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sábado, 7 de agosto de 2010

O Desfecho da Copa do Brasil, a Libertadores e o Brasileirão

(foto retirada daqui)


No meio desta semana fria e corrida, o Santos foi campeão da Copa do Brasil - perdendo por 2x1 para o Vitória em Salvador, depois de ter vencido por 2x0 na Vila - e o Inter classificou-se não só para a final da Copa Libertadores como para o Mundial Interclubes após perder para o São Paulo por 2x1 - depois de ter vencido por 1x0 em casa; aliás, a classificação antecipada para o Mundial explica-se pelo fato do Chivas ter chegado à decisão também, já que o clube não pertence à Confederação Sul-Americana e disputa o torneio como convidado.


Da primeira vitória, nada de surpreendente. Por melhor que seja a equipe do Vitória - que está ali junto do Avaí na disputa para saber quem é o melhor clube médio do país hoje -, era sabido que o time do Santos dificilmente perderia o título - principalmente depois de duas finais antecipadas contra Atlético-MG e Grêmio. Palmas para Dorival Júnior que fez André, Neymar e Ganso jogarem muito, recuperou Robinho e organizou o time com jogadores como Marquinhos, Edu Dracena e Arouca. Hoje, parece fácil o que ele fez, mas nada estava claro no começo da temporada. Agora, depois da saída de André e Robinho, o time terá de se rearranjar para disputar o resto do Brasileirão - onde tem patinado feio. Nesse sentido, a volta de Keirrison é essencial.


Da semi-final entre Inter e São Paulo, o fato é que se de um lado Celso Roth fez o bom time colorado jogar, depois da Copa, um futebol coeso - diferentemente do que se via no primeiro semestre, sob o comando de Jorge Fossati -, o São Paulo, sob Ricardo Gomes continuou patinando - e embora tenha um bom elenco, o agora ex-treinador do tricolor jamais conseguiu acertar verdadeiramente a equipe. Foram bons jogos, sendo o segundo durante o debate dos presidenciáveis na Band - num curioso episódio de disputa pela audiência entre canais de TV, onde de um lado se via o espetáculo futebolístico e a política espetacularizada, o que merece, quem sabe, uma análise mais profunda, ainda que eu tenda a dizer que fez bem quem viu o jogo.


Deu Inter numa verdadeira guerra; ele disputará o bicampeonato da Libertadores - para tentar se igualar a Grêmio, Cruzeiro e Santos - e, como já adiantado, disputará o bi-mundial - pela injustiça do regulamento da Libertadores em não permitir que os clubes mexicanos que disputam o torneio também joguem o mundial, caso sejam campeões. Num primeiro momento, não vejo o Inter favorito para a Libertadores, mas ele disputa sim. Já o São Paulo, desde o título de 2005, jogou todas as Libertadores, mas tombou desde então diante de rivais brasileiros; Inter (06, na final), Grêmio (07, nas oitavas), Fluminense (08, nas quartas), Cruzeiro (09, novamente nas quartas) e Inter (de novo neste ano, agora na semi). A sina se repetiu e agora, com a saída de Ricardo Gomes e a provável reformulação no elenco, será difícil disputar uma nova vaga na LIbertadores.


No Brasileirão, Fluminense e Corinthians ponteiam a tabela e continuam convincentes depois da Copa do Mundo. Muricy, no entanto, continuou no primeiro, enquanto o Corinthians perdeu Mano para a Seleção - ambos os times tem de melhorar muito para ter um liderança realmente sólida, principalmente o Corinthians que tem sim deficiências, como ficou claro no clássico contra o Palmeiras. Abaixo deles, Inter, Ceará, Avaí, Cruzeiro, Santos e Flamengo têm tido alguma solidez, mas nada espetacular - o Ceará, aliás, muito mais na base da aplicação do que de qualidade. Atlético-MG e Grêmio, na zona do rebaixamento, são verdadeiras surpresas negativas, principalmente pelo primeiro semestre de ambos. Quem não está bem, mas pode evoluir bastante é o Palmeiras, que não só repatriou Felipão, como também trouxe de volta Kléber e Valdivia - dois ídolos da equipe, protagonistas do último título ganho pelo clube, o SP-08 - e alguns reforços promissores como os centrovantes Tadeu (ex-Prudente) e Luan (ex-São Caetano com rápida passagem este ano pelo Toulouse), os meio-campistas Tinga (ex-Ponte Preta) e Rivaldo (ex-Avaí) e o zagueiro Fabrício (ex-Flamengo). É esperar para ver, mas o nacional tende a pegar no breu.

sexta-feira, 23 de julho de 2010

Atualizado depois da Teixeirada --> Seleção: Muricy Ramalho é o técnico (ou não)





Honestamente, achei uma escolha surpreendente. Pelo que se avizinhava, Mano Menezes era o favorito - desde o momento em que Felipão recusou a proposta. Muricy, seja pela postura independente ou por não estar no auge de sua carreira  - embora ensaie uma recuperação nessa remontagem do Fluminense, ora líder do nacional - não me parecia o nome predileto da CBF pelos motivos errados e pelos certos. Sim, trata-se de um dos três técnicos mais vencedores do futebol nacional nos últimos dez anos, numa lista que tem, claro, Felipão e Luxemburgo, mas ainda assim não era meu palpite nem o meu nome favorito.


Depois de um começo ali pelo São Paulo nos anos 90, certas turbulências o fizeram ir para do Guarani, por onde passou em 97, para em seguida embarcar para a China. Votou treinando equipes do interior paulista até que em 2001 foi para o Náutico de Pernambuco, no ano do centenário daquele tradicional clube recifense, onde iniciou a guinada na sua carreira. Foi bicampeão pernambucano tirando o Náutico da lama, teve uma passagem boa pelo Figueirense no Brasileirão de 2002, livrando-o do rebaixamento certo, foi para o Inter em 2003, onde foi campeão gaúcho, mas pediu demissão por não emplacar uma boa campanha. No São Caetano em 2004, comandou uma recuperação inacreditável no Paulistão daquele ano e foi campeão - e ficou entre os oito melhores da Libertadores, mas acabou injustamente demitido. Voltou para o Inter no mesmo ano fazendo boas campanhas, ganhou o Gauchão em 2005 e só não levou o Brasileirão do mesmo ano por conta do famoso escândalo de arbitragem envolvendo Edílson Pereira de Carvalho, que fez vários jogos serem repetidos, prejudicando seu time.


Em 2006, assumiu o São Paulo campeão mundial no ano anterior, abrindo uma nova página na sua carreira. Perdeu um Paulistão - jogado em pontos corridos em turno único (?!) - pela ressaca que o time vinha, depois de ter levado o Mundial e, depois, perdeu a Libertadores, na final, em um épico duelo tático com Abel Braga. Muricy se recupera no Brasileirão daquele ano, mantendo a base tática herdada de 3/5/2, zaga bem postada, marcação, forte e jogadas rápidas pelas alas e foco na bola parada - foi um passeio. Em 2007, acabou eliminado do Paulistão pelo invocado - e surpreendente - São Caetano de Dorival Júnior e perdeu para o operário Grêmio de Mano Menezes nas oitavas da Libertadores - novamente, se redimiu no Brasileirão, mostrando que sabia jogar como ninguém um torneio longo, estilo maratona, com todas as peculiaridades que bem conhecemos, novo passeio e segundo título seguido pelo tricolor.2008, o filme se repete, eliminação no Paulistão para o Palmeiras/Traffic de Luxemburgo e derrota na Libertadores para outro time brasileiro, o Fluminense de Renato Gaúcho nas quartas, nova recuperação no Brasileirão e, contra tudo e contra todos, leva o nacional pela terceira vez. 2009, é eliminado do Paulista pelo Corinthians de Mano Menezes e é eliminado a Libertadores para o Cruzeiro de Adílson Baptista - desta vez, no entanto, é demitido pela diretoria são-paulina, pelos atritos com o presidente Juvenal Juvêncio e pela sua  incapacidade de vencer torneios eliminatórios - ainda que eu discorde de sua demissão durante o Brasileirão do ano passado.


Depois da sua saída do São Paulo, Muricy, acaba recebendo proposta pública do Presidente do Palmeiras, recusa e, semanas mais tarde, acaba voltando atrás. Assume o time em primeiro lugar, mas algumas declarações anteriores - bem como sua recusa - fizeram-no assumir o time num clima ruim - num ambiente altamente delicado -, o que se agravou com sua postura distante dos jogadores: O Palmeiras perdeu o campeonato mais vencido de todos os tempos, não conseguindo, sequer, classificação para a Libertadores. Mesmo assim, permaneceu no cargo para 2010, mas acabou perdendo definitivamente o controle do elenco no Paulistão e caiu ainda no meio da Primeira fase. Meses depois, ele retorna a um clube brasileiro, promovendo uma reestruturação no Fluminense, sendo ainda eliminado da Copa do Brasil pelo Grêmio de Silas. Ainda assim, conseguiu o recuperar o time para o Brasileirão deste ano e, por ora, lidera o torneio.


Creio que o auge da carreira de Muricy foi em 2006, a partir dali, se seguiu uma estabilidade: Embora ele não tenha conseguido crescer mais - isto é, fazer sues times terem mais sangue em jogos eliminatórios ou saberem jogar atacando -, ele se manteve no mesmo nível. Sua passagem desastrosa pelo Palmeiras, apesar de todos os problemas do clube e o fracasso do bom time montado no começo do ano passado, também teve responsabilidade sua, admita ou não. Seu trabalho no Fluminense ainda é muito recente para qualquer avaliação. O melhor nome, ao meu pensar, era o de Mano Menezes, o melhor copeiro que apareceu no futebol nacional desde Felipão. Não foi. Ele terá um desafio muito grande pela frente, se a cobrança em cima de um treinador da Seleção já é absurda, o encarregado de conduzir o time para um Mundial em relação ao qual seremos sede terá de suportar a mesma pressão, no mínimo, dobrada. Não sei até que ponto Muricy pode funcionar nesse contexto.


Atualização das 17:30: Como Mauro Betting bem colocou, Muricy é o ex-novo técnico da Seleção Brasileira. E não, não foi um passa-moleque que a imprensa - ou o humilde blogueiro que vos escreve - tenha tomado, mas sim da fanfarronice de Ricardo Teixeira, o glorioso ditador presidente da CBF que anunciou publicamente seu nome sem que Muricy tenha aceitado formalmente (?!). Depois de tudo o que aconteceu na Copa da África, nuvens turvas acenam no horizonte para a Copa do Mundo do Brasil. Aguardemos o desenrolar da novela. Muricy, claro, também tem suas responsabilidades nessa conversa toda, assim como no caso do Palmeiras ano passado. Ele só deveria ter negociado, caso tudo estivesse certo entre ele e o Fluminense.