Não me recordo de um trabalho de Felipão no qual ele tenha feito um time seu brilhar quase que instantaneamente. No Palmeiras, ele montou o time aos poucos durante 97 - conseguindo um vice brasileiro que foi ótimo pelas contingências - e depois começou a enfileirar títulos a partir de 98. Na Seleção Brasileira, ele passou 2001 inteiro plantando as sementes que deram no Penta um ano mais tarde. Em Portugal, creio que aconteceu o mesmo. No Palmeiras de 2010, que ele assumiu em crise, não é nem será diferente. Além do mais, aqui também pesa sua readaptação ao futebol nacional - sem contar, ainda, com alguns importantes reforços.
Ontem, no jogo contra o Goiás, ele empatou seu quarto jogo consecutivo e permaneceu sem vitórias - afinal, estreou com derrota para o Avaí em Santa Catarina. De lá pra cá, a derrota para o Avaí - depois de uma boa vitória no clássico contra o Santos com Murtosa na área técnica enquanto ele assistia do camarote - foi uma expressão de um pouca de falta de cautela em um jogo no qual qualquer uma das equipes poderia vencer. Contra Ceará e Botafogo foram dois empates-empates mesmo - os times foram rigorosamente iguais e outro placar não seria justo. Contra Corinthians e Goiás, ele empatou quando merecia vencer.
Honestamente, ontem, atpe pela fragilidade do Goiás, senti que foi o pior jogo do Palmeiras sob Felipão - e creio que ele poderia ter armado o time de um modo diferente. Nenhuma tempestade em copo d´água, mas que ele errou, sim ele errou. Insistir num 4/3-1/2 com Edinho e Márcio Araújo como volantes mais avançados é um erro quando se tem Marcos Assunção - que não entendi porque virou reserva - e Tinga. Fazer mexidas estranhas como aquela em que ele sacou Vítor da lateral-direita para colocar Marcos Assunção no meio - passando o Márcio Araújo para a lateral - também não é nada bom - tirar Kléber ainda aos 32, idem.
Gostei de Luan que estreou ontem - ainda que eu tivesse tirado Patrik e não Ewerthon para sua entrada. Creio sim que com Valdivia e Rivaldo no meio a equipe tem tudo para evoluir - assim como com Pierre ganhando forma física o meio ganhará mais ainda. Fabrício me parece um incógnita na zaga. Gabriel Silva poderia e já deveria estar sendo lapidado para assumir a titularidade na lateral-esquerda - frente a um Armero em má fase e, mesmo quando joga, sempre se restringe por demais à defesa. Felipão tem tudo para se recuperar, é só manter a calma.
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segunda-feira, 9 de agosto de 2010
domingo, 1 de agosto de 2010
Brasileirão 2010: Palmeiras 1x1 Corinthians
(globoesporte)
No primeiro clássico de Felipão no comando do Palmeiras, o técnico do Penta ainda não conseguiu sua primeira vitória, empatando a terceira consecutiva. Adílson Batista estreou nessa fogueira pelo Corinthians e perdeu a liderança, mas alguns problemas da equipe vieram à tona; o novo treinador alvinegro terá mais trabalho do que se imagina, enquanto o Fluminense de Muricy - e sua quase ida para a Seleção - é, ao meu ver, um surpreendente líder que vai se reforçando e se ninguém reagir a tempo, poderá daqui a pouco só estar administrando uma boa vantagem.
O jogo, sim, foi bom. O Corinthians entrou com Júlio César no gol - que não é nenhuma virtuose, mas está firme -, Alessandro e Castan bem pelas laterais e Chicão e William - que vacilaram mais do que o normal - com Ralf fazendo quase a sobra; Jucilei e Elias ficavam na marcação e armação, Bruno César jogava flutuando no meio e Iarley e Jorge Henrique jogavam abertos no ataque, abrindo para quem vinha de trás. - era um 4/3-1/2 que oscilava para 3/5/2, na medida que os alas jogavam adiantados.
O Palmeiras foi, pela primeira vez sob Felipão, de 3/5/2; Deola fez uma grande partida no gol, Maurício Ramos era zagueiro pela direita, Danilo pela esquerda e Edinho sobrava; no meio, Pierre, pela esquerda, e Márcio Araújo, pela direita, marcavam, enquanto Armero, pela esquerda, e Vítor, pela direita, eram os alas - Lincoln era o meia-armador; na frente Ewerthon e Kléber também jogavam abertos e, a exemplo do rival, o alviverde também não tinha referência no ataque - só que aqui por falta de opção de Felipão mesmo, que conta apenas com o jovem Tadeu de centroavante.
O Corinthians começou absurdamente melhor e os primeiros 15 minutos foram alvinegros. O time marcava sob pressão e o Palmeiras nem contra-atacar conseguia. O abafa acontecia principalmente pelas alas. Mas o Palmeiras começou a ganhar campo, pouco a pouco e mudou o jogo, mas quando isso aconteceu, o Corinthians contra-atacou, pegou a defesa verde desarrumada e Jorge Henrique, em ligeiro impedimento, fez o gol. O Palmeiras não se abateu e continuou crescendo. O verde passou a abafar. Danilo cruzou, Kléber cabeceou, Júlio defendeu, mas deu rebote para Edinho finalizar: 1x1. O Palmeiras terminou o primeiro tempo jogando melhor.
No segundo tempo, as equipes voltaram iguais e o Palmeiras seguia dominando. Mas faltava ataque, faltava um matador. O Corinthians não se encontrava. Felipão tirou Lincoln - que embora errasse bastante era a referência na armação e nas bolas paradas - para colocar Tinga - para dar mais velocidade -, mas o time perdeu inteligência no meio. Adílson mudou, tirando Bruno César - esmagado por Pierre - para colocar Defederico e o Corinthians melhorou. Dos 35 minutos do segundo tempo em diante, era o Corinthians que atacava e o Palmeiras que contra-atacava. Mas as defesas levaram a melhor. Elas por elas, o jogo foi parelho, apesar do Palmeiras ter tido mais volume.
Sem dúvida, o alviverde com três zagueiros e a volta de Danilo teve uma melhora muito grande na defesa, mas Marcos Assunção merecia ter jogado no lugar de Márcio Araújo. Pierre melhorou fisicamente e fez um grande jogo, Vítor foi bem, mas Armero continua sem saber apoiar. Na frente, Ewerthon erra demais e falta um centroavante de origem. No Corinthians, que briga com o Fluminense, também falta a figura de um legítimo nove, com Ronaldo sempre sem condições e Souza em eterna má fase. As laterais também atrapalham. Ainda assim, o jogo foi bom e o Campeonato segue numa média superior a de anos anteriores, apesar das equipes oscilarem bastante.
sábado, 24 de julho de 2010
Mano Menezes na Seleção
Depois do pastelão envolvendo Muricy Ramalho no dia de ontem, Mano Menezes é o novo técnico da Seleção Brasileira. Sinceramente, eu não entendi nada. As informações apontavam, ao longo da semana passada - e, especialmente, na quinta -, que Mano seria confirmado ontem no cargo - e não Muricy que era apenas um nome distante. As pistas quanto a isso eram boas, falo aqui tanto do fato da diretoria do Corinthians sinalizar que não criaria problemas para que Mano assumisse a Seleção quanto da admiração que Felipão nutre por Mano - dando a entender nas entrevistas que ele era seu favorito - passando ainda, sobretudo, pelo bom momento profissional que vive o treinador.
Mano era a escolha lógica. Dentre os treinadores que surgiram nos últimos cinco anos na grande cena do futebol brasileiro, ele era o mais promissor. Nesse período, enquanto Muricy alcançava o teto de sua carreira, Luxemburgo decaia visivelmente e Felipão seguia fora do país - fazendo um excepcional trabalho na Seleção de Portugal e depois fracassando nas suas aventuras clubísticas -, ele vinha numa ascendente, pegando clubes difíceis de se trabalhar em situações horríveis: O Grêmio, rebaixado e esmagado em 2004, que ele levou para a Série A em 2005 e a uma final de Libertadores em 2007, e o Corinthians, na mesma situação, o qual ele levou também de volta à Série A - sendo campeão da Segundona em 2008 -, além de ter vencido a Copa do Brasil e o Paulistão de 2009.
Uma das suas principais características, para além de ser um soberbo estrategista, é sua capacidade de gerenciar elencos, administrando crises e apagando incêndios como poucos - sem perder as rédeas do grupo. Essa virtude é uma das características marcantes da escola gaúcha de treinadores - e talvez por isso ela seja a melhor do país -, mas ela só se exacerba em seus melhores. E Mano é o melhor treinador dessa escola desde Felipão, superior a Tite e a Dunga.
Aliás, falando no atual técnico palmeirense, suas declarações públicas, meio que como quem não quer dizer nada, apontavam para uma certa simpatia por Mano. A coincidência disso com a escolha demonstra sua relação de amor e ódio com à atual direção da CBF: Se por um lado, ele só treinou a Seleção em condições bastante específicas, largando-a depois da conquista do Penta pela impossibilidade de continuar seu trabalho em termos razoáveis, por outro lado, Ricardo Teixeira sempre se agradou de seu estilo de treinamento e sua capacidade, ainda que entre ter um técnico digno e manter a contestável dinâmica de gestão Seleção Brasileira, sempre opte pela segunda hipótese - uma contradição que só não é indissolúvel pela qualidade do futebol nacional, uma benção que nesse aspecto torna-se praga.
Claro, ainda assim, Teixeira nunca deixou de sonhar de ter um Felipão "domesticado", mas talvez estivesse disposto a aceitar o treinador fazendo concessões grandes porque o problema que se avizinha agora não é dos menores: O Brasil não pode perder a próxima Copa porque aí o esquema de Teixeira estará ameaçado. Mesmo com a recusa, a palavra de Felipão em favor de Mano e a semelhança de seus estilos pesou na escolha.
Outro aspecto não menos interessante é Corinthians: Por suma série de singularidades do clube, trata-se da equipe historicamente mais difícil de se treinar e jogar em São Paulo, quem se destaca especialmente em seu comando técnico é porque tem talento - e Parreira, por mais erros que tenha cometido na carreira, foi um dos poucos que conseguiu isso, saindo de uma campanha vitoriosa no Corinthians na temporada 2002 para a Seleção. Sim, este humilde - e palestrino, sobretudo palestrino - blogueiro que vos escrevinha, considera que ir bem no Corinthians é um ótima credencial para treinar a Seleção porque o grau destrutivo das habituais crises no time da marginal é a coisa mais parecida, em termos clubísticos, com as crises que às vezes se abatem no escrete canarinho.
Reitero e sustento: Foi a melhor escolha, ainda que de uma forma atabalhoada.
P.S.: Sobre o caso Muricy, ele deveria ter se certificado dos seus termos contratuais antes de sentar à mesa com Ricardo Teixeira para negociar algo que não tinha certeza se podia fazer ou não. Sim, ele errou e perdeu mais pontos na minha consideração. Claro, o erro maior, para variar, foi de Ricardo Teixeira, ao negociar publicamente com um treinador que não poderia, por contrato, assumir a Seleção. Todo esse desgaste poderia não ter acontecido se as três partes, CBF, Muricy e Fluminense, tivessem conversado em particular de forma franca antes de mais nada. Mas isso, claro, é pedir demais.
sábado, 3 de julho de 2010
O Pós-Dunga: Felipão
As especulações, claro, passaram imediatamente a girar em torno do nome de Luís Felipe Scolari, seguramente o melhor treinador brasileiro em exercício e comandante brasileiro do Penta. Agora há pouco, Felipão, que está de retorno ao Brasil para treinar o Palmeiras, declarou que está focado no time paulista e que, pelo menos até 2012, não pensa na Seleção Brasileira. A decisão é óbvia. Primeiro, Felipão jamais descumpriria sua palavra com a direção do Palmeiras, isso nunca foi do seu feitio. Segundo, dividir-se enquanto técnico da Seleção e, ao mesmo tempo, de um clube seria uma tarefa esquizofrênica e insuportável - a experiência de Vanderlei Luxemburgo, em 1999, no Corinthians e na Seleção nos prova disso bem.
Outro aspecto da negativa é que Felipão pensará bem em aceitar o convite da Seleção. O treinador tem uma experiência no mínimo radical com o time nacional: Quando o assumiu, no distante ano de 2001, a equipe vivia a fase mais negra de sua história, arriscado a não conseguir, sequer, a vaga para a Copa da Ásia. Nada funcionava, a ferida causada pela derrota na final de 98 ainda estava aberta, o trauma pelas desditas nos dois anos anteriores estava bloqueando qualquer iniciativa, o modelo de gestão da CBF - disfuncional até na bonança - colapsava diante do impasse - e o futebol do país, ainda por cima, vivia um período de entre-safra.
A pressão que pesa sob a cabeça do treinador do escrete canarinho estava potencializada e as derrotas no início tornaram a situação insustentável. A imprensa esportiva nativa, limítrofe e presunçosa como só ela, já acendia suas tochas numa tentativa prévia de racionalização de um fracasso - que sequer havia acontecido -, escolhendo a via da caça aos bodes-expiatórios - no caso, de um grande e único bode-expiatório: Felipão, que, ainda por cima, tomou duas decisões racionais que serviram para botar mais lenha na fogueira ao colocar o time para jogar no 3/5/2 - tendo em vista a inexperiência dos zagueiros do time e a aptidão dos laterais para apoiar e criar jogadas - e não convocar Romário, ídolo e responsável pelo Tetra que vivia uma crise aguda-extrema de marra, que o tornava fator de desestabilização.
Como apanhou Felipão.O que Dunga passou não foi nada perto daquilo. Pelo menos uma coisa ele teve de vantagem: A crise era tamanha na seleção que sua autonomia como treinador foi uma das maiores desde que o Regime Militar tirar João Saldanha do comando do time nacional nos idos dos anos 70. Suas apostas deram rigorosamente certo. O único erro, a marcação do meio-de-campo, foi acertado durante a própria Copa com a troca de Juninho Paulista por Kléberson. Ganhamos a Copa. Felipão não continuou. Seu último jogo, aliás, foi um amistoso que perdemos para o Paraguai. As exigências da CBF e o modo como o trabalho deveria continuar dali em diante não lhe pareciam incentivos para continuar. Foi o que aconteceu e para seu lugar veio Carlos Alberto Parreira, homem de confiança do poder.
Felipão conhece muito bem os interesses que gravitam em torno do time nacional e de como tudo que ele construiu pode ir por água abaixo facilmente. Sua volta é possível no prazo em que ele estipulou, mas apenas numa situação minimamente digna, o que eu tenho minhas dúvidas se essa CBF será capaz de - ou estará disposta a - produzir.
domingo, 13 de junho de 2010
A Volta de Felipão
(O comandante retorna - foto retirada daqui)
Hoje, com a confirmação do treinador e o anúncio de um contrato de dois anos e meio podemos pensar mais para a frente. Isso se junta com a euforia causada pelo retorno de Kléber, mais um que nunca deveria ter saído do time - mas saiu porque alguém preferiu apostar na contratação de Keirrison em 2009 - e traz personalidade a um elenco que salvo honrosas exceções como Marcos, perde jogos muito mais por sua falta de vibração - um eufemismo para ausência mórbida de sinais vitais - do que que por falta de qualidade técnica - uma constante desde a formação de sua base há um ano e meio.
Objetivamente, o Palmeiras tem um baita goleiro, a zaga voltou a jogar bem - porque tem qualidade, sempre lhe faltou vibração mesmo -, o time tem bons laterais pela direita - Vítor e Figueroa - talvez precise de reforços pela esquerda - ainda que eu acredite muito no Gabriel Silva -, tem bons volantes, precisa de um bom meia-atacante - mas tem bons distribuidores de jogo como Cleiton Xavier e Lincoln - e agora com Kléber fica na espera de trazer algum bom centro-avante. Depois desse pré-Copa onde, tirando Corinthians e Fluminense que entraram na disputa - e o Ceará que soube marcar seus pontinhos -, as outras equipes bateram cabeça apenas. Com o recomeço de tudo em Julho, o Palmeiras parece ter largado na frente.
segunda-feira, 9 de fevereiro de 2009
A demissão de Felipão
É um acontecimento que salta aos olhos: Felipão foi demitido do Chelsea. Desde os tempos de Criciúma, ele vinha tendo uma carreira firmemente ascendente, com as exitosas passagens por Grêmio, Palmeiras, Cruzeiro, Brasil e Portugal - essa última sem títulos, mas com resultados impressionantes para aquele país tanto nas Euros de 04 e 08 quanto na Copa de 06.
Encerrado o seu longo trabalho em terras lusas, Felipão migrou para o futebol inglês que já o assediava há tempos, indo, justamente, para um dos clubes com as maiores receitas daquele país, o Chelsea do bilionário russo Roman Abramovich. Na minha visão das coisas, esse foi o grande erro de Felipão; Abramovich, oligarca russo, construiu sua fortuna assim como seus pares: Através de golpes de toda a sorte e natureza e comprou esse clube como se fosse uma criança mimada comprando seu brinquedinho.
O comportamento de criança birrenta próprio de Abramovich se materializou em ingerências e mais ingerências dele no Chelsea - para aqueles que defendem a história do clube-empresa, esse é um belo exemplo de como o céu não é tão perto -, sempre com a cabeça de técnicos rolando ao menor sinal de nuvens negras no horizonte.
Felipão entrou nesse barco e isso, por si só, já foi seu grande erro - talvez seu primeiro grande erro em muitos anos. Não foi um erro muito diferente do de Luxemburgo no Real Madrid, onde o atual técnico palmeirense entrou num projeto que tinha mais a ver com venda de camisas e marketing do que com futebol e se deu mal; Felipão, por sua vez, foi parar num projeto que tinha mais a ver com as vontades e caprichos de um megalomaníaco do que com futebol, entrando pelo ralo também.
Luxemburgo, depois de seu fracasso na Europa voltou para o Brasil, onde teve de tirar leite de pedra no Santos e depois pegou o Palmeiras turbinado financeiramente pela parceira Traffic. Venceu três vezes o Campeonato Paulista desde então, mas não venceu mais o Brasileirão, apesar de ter conseguido classificar seus times para a Libertadores.
Em relação a Felipão, resta saber o que ele fará, mas fica a lição de que nem todo projeto da elite clubística européia é um bom projeto - mesmo que isso envolva muita grana - e que talvez valesse a pena voltar ao Brasil onde é rei - quem sabe pra quebrar o jejum de títulos que já dura seis anos e meio. Sobre o Chelsea, pairam dúvidas sobre o futuro, na medida que a fortuna do senhor Abramovich parece estar encolhendo com a crise econômica mundial.
Encerrado o seu longo trabalho em terras lusas, Felipão migrou para o futebol inglês que já o assediava há tempos, indo, justamente, para um dos clubes com as maiores receitas daquele país, o Chelsea do bilionário russo Roman Abramovich. Na minha visão das coisas, esse foi o grande erro de Felipão; Abramovich, oligarca russo, construiu sua fortuna assim como seus pares: Através de golpes de toda a sorte e natureza e comprou esse clube como se fosse uma criança mimada comprando seu brinquedinho.
O comportamento de criança birrenta próprio de Abramovich se materializou em ingerências e mais ingerências dele no Chelsea - para aqueles que defendem a história do clube-empresa, esse é um belo exemplo de como o céu não é tão perto -, sempre com a cabeça de técnicos rolando ao menor sinal de nuvens negras no horizonte.
Felipão entrou nesse barco e isso, por si só, já foi seu grande erro - talvez seu primeiro grande erro em muitos anos. Não foi um erro muito diferente do de Luxemburgo no Real Madrid, onde o atual técnico palmeirense entrou num projeto que tinha mais a ver com venda de camisas e marketing do que com futebol e se deu mal; Felipão, por sua vez, foi parar num projeto que tinha mais a ver com as vontades e caprichos de um megalomaníaco do que com futebol, entrando pelo ralo também.
Luxemburgo, depois de seu fracasso na Europa voltou para o Brasil, onde teve de tirar leite de pedra no Santos e depois pegou o Palmeiras turbinado financeiramente pela parceira Traffic. Venceu três vezes o Campeonato Paulista desde então, mas não venceu mais o Brasileirão, apesar de ter conseguido classificar seus times para a Libertadores.
Em relação a Felipão, resta saber o que ele fará, mas fica a lição de que nem todo projeto da elite clubística européia é um bom projeto - mesmo que isso envolva muita grana - e que talvez valesse a pena voltar ao Brasil onde é rei - quem sabe pra quebrar o jejum de títulos que já dura seis anos e meio. Sobre o Chelsea, pairam dúvidas sobre o futuro, na medida que a fortuna do senhor Abramovich parece estar encolhendo com a crise econômica mundial.
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