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segunda-feira, 9 de agosto de 2010

As Desventuras de Felipão

Não me recordo de um trabalho de Felipão no qual ele tenha feito um time seu brilhar quase que instantaneamente. No Palmeiras, ele montou o time aos poucos durante 97 - conseguindo um vice brasileiro que foi ótimo pelas contingências - e depois começou a enfileirar títulos a partir de 98. Na Seleção Brasileira, ele passou 2001 inteiro plantando as sementes que deram no Penta um ano mais tarde. Em Portugal, creio que aconteceu o mesmo. No Palmeiras de 2010, que ele assumiu em crise, não é nem será diferente. Além do mais, aqui também pesa sua readaptação ao futebol nacional - sem contar, ainda, com alguns importantes reforços. 


Ontem, no jogo contra o Goiás, ele empatou seu quarto jogo consecutivo e permaneceu sem vitórias - afinal, estreou com derrota para o Avaí em Santa Catarina. De lá pra cá, a derrota para o Avaí - depois de uma boa vitória no clássico contra o Santos com Murtosa na área técnica enquanto ele assistia do camarote - foi uma expressão de um pouca de falta de cautela em um jogo no qual qualquer uma das equipes poderia vencer. Contra Ceará e Botafogo foram dois empates-empates mesmo - os times foram rigorosamente iguais e outro placar não seria justo. Contra Corinthians e Goiás, ele empatou quando merecia vencer. 


Honestamente, ontem, atpe pela fragilidade do Goiás, senti que foi o pior jogo do Palmeiras sob Felipão - e creio que ele poderia ter armado o time de um modo diferente. Nenhuma tempestade em copo d´água, mas que ele errou, sim ele errou. Insistir num 4/3-1/2 com Edinho e Márcio Araújo como volantes mais avançados é um erro quando se tem Marcos Assunção - que não entendi porque virou reserva - e Tinga. Fazer mexidas estranhas como aquela em que ele sacou Vítor da lateral-direita para colocar Marcos Assunção no meio - passando o Márcio Araújo para a lateral - também não é nada bom - tirar Kléber ainda aos 32, idem.


Gostei de Luan que estreou ontem - ainda que eu tivesse tirado Patrik e não Ewerthon para sua entrada. Creio sim que com Valdivia e Rivaldo no meio a equipe tem tudo para evoluir - assim como com Pierre ganhando forma física o meio ganhará mais ainda. Fabrício me parece um incógnita na zaga. Gabriel Silva poderia e já deveria estar sendo lapidado para assumir a titularidade na lateral-esquerda - frente a um Armero em má fase e, mesmo quando joga, sempre se restringe por demais à defesa. Felipão tem tudo para se recuperar, é só manter a calma.

domingo, 1 de agosto de 2010

Brasileirão 2010: Palmeiras 1x1 Corinthians

(globoesporte)


No primeiro clássico de Felipão no comando do Palmeiras, o técnico do Penta ainda não conseguiu sua primeira vitória, empatando a terceira consecutiva. Adílson Batista estreou nessa fogueira pelo Corinthians e perdeu a liderança, mas alguns problemas da equipe vieram à tona; o novo treinador alvinegro terá mais trabalho do que se imagina, enquanto o Fluminense de Muricy - e sua quase ida para a Seleção - é, ao meu ver, um surpreendente líder que vai se reforçando e se ninguém reagir a tempo, poderá daqui a pouco só estar administrando uma boa vantagem.


O jogo, sim, foi bom. O Corinthians entrou com Júlio César no gol - que não é nenhuma virtuose, mas está firme -, Alessandro e Castan bem pelas laterais e Chicão e William - que vacilaram mais do que o normal - com Ralf fazendo quase a sobra; Jucilei e Elias ficavam na marcação e armação, Bruno César jogava flutuando no meio e Iarley e Jorge Henrique jogavam abertos no ataque, abrindo para quem vinha de trás. - era um 4/3-1/2 que oscilava para 3/5/2, na medida que os alas jogavam adiantados. 


O Palmeiras foi, pela primeira vez sob Felipão, de 3/5/2; Deola fez uma grande partida no gol, Maurício Ramos era zagueiro pela direita, Danilo pela esquerda e Edinho sobrava; no meio, Pierre, pela esquerda, e Márcio Araújo, pela direita, marcavam, enquanto Armero, pela esquerda, e Vítor, pela direita, eram os alas - Lincoln era o meia-armador; na frente Ewerthon e Kléber também jogavam abertos e, a exemplo do rival, o alviverde também não tinha referência no ataque - só que aqui por falta de opção de Felipão mesmo, que conta apenas com o jovem Tadeu de centroavante.


O Corinthians começou absurdamente melhor e os primeiros 15 minutos foram alvinegros. O time marcava sob pressão e o Palmeiras nem contra-atacar conseguia. O abafa acontecia principalmente pelas alas. Mas o Palmeiras começou a ganhar campo, pouco a pouco e mudou o jogo, mas quando isso aconteceu, o Corinthians contra-atacou, pegou a defesa verde desarrumada e Jorge Henrique, em ligeiro impedimento, fez o gol. O Palmeiras não se abateu e continuou crescendo. O verde passou a abafar. Danilo cruzou, Kléber cabeceou, Júlio defendeu, mas deu rebote para Edinho finalizar: 1x1. O Palmeiras terminou o primeiro tempo jogando melhor.


No segundo tempo, as equipes voltaram iguais e o Palmeiras seguia dominando. Mas faltava ataque, faltava um matador. O Corinthians não se encontrava. Felipão tirou Lincoln - que embora errasse bastante era a referência na armação e nas bolas paradas - para colocar Tinga  - para dar mais velocidade -, mas o time perdeu inteligência no meio. Adílson mudou, tirando Bruno César - esmagado por Pierre - para colocar Defederico  e o Corinthians melhorou. Dos 35 minutos do segundo tempo em diante, era o Corinthians que atacava e o Palmeiras que contra-atacava. Mas as defesas levaram a melhor. Elas por elas, o jogo foi parelho, apesar do Palmeiras ter tido mais volume.


Sem dúvida, o alviverde com três zagueiros e a volta de Danilo teve uma melhora muito grande na defesa, mas Marcos Assunção merecia ter jogado no lugar de Márcio Araújo. Pierre melhorou fisicamente e fez um grande jogo, Vítor foi bem, mas Armero continua sem saber apoiar. Na frente, Ewerthon erra demais e falta um centroavante de origem. No Corinthians, que briga com o Fluminense, também falta a figura de um legítimo nove, com Ronaldo sempre sem condições e Souza em eterna má fase. As laterais também atrapalham. Ainda assim, o jogo foi bom e o Campeonato segue numa média superior a de anos anteriores, apesar das equipes oscilarem bastante.



sábado, 24 de julho de 2010

Mano Menezes na Seleção

( Foto retirada do lancenet)


Depois do pastelão envolvendo Muricy Ramalho no dia de ontem, Mano Menezes é o novo técnico da Seleção Brasileira. Sinceramente, eu não entendi nada. As informações apontavam, ao longo da semana passada - e, especialmente, na quinta -, que Mano seria confirmado ontem no cargo - e não Muricy que era apenas um nome distante. As pistas quanto a isso eram boas, falo aqui tanto do fato da diretoria do Corinthians sinalizar que não criaria problemas para que Mano assumisse a Seleção quanto da admiração que Felipão nutre por Mano - dando a entender nas entrevistas que ele era seu favorito - passando ainda, sobretudo, pelo bom momento profissional que vive o treinador.


Mano era a escolha lógica. Dentre os treinadores que surgiram nos últimos cinco anos na grande cena do futebol brasileiro, ele era o mais promissor. Nesse período, enquanto Muricy alcançava o teto de sua carreira, Luxemburgo decaia visivelmente e Felipão seguia fora do país - fazendo um excepcional trabalho na Seleção de Portugal e depois fracassando nas suas aventuras clubísticas -, ele vinha numa ascendente, pegando clubes difíceis de se trabalhar em situações horríveis: O Grêmio,  rebaixado e esmagado em 2004, que ele levou para a Série A em 2005 e a uma final de Libertadores em 2007, e o Corinthians, na mesma situação, o qual ele levou também de volta à Série A - sendo campeão da Segundona em 2008 -, além de ter vencido a Copa do Brasil e o Paulistão de 2009.


Uma das suas principais características, para além de ser um soberbo estrategista, é sua capacidade de gerenciar elencos, administrando crises e apagando incêndios como poucos - sem perder as rédeas do grupo. Essa virtude é uma das características marcantes da escola gaúcha de treinadores - e talvez por isso ela seja a melhor do país -, mas ela só se exacerba em seus melhores. E Mano é o melhor treinador dessa escola desde Felipão, superior a Tite e a Dunga.


Aliás, falando no atual técnico palmeirense, suas declarações públicas, meio que como quem não quer dizer nada, apontavam para uma certa simpatia por Mano. A coincidência disso com a escolha demonstra sua relação de amor e ódio com à atual direção da CBF: Se por um lado, ele só treinou a Seleção em condições bastante específicas, largando-a depois da conquista do Penta pela impossibilidade de continuar seu trabalho em termos razoáveis, por outro lado, Ricardo Teixeira sempre se agradou de seu estilo de treinamento e sua capacidade, ainda que entre ter um técnico digno e manter a contestável dinâmica de gestão Seleção Brasileira, sempre opte pela segunda hipótese - uma contradição que só não é indissolúvel pela qualidade do futebol nacional, uma benção que nesse aspecto torna-se praga. 


Claro, ainda assim, Teixeira nunca deixou de sonhar de ter um Felipão "domesticado", mas talvez estivesse disposto a aceitar o treinador fazendo concessões grandes porque o problema que se avizinha agora não é dos menores: O Brasil não pode perder a próxima Copa porque aí o esquema de Teixeira estará ameaçado. Mesmo com a recusa, a palavra de Felipão em favor de Mano e a semelhança de seus estilos pesou na escolha.


Outro aspecto não menos interessante é Corinthians: Por suma série de singularidades do clube, trata-se da equipe historicamente mais difícil de se treinar e jogar em São Paulo, quem se destaca especialmente em seu comando técnico é porque tem talento - e Parreira, por mais erros que tenha cometido na carreira, foi um dos poucos que conseguiu isso, saindo de uma campanha vitoriosa no Corinthians na temporada 2002 para a Seleção. Sim, este humilde - e palestrino, sobretudo palestrino - blogueiro que vos escrevinha, considera que ir bem no Corinthians é um ótima credencial para treinar a Seleção porque o grau destrutivo das habituais crises no time da marginal é a coisa mais parecida, em termos clubísticos, com as crises que às vezes se abatem no escrete canarinho.


Reitero e sustento: Foi a melhor escolha, ainda que de uma forma atabalhoada.


P.S.: Sobre o caso Muricy, ele deveria ter se certificado dos seus termos contratuais antes de sentar à mesa com Ricardo Teixeira para negociar algo que não tinha certeza se podia fazer ou não. Sim, ele errou e perdeu mais pontos na minha consideração. Claro, o erro maior, para variar, foi de Ricardo Teixeira, ao negociar publicamente com um treinador que não poderia, por contrato, assumir a Seleção. Todo esse desgaste poderia não ter acontecido se as três partes, CBF, Muricy e Fluminense, tivessem conversado em particular de forma franca antes de mais nada. Mas isso, claro, é pedir demais.

sábado, 3 de julho de 2010

O Pós-Dunga: Felipão



O Ciclo de Dunga a frente da Seleção Brasileira, como já era sabido, terminou. Com ou sem o hexa, o treinador da seleção já havia adiantado que sua participação na Seleção Brasileira se encerraria nessa Copa. E ele termina com um senhor aproveitamento de 76,66% dos pontos a frente da Seleção principal, dois títulos e a sexta colocação na Copa do Mundo da África do Sul. Agora, a CBF tem uma missão dura pela frente: Trazer um técnico capaz de tocar o insano trabalho da próxima Copa, em relação a qual, por coincidência, seremos o país-sede - e se em uma situação típica as expectativas em torno da Seleção já são absurdas, imagine só daqui a quatro anos...

As especulações, claro, passaram imediatamente a girar em torno do nome de Luís Felipe Scolari, seguramente o melhor treinador brasileiro em exercício e comandante brasileiro do Penta. Agora há pouco, Felipão, que está de retorno ao Brasil para treinar o Palmeiras, declarou que está focado no time paulista e que, pelo menos até 2012, não pensa na Seleção Brasileira. A decisão é óbvia. Primeiro, Felipão jamais descumpriria sua palavra com a direção do Palmeiras, isso nunca foi do seu feitio. Segundo, dividir-se enquanto técnico da Seleção e, ao mesmo tempo, de um clube seria uma tarefa esquizofrênica e insuportável - a experiência de Vanderlei Luxemburgo, em 1999, no Corinthians e na Seleção nos prova disso bem.

Outro aspecto da negativa é que Felipão pensará bem em aceitar o convite da Seleção. O treinador tem uma experiência no mínimo radical com o time nacional: Quando o assumiu, no distante ano de 2001, a equipe vivia a fase mais negra de sua história, arriscado a não conseguir, sequer, a vaga para a Copa da Ásia. Nada funcionava, a ferida causada pela derrota na final de 98 ainda estava aberta, o trauma pelas desditas nos dois anos anteriores estava bloqueando qualquer iniciativa, o modelo de gestão da CBF - disfuncional até na bonança - colapsava diante do impasse - e o futebol do país, ainda por cima, vivia um período de entre-safra.

A pressão que pesa sob a cabeça do treinador do escrete canarinho estava potencializada e as derrotas no início tornaram a situação insustentável. A imprensa esportiva nativa, limítrofe e presunçosa como só ela, já acendia suas tochas numa tentativa prévia de racionalização de um fracasso - que sequer havia acontecido -, escolhendo a via da caça aos bodes-expiatórios - no caso, de um grande e único bode-expiatório: Felipão, que, ainda por cima, tomou duas decisões racionais que serviram para botar mais lenha na fogueira ao colocar o time para jogar no 3/5/2 - tendo em vista a inexperiência dos zagueiros do time e a aptidão dos laterais para apoiar e criar jogadas - e não convocar Romário, ídolo e responsável pelo Tetra que vivia uma crise aguda-extrema de marra, que o tornava fator de desestabilização.

Como apanhou Felipão.O que Dunga passou não foi nada perto daquilo. Pelo menos uma coisa ele teve de vantagem: A crise era tamanha na seleção que sua autonomia como treinador foi uma das maiores desde que o Regime Militar tirar João Saldanha do comando do time nacional nos idos dos anos 70. Suas apostas deram rigorosamente certo. O único erro, a marcação do meio-de-campo, foi acertado durante a própria Copa com a troca de Juninho Paulista por Kléberson. Ganhamos a Copa. Felipão não continuou. Seu último jogo, aliás, foi um amistoso que perdemos para o Paraguai. As exigências da CBF e o modo como o trabalho deveria continuar dali em diante não lhe pareciam incentivos para continuar. Foi o que aconteceu e para seu lugar veio Carlos Alberto Parreira, homem de confiança do poder.

Felipão conhece muito bem os interesses que gravitam em torno do time nacional e de como tudo que ele construiu pode ir por água abaixo facilmente. Sua volta é possível no prazo em que ele estipulou, mas apenas numa situação minimamente digna, o que eu tenho minhas dúvidas se essa CBF será capaz de - ou estará disposta a - produzir.

domingo, 13 de junho de 2010

A Volta de Felipão



(O comandante retorna - foto retirada daqui)

Deixei para escrever qualquer coisa sobre o Palmeiras aqui depois do desfecho das negociações para trazer de volta
Felipão - por um motivo bastante simples, até ali tudo seria mera conjectura, pois se a contratação se concretizasse, mudaria tudo mesmo: Luís Felipe Scolari, seguramente o melhor técnico de futebol dos últimos dez anos, era a única figura com capacidade e peso político suficientes para reverter a sorte triste do Palmeiras na temporada 2010. Como eu digo e repito por aqui, o problema do Palmeiras é mais embaixo, trata-se de uma crise no clube mesmo, o que se reflete de várias formas ao longo do tempo - em coisas como, p.ex., a parceria com a Traffic é esquizofrênica. Não que isso vá salvar, por si só, o destino do Palmeiras como clube, mas é um fato com força suficiente para alterar o quadro atual.

Hoje, com a confirmação do treinador e o anúncio de um contrato de dois anos e meio podemos pensar mais para a frente. Isso se junta com a euforia causada pelo retorno de Kléber, mais um que nunca deveria ter saído do time  - mas saiu porque alguém preferiu apostar na contratação de Keirrison em 2009 - e traz personalidade a um elenco que salvo honrosas exceções como Marcos, perde jogos muito mais por sua falta de vibração - um eufemismo para ausência mórbida de sinais vitais - do que que por falta de qualidade técnica - uma constante desde a formação de sua base há um ano e meio.

Objetivamente, o Palmeiras tem um baita goleiro, a zaga voltou a jogar bem - porque tem qualidade, sempre lhe faltou vibração mesmo -, o time tem bons laterais pela direita - Vítor e Figueroa - talvez precise de reforços pela esquerda - ainda que eu acredite muito no Gabriel Silva -, tem bons volantes, precisa de um bom meia-atacante - mas tem bons distribuidores de jogo como Cleiton Xavier e Lincoln - e agora com Kléber fica na espera de trazer algum bom centro-avante. Depois desse pré-Copa onde, tirando Corinthians e Fluminense que entraram na disputa - e o Ceará que soube marcar seus pontinhos  -, as outras equipes bateram cabeça apenas. Com o recomeço de tudo em Julho, o Palmeiras parece ter largado na frente.

segunda-feira, 9 de fevereiro de 2009

A demissão de Felipão

É um acontecimento que salta aos olhos: Felipão foi demitido do Chelsea. Desde os tempos de Criciúma, ele vinha tendo uma carreira firmemente ascendente, com as exitosas passagens por Grêmio, Palmeiras, Cruzeiro, Brasil e Portugal - essa última sem títulos, mas com resultados impressionantes para aquele país tanto nas Euros de 04 e 08 quanto na Copa de 06.

Encerrado o seu longo trabalho em terras lusas, Felipão migrou para o futebol inglês que já o assediava há tempos, indo, justamente, para um dos clubes com as maiores receitas daquele país, o Chelsea do bilionário russo Roman Abramovich. Na minha visão das coisas, esse foi o grande erro de Felipão; Abramovich, oligarca russo, construiu sua fortuna assim como seus pares: Através de golpes de toda a sorte e natureza e comprou esse clube como se fosse uma criança mimada comprando seu brinquedinho.

O comportamento de criança birrenta próprio de Abramovich se materializou em ingerências e mais ingerências dele no Chelsea - para aqueles que defendem a história do clube-empresa, esse é um belo exemplo de como o céu não é tão perto -, sempre com a cabeça de técnicos rolando ao menor sinal de nuvens negras no horizonte.

Felipão entrou nesse barco e isso, por si só, já foi seu grande erro - talvez seu primeiro grande erro em muitos anos. Não foi um erro muito diferente do de Luxemburgo no Real Madrid, onde o atual técnico palmeirense entrou num projeto que tinha mais a ver com venda de camisas e marketing do que com futebol e se deu mal; Felipão, por sua vez, foi parar num projeto que tinha mais a ver com as vontades e caprichos de um megalomaníaco do que com futebol, entrando pelo ralo também.

Luxemburgo, depois de seu fracasso na Europa voltou para o Brasil, onde teve de tirar leite de pedra no Santos e depois pegou o Palmeiras turbinado financeiramente pela parceira Traffic. Venceu três vezes o Campeonato Paulista desde então, mas não venceu mais o Brasileirão, apesar de ter conseguido classificar seus times para a Libertadores.

Em relação a Felipão, resta saber o que ele fará, mas fica a lição de que nem todo projeto da elite clubística européia é um bom projeto - mesmo que isso envolva muita grana - e que talvez valesse a pena voltar ao Brasil onde é rei - quem sabe pra quebrar o jejum de títulos que já dura seis anos e meio. Sobre o Chelsea, pairam dúvidas sobre o futuro, na medida que a fortuna do senhor Abramovich parece estar encolhendo com a crise econômica mundial.