Na esteira da morte do Doutor Sócrates, seria uma indignidade o Corinthians perder o título brasileiro ontem. Justo o Doutor, que declarou querer morrer num domingo com o seu Corinthians campeão. Mas, verdade seja dita, o alvinegro de Andrés corresponde pouco ao que Sócrates sonhava para um clube - certamente menos do que o Vasco de Dinamite - e, sejamos honestos mais uma vez, o time de Tite corresponde menos ao que ele gostava de ver em campo do que, por exemplo...o Vasco de Ricardo Gomes/Cristóvão. Ainda assim, o Corinthians era o clube que Sócrates desejava, justamente, porque ele via no alvinegro mais do que cartolas, a comissão técnica e o elenco do momento. E o Corinthians mereceu o título. Foi o time mais regular em um campeonato marcado pela irregularidade, suportou a pressão dos cariocas - que, pela primeira vez em anos, fizeram um torneio melhor do que os paulistas no cômputo geral - e cravou seu nome, pela quinta vez no panteão dos campeões brasileiros - segunda, nos pontos corridos. O sistema defensivo corintiano foi fundamental: a começar por Júlio César no gol, a linha de dois laterais defensivos, um bom miolo de zaga e, sobretudo, a excepcional dupla de volantes Paulinho/Ralf. Na frente, faltou criatividade, alguma disposição, talvez condição física, mas deu para o gasto. Tite, com seu estilo gauchesco, tem todos os mérito, goste-se dele ou não: ele tirou o time da draga em que se encontrava desde a saída de Mano Menezes e, ainda, lidou no ínicio com a problemática de Ronaldo, queridíssimo de Ricardo Teixeira, relutante em se aposentar dos gramados no início do ano.
P.S.: O Brasileiro deste ano pode ter sido liderado na maioria das rodadas pelo campeão, mas sua hesitação em vários momentos, o sobe desce da tabela, o tornaram qualquer coisa engraçada. As equipes teimavam em não definir o torneio. Vergonha mesmo fica pela conta do rebaixado moral Atlético-MG - e os 6x1 tomados para o seu maior rival, o Cruzeiro, que lutava, ainda naquela última rodada, contra o rebaixamento -, do Cruzeiro - que mesmo goleando o Galo foi uma tragédia -, Palmeiras e São Paulo - os dois últimos, embora atrapalhados por problemas internos, simplesmente não podiam ter sentado na bola como sentaram no returno.
P.S. 2: O Brasileirão do ano que vem tende a ser mais legal por conta de quem subiu e de quem desceu, mas o torneio, ano a ano, segue menos alentador - cada vez mais carcomido por uma estrutura podre.

