que sobreviveu à turbulência e ainda trouxe reforços, pega o bisonho Santos de Vanderlei Luxemburgo. Enfim, hoje veremos o famoso ou vai ou racha; quem bobear nessa rodada vai precisar de muita sorte para poder disputar o título, quem vencer se apresenta como o(s) adversário(s) do Palmeiras pelo título.

Do outro lado da tabela, acho muito complicado que os dois cariocas escapem do rebaixamento. Não esperava algo mais do que o meio da tabela para o Botafogo e para o Fluminense no início do campeonato, mas tanto assim, já seria exagero - e o pior é que não é. O Sport é outra surpresa negativa e com pouquíssimas chances de reverter o quadro - a diretoria do time não deu atenção a Nelsinho quando da montagem do elenco no começo do ano e acabou enchendo o grupo de laranjas podres demais para permanecer numa Série A. Sobra uma vaga para ser disputada por Santo André, Náutico, Coritiba e, com muito azar, Atlético-PR - e hoje teremos um jogo de seis pontos entre Náutico e Coritiba no Paraná. Acho que tá mais pro ramalhão, ainda assim...

quarta-feira, 23 de setembro de 2009

Cruzeiro x Palmeiras

fazem hoje uma pequena decisão nessa edição do torneio estejam sentindo o peso de se aproximar da liderança, o que há tempos tem favorecido o em BH - no mais qualificado e disputado Brasileirão da era dos pontos corridos. O Palmeiras permanece líder, mas desde o empate contra o Grêmio em casa nos fins do Primeiro Turno para cá, tem perdido chances demais para abrir uma vantagem segura e, neste exato momento, está contando com os (frequentes) tropeços de seus rivais como vimos na última rodada - para além da questão do equilíbrio entre as equipes, é engraçado como os timestime verde; na última rodada, o improvável empate do São Paulo contra o Santo André foi emblemática nesse sentido.

O Cruzeiro em pleno , por sua vez, teve um início de ano arrasador que culminou no título estadual e num bom início de Libertadores e assim foi até a decepção pela derrota na final contra o EstudiantesMineirão - aí veio a ressaca da derrota somada à situação do time no Brasileirão, torneio que não era prioridade logo de início e depois se tornou um problema com a equipe não conseguindo se recuperar; mais tarde, veio um crescimento de produção justamente quando a raposa foi topar contra o três favoritos ao título se tornando uma espécie de fiel da balança no torneio.

Será, sem dúvida, um jogo bastante equilibrado, onde o Cruzeiro, com poucas responsabilidades tem tudo para jogar mais solto, enquanto Muricy deve armar o seu verde para jogar no contra-ataque. Uma derrota verde não significará muito dado o que aconteceu com seus rivais - e o mesmo pode se dizer de um empate -, mas uma vitória hoje certamente jogará um peso enorme sobre os seus rivais. Elas por elas, eu apostaria em um empate.

domingo, 6 de setembro de 2009

Brasil Classificado e mais um Pouco de Futebol

Ontem também foi dia de Seleção Brasileira. Como já coloquei aqui, é um bocado estranho ver disputas entre seleções nacionais de futebol num mundo futebolístico praticamente desnacionalizado. Jogos entre seleções da nossa América do Sul então, nem se fala; são catados das mais variadas partes da Europa - não raro, pondo frente a frente colegas de clubes na Itália ou na Espanha. Elas por elas, o Brasil, maior país do mundo entre aqueles onde o futebol é o principal esporte, prossegue sendo o melhor time, ainda que na prática, a conjunção de questão tocantes à economia global e a inépcia da sua organização interna, funcione como mero exportador de talentos para o mercado europeu. Nessa conjuntura, Dunga, ex-capitão da Seleção, conhecedor dos meandros da burocracia da CBF e sujeito com caráter acima da média entre os seus pares, prossegue fazendo um trabalho espetacular: Ganhou todos os títulos que disputou com o time principal (Copa América e Copa das Confederações) e ainda levou a classificação para a Copa do ano que vem no bico, após uma vitória lapidar contra a Argentina de Maradona em Rosário por 3x1. Dizer mais o que?

Ontem, o Palmeiras, com certa dificuldade, bateu o bom Barueri em casa por 2x1. O desfalque de Pierre até o fim do campeonato vai ter um peso muito grande e o jogo de ontem foi bem emblemático nesse sentido - ainda que seja digno de nota os desfalques de Maurício Ramos (contundido) e de Armero (convocado para a Seleção Colombiana), o que desfigurou mais ainda a - boa - defesa do time. Claro, com Vágner junto de Obina é provável que o poder de fogo da equipe aumente e isso passe a compensar os gols a mais que o time pode levar. De qualquer modo, a suada vitória palmeirense joga uma pressão tremenda sobre o Inter - que vai à Santa Catarina pegar o indigesto Avaí - e o São Paulo - que terá uma pequena decisão com o Cruzeiro em BH, dado o fato que os mineiros ainda têm alguma chance de chegar na Libertadores e estão conseguindo resultados interessantes neste Segundo Turno.

sábado, 5 de setembro de 2009

Brasileirão 2009 - As coisas esquentaram

Fechada a janela para o futebol europeu com um interessante - e inédito - saldo positivo para as equipes nacionais, este Brasileirão está se afirmando como, por enquanto, a melhor e mais equilibrada edição do torneio na era da disputa por Pontos Corridos. O Palmeiras segue líder e Inter e São Paulo se afiguram como candidatos ao título. O supreeendente Goiás perdeu bastante o fôlego nas últimas rodadas, mas ainda está na briga pela Libertadores e o mesmo se pode dizer do Atlético-MG - ainda que o caso do segundo seja mais preocupante. O Corinthians, ao contrário do que parecia após ser pisoteado no clássico contra o Palmeiras, se recuperou e pode até chegar. Enfim, dos favoritos iniciais, apenas o Cruzeiro decepciona mesmo.


Dentre os jogos dessa 23ª rodada, merece destaque a reestréia de Vágner Love pelo Palmeiras num Palestra Itália lotado contra um surpreendente Barueri que após ter feito um Paulistão apenas morno, se coloca bem na tabela do nacional. Se por um lado o retorno de Love provavelmente implicará num adendo considerável do potencial ofensivo do time verde, por outro lado, a contusão de Pierre, o até então melhor volante do torneio, implicará em problemas para o excepcional sistema defensivo palmeirense. O jogo de hoje, aliás, não será fácil, ainda que eu aposte numa vitória palestrina.

O Inter, vice-líder e campeão do Primeiro Turno, vai até Santa Catarina para pegar outra boa surpresa desse campeonato, o Avaí treinado por Silas. O Colorado que iniciou muito bem o torneio, mas quase entrou em parafuso quando perdeu a final da Copa do Brasil para o Corinthians, se reformulou ao longo do torneio e pode dar uma arrancada muito forte pelo time que tem e com a contratação de Cléber Santana e Edu.

O São Paulo, por sua vez, vai até Minas pegar um Cruzeiro em recuperação num jogo que promete ser o melhor da rodada. Ricardo Gomes tem feito um trabalho surpreendente no tricolor, mas o empate em zero contra o Palmeiras teve um gosto amargo - agora, o time terá de compensar nos jogos contra as outras equipes aquilo que ele não conseguiu fazer diretamente contra o rival. O Cruzeiro, só agora, se recuperou do abalo que sofreu, mas deve entrar bem no jogo de amanhã.

De resto, não custa destacar que os quatro times que se encontram na zona do rebaixamento se enfrentam: Fluminense x Náutico e Sport x Botafogo - nos dois jogos, os mandantes precisam desesperadamente da vitória, caso isso não aconteça, vai ser difícil que eles se recuperem, só que um empate não é bom para ninguém.

domingo, 30 de agosto de 2009

São Paulo 0x0 Palmeiras

Jogo equilibrado, empate justo, mas um São Paulo ligeiramente superior - mais ou menos como eu previ ontem. A atuação lapidar de Marcos, no entanto, garantiu o placar - e em menor grau pode se dizer o mesmo da atuação de Rogério Ceni. O verde foi melhor nos dez primeiros minutos, mas o São Paulo adiantou a marcação e teve três chances claras de gol nos vinte minutos seguintes - as três com participação de Dagoberto, mas neutralizadas pelas santas luvas desse monstruoso goleiro que é Marcos. O São Paulo mostrou no seu 3/5/2 o futebol firme de 2006/07 e do Segundo Turno de 09. No intervalo, Muricy corrige o 3/5/2 defeituoso e a entrada do cada vez mais imprescindível Souza leva o faz o time jogar num 4/3-2/1 - assim, o time de Palestra Itália conseguiu absorver o ímpeto ofensivo do rival, apesar da excelente modificação de Ricardo Gomes (a saída de Hernanes para entrada de Arouca). Finalmente Rogério Ceni trabalhou no jogo; depois saiu Cleiton Xavier que jogou sacrificado para a entrada de Deyvid que poderia ter aproveitado melhor a oportunidade. Creio que o placar se consolidou mesmo quando Ricardo Gomes afundou o esquema tricolor com a saída de Dagoberto - melhor jogador tricolor em campo, apesar da queda de produção na segunda etapa - para a entrada do meia Hugo: Meio de Campo embolado de lado a lado e fim de jogo. Pesados os prós e os contras, o empate foi um bom resultado para o Palmeiras tanto por ter jogado no Morumbi quanto por barrado a ascenção do rival - mais do que isso, com o retorno de Vagner Love, a equipe vai aumentar consideravelmente seu poder ofensivo, ora limitado pela irregularidade dos esforçados Obina e Ortigoza. O São Paulo, no entanto, passa longe de estar morto.

Atualização das 20:37: O Inter enfiou uma sonora - e inesperada - goleada no Goiás: 4x0. Graças a isso, o Palmeiras continua na liderança e o Colorado volta à baila no Campeonato Brasileiro mais equilibrado dentro todos aqueles disputado no sistema de pontos corridos.

sábado, 29 de agosto de 2009

22ª Rodada do Brasileirão

Uma rodada bem interessante, sem dúvida, afinal, os times do G-4 vão se enfrentar. O Campeonato se aproxima da sua reta final e o cenário de quem luta pelo título, por Libertadores, Sul-Americana ou contra o rebaixamento se define. No fim das contas, a janela europeia pode não ter poupado as equipes como todo ano, mas pela primeira vez em muito tempo, na média saímos mais fortes do que entramos - os times se bangunçaram, mas se perderam atletas também trouxeram outros tantos -, um reflexo claro da intensidade da Crise econômica na Europa.

Desta rodada se destacam:

O líder Palmeiras e o ascendente São Paulo farão um clássico agitado no domingo; no Primeiro Turno, se o alviverde vivia os últimos momentos da era Luxemburgo, o tricolor vivia o mesmo em relação à era Muricy Ramalho - hoje, técnico palmeirense - e ainda se prestavam a disputar a Libertadores que vieram a perder. Empataram em 0x0 num jogo cujo placar fez jus ao futebol apresentaddo. Desta vez, creio que teremos um jogo melhor e bem mais tenso: O São Paulo que tenta se afirmar sob o comando de Ricardo Gomes sob a sombra do seu ex-técnico agora do outro lado; o Palmeiras que trouxe Muricy, manteve o elenco e ainda trouxe reforços - inclusive Vagner Love - precisa ganhar o jogo porque ele é no mínimo um grande passo para pôr fim ao jejum de quinze anos sem levantar a taça do Brasileirão. É jogo equilibrado com leve vantagem para o São Paulo por conta do mando.



Também teremos Inter x Goiás em Porto Alegre; no Primeiro Turno, vitória de um embalado colorado por 1x0 em Goiânia. De lá pra cá, o time gaúcho desacelerou e perdeu o ritmo frenético original, titubeou, depois voltou para o páreo, mas perdeu um jogo chave contra o Palmeiras na última rodada e precisa ganhar aqui. O Goiás, por sua vez, subiu de produção assustadoramente do início do campeonato para cá e foi montando devagarzinho o seu melhor elenco desde 2005. É jogo durissímo, mas não duvidaria que o Goiás devolvesse a derrota do Primeiro Turno.

sábado, 22 de agosto de 2009

Palmeiras 2x1 Inter

Num jogo de seis pontos entre os dois times com maior aproveitamento no Brasileirão, venceu o Palmeiras, depois de quatro jogos sem vencer e vendo os seus adversários se aproximarem perigosamente. Aliás, foi o melhor jogo do verde sob o comando de Muricy. Mesmo sem Pierre, suspenso, e Cleiton Xavier, que se contundiu logo no começo do jogo, a equipe deu conta do recado e bateu essa nova equipe do Inter que protagonizou uma reação nas rodadas finais do Primeiro Turno. O Palmeiras, diga-se, entrou em campo com seu novo terceiro uniforme - cuja camisa é azul em homenagem à Itália. Sempre achei que o terceiro uniforme do time deveria ser tricolor - verde, vermelho e branco - como a bandeira italiana e o uniforme do antigo Palestra Itália, mas creio que essa homenagem ficou bacana - e bem melhor do que aquele lamentável uniforme verde-limão. Na partida, Deyvid segurou bem o tranco depois da saída de Cleiton, Diego jogou uma partida ferrada participando dos lances dos dois gols - sofrendo o penâlti que Obina converteu e chutando a bola que Ortigoza pegou o rebote para marcar - e Souza novamente fez uma partida arrojada marcando e saindo para o jogo. Se o time foi bem no primeiro tempo, poderia até ter goleado na segunda etapa, mas desperdiçou chances e sofreu uma pressão desnecessária no fim quando Giuliano que até ali nada fazia, de repente fez uma golaço. O que fica desse jogo é um Inter que eu não sei até onde pode realmente chegar depois do desmanche que sofreu e um Palmeiras que vai para uma verdadeira decisão - se não A decisão - contra o São Paulo no fim de semana que vem.

quinta-feira, 20 de agosto de 2009

Coritiba 1x0 Palmeiras

Ontem, o Palmeiras sofreu a sua primeira derrota sob o comando de Muricy Ramalho, mas levando em conta que o time já vinha de três empates consecutivos e que sob a égide do seu atual treinador, só havia conseguido vencer dois jogos por diferença mínima, o fato é que incertezas passam a pairar no Palestra. O melhor Palmeiras do ano foi aquele comandado por Jorginho, a equipe entrava com disposição em campo e o treinador achava o time certo. Muricy confunde as bolas e parece conhecer muito mal o elenco que tem. Na partida de ontem no Paraná, ele escalou o time de um modo estranho em um 3/2-3/2 com Daniel Lovinho como ala-direito (!) e dois centro-avantes isolados e batendo cabeça - Obina e Ortigoza. Mexeu mal quando Pierre foi expulso infantilmente e, ainda assim, foi contando com a sorte - e a incompetência do adversário. No segundo tempo, o juíz não viu um penâlti de Marcão, mas depois compensou marcando um penâlti que não existiu, muito bem batido por Marcelinho Paraíba, o melhor jogador em campo. Era jogo para empate - mais um -, mas a equipe desta vez nem isso conseguiu fazer. É questão para se pensar.

sábado, 15 de agosto de 2009

Brasileirão: Fechamento do Turno

Hoje começa a ser disputada a 19ª rodada do Brasileirão, rodada final do Turno. Como o Internacional, uma das equipes ainda na briga pelo título simbólico, foi disputar um torneio no Japão, ele se encontra neste momento com dois jogos a menos - inclusive um contra o Atlético-MG, time que também está na briga. Só o Palmeiras, dentre os times que estão na parada, tem 18 jogos; se vencer hoje o Botafogo, acaba com as chances do Galo e fica torcendo para o Inter empatar um dos três jogos que ainda tem a disputar (Santo André, Santos e Atlético-MG); o Galo Mineiro só será campeão caso ocorra uma combinação de resultados tremenda. Antes do início do campeonato, Atlético e Palmeiras corriam por fora, agora estão na briga, o Inter tinha tudo para disparar no começo, mas se atrapalhou com o trauma da derrota na Copa do Brasil, o subsequente desmanche do elenco, só que depois da diretoria ter respaldado Tite, a equipe voltou à baila - mas longe da superioridade que desfilava no início do campeonato. Fora os três, São Paulo e Goiás estão vivíssimos no torneio; o primeiro não chega a ser uma surpresa, tem estrutura - o que conta muito nesse tipo de campeonato - e os brios inflamados pelo fato de seu ex-técnico ter ido para o rival Palmeiras com concreta possibilidade de título; o segundo me surpreende e montou seu melhor elenco desde aquele bom time que ficou em terceiro em 2005. Será que Santos e Flamengo poderão encostar lá? Talvez, mas é bom fazerem isso logo.

domingo, 9 de agosto de 2009

O Campeão Voltou?

O São Paulo acabou de bater o ascendente time do Goiás por 3x1. Foi um jogo bastante elucidativo sobre até onde essas duas equipes podem chegar nesse campeonato. Eu já apontava, no início do campeonato, o tricolor como um dos favoritos. Naquela ocasião, elencava como vantagens do clube sua estrutura, o elenco brigador e disciplinado - com alguma qualidade - e a competência do seu então técnico Muricy Ramalho em campeonatos disputados no sistema de pontos corridos. Muricy foi-se num dos episódios mais controversos da atual temporada, veio Ricardo Gomes - que até hoje não fez nenhum trabalho relevante - e a equipe que começou com o freio de mão puxado continuou patinando. Algo mudou. Querem um palpite? Foi a contratação de Muricy Ramalho pelo rival - e vizinho - Palmeiras. A possibilidade de ver o ex-treinador assumindo o rival em grande fase com uma possibilidade real de título mexeu com os brios tricolores - do presidente aos jogadores. O São Paulo arrancou. O título verde, no entanto, continua a ser uma possibilidade concreta e palpável, mas o jogo contra o Atlético-MG em Belo Horizonte ganha uma nova conotação para o verde seja pela nova situação do São Paulo ou pelo tropeço contra o Grêmio no Palestra. Fora isso, os outros dois favoritos que eu havia citado no início do campeonato, Inter e Cruzeiro, o primeiro titubeou e aparentemente derreteu e o segundo derreteu. Enfim, Não dá para dizer ainda se o campeão voltou, mas com certeza o campeonato ficará mais interessante a partir de agora.

sábado, 1 de agosto de 2009

Sábado de Futebol

O Brasileirão se aproxima da sua metade e mantém o mesmo aspecto dos últimos anos: Apesar da Crise Econômica Mundial estar afetando - e muito - a Europa, os clubes brasileiros continuam perdendo jogadores para o futebol daquele continente; mais do que isso, o calendário enviesado que proporciona o início da principal competição nacional simultaneamente às decisões da Libertadores e da Copa do Brasil - e da realização da Copa das Confederações - gera lamentáveis distorções. Ao contrário de uma maratona, como é o aspecto de um nacional normal jogado em pontos corridos, o nosso Brasileirão tem feições de um Paris-Dacar, onde o vencedor é aquele que não foi vítima do Acaso.

Por ora, lidera o Palmeiras; sob o comando de Luxemburgo e ainda jogando a Libertadores, a equipe conseguiu continuar a somar pontos, mas jogava presa, amarrada, por vezes com o freio de mão puxado. Pois bem, o time é eliminado da competição latino-americana por um time inferior, mas a torcida, anestesiada pelo início de temporada tão espetacular quanto sua posterior queda de produção, até que encara isso bem. Depois da atabalhoada saída de Keirrison e a queda de Luxemburgo por ter protestado, entra Jorginho - que eu nem sabia que estava trabalhando na Barra Funda - e com um seu bom caráter, carisma e um conhecimento de futebol surpreendente de futebol acaba botando o time nos eixos; o Palmeiras faz sob seu comando a melhor sequências de jogos desde a arrancada para ganhar o Paulistão 08, com direito às maravilhosas vitórias contra o Flamengo no Maracanã e contra o Corinthians em Presidente Prudente. A pressão da diretoria e de uma parceira fazem o economista-cartola Beluzzo desdizer o que havia dito; Jorginho que teria sido efetivado depois da vitória contra o Flamengo e diante primeira negativa de Muricy, não foi e o ex-técnico são-paulino deu a sua deixa também se desdizendo e assumindo o time; mantendo, no entanto, o ex-interino em sua comissão técnica.

Dentre os méritos de Jorginho estão ter finalmente encaixado Souza no meio dando a consistência que falta na marcação/saída de bola, ter arrumado o bom miolo de zaga Maurício Ramos/Danilo que vinha muito mal e ter feito Diego Souza e Cleiton Xavier jogarem até mais do que vinham jogando. Muricy na estreia com um magro 1x0 contra o rebaixável Fluminense já sai de cara na liderança;

Por enquanto, o Atlético-MG é o time que se avizinha como provável adversário do Palmeiras na disputa pelo título simbólico do Primeiro Turno; o time foi muito bem montado por Leão no início do ano, mas se perdeu numa semana infernal onde tomou duas inesperadas sarrafadas: A primeira de seu arquirival Cruzeiro no primeiro jogo da final do Mineiro e a outra do improvável Vitória na Copa do Brasil. Leão cai e um Celso Roth, esquisitão e inexplicável que só ele, assume o time que incia bem o Nacional. Quinta, o time tomou um cacete do Flamengo no Maracanã e perdeu a ponta do torneio. Faltou pegada na marcação e apesar do gol logo de cara, o resto do jogo foi um massacre.

Um ascendente e surpreendente Goiás completa a lista assim como um Inter que parecia que ia repetir 06, mas parece estar repetindo 07. Fora isso, no momento, o Flamengo parece bem cotado para subir de posições assim como Grêmio e Cruzeiro tendem a subir na tabela.

domingo, 26 de julho de 2009

A Despedida de Jorginho

Hoje, o Palmeiras venceu o Corinthians por 3x0 em Presidente Prudente. Era a despedida de Jorginho como técnico e, cá entre nós, foi um vareio de bola do alviverde. Mais do que isso: Jorginho deu um nó tático em Mano Menezes - certamente o pior que o técnico corintiano já levou num clássico e o maior desde a final da Copa do Brasil do ano passado. O Palmeiras matou o Corinthians graças ao seu sistema de marcação no jogo de hoje: Souza, Pierre e Edmílson acabaram com o trio de armadores corintianos Dentinho, Douglas e Jorge Henrique. A bola não chegava em Ronaldo que, num lance em que voltava para buscar a bola no meio, se contundiu ao cair sobre a própria mão. Péssima modificação de Mano Menezes botando Moradei. Belo cruzamento de Pierre para Obina (fazendo falta em Chicão) concluir e abrir o jogo. No segundo tempo, o Corinthians volta mais ofensivo, mas num contra-ataque, Chicão faz penâlti em Cleiton Xavier. Obina bate e faz segundo gol. No fim do jogo, novo contra-ataque, Cleiton Xavier enfia a bola para Obina fazer o terceiro gol dele e do time e jogar a pá de cal. Foi o melhor clássico do Palmeiras desde os 4x1 contra o Santos no comecinho do ano. Uma bela despedida de Jorginho que agora será auxiliar de Muricy Ramalho que assistiu o jogo da Tribuna. Muricy é especialista em pontos corridos e tem uma bela chance de ser tetra - e levar o Palmeiras ao penta-, mas que Jorginho seguraria o tranco, sim, ele seguraria.

P.S.: Cem anos de clássico Sport e Náutico celebrados num 3x3, empolgante, mas que mantém os dois times na parte de baixo da tabela. O Goiás fez outra partida maravilhosa e bateu o líder Galo no Mineirão. O Santos de Vandeco Luxemba perdeu de virada para o Flamengo, em casa e graças a um gol contra - que fase, não?

segunda-feira, 8 de junho de 2009

Quinta Rodada do Brasileirão

Em dez toques:

1. Quinta, em Porto Alegre, o Grêmio jogou sua melhor partida no campeonato e meteu 3x0 no Náutico. Não era para tanto, mas o tricolor gaúcho fez dois golaços e se aproveitou da falha do inominável Gladstone pra fechar o caixão. Os alvirubros, como todos sabem, não ganham do Grêmio nem com o rival jogando com meio time.

2. Também na quinta, o Santos empatou com o Santo André por 3x3 num jogo espetacular; o peixe mostrou o poderio de seu ataque e a fralidade de sua defesa.

3. O Corinthians, no único jogo do sábado, bateu o Coritiba, lanterninha. Se os paranaenses não tomarem cuidado, a gente vai acabar assistindo Atletiba na Série B ano que vem.

4. O Palmeiras, na bacia das almas, bateu o Vitória no Palestra Itália. Saiu perdendo, viu Marcos confirmar a grande fase defendendo o impossível, contou com a sorte e virou no finalzinho. Não vejo o time baiano com tanta empolgação, muito pelo contrário, o alviverde é que esbarrou nos velhos defeitos. Aliás, esse Henrique que veio do Ituano é outro Fabinho Capixaba da vida, vai contratar mal assim na...

5. O São Paulo, depois de enfiar uma saraivada no Cruzeiro, foi à Santa Catarina empatar com o modesto Avaí num jogo fraquinho de dar dó. Êta nóis.

6. Leão voltou ao Sport e o time retomou o bom futebol do começo do ano: 4x2 no Flamengo, de virada. Olho nos Leões.

7. O Galo meteu quatro no seu xará paranaense, hoje, em Curtiba. Será que vai ter Atletiba na Série B mesmo? O Atlético-MG, que não tem nada a ver com isso, lavou a alma e prossegue fazendo boa campanha.

8. No clássico carioca, o talento de Fred fez a diferença e o Flu bateu o Botafogo pelo placa mínimo. As equipes prosseguem não empolgando.

9. O Inter chegou perto da sua quinta vitória consecutiva, mas ficou só no empate contra o Cruzeiro, jogando no Mineirão. De qualquer modo, foi um belo resultado para o Colorado que prossegue na ponta. Para o Cruzeiro, essa perda de dois pontos em casa somada à derrota para o São Paulo representam prejuízos horríveis para a equipe na medida em que se deram em jogos de seis pontos.

10. Goiás e Barueri protagonizaram o jogo mais sem sal da rodada, ainda que ele tenha terminado num 2x2. Acho que os dois vão ficar lá na briga da parte de baixo da tabela.

domingo, 31 de maio de 2009

A Quarta Rodada do Brasileirão

As dez notinhas de sempre:

1. O São Paulo meteu 3x0 no Cruzeiro num jogo coindicedentemente travado entra a ida e a volta das quartas de final da Libertadores onde os times também estão se enfrentando. Curiosamente, as duas equipes entraram com seus times titulares e o tricolor finalmente acordou e provou porque eu o coloquei entre os três favoritos ao título nacional - junto com o próprio Cruzeiro e com o Inter. Para a raposa, a única coisa boa do jogo de hoje que pode ter saído do jogo hoje é o aprendizado do que não deve, nem pode ser feito no jogo da volta da Libertadores.

2. O Santos meteu 3x1 num time do Corinthians que está com a cabeça na Copa do Brasil. Bacana ver o time santista marcando muitos gols, mas os dois últimos jogos não ilustram bem o que ele terá pela frente. O time do Parque São Jorge só poderá ser devidamente medido quando encerrar sua participação na Copa do Brasil - na provável final contra o Inter.

3. O Flamengo de Adriano ganhou do Atlético-PR em casa com direito até mesmo a gol do Imperador. Se o rubro-negro arrumar o ataque vai brigar sim pelo título. O time do Paraná, a despeito da boa participação na Copa do Brasil, está muito mal nesse início de campeonato e se bobear, cai.

4. O Fluminense foi ao Recife enfrentar o surpreendente Náutico e, na raça, quase arracou uma vitória preciosa, mas acabou sofrendo o gol de empate no último minuto. Verdade seja dita, a justiça foi feita porque os pernambucanos jogaram melhor. Não fosse a escalação errada de Kuki no lugar do jovem Anderson Lessa e talvez o Náutico teria saído vitorioso novamente de campo - no entanto, a equipe manteve a invencibilidade.

5. O Atlético-MG perdeu uma bela chance de chegar à liderança e empatou com o Santo André em Minas. São pontos como esses que não podem ser perdidos.

6. Botafogo e Sport, dois times que iniciaram tão bem a temporada e agora vivem um verdadeiro inferno astral, empataram em 2x2. É difícil prever o que vai acontecer de agora em diante, com o primeiro sem Maicosuel e o segundo perdido pela derrota na Libertadores - esse torneio tão duro que põe seus vitoriosos nas alturas e os seus derrotados no Inferno.

7. O Vitória de Carpegiani venceu o Grêmio pelo placar mínimo, o que prova tanto sua força em casa quanto as limitações do rival.

8. Num jogo quase desapercebido o Inter venceu o fraco Avaí e ampliou a vantagem para o segundo colocado. Alguém segura o Inter?

9.O Palmeiras saiu na frente do Barueri, mas tomou o empate: 2x2. Um fiasco.

10. O Goiás meteu 3x1 no Coritiba fora. O esmeraldino, treinado pelo bom Hélio dos Anjos, me parece uma equipe com algum talento, mas bastante desorganizada, o Coritiba está horroroso e é candidato ao rebaixamento.

domingo, 24 de maio de 2009

A Terceira Rodada do Brasileirão

Como sempre, as dez notas sobre a rodada do Brasileirão (desta vez, um pouco mais cedo do que de costume):


1. No clássico da rodada, Palmeiras x São Paulo protagonizaram uma partida pedante e equilibrada assim como no jogo entre eles no Paulistão. O placar foi emblemático: OxO. Ainda assim, o São Paulo foi ligeiramente melhor e Marcos provou a excelente fase em que se encontra. Por outro lado, Keirrison, manteve a péssima fase e o juíz não viu o pênalti em cima de Diego Souza.

2.Mesmo cansado e ressacado pela (dura) classificação na Copa do Brasil, o Inter foi à Goiânia com seu mistão e bateu o Goiás. Por enquanto, o colorado é o time a ser batido nesse campeonato. Desde o Cruzeiro em 2003, eu não via uma equipe entrar num Brasileirão com tamanha superioridade em relação aos rivais. Temos de esperar para ver se e como o Inter vai perder jogadores quando a maldita janela europeia for aberta, caso nada mude de forma tão radical assim, vai ser difícil segurar o time gaúcho.

3.O Náutico enfiou 3x2 no Atlético-PR em Curitiba e assumiu a vice-liderança do torneio. Convenhamos que essa tem sido uma temporada estranha para o time pernambucano: Se as contratações feitas no início da temporada, eram indícios de uma boa campanha logo de cara, os péssimos resultados no primeiro trimestre foram uma ducha de água fria para o Brasileirão. De repente, a equipe cismou em jogar tudo o que não jogou o ano inteiro nesses últimos três jogos. Ainda é cedo, mas e a queda certa do time já pode ser posta em dúvida por usa torcida.

4.O Santos, em crise, foi ao Maracanã enfrentar um Fluminense ressacado pela eliminação na Copa do Brasil. Acabou enfiando uma goleada. 4x1. Foi algo surpreendente, mas o peixe precisa ganhar mais consistência para brigar pelo título.

5.O Cruzeiro, com dois belos gols de Kléber, bateu o Vitória e provou mais uma vez ser uma das boas equipes desse torneio.

6.O Grêmio, na estreia de Paulo Autuori, venceu seu primeiro jogo no Brasileirão. Será que agora virá a tão sonhada estabilidade que tem faltado à equipe ao longo desse ano? O Botafogo, por sua vez, está devagar, quase parando.

7.O Corinthians, como era de se esperar, venceu o Barueri sem dificuldades.

8.O Atlético-MG prossegue fazendo uma boa temporada como ilustra a vitória sobre o Sport, em Recife por 3x2. Esse ano, a única coisa errada que aconteceu com o Galo foi aquela inexplicável goleada sofrida para o Cruzeiro na final do Mineiro. Isso atrapalhou o time na Copa do Brasil e, pela rivalidade que há entre as equipes, deu na queda de Leão. Celso Roth pegou um trabalho montadinho e só deu continuidade. É só o time não tremer de novo diante do rival para as coisas darem certo. O Sport vai mal no Brasileirão, possivelmente ressacado pela eliminação na Libertadores.

9.O Flamengo, com dois gols de Josiel, bateu o Santo André. Se Cuca conseguir acertar o ataque o time carioca, ao contrário do que eu previa inicialmente, pode brigar pelo título. Ele tem aí a contratação de Adriano e um recuperável Josiel nas mãos. Será que vai?

10.Avaí 2x2 Coritiba talvez tenha sido o pior jogo da rodada. Se esses dois não tomarem cuidado, vão se ver às voltas com o rebaixamento.

sábado, 23 de maio de 2009

Semana de Futebol II

Pois é, o imponderável aconteceu e o Boca foi eliminado da Libertadores. No fim das contas, acho que nós sempre superestimamos ele demais. Ainda assim, claro, isso abre um caminho enorme para o Estudiantes que na minha visão é a melhor equipe desse lado da tabela - aliás, já o era mesmo com o Boca na parada. Será que o Danúbio, carrasco do Boca, repetirá a façanha? Creio que não.

Na Copa do Brasil, tivemos bons jogos no meio de semana. Inter 2x1 Flamengo, por exemplo, foi um jogão. Aliás, o Flamengo de Cuca começou o ano titubeando, mas vem numa ascendente incrível: Não conseguiu vencer o Cruzeiro pelo Brasileirão nem eliminar o Inter na Copa do Brasil, mas jogou muito contra aquelas que são as duas melhores equipes do Brasil no momento. Se Adriano voltar inspirado, creio que o time entra para valer na briga pelo título. Posto isso, claro, também seria uma baita injustiça esse timaço do Inter ser eliminado da Copa do Brasil. Esse elenco atual do colorado é melhor que o time campeão da Libertadores 2006 com Abelão, mas infelizmente, corre sério de se desmanchar. Do outro lado da tabela, o Corinthians, na bacia das almas, eliminou o Fluminense de Parreira. Vejo o Corinthians com a equipe mais bem armada e mais centrada do futebol brasileiro atual; lembra bastante aquele time do Parreira em 2002, mas ainda lhe falta algo para se tornar "a" equipe - nesse sentido, a possível contratação de Zé Roberto pode ser muito importante; com ele, a meia-cancha alvinegra ganharia a substância que ainda lhe falta. Sobre o Vasco e o que o Coritiba, com todo respeito, creio que só um milagre os faça chegar a final.

Do Brasileirão, vamos ver o processo de banho maria aumentar. As coisas começaram bem, os clubes estão com seus melhores elencos em anos, mas o calendário que faz o início do campeonato coincidir com as fases decisivas da Libertadores e da Copa do Brasil somado ao fato de que, ainda por cima, a Seleção vai desmanchar os melhores times graças aos jogos das Eliminatórias e da Copa das Confederações criaram um esvaziamento do torneio no próximo mês. Nesse sentido, quem estava mal e não teve ninguém convocado para a Seleção e já está jogando apenas o Brasileirão sairá, invariavelmente, fortalecido na medida em que um nivelamento artificial entre as equipes se operará nessa primeira metade do Primeiro Turno - e talvez por ele inteiro, supondo que os prováveis desmanches dos elencos ocorram no meio do ano. Enfim, são os novos velhos problemas do futebol nacional.