Segundo as informações do tracking do Vox Populi encomendado pelo IG e pela Band, Dilma Rousseff está com 51% das intenções de voto contra 25% de José Serra e 9% de Marina Silva. Trata-se de uma diferença absurdamente grande que confirma a tendência surpreendente das últimas semanas: Muito embora uma eleição só se decida mesmo quando os votos são contados, os números que surgem apontam para uma vitória do PT muito maior do que poderia se supor. Você poderia até argumentar, meses atrás, que Dilma iria vencer - talvez por uma boa margem -, mas afirmar que essa eventual vitória pudesse ser tão grande que a própria correlação de forças político-partidárias - estabelecida no distante ano de 1994 - cairia por terra, já seria um pouco demais. Não é o caso. Por essa pesquisa, Dilma estaria com 60% dos votos válidos, o que daria um pouco mais do que 60 milhões de votos logo de cara. Serra teria 29%, o que está bem abaixo dos 40% que ele vinha mantendo do Segundo Turno de 2002 para cá. Isso muda muita coisa.
Isso é fruto de vários fatores. Um deles foi o crescimento acima da média nos últimos anos - acompanhado de distribuição de renda - e como o país passou pela Crise Mundial, com baixíssimos danos especialmente para os trabalhadores. O país recuperou o rumo do crescimento econômico e, pela primeira vez, o fez respeitando as liberdades individuais e coletivas - muito embora, inúmeras reformas tenham ficado por fazer -, além de ter construído isso junto com políticas sociais efetivas. Por outro lado, não é só o discurso do PSDB que está em crise, mas a sua própria prática política - e isso é muito grave. Há outro ponto revelador é que a tese do fim do efeito "pedra no lago" como anteviu, há quatro anos atrás, Franklin Martins: O PSDB se ancorou numa estratégia de atuação distante da sociedade civil que demanda o apoio da mídia de massa - isso tem a ver com seu projeto de poder e sua forma de exercício político, portanto, não é um mero acaso -, no momento em que isso comprovadamente está perdendo a efetividade, o próprio partido entra em xeque. Os tucanos precisam renovar-se, mas pode ser que isso não seja possível - aliás, a direita se organiza por fora do sistema político-partidário, portanto, muito embora essa derrota a desagrade, ela é a desdita de um instrumento seu e não das forças reais que a estruturam, muito embora ela saia mesmo enfraquecida do processo.
Há muitas perguntas que surgem no atual momento. Uma delas é como se o PT tocará as reformas mais profundas que o país precisa - e se isso vai dar certo -, a outra é qual será o rumo da direita se uma derrota tucanas, com esses números, se confirmar 03 de outubro. Não falta quem já comece a levantar hipóteses. Uma delas, é a que o NPTO resenhou - de forma devidamente crítica - sobre a possibilidade de mexicanização da política brasileira que o Bolivar Lamounier levantou e o Limongi contestou. Não rola. O PT não se parece - felizmente - com o PRI - apesar de que ambos sejam organizações técnico-burocráticas, o ethos petista é outro e ainda guarda ligações com movimentos de transformação social, não sendo uma força estrategicamente articuladora dos fatores reais de poder estabelecidos. Embora alertar para os riscos de uma aliança entre PT e PSDB na reforma política - e uma aproximação entre os dois seria o pior dos mundos para a política nacional dos próximos anos seja lá qual for o tema - é válido, mas a única verdadeira mexicanização que eu concebo na política nacional é aquela que certamente decorreria das propostas de políticas econômica e de relações exteriores - e falo de diminuição do Estado e alinhamento automático com os EUA - sobre as quais o PSDB se assentou nos últimos anos - e nenhuma mais.
P.S.: Acrescentei uma frase antes de mexicanização para expor melhor minha ideia sobre o artigo.
P.S. 2: A terceira frase do segundo parágrafo continha uma informação errada que foi corrigida graças ao alerta do André Egg.