| O ex-ministro Rossi |
Não que eu seja dos maiores entusiastas da situação em que vive a PUC hoje - na qual, sob o comando tirânico de sua mantenedora, o desrespeito à democracia interna tenha virado regra geral -, mas o simples fato de estar, de algum modo, envolvida em um escândalo desse porte torna tudo mais preocupante ainda.
Apesar da insistência da Folha de São Paulo, que investigou o escândalo na Agricultura, em não ir tão a fundo no que diz respeito ao real envolvimento da Universidade - sempre elipsado, apesar dos fatos falarem por si só - , a notícia de que a PUC irá devolver o dinheiro ganho na licitação fraudada é autoexplicativa demais para passar batido.
É preciso que alguém investigue isso mais a fundo. A PUC é um dos mais relevantes centros de pensamento crítico de São Paulo, mas está em uma severa crise financeira há pelo menos sete anos, o que tem servido como álibi para toda sorte de medidas. Isso tem de parar em algum momento.
É preciso transparência administrativa. Tenha acontecido o que for, devolver o dinheiro é a coisa mais razoável a se fazer neste momento, mas isso por si só não basta. É preciso construir uma gestão democrática e aberta porque a burocratização leva a (des)caminhos dos quais nem sempre é possível ter volta.
P.S.: Governar, como nos ensinou Maquiavel, é uma atividade das mais complexas e inglórias. A Presidenta Dilma precisa conciliar o apoio necessário para governar o país - dentro de um sistema político problemático - com o igualmente necessário combate à corrupção cancerígena que devora Brasília. Não é uma tarefa fácil. Como divulgado em sua entrevista à CartaCapital, a faxina que a Presidenta está a promover passa ao largo do vão moralismo e visa acertar em cheio a paralisia do Estado. E Dilma está certíssima em assumir a vanguarda disso. A questão é como dosar o processo - e não perder de vista que grande parte desses problemas só acabarão com uma reforma política.