A Crise Econômica Mundial se mostra como o primeiro grande advento do processo de Globalização. Ela é, sobretudo, um grande ponto de convergência que decorre do processo de mundialização dos mercados capitalistas - uma consequência natural desse sistema de produção como já anteviu, muito antes de nós, Marx. O mundo, muito provavelmente, não acabará, no entanto, depois dela haverá um novo equilíbrio no globo.
Como eu tenho batido na tecla literal e insistentemente, ela operará mudanças mais profundas em especial, no continente europeu. Isso não é pouco. A Europa do pós-Muro de Berlim é um continente onde velhas barreiras e muros políticos desabam a cada dia, mas, paradoxalmente, é um lugar onde velhas certezas - e a velha segurança - misteriosamente acabaram; a social-democracia com a qual sonhavam os jovens que botaram o bolchevismo abaixo no leste europeu é disfuncional e inoperante em relações às demandas do mundo em globalização. A situação do leste após o fim do socialismo era caótica, depois se reverteu, implicou em avanços e agora as coisas voltam a ficar tensas.
A pequena Islândia, no alto de seus 300 mil habitantes, é um caso sui generis (como esse blog abordou em seus primórdios): Mais conservador dentre os países nórdicos, a ilha desfez o sistema social-democrático comum aos Estados dessa região nos anos 80 e ingressou numa viagem neoliberal como poucos; a experiência desregulamentatória fez com que o país, habitual líder do ranking de IDH nos últimos anos, fosse abalado de maneira decisiva por essa Crise. O governo de direita tombou e a Social-Democracia, depois de décadas, voltou ao poder num governo interino, ainda por cima com uma primeira-ministra assumidamente lésbica. Há poucas horas, a imprensa internacional anuncia a vitória da coalização entre social-democratas e verdes. A esquerda, praticamente varrida do poder na ilha, volta à baila de vez.
Seus desafios não serão pequenos; como eu coloquei, no atual momento, o consenso que guiou a esquerda europeia ocidental por muito tempo está em xeque. Na Islândia, ele fracassou já nos anos 80 e é daí que surgiu o espaço para o projeto neoliberal de Daniel Oddson. O país, por outro lado, está novamente falido depois de uns vinte anos de prosperidade ilusória que se assentou sobre a base movediça de um sistema financeiro desregulamentado - ao menos, pelo Estado. Seja como for, a coalizão liderada por Johanna Sigurdardottir teve mais da metade dos votos e terá o desafio de elaborar novas saídas. A importância em números é pequena. Ainda assim, a simbologia da vitória é enorme: Uma coalizão de esquerda liderada por uma lésbica assumida em meio a uma Europa em crise que se vê às voltas com o fantasma da intolerância e do ódio. Aguardemos.
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domingo, 26 de abril de 2009
domingo, 1 de fevereiro de 2009
A Islândia e a sua nova primeira-ministra
Johanna Sigurdardottir é a nova primeira-ministra da Islândia. Normalmente, o fato de uma ilha com pouco mais de 300 mil habitantes ganhar um novo chefe de governo não quer dizer muita coisa.
No entanto, não estamos falando de qualquer ilha, mas sim da Islândia, o país que ponteia a tabela de IDH da ONU já há algum tempo, que por coincidência teve uma das mais radicais experiências neoliberais nos anos 80 - que dura até os dias atuais - e que recentemente foi abalada como poucos pela atual crise mundial.
Também não estamos falando do simples impacto de uma mulher assumir o governo. Estamos falando da primeira mulher a governar aquele país. E não é somente isso, estamos falando do primeiro governo social-democrata em 29 anos, em um país que há mais de vinte anos se enveredou pelo mares neoliberais, tão estranho aos países nórdicos e seus estados grandes. Todavia, não é por isso que sua chegada ao poder chamou a atenção da imprensa internacional: Johanna é a primeira homossexual declarada a governar um país ocidental, um fato que, sem dúvida, merece relevo.
Ela terá pela frente uma dura missão: Pegará um país quebrado e uma população em polvorosa que depois de décadas de prosperidade econômica se vê às voltas com a incerteza. Pelo currículo de Johanna na luta contra a pobreza em seu país, ela é um excelente nome para enfrentar essa situação e, mais que isso, pela sua história de vida, é uma prova do grau de civilidade que a sua terra atingiu e uma prova que a humanidade evolui lentamente, mas evolui, não obstante os recuos e refugadas que ela cisma em dar de vez em quando.
No entanto, não estamos falando de qualquer ilha, mas sim da Islândia, o país que ponteia a tabela de IDH da ONU já há algum tempo, que por coincidência teve uma das mais radicais experiências neoliberais nos anos 80 - que dura até os dias atuais - e que recentemente foi abalada como poucos pela atual crise mundial.
Também não estamos falando do simples impacto de uma mulher assumir o governo. Estamos falando da primeira mulher a governar aquele país. E não é somente isso, estamos falando do primeiro governo social-democrata em 29 anos, em um país que há mais de vinte anos se enveredou pelo mares neoliberais, tão estranho aos países nórdicos e seus estados grandes. Todavia, não é por isso que sua chegada ao poder chamou a atenção da imprensa internacional: Johanna é a primeira homossexual declarada a governar um país ocidental, um fato que, sem dúvida, merece relevo.
Ela terá pela frente uma dura missão: Pegará um país quebrado e uma população em polvorosa que depois de décadas de prosperidade econômica se vê às voltas com a incerteza. Pelo currículo de Johanna na luta contra a pobreza em seu país, ela é um excelente nome para enfrentar essa situação e, mais que isso, pela sua história de vida, é uma prova do grau de civilidade que a sua terra atingiu e uma prova que a humanidade evolui lentamente, mas evolui, não obstante os recuos e refugadas que ela cisma em dar de vez em quando.
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