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segunda-feira, 17 de janeiro de 2011

A Internet e o Vigilantismo

retirado daqui
Uma sombra nada amigável ronda a Internet brasileira. Hoje, lendo um post no blog do Tsavkko, vi como andava uma situação absurda, cujas notícias já ouvia há alguns dias, mas ainda não tinha parado para entender atentamente: Quem usa os serviços de Internet da Telefonica no Brasil não pode acessar sites como o Diário Liberdade* e sites pró-independência do País Basco; por outro lado, o CMI está sendo bloqueado por quem usa internet móvel pela Claro e pela TIM. Isso é gravíssimo. Dentro de um cenário no qual nos vemos rondados pelo horrendo projeto de lei de controle da Internet do Senador Azeredo (PSDB-MG) - o chamado AI-5 digital - e blogueiros de esquerda como Eduardo Guimarães defendem leituras desapaixonadas do libelo autoritário, é assustador ainda  acontecerem casos de bloqueio a sites por parte de empresas privadas, ora concessionárias de um serviço público. Se o controle e o vigilantismo estatal são um verdadeiro risco à liberdade, um cenário onde empresas que mexem com os negócios de Internet bloqueiam, por conta própria, o acesso a certos sites é absurdo porque somos pegos de surpresa. Isso é revelador, aliás, de como se estruturam os mecanismos de controle na sociedade contemporânea, certamente não falamos de uma anomalia decorrente de regimes tirânicos - e bárbaros no imaginário corrente -, mas de práticas comuns àquilo que de melhor há na civilização e que vão para muito além do Estado. Evidentemente, quando se trata do Estado democrático que está pautando isso - por meio de um de seus representantes -, surge inevitavelmente algum debate - ainda que cheio de armadilhas e cortinas de fumaça, mas ele acontece -, afinal, dentro da democracia representativa é preciso dar legitimidade e um ar de racionalidade ao projeto - para que a plateia queira aquilo que os representantes querem -, o que abre flancos para combatê-lo - dentro de um confronto desigual, mas ainda possível. Aqui, entretanto, a conversa é outra. Uma empresa vai lá discricionariamente e elimina o que quer, não há previsibilidade, acontece e é preciso correr atrás do dano. E são sites em relação aos quais se pode discordar, mas sequer é possível usar os fantasmas pró-censura habituais contra eles - a pedofilia, o terrorismo. Isso é ilustrativo de como vai se estruturar a luta nos nossos tempos, a Tecnologia - uma ciência que vai para muito além da Robótica ou da Informática e seus produtos - será um área de confronto inevitável. O modo como as recentes tecnologias da informação transformaram a política é impressionante, ao mesmo tempo em que existem mecanismos de vigilância inacreditáveis, as redes sociais são capazes de produzirem uma troca de informações tão intensa e veloz que regimes autoritários se veem vulneráveis como nunca - o discurso nunca foi tão facilmente desconstrutível quanto agora e o controle disso é essencial para o Poder. 

*Hoje, estranhamente, consegui acessar o Diário Liberdade, mas há meses não conseguia.