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segunda-feira, 12 de março de 2012
Cai Ricardo Teixeira
domingo, 18 de dezembro de 2011
Barça campeão, Santos e o Novo 74
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| Barça campeão - do site do clube |
sábado, 7 de agosto de 2010
O Desfecho da Copa do Brasil, a Libertadores e o Brasileirão
No meio desta semana fria e corrida, o Santos foi campeão da Copa do Brasil - perdendo por 2x1 para o Vitória em Salvador, depois de ter vencido por 2x0 na Vila - e o Inter classificou-se não só para a final da Copa Libertadores como para o Mundial Interclubes após perder para o São Paulo por 2x1 - depois de ter vencido por 1x0 em casa; aliás, a classificação antecipada para o Mundial explica-se pelo fato do Chivas ter chegado à decisão também, já que o clube não pertence à Confederação Sul-Americana e disputa o torneio como convidado.
Da primeira vitória, nada de surpreendente. Por melhor que seja a equipe do Vitória - que está ali junto do Avaí na disputa para saber quem é o melhor clube médio do país hoje -, era sabido que o time do Santos dificilmente perderia o título - principalmente depois de duas finais antecipadas contra Atlético-MG e Grêmio. Palmas para Dorival Júnior que fez André, Neymar e Ganso jogarem muito, recuperou Robinho e organizou o time com jogadores como Marquinhos, Edu Dracena e Arouca. Hoje, parece fácil o que ele fez, mas nada estava claro no começo da temporada. Agora, depois da saída de André e Robinho, o time terá de se rearranjar para disputar o resto do Brasileirão - onde tem patinado feio. Nesse sentido, a volta de Keirrison é essencial.
Da semi-final entre Inter e São Paulo, o fato é que se de um lado Celso Roth fez o bom time colorado jogar, depois da Copa, um futebol coeso - diferentemente do que se via no primeiro semestre, sob o comando de Jorge Fossati -, o São Paulo, sob Ricardo Gomes continuou patinando - e embora tenha um bom elenco, o agora ex-treinador do tricolor jamais conseguiu acertar verdadeiramente a equipe. Foram bons jogos, sendo o segundo durante o debate dos presidenciáveis na Band - num curioso episódio de disputa pela audiência entre canais de TV, onde de um lado se via o espetáculo futebolístico e a política espetacularizada, o que merece, quem sabe, uma análise mais profunda, ainda que eu tenda a dizer que fez bem quem viu o jogo.
Deu Inter numa verdadeira guerra; ele disputará o bicampeonato da Libertadores - para tentar se igualar a Grêmio, Cruzeiro e Santos - e, como já adiantado, disputará o bi-mundial - pela injustiça do regulamento da Libertadores em não permitir que os clubes mexicanos que disputam o torneio também joguem o mundial, caso sejam campeões. Num primeiro momento, não vejo o Inter favorito para a Libertadores, mas ele disputa sim. Já o São Paulo, desde o título de 2005, jogou todas as Libertadores, mas tombou desde então diante de rivais brasileiros; Inter (06, na final), Grêmio (07, nas oitavas), Fluminense (08, nas quartas), Cruzeiro (09, novamente nas quartas) e Inter (de novo neste ano, agora na semi). A sina se repetiu e agora, com a saída de Ricardo Gomes e a provável reformulação no elenco, será difícil disputar uma nova vaga na LIbertadores.
No Brasileirão, Fluminense e Corinthians ponteiam a tabela e continuam convincentes depois da Copa do Mundo. Muricy, no entanto, continuou no primeiro, enquanto o Corinthians perdeu Mano para a Seleção - ambos os times tem de melhorar muito para ter um liderança realmente sólida, principalmente o Corinthians que tem sim deficiências, como ficou claro no clássico contra o Palmeiras. Abaixo deles, Inter, Ceará, Avaí, Cruzeiro, Santos e Flamengo têm tido alguma solidez, mas nada espetacular - o Ceará, aliás, muito mais na base da aplicação do que de qualidade. Atlético-MG e Grêmio, na zona do rebaixamento, são verdadeiras surpresas negativas, principalmente pelo primeiro semestre de ambos. Quem não está bem, mas pode evoluir bastante é o Palmeiras, que não só repatriou Felipão, como também trouxe de volta Kléber e Valdivia - dois ídolos da equipe, protagonistas do último título ganho pelo clube, o SP-08 - e alguns reforços promissores como os centrovantes Tadeu (ex-Prudente) e Luan (ex-São Caetano com rápida passagem este ano pelo Toulouse), os meio-campistas Tinga (ex-Ponte Preta) e Rivaldo (ex-Avaí) e o zagueiro Fabrício (ex-Flamengo). É esperar para ver, mas o nacional tende a pegar no breu.
sexta-feira, 9 de julho de 2010
A Despedida do Palestra: Palmeiras 0x2 Boca Juniors
sábado, 5 de junho de 2010
Análise da Copa do Mundo
A Copa do Mundo 2010, primeira edição da principal competição futebolística do planeta em solo africano. Desde o fim da Guerra Fria, tivemos a mundialização do Capitalismo e o processo de enriquecimento das ligas europeias - sob os auspícios do projeto de integração econômica, política e social daquele continente. Isso marcou o rompimento do paradigma nacional, onde os jogadores atuavam em seus países de origem e uma seleção brasileira, por exemplo, era sinônimo de uma seleção do Brasil e não apenas de brasileiros como é hoje. Em suma, falamos de uma competição entre times nacionais de um mundo desnacionalizado. Uma competição mundial feita para a massa de consumidores globais, jogada em um dos países consumidos pelo globo. Vale o espetáculo, muito embora o significado em parte tenha sido perdido - ou exarcebado, sabe-se lá. Para além das implicações políticas, foquemos na análise futebolística, time a time.
GRUPO A
África do Sul: É a dona da casa e tem como treinador nosso velho conhecido Carlos Alberto Parreira - treinador que jamais venceu um jogo de Copa por uma Seleção que não a Brasileira (!). Trata-se, dentre os principais países africanos, do futebol mais problemático, o que é facilmente explicado pelo fato de que o desenvolvimento do seu futebol foi duramente atrasado pelo regime do apartheid, em decorrência do qual ocorria o absurdo de existirem federações diferentes para cada uma das etnias que compõem a população local. Uma federação unificada só veio a surgir com a refundação do país nos anos 1990, mas o único título de expressão, até hoje, foi a Copa da Nações Africanas de 1996. Sua campanha pré-Copa foi um fiasco com a passagem de alguns treinadores - dentre eles, Joel Santana - e o corte de Benni McCarthy, dito maior craque do país, ainda que problemático. Mesmo que eu questione bastante os critérios do Ranking da FIFA, ver que a seleção anfitriã ocupa apenas a 88ª posição não é lá muito animador. É evidente que por ser dona da casa, a África do Sul terá chances de passar para a fase seguinte, coisa que não seria capaz fora dessas circunstâncias, mas eu suspeito que não passe muito disso - e não duvide que ela se torne o maior fiasco de uma seleção anfitriã em copas, haja visto que o elenco é limitado e formado por jogadores que atuam em times pequenos e médios do futebol europeu, sem muito destaque, eu, pelo menos, sou pessimista quanto a sua classificação para as oitavas.
México: Prossegue disputando a hegemonia da América do Norte e Central com os EUA. No quadriênio, ganhou uma Copa Ouro e perdeu a outra - mas não chegou à Copa das Confederações de 09 porque não foi campeão em 2007. Nas eliminatórias, passou em segundo, chegando a estar ameaçado de não se classificar na breve - e desastrosa - passagem de Sven-Goran Eriksson pela time - depois trouxe Javier Aguirre de volta para chegar ao mundial e conseguiu. Os destaques do time ficam por conta de Rafa Marques do Barcelona, do experiente Blanco e do jovem Giovanni dos Santos. Gostei do que vi no amistoso contra a Itália na Béligica, onde o time venceu a azurra por 2x1, ainda é pouco para quem passou os últimos anos jogando mal e tem um histórico de fracassos em Copas, mas acho que ele consegue passar adiante, afinal, no duro é o melhor time do grupo.
Uruguai: Ano vai, ano vem e desde que a Eliminatória sul-americana passou a ser jogada em turno e returno com todas as seleções presentes, a celeste olímpica termina em quinto lugar e vai para o sacrifício da repescagem. Para 2002 e agora, deu certo, para 2006 não. O time, no entanto, não é tão ruim, tem velhos conhecidos da torcida brasileira como o zagueiro Lugano (ex-São Paulo), o atual atacante do Botafogo, Loco Abreu, e ainda Fórlan no ataque. Não creio que tenha pretensões muito maiores do que chegar até as oitavas do torneio, mas com algum esforço, consegue.
França: A seleção gaulesa teve três grandes momentos na história, a primeira no fim dos anos 50 com a geração de Just Fontaine, depois nos anos 80 com a turminha de Platini e companhia e, por fim, a geração de Zidane, campeã da Copa de 98 e na Euro 00. Depois do fiasco de 2002, quando era apontada como uma das favoritas, veio ainda as má campanha na Euro 04. Desacreditada, a seleção francesa fez uma boa Copa em 06, chegando a final com um time com idade avançada. O processo de renovação, no entanto, está sendo muito duro, a classificação para a Euro 08 foi difícil e a eliminação na primeira fase foi dolorida, a classificação para a Copa da África veio na base da repescagem. Sopesada a tradição, não creio que o time francês, envelhecido e com sua velha dificuldade de renovação de uma geração para outra, consiga chegar sequer às oitavas, a menos que algo muito relevante aconteça.
Argentina: Era uma das favoritas ao título do último mundial, mas acabou sendo eliminada pela Alemanha, a anfitriã do torneio. Depois, o processo de reconstrução da equipe visando 2010 deu errado com Alfie Basile, o que levou a federação local, após a derrota na Copa América para o Brasil - de goleada, ainda - , a trazer Maradona para treinar a equipe. Idas e vindas, a Argentina se classificou na bacia das almas, não tendo vencido seu eterno rival, o Brasil, em nenhuma ocasião e ainda ter sofrido uma goleada de 6x1 para a Bolívia - e nada de títulos nos últimos quatro anos. A Argentina lembra o Brasil de 2002, um time com alguns craques - notamente Messi -, com toda uma mística envolvendo seu treinador e muito pouco, seja do ponto de vista tático ou de retrospecto nos últimos quatro anos, que lhe aponte como vencedor do torneio. Eu ainda creio que o time cresça na Copa e chegue firme, não sei se vindo de trás ou como azarão mesmo.
Coreia do Sul: Passou em segundo lugar nas eliminatórias asiáticas, disputando uns duelos interessantes contra sua rival, Coreia do Norte. Na Copa da Ásia de 07, ficou apenas em terceiro lugar, batendo o Japão nos penâltis. É um time organizado e disciplinado, mas não deve disputar vaga na oitavas não.
Nigéria: Classificou-se para o Mundial de forma invicta para o mundial e apesar de ter parado nas quartas de final da Copa da África de 08, manteve-se, nas outras edições, sempre entre os quatro melhores times do continente. É verdade que não chega tão forte quanto em 98, onde vinha com a medalha de ouro das Olímpiadas de Atlanta. Creio que passe para a fase seguinte.
Grécia: Campeã da Eurocopa de 2004, sequer chegou na Copa de 06 e foi um fiasco na Euro 08, onde não saiu do zero. De repente, a equipe - que caiu num grupo fraco, é verdade - chegou a Copa, mesmo que dependendo da repescagem. É nesse espírito que a equipe - de um país que está sendo engolido por uma grave crise econômica -, está chegando à África - eu não estou tão otimista assim quanto a sua campanha.
Inglaterra: Terra onde nasceu o futebol, a Inglaterra primeiro demonstra um desdém total por disputas internacionais, julgando-se boa demais para confrontar qualquer seleção. Superada a marra inicial, a terra da rainha só conseguiu vencer um mundial, em 66, em uma condição bastante discutida até hoje, notabilizando-se muito mais por ser uma escola de futebol quadrada, burocrática e morna. A grande revolução do futebol inglês acontece nos anos 90 com o advento do Manchester United e seu futebol bonito, competitivo e cheio de craques - a jovem geração liderada por Beckham fracassa na Copa de 98, por imaturidade, mas depois prometia chegar longe. Os anos em que foi treinada por Sven-Goran Eriksson, no entanto, foram um somatório de decepções, onde o favoritismo local por vezes foi por água abaixo devido aos erros do estranhamente festejado treinador sueco. Depois do trauma na Alemanha e a saída de Eriksson, veio Steve McLaren e mais um fracasso: Desta vez, nem classificação para a Euro 08 deu. A reconstrução do time para a Copa da África, sob o comando do italiano Fabio Capello deu certo: Uma campanha arrebatadora nas eliminatórias locais com a classificação conquistada com tranquilidade - uma única derrota, 1x0 para a Ucrânia fora. A equipe mantém a boa base da última Copa e, suspeito, briga pelo título.
EUA: Seria a hora e a vez do time americano? O futebol masculino é uma das poucas modalidades de esportes nas quais os americanos se dão mal historicamente. Muito embora disputem com o México o posto de melhor time da banda norte do continente americano - e tenham levado vantagem nessa disputa no último quadriênio, chegando, inclusive, a final da Copa das Confederações do ano passado -, ainda falta o título mundial, o que parece um sonho distante. Ainda assim, pela chave, creio que o time americano tenha boas chances de chegar às quartas do torneio.
Argélia: Teve o mérito de eliminar o Egito, atual tricampeão africano, e qualificou-se para o mundial, fora isso, não brilhou nem nas competições africanas nem em lugar algum - este ano ficou apenas com a quarta colocação na Copa Africana e dificilmente passará adiante.
Eslovênia: Uma das partes integrantes da antiga Iugoslávia e terra do famoso filósofo Slavoj Zizek, conseguiu sua independência de um modo razoavelmente tranquilo nos anos 90 e conseguiu passar praticamente incólume pelo terror da guerra que eclodiu naquela região em virtude do esfacelamento do antigo páis socialista - sob os auspícios do nacionalismo sérvio e do intervencionismo da OTAN. Em sua breve história futebolística, a Eslovênia conseguiu os feitos de se classificar para a Euro 2000 e, dois anos mais tarde, para a Copa da Ásia, torneios que disputou como mera figurante. Depois de anos fora do grande cenário do futebol mundial, ela conseguiu superar a Polônia e a República Tcheca em seu grupo das eliminatórias europeias para depois, na respecagem, conseguir o feito de eliminar a Rússia. Depois de ter superado boa parte das melhores escolas do futebol europeu oriental, os eslovenos só têm a seu favor a união do grupo e o desejo de autoafirmação nacional próprio dos países que se tornaram independentes na leste europeu.
Alemanha: Muito embora tenham um título a menos do que a Itália na Copa, é sabido que a Alemanha é a dona do segundo melhor retrospecto em mundiais - levando em considerações os resultados da Alemanha Ocidental, haja vista que a sua contraparte oriental, em que pese ter sido uma potência olímpica enquanto existiu, jamais conseguiu brilhar no futebol. Depois da reunificação, a Alemanha ganhou apenas um título europeu (1996, na Inglaterra) - a reunificação ocorreu alguns meses depois do título mundial de 1990, na Itália -, sob a égide da geração de Matthäus e Klinsmann. As duas últimas campanhas em copas foram enganosas: Em 2002, o time chegou como azarão entre azarões e fez um final que ninguém esperava contra o Brasil, ficando como vice, depois, sediando o torneio, acabou sendo eliminada na semi-final contra a campeã, Itália - e nesse meio tempo, conseguiu o feito de não passar da primeira fase da Euro 00 e 04. A recuperação do time só aconteceu nesse quadriênio, onde o time finalmente se renovou, incorporando uma série de jogadores naturalizados que incorporam bem a diversidade étnica da Alemanha contemporânea - e um pouco dessa naturalizianismo do futebol contemporâneo, quer seja pela maior integração entre os povos ou por oportunismo mesmo - como o polaco Klose, o brasileiro Cacau. O vice na última Euro e a campanha invicta nas eliminatórias colocam o time alemão como um dos favoritos ao título.
Austrália: Agora filiados à confederação asiática e não mais à Oceania, os australianos levaram com facilidade as últimas eliminatórias continentais, mas terminou apenas em quinto lugar na última Copa da Ásia. Entra na sua terceira Copa do Mundo depois de uma campanha positiva em 2006, quando quase eliminou a futura campeã Itália nas oitavas de final, e aqui disputa - mesmo não como favorita - a segunda vaga do grupo.
Sérvia: Herdeira da camisa iugoslava, a Sérvia pagou muito caro em vidas humanas devido a violência da guerra que marcou a extinção daquele Estado: A instabilidade tremenda em suas terras - e, ainda, posteriores tensões secessionistas em seu território, mesmo quando as tensões já tinham se acalmado em seus vizinhos - fizeram com que o poderoso futebol local ficasse estagnado nas últimas décadas. Nos últimos anos, não conseguiu passar das oitavas de final na última Copa, nem classificou-se para Euro 08, mas passou com certa tranquilidade para Copa atual, num grupo com França e Romênia. Briga pelo segundo lugar do grupo, ainda que Gana seja favorita.
Gana: Liderado por Essien (Chelsea) e Appiah, o time de Gana, nossa adversário nas oitvas da última Copa, aparece novamente na Copa depois de ter ficado no terceiro lugar na Copa África 08. Ao meu ver, disputa palmo a palmo com a Sérvia a segunda colocação do Grupo, mas é favorita.
Holanda: A eterna quase-campeã mundial novamente chega bem ao mundial, com um time leve, técnico, inteligente taticamente, mas sempre faltando aquele algo mais. Trata-se de uma das poucas seleções que passou os últimos quatro anos jogando bem, chegou com força na última Euro, fez uma primeira fase que lhe gabarativa para o título - até que foi surpreendida pela Rússia -, depois classificou-se para a Copa com uma campanha perfeita de oito vitórias em oito jogos. Seu treinador, Bert van Marwijk, tem a disposição craques como Robben - ou talvez não -, Kuyt, Seneijder entre outros, tendo a tarefa de transformar o espetáculo em campo em algo realmente efetivo. Eu creio que a laranja leva fácil o grupo, o problema é mais adiante, imaginar esse time jogando um futebol bonito não resta dúvida, agora imagina-lo ganhando um título é mais complicado - muito embora, ele, mais do que muitos, merecesse.
Dinamarca: O pequeno país nórdico teve seus momentos na história do futebol mundial, principalmente no um círculo virtuoso que vai de 1984 até 2004, onde o time foi presença constante na Eurocopa, venceu o torneio em 1992, ganhou a Copa das Confederações em 1995, além de ter emplacado três classificações para mundiais, sendo a última, em 2002,
Camarões: Até meados dos anos 80, os únicos times africanos que se destacavam no cenário mundial eram os norte-africanos - e muito mal. Isso se dava por motivos óbvios, as guerras de descolonização pegavam fogo, piorando a vida que já não era fácil nos tempos de colônia, enquanto o regime do apartheid impedia que o futebol sul-africano se desenvolvesse. Ainda que times como Gana, a Etiópia ou Congo já tivessem sido campeões africanos, o grande ponto de inflexão do futebol africano é mesmo aquela campanha de Camarões na Copa de 1990, pela primeira vez na história, um time da África Negra consegue assustar europeus e sul-americanos. Ali, valeu pelas quartas de final, depois seguiram-se boas campanhas como o ouro olímpico em Sidney e o vice-campeonato da Copa das Confederações em 2003. O time de Eto'o e Song é, no papel, o melhor time africano, apesar de no plano continental, não ter conseguido suplantar o Egito, atual tricampeão do torneio. O time terá um desafio duro com os dinamarqueses, mas vai precisar transformar a sua qualidade em competividade para lhes tirar a vaga.
Japão: O sonho de se tornar uma potência futebolística tem feito os japoneses evoluírem brutalmente no futebol. Se o futebol local era completamente inscipiente nos meados do século 20º, a punição por ter perdido a guerra ainda serviu para atrasar seu futebol. Dos anos 80 para cá, com um intercâmbio interessante como futebol brasileiro e mundial, os japoneses fizeram progressos interessantes. Classificaram-se para as seis últimas copas da ásia e ganharam três delas - bem como estiveram nos três últimos mundiais (em 2002, enquanto seleção-anfritriã). Como uma base atuando no futebol nacional e liderada pelo experiente Nakamura, o time pode fazer uma campanha honrosa, mas o grupo em que caiu lhe é desfavorável.
GRUPO F
Itália: Eis a atual campeã mundial. Os italianos tinham o grande time do futebol europeu no pré-Segunda Guerra e levaram as copas de 34 e de 38 - a última de maneira controversa, dizem. Depois disso, serviu de sparring na final da Copa de 70 para o Brasil - na sequência de ter vencido a Euro 68 -e reapareceu para ganhar o improvável título de 82. Em 94 o Brasil lhe dá novamente o troco e a azurra vai tropeçando em cima de um futebol burocrático, retrancado, angustiante. De repente, não mais do que de repente, a Itália vai para a Copa da Alemanha vivendo uma grave crise no seu futebol e com uma seleção que não consegue mais vencer, até que, como o Brasil de 02, assiste os favoritos tropeçarem um a um, conta um pouco com a sorte e vence, nos penâltis, a França na final. Os últimos quatro anos não foram lá espetaculares para a Itália, ainda que não tenham sido ruins: Uma classificação complicada para a Euro 08, depois de ter caído num grupo duro, depois uma eliminação nos penâltis contra a futura campeã Espanha na Euro, classificação tranquila para o mundial num grupo fraco e sorteio para um grupo administrável na Copa da África. Basicamente, o time de hoje é não é muito diferente do time de quatro anos atrás, retrancado, tem um baita goleiro como Buffon, uma boa zaga com nomes como Cannavaro, um meio de campo que marca muito, mas ausente de criatividade - onde o volante Pirlo é o destaque - e um ataque bom, mas longe de ser de ponto com Iaquinta e Gillardino. A equipe de Lippi joga aquele velho futebol cadenciado, de toque de bola, a espera de buracos. Fosse a Copa jogada em pontos corridos e a Itália não teria lá muitas chances, com esse estilo de jogo num torneio eliminatório de tiro curto, ela se credencia, muito embora corra por fora - e por mais difícil que seja repetir 2006, ela está aí.
Paraguai: Os confrontos entre seleções na América do Sul, ao contrário do que acontece na Europa, quase nunca são marcados por rivalidades políticas maiores do que as futebolísticas. Talvez isso se deva ao fato de que o único grande confronto bélico no continente tenha sido marcado pela derrota incontestável de um país, cuja única falta foi tentar defender o solo sagrado de sua pátria - e por conta disso foi massacrado por seus vizinhos. Esse país é o Paraguai. Uma nação próspera reduzida ao pó nos fins do século 19º e, desde então, desdenhada por todos. Paraguaio, no Brasil, acima de tudo, é um defeito. E é pelo futebol que os paraguaios expressam seu espírito de resistência. Não adianta dizer que o Paraguai vai para sua quarta Copa seguida e que fez campanha maravilhosas nas últimas eliminatórias, afinal, é o Paraguai. Quando tinha uma equipe boa, primeira colocada nas eliminatórias para a Copa da França, dizia-se que era apenas uma defesa forte sem ataque, um time, destinado a cair novamente na obsolência quando seus defensores se aposentassem. Não é que o Paraguai se renovou? E não é que formou atacantes? Nas últimas eliminatórias, os paraguaios começaram arrasando, mas depois foram alcançados por chilenos e brasileiros, ainda que tenham ficado apenas um ponto abaixo do Brasil e perdido a segunda colocação no saldo de gols para o Chile - em suma, bem acima da Argentina e do Uruguai, campeões mundiais que suaram a camisa. Aqui, são favoritos para a segunda vaga e podem fazer uma campanha melhor do que muita gente imaginava, afinal, não só na política e na economia é a vez da América do Sul, no futebol também.
Nova Zelândia: Desde que a sua vizinha Austrália abandonou a Confederação da Oceania, restou a Nova Zelândia a sina de jogar contra seleções semi-amadoras das ilhas e arquipélagos que a circundam. Quatro anos de auto-enganação e desperdício de forças, onde a seleção local, destacada pela força física, fica treinando para a Copa. Aqui, dificilmente conseguirá seguir adiante.
Eslováquia: Era parte da antiga Tchecoslováquia, com a divisão do país, uma antiga potência futebolística do leste europeu, ficaram seus vizinhos tchecos com a técnica e os eslovacos com a força - o que, no entanto, foi o suficiente para superar a República Tcheca no seu grupo das eliminatórias assim como ficar a frente de eslovenos e polacos. São, junto com a Eslovênia, classificada na repescagem, e com a Sérvia, as três únicas seleções europeias orientais a chegar na Copa da África, sem muito brilho, enfraquecidas por divisões nacionais com ou sem muito sentido.
Brasil: Trata-se do único país que chegou a todas as copas do mundo e, desde os fins dos anos 50 e o fenômeno Pelé, chega aos torneios com status de potência do futebol, apesar de que na geopolítica restava insignificante, submetido aos EUA, e, na economia, um país promissor, muito mais por suas potencialidades do que pela prática de sua política econômica. O Brasil mudou de lá para cá. Mudou muito. Hoje, a nação é vista como um dos principais atores do teatro das nações. No futebol, depois do fiasco de 2006, quando foi levado para a Alemanha um verdadeiro time dos sonhos que acabou fracassando fragorosamente, foi trazido o ex-capitão da seleção Dunga para o cargo de treinador. Mesmo com todas desconfianças por nunca ter treinado antes, Dunga estreiou vencendo a Argentina por 3x0 e foi construindo uma seleção debaixo da lógica que Parreira utilizou em 94: Montar o melhor time pelo conjunto e não pelos destaques individuais, com um jogo habilidoso com a burocracia da CBF, o que resultou em quatro anos de estranha tranquilidade, onde o time venceu tudo: Ganhou a Copa América (novamente sobre os rivais argentinos), a Copa das Confederações (contra os EUA, que frustrou a esperada final contra a Espanha) e ainda terminou em primeiro as eliminatórias de seu continente. Nunca antes na história o Brasil teve um quadriênio mais tranquilo, muito embora o tenha tido com uma seleção que não é o melhor time, mas o time que melhor funciona junto segundo a metodologia do seu treinador, um time que seja cada vez mais uma seleção de brasileiros e não mais brasileira - dada a quantidade de jogadores atuando no exterior, mesmo num cenário onde a crise na Europa e o fortalecimento da economia nacional tenham produzido um retorno em massa de craques. Sem ufanismos, é o time a ser batido, quer seja pelo desempenho ou pelo entrosamento, o que conta contra si é apenas e tão somente o fato de ser o dono da casa daqui a quatro anos e de que um hexa brasileiro, politicamente, talvez não interesse.
Coreia do Norte: Presença constante no noticiário global, muito mais por se opôr aos EUA do que pelo seu regime totalitário - escandalizado aos quatro cantos para legitimar seu isolamento e, quem sabe, sua invasão -, os norte-coreanos, que sempre viveram às turras com punições no futebol por motivos políticos - e nunca se destacaram, até que surpreenderam, classificando-se para a Copa da África com um time majoritariamente de jogadores que atuam no seu próprio campeonato e uns poucos atletas da j-league. Não deve ameaçar os competidores do grupo, mas não deixa de ser uma presença interessante.
Portugal: Sempre foi uma das forças médias do futebol europeu, mas jamais conseguiu transformar o material humano produzido nos seus clubes em uma seleção competitiva. Mesmo nos anos 90, quando produziu uma geração interessante, que chegou ao auge nos anos 2000 e 2002 acabou fracassando. O ponto de inflexão foi a contratação de Luis Felipe Scollari, treinador recém campeão mundial pelo Brasil em 2002 que, por pouco, não levou o título europeu de 2004 - perdendo a final para a Grécia -, mas ainda chegou à semi da Copa da Alemanha e as quartas de final da última Euro - em suma, manteve Portugal não apenas chegando nas grandes competições mundiais como as disputando em grande nível, um salto qualitativo que só foi capaz de dar depois de muitos tensionamentos com a liga da clubes locais e a influência que eles sempre exerceram na seleção nacional. Sob o comando do atual treinador, o luso-moçambicano Carlos Queiroz, o time sofreu para chegar à Copa, ficando em segundo no grupo da Dinamarca e sofrendo na repescagem contra a Bósnia. Enquanto seu país arde vítima de um crise econômica considerável, sua seleção nacional aporta na África, continente com o qual nutre relação profunda e tempestuosa, para tentar repetir as boas campanhas dos últimos anos. Ao meu ver, disputa, com alguma vantagem, a segunda vaga do grupo com a Costa do Marfim, o que pode render um clássico com a Espanha nas oitavas.
Costa do Marfim: ex-colônia francesa em uma das regiões mais ricas do continente africano, a Costa do Marfim vem se destacando no futebol europeu de 1992 para cá, quando venceu a Copa da África. Com um time disciplinado, liderado por Drogba, o time está na briga pela segunda colocação do grupo, mas o desastre da contusão do seu principal jogador pode ser uma perda grande demais para ser superada.
Espanha: O futebol sempre foi um elemento fundamental no complexo tecido sócio-político espanhol do pós-Guerra: Era por meio do futebol que o seu ex-ditador, Franscisco Franco, afirmava o domínio de Castela sobre as demais regiões, investindo quantias fabulosas no Real Madrid, time que apesar de pertencer a uma das mais pobres nações da Europa Ocidental, tornou-se o principal clube daquela região. Era por meio do futebol, como é até hoje, que catalães expressam seu orgulho nacional, especialmente nos anos do franquismo, quando só lhes restava torcer e investir no Barcelona, clube que no fim das contas, fazia às vezes do que deveria ser sua seleção nacional. Tais fraturas e incongruências tornaram o futebol espanhol uma potência no âmbito clubístico e um fracasso entre as seleções. A solidificação da economia nacional dos anos 90 para cá - abalada apenas agora - e, por conseguinte, da sua liga nacional, acabaram construindo uma seleção jovem e forte, que já fez uma campanha boa na última Copa, foi campeã europeia, arrebentou nas eliminatórias para essa Copa e só falhou mesmo na Copa da Confederações do ano passado. Sem dúvida, é uma das favoritas.
Suiça: Como país, a Suiça mais parece uma amontoado de imagens, um campo bucólico com suas vacas e suas belas fazendas e cidades abarrotadas de bancos. A segurança e uma paz demasiada são suas marcas e parecem se expressar em seu time nacional, uma equipe disciplinada taticamente, defensivamente muito forte e ofensivamente inepta. Conseguirão os suiços passarem adiante? Eu suspeito que não, ainda que venham a dar trabalho.
Chile: A primeira vez que o futebol chileno teve algum destaque no futebol mundial se deu quando da realização do mundial de 62, quando terminou na terceira colocação. De lá para cá, sempre ocupou uma posição secundária no futebol sul-americano, aparecendo muito mais por episódios jocosos como o da fogueteria do Maracanã do que pelo seu futebol. A geração atual do futebol chileno, no entanto, tenta provar o contrário, montada lá pelo pré-olímpico de 2000 e com mais e mais atletas sendo formados ao longo desses anos, a seleção chilena arrebentou nas últimas eliminatórias, sob o comando do treinador argentino Marcelo Bielsa, e conta com jogadores conhecidos do futebol brasileiro como Maldonado, Valdívia, Gonzalo Fierro além de bons jogadores como o goleiro Bravo e o centro-avante Suazo. Tem tudo para fazer uma grande campanha na Copa, aliás, precisa fazer uma campanha na Copa, seja pelo seu futebol ou por seu treinador, um dos maiores estrategistas do futebol sul-americano que acabou tendo seu currículo manchado com o fracasso na Copa da Ásia quando treinava sua seleção nacional. Acho que leva a vaga e pode protagonizar um belo confronto com o Brasil nas oitavas.
Honduras: Enquanto vivia às voltas com as incertezas políticas, depois de ter vivenciado recente golpe de Estado, Honduras conseguiu um classificação heróica na Concacaf, onde sempre EUA e México monopolizam as vagas e deixam o terceiro lugar para ser disputar à tapa pelos seus vizinhos. Aqui, terá enormes dificuldades para seguir adiante, esperamos que o futebol sirva muito mais como elemento de reconstrução nacional do que como instrumento de afirmação de golpistas por meio do ufanismo - como infeliz e normalmente costuma ser nessa América Latina de meu deus.
sexta-feira, 14 de maio de 2010
As decisões da Copa do Brasil e da Libertadores
domingo, 7 de março de 2010
O Futebol em Ano de Copa
segunda-feira, 12 de outubro de 2009
Um Pouco de Futebol
Ontem, a Seleção Brasileira, já classificada para o mundial da África do Sul, perdeu da Bolívia, uma das lanterninhas das eliminatórias sul-americanas por 2x1, fora de casa. Assisti o jogo só hoje - como já disse, há tempos não tenho muito ânimo para asistir jogos da Seleção, em parte por tudo que cerca a CBF, em parte por toda essa desterritorialização do futebol que faz as seleções nacionais cada vez mais fazerem menos sentido. Não vou ser aqui saudosista, de repente, essa desnacionalização do futebol tenha lá suas vantagens, mas o fato é que as competições de seleções deixa de fazer sentido. De qualquer modo, Dunga realiza um trabalho lapidar no comando técnico da Seleção sabendo administrar toda a burocracia, impedindo que os incêndios comecem com seu conhecimento de causa. No fim das contas, ele só está provando que para ser técnico da Seleção, mais do que entender de futebol, é preciso ser um político habilidoso - e isso, ele é. A derrota de ontem, por exemplo, foi irrelevante e só o foi por tudo que o time construiu ao longo da competição.
Por outro lado, o Paraguai, esse tão esnobado vizinho nosso, manteve a estabilidade dos últimos anos e disputa com o Brasil a primeira posição na tabela - se firmando como a terceira força do continente. Nessa última rodada, cravou 2x1 na Venezuela, fora de casa. Quem também chega, por sua vez, é essa nova - e excelente - geração do futebol chileno liderada por Valdivia; o time mandou 4x2 na Colômbia e está na África do Sul. Das vagas que restam, a Argentina de Maradona, dramaticamente - como tudo tem de ser naquele lado do Rio da Prata - se manteve na disputa batendo o irrelevante Peru por 2x1, agora irá para o Uruguai jogar o tudo ou nada contra esse seu rival clássico que também tem chances de chegar à Copa. Não sei se a Argentina passa, mas se passar, pode ser tão perigosa quanto o Brasil de Felipão em 2002. Equatorianos e venezuelanos ainda têm chances de chegar lá e agitam essa rodada das eliminatórias.
O Palmeiras, líder, foi com o mistão para Recife e tomou um cacete homérico do Náutico, 3x0. Desfalcado por conta da Seleção, contusões e suspensões bobas, o time paulista perdeu a oportunidade de matar o campeonato nos dois últimos jogos, nos quais, além da sarrafada que tomou hoje, empatou com o Avaí em casa enquanto seus adversários diretos pelo título apanharam. De qualquer modo, o Palmeiras está com cinco pontos sobre segundo colocado. Por sua vez, o Náutico jogou uma de suas boas partidas, daquelas que animam sua torcida para depois se perder em um mar de derrotas ridículas; hoje, diante do virtual rebaixamento de Fluminense e Sport, ele praticamente disputa uma vaga na Série A com Botafogo e Santo André.
O São Paulo, depois da derrota verde, voltou ao campeonato. Vai para uma verdadeira decisão contra o Atlético-MG em casa; quem perder dá adeus à briga pelo título - e o empate é o abraço da morte, ainda mais depois da derrota do Atlético no clássico contra o Cruzeiro. Inter e Goiás dependem muito da próxima rodada. O Flamengo, idem - e joga contra o Palmeiras, fora. Grêmio e Cruzeiro poderão chegar entre os quatro? É questão de dar um gás, agora.
quarta-feira, 15 de julho de 2009
Quarta de Futebol
Três técnicos caíram nesse final de semana; Vágner Mancini no Santos, Márcio Bittencourt no Náutico e Parreira no Fluminense. Mancini recuperou o Santos no Paulistão e o levou a uma surpreendente final, mas tropeçou na Copa do Brasil e não vinha conseguindo levar o time adiante no Brasileirão, mas ali o buraco me parece mais embaixo; o Márcio veio a passeio, perdeu todos os jogos e saiu feio pela porta dos fundos, foi substituído por Geninho que tentará fazer o time jogar pelo menos com a vontade das quatro primeiras rodadas; O Fluminense vive às voltas com a espiral desde que perdeu o título da Libertadores para a LDU e a cara e pomposa contratação de Parreira não deu jeito.
No São Paulo, Ricardo Gomes ainda não emplacou e o Palmeiras vive atormentado pelas incertezas de sua diretoria, ainda que o grupo tenha fechado com Jorginho, e essa seja a opção mais racional para o clube no momento. O Corinthians, apesar da saraivada em Porto Alegre, vai bem. O Inter caiu de produção misteriosamente. O Atlético-MG, em cima da base montada por Leão, vai muito bem sob o comando de Celso Roth e lidera o torneio - enquanto Leão foi parar no Sport que graças aos seus problemas internos, as laranjas podres as quais se referia Nelsinho, está lá embaixo da tabela.
quinta-feira, 9 de julho de 2009
A Final Não Será Televisionada
P.S.: Vale a pena dar uma lida no excelente post do Mauro Beting sobre o assunto.
domingo, 28 de junho de 2009
Brasil Campeão
domingo, 21 de junho de 2009
Brasil 3x0 Itália e a Copa das Confederações
Em um primeiro momento, o placar e o futebol lastimável apresentado pelos italianos apenas confirma aquilo que eu venho dizendo desde 2006: A Itália é uma fraude e só ganhou aquele Mundial porque Brasil e Argentina resolveram arregar e deixar tudo em aberto. Outro ponto é que sim, o Brasil jogou um bom futebol e Dunga, que foi apedrejado desde o primeiro minuto como técnico da Seleção, está realizando um excelente trabalho.
O motivo que me distancia da Seleção não é Dunga, ao contrário do que acontece com muita gente, mas o fato de não mais existir uma Seleção de Brasileira, mas sim uma Seleção de brasileiros. Além disso, a CBF de Ricardo Teixeira, o Eterno, também é broxante, ainda mais pelo desdém dela em organizar não apenas a Seleção como o futebol brasileiro de um modo geral.
No fim das contas, acho que o intenso processo de Globalização vai desnacionalizar o futebol de vez. Será que no futuro ainda teremos Copas do Mundo de seleções nacionais? Ou melhor: Será que ainda existirão Estados-nação? Difícil dizer.
Essa ideia me incomoda porque mexe com o nacionalismo futebolístico da minha memória afetiva. O mundo sem os Estados-nação seria um lugar bem melhor para se viver, eles já causaram muitos estragos, ainda assim, me dói essa ideia porque dói saber que é possível amar ideias irracionais.
Digressões de lado, nessa Copa das Confederações, após a bisonha eliminação do surpreendente Egito, teremos um Brasil x África do Sul e um Espanha x EUA. Óbvio que se não acontecer uma tragédia inominável, essa semi será apenas um aperitivo para Brasil x Espanha, um jogo interessante, ainda que o Brasil seja superior.
quinta-feira, 18 de junho de 2009
Mix
1. Ontem, o meu Palmeiras foi eliminado pelo Nacional na Libertadores. Numa boa: Time que contrata Obina deveria ser excluído de torneios internacionais por pelo menos uns cinco anos. O Corinthians, por sua vez, bateu o Inter por respeitáveis 2x0, nada mal - um bom esquema tático somado a um craque no comando de ataque e uma torcida participativa são fatores decisivos num mata-mata; o Inter, sem Nilmar e Kléber, mesmo jogando com disposição, acabou se lascando, mas atentem: Não é impossível virar. Hoje, vi o primeiro tempo de Brasil e EUA, o placar de 3x0 me pareceu barato para a Seleção: Uma boa partida complementada por uma seleção americana abaixo da média das próprias seleções americanas dos últimos tempos.
2. O STF decidiu que o diploma deixa de ser obrigatório para o exercício do jornalismo. Honestamente, penso que foi um belo desperdício de dinheiro público realizar um debate como esse. Primeiro, é anacrônico falar de jornais e jornalistas nos dias de hoje. Segundo, o século 21º será marcado pelo avanço do poder da Mídia via fenômeno internético e eis que se afirmará a importância da comunicação social - mas de uma comunicação social que terá, necessariamente, de se mover para além das amarras da anacrônica ideologia jornalística, na medida em que ela será uma das chaves para entender a profunda contradição de um capitalismo desmonetarizado, informacionalizado e que viverá às turras com a tensão dialética entre o aumento do poder da difusão da informação e a fragmentação dos agentes midiáticos por conta dos mesmos motivos.
3. O Irã continua pegando fogo por conta da eleição no mínimo questionável de Ahmadinejad. Um problemão para os iranianos e mais uma faísca na fogueira do Oriente Médio. O país é uma teocracia além de ser um dos maiores produtores mundiais de petróleo. Ahmadinejad é uma daquelas figuras que provam que quando as coisas estão ruins, elas ainda podem ficar pior. A pergunta que não quer calar é: Por que, anos atrás, Mohammed Khatami foi ignorado pelo Ocidente? Burrice ou o desejo de ver o circo pegar fogo e tirar proveito disso? Talvez os recentes eventos no Iraque respondam as minhas indagações pueris, mas eu as deixo aí mesmo, pelo menos em caráter de provocação.
segunda-feira, 15 de junho de 2009
Um Pouco de Futebol e uma Semana Caótica
O meu Palestra venceu o Cruzeiro na sua melhor atuação no trimestre. aliás, melhor atuação desde a vitória contra o Santos por 4x1 lá no início do ano - quando os caras cismam, eles jogam. O meu querido Náutico, time do coração de papai, começou bem, mas tomou duas chacoalhadas nas últimas duas rodadas, é hora de repensar a defesa. O Inter, com a cabeça na Copa do Brasil, apenas empatou em casa com o bom time do Vitória.
A Seleção pouco me empolga. Prometo escrever algo a respeito com mais cuidado, mas a dinâmica econômica do futebol contemporâneo e o fim da Guerra Fria esvaziaram o sentido dos torneios de times nacionais. Jogando pro gasto, o time verde-amarelo venceu o Uruguai fora, e bateu o Paraguai, então melhor time das eliminatórias, no Recife. Hoje bateu o Egito num estranho 4x3 (?!!). A Argentina de Maradona, melhor seleção da América do Sul na atualidade, insiste em tropeçar nas próprias pernas, mas eu duvido que não se classifique, dá sempre o trio Brasil, Argentina e - o eternamente subestimado - Paraguai mais dois - dessa vez, acho que Chile e Colômbia.
sexta-feira, 29 de maio de 2009
A Libertadores, a Copa do Brasil e as Desventuras de Luxa
Na Copa do Brasil, pela primeira vez em anos, os favoritos do torneio parecem que vão realizar a final mesmo. Tirando a bizarra eliminação santista, eliminações bisonhas não foram muito recorrentes na atual edição e Inter e Corinthians estão com um pé a final - que seria de arrebentar. Sou completamente insuspeito em falar bem do Corinthians e mal do Vasco - meu time favorito no Rio -, mas acho tremendamente improvável uma classificação do time de São Januário. Do lado do Colorado, depois dos 3x1 na ida sobre um time limitado do Coritiba, tomo como menos improvável ainda a desclassificação do time do Beira-Rio.
Na Libertadores, o Cruzeiro teve mais volume de jogo contra o São Paulo, mas não soube transformar isso em gols, venceu por apenas 2x1 e abriu o flanco para o jogo do Morumbi - ainda que eu não acredite muito numa classificação tricolor, desconfiava de uma derrota pior, mas isso daí, convenhamos, é virável. O Grêmio foi lá e empatou contra o Caracas jogando um futebol bem miúdo, mas deve se classificar. O Estudiantes ganhou do Defensor fora de casa por 1x0 e suspeito que o raio não caia duas vezes no mesmo lugar; os argentinos passarão e chegarão fortes na semi.
O jogo que eu acompanhei com mais proximidade, por motivos óbvios, foi o do Palmeiras contra o Nacional de Montevideu no Palestra. O jogo passou longe de ser animador, seja do ponto de vista técnico ou da emoção e o time paulista saiu com um resultado desanimador de campo, um incolor, insípido e inodoro 1x1.
Houve quem questionasse bastante o fato de Luxemburgo ter escalado três zagueiros jogando em casa, no entanto, eu não iria tão longe; creio que já deveria estar superada essa história de que não é possível jogar no 3/5/2 e ser ofensivo ao mesmo tempo. O problema é o elenco palmeirense em si, seja qual for o esquema tático, e a maneira como Vandeco tem lidado com ele desde o título paulista de 08 e a profunda reformulação sofrida para essa temporada.
Se atendo na atual temporada, é bastante curioso o que aconteceu: Primeiro foi montado um time bastante jovem que dava indícios de não suportar a pressão, mas aí ele iniciou a temporada bem até começar a ter seus problemas, que foram virando uma bola de neve e nada do renomado treinador mudar essa situação, muito pelo contrário; o Palmeiras de hoje é uma equipe tão morosa e desanimada como era no final de 2008 e se não fosse pelo talento de Marcos - e aquele chutaço de Cleiton Xavier contra o Colo Colo -, já estaria eliminado aqui também.
Ontem, o time só tinha dois desfalques dentre prováveis titulares, Wendel, suspenso, pela ala-direita e Edmílson, contundido, pela zaga. O time começou de forma bem instável sem conseguir se impor no ataque com o trio Cleiton Xavier/Diego Souza/Keirrison bem marcado e alas completamente insuficientes. Logo no primeiro tempo, Luxemburgo resolveu alterar a equipe e falhou; ele não deveria ter sacado Souza, mas o fez para pôr Obina. Fabinho Capixaba foi acertadamente sacado para a equivocada entrada de Marquinhos - vejam só, dava para ter resolvido isso daí com uma alteração só, quem sabe, tirando apenas Fabinho para pôr Obina no ataque, passando assim Souza para a ala-direita. Também dava para não ter tirado Souza, mas sim um dos zagueiros se era o caso de Marquinhos ter entrado para pontar pela direita.
Com as modificações, mesmo que tenha passado a faltar meio-campo, o fato de ter povoado o ataque, foi o suficiente para apertar o frágil adversário; eram três zagueiros lá atrás, Pierre sozinho na marcação, D. Souza e C. Xavier na armação pelo meio, Marquinhos como um armador pela direita, Armero fazendo o mesmo pela esquerda e dois atacantes lá na frente. Mesmo com todos os seus rodopios e falta de objetividade, o Palmeiras, que saira do 3/4-1/2 (ou 3/4-2/1) para o 3/1-4/2, foi lá e anotou o seu golzinho, com Keirrison fazendo o pivô para Diego chutar forte e marcar o gol - contando com a falha do goleiro adversário.
Depois, me aparece Luxembrugo e saca Keirrison para pôr Jumar - uma modificação daquelas que destroem qualquer time no mundo - e a equipe vai para 3/2-4/1, se atrapalha e toma um gol em mais um momento de paralisia cerebral de sua defesa. Jumar, só para não passar batido, é outra invenção de Luxemburgo; arquétipo de volante brucutu, só ocupa espaço em campo e ao ser colocado no lugar do craque do time - que apesar da má fase, deu o passe para o gol - só pode significar que o treinador não quer mesmo vencer o jogo.
O Nacional é um time horroroso, mas em casa pode assegurar a vaga sim. O Palmeiras, pelo seu lado, tem limitações inegáveis no seu elenco, mas poderia estar jogando bem melhor do que isso. Pelo clima depois do jogo de ontem, no entanto, é bem difícil imaginar a equipe revertendo isso daí. A quarta era Luxemburgo no Palestra, que já se arrasta há alguns meses, parece próxima do fim ou de uma virada milagrosa na sua sorte. Seja como for, ontem Luxemburgo teve uma noite de técnico de várzea.
sábado, 23 de maio de 2009
Semana de Futebol II
Na Copa do Brasil, tivemos bons jogos no meio de semana. Inter 2x1 Flamengo, por exemplo, foi um jogão. Aliás, o Flamengo de Cuca começou o ano titubeando, mas vem numa ascendente incrível: Não conseguiu vencer o Cruzeiro pelo Brasileirão nem eliminar o Inter na Copa do Brasil, mas jogou muito contra aquelas que são as duas melhores equipes do Brasil no momento. Se Adriano voltar inspirado, creio que o time entra para valer na briga pelo título. Posto isso, claro, também seria uma baita injustiça esse timaço do Inter ser eliminado da Copa do Brasil. Esse elenco atual do colorado é melhor que o time campeão da Libertadores 2006 com Abelão, mas infelizmente, corre sério de se desmanchar. Do outro lado da tabela, o Corinthians, na bacia das almas, eliminou o Fluminense de Parreira. Vejo o Corinthians com a equipe mais bem armada e mais centrada do futebol brasileiro atual; lembra bastante aquele time do Parreira em 2002, mas ainda lhe falta algo para se tornar "a" equipe - nesse sentido, a possível contratação de Zé Roberto pode ser muito importante; com ele, a meia-cancha alvinegra ganharia a substância que ainda lhe falta. Sobre o Vasco e o que o Coritiba, com todo respeito, creio que só um milagre os faça chegar a final.
Do Brasileirão, vamos ver o processo de banho maria aumentar. As coisas começaram bem, os clubes estão com seus melhores elencos em anos, mas o calendário que faz o início do campeonato coincidir com as fases decisivas da Libertadores e da Copa do Brasil somado ao fato de que, ainda por cima, a Seleção vai desmanchar os melhores times graças aos jogos das Eliminatórias e da Copa das Confederações criaram um esvaziamento do torneio no próximo mês. Nesse sentido, quem estava mal e não teve ninguém convocado para a Seleção e já está jogando apenas o Brasileirão sairá, invariavelmente, fortalecido na medida em que um nivelamento artificial entre as equipes se operará nessa primeira metade do Primeiro Turno - e talvez por ele inteiro, supondo que os prováveis desmanches dos elencos ocorram no meio do ano. Enfim, são os novos velhos problemas do futebol nacional.
sábado, 16 de maio de 2009
Brasileiro Não Desiste Nunca?
Semana de Futebol
Falando em clássico nacional na Libertadores, teremos também Cruzeiro x São Paulo. A raposa pegou uma barbada nas oitavas e nem suou a camisa. O tricolor, por sua vez, poderia ter tido um confronto complicado contra o Chivas-MEX, mas a gripe suína tratou de tirar o rival do torneio - pelo fato dele não ter aceitado jogar fora do México, onde as partidas foram vetadas pela Conmebol devido a referida epidemia.
Dos outros brasileiros, o Palmeiras, ou melhor, Marcos eliminou o Sport no jogo mais tenso das oitavas e agora pega o Nacional-URU; o alviverde pode estar devendo muita coisa nesse torneio, menos emoção, é claro - mais do que isso, nos momentos-chave da Libertadores, a equipe mostrou poder de decisão, portanto, esperemos para ver o que vai acontecer nesse confronto onde ele é favorito. O Grêmio vai pegar outra barbada, agora contra o Caracas, beneficiando-se da primeira colocação na primeira fase - e vai chegar sim na semi para fazer um clássico brasileiro contra Cruzeiro ou São Paulo.
Na Copa do Brasil, o Corinthians venceu pelo placar mínimo o Fluminense num jogo cerebral ao extremo, ainda assim, creio que ele se classificará; a goleada que o Vasco enfiou no Vitória possivelmente o classificou, mas não creio em título por parte da equipe de São Januário. Do outro lado da chave, o Flamengo de Cuca evolui a olhos vistos e fez um jogão contra o poderoso Inter no Maracanã, mas acabou empatando em 0x0 - no sul, terá a vantagem do empate, mas será capaz de segurar o rival em seus domínios? Eu acho que não; o Coritiba, pelo seu lado, arrancou um bom empate contra a Ponte em Campinas e deve seguir adiante, mas não é favorito seja contra Flamengo ou Inter assim como o Vasco não será contra o vencedor de Corinthians e Fluminense.
Na rodada do Brasileirão desse final de semana, Atlético-MG x Grêmio é um jogo bem interessante e marca o reencontro de Roth com o tricolor gaúcho que o demitiu recentemente, mas o destaque fica mesmo para Inter e Palmeiras. Mas vamos ver comos os times, tão empenhados nos torneios de meio de semana vão entrar em campo - pois é, novamente nos vemos às voltas com os problemas do calendário brasileiro, como começar o Brasileirão em plena época de decisões da Libertadores e da Copa do Brasil? Ou eu muito me engano ou estão nas fases decisivas dos dois torneios dez das vinte equipes que disputam a Série A. Seria essa uma boa maneira de começar um campeonato? Eu duvido.
quarta-feira, 13 de maio de 2009
Post #100: São Marcos
Não sei como, mas eu me lembro da estreia dele como profissional, lá atrás no Paulistão de 96 naquela equipe maravilhosa dos mais de cem gols que foi campeã com louvor. O técnico era Luxemburgo, mas o titular no gol era Veloso que, não sei por qual motivo não pôde jogar. Isso abriu as portas para Marcos fazer sua estreia frente ao glorioso Botafogo de Ribeirão Preto. O resultado? Uma vitória por 4x0 com uma penalidade defendida pelo jovem goleiro reserva palmeirense que ainda fez belas defesas ao longo do jogo.
Só três anos mais tarde, devido a uma grave contusão de Veloso durante a Libertadores, que Marcos, sob o olhar desconfiado de todos, assumiu o manto verde que fora no passado de um Oberdan e de um Leão. Todos desconfiavam, mas eu não: Era o goleiro que eu tinha visto defender um penalti quando eu tinha oito anos e estava certo que ele ia fazer aquilo de novo. E como fez. O Palmeiras foi campeão e Marcos levantou a taça de melhor jogador do torneio.
Um corte: Dia de ontem, quase dez anos depois do título continental. O Palmeiras viaja para Recife depois de ter vencido Sport por um 1x0 no Palestra. Seria uma missão fácil segurar um rival que não marcou gol algum fora de casa na ida? Não foi. Do mesmo jeito que o Palmeiras massacrou o rival em casa, onde venceu por apenas um gol quando podia ter enfiado três, o Sport fez ontem, mas talvez tenha feito pior: Se na ida o Palmeiras poderia ter vencido por dois ou três gols, na volta, o Sport poderia ter feito quatro ou cinco gols. Por que não o fez? Marcos estava lá e só não pegou mesmo aquilo que era metafisicamente impossível de pegar durante o tempo normal.
Penalidades. Nova falha verde. No momento em que o ímpeto dos rubronegros se agigantava, quando corriam decididos para dar o golpe de misericórdia no rival, se depararam com um gigante. Três defesas....ah, a euforia. Mesmo que tropecemos em nossas limitações, mesmo que nos esmaguem mais adiante, não importa, que isso não seja esquecido. Obrigado São Marcos. Muito obrigado.



