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| Fluminense campeão -- retirada daqui |
Em sua oitava edição no sistema de pontos corridos, o Fluminense sagrou-se campeão ontem na última rodada do torneio. Foi o segundo título brasileiro do time, que só havia vencido em 84, mas que, entretanto, se coaduna com os últimos - e particularmente produtivos - anos do tricolor carioca: Depois do título da Copa do Brasil em 2007, se seguiram vice-campeonatos da Libertadores (08) e da Sul-Americana (09) e, agora essa nova vitória, o que coloca o time das laranjeiras entre os melhores do país nos últimos anos. No papel, com jogadores como Conca, Deco, Fred e Washington e companhia, o Fluminense era mesmo o melhor, muito embora, não tenha conseguido engrenar a ponto de definir logo o título, ao contrário, precisou de todas as rodadas para isso, enquanto se via perseguido pelo Cruzeiro e pelo centenário Corinthians.
O Brasileirão, novamente, teve uma tônica de rali, as rodadas iniciais em um clima de ajustes seja pelas melhores equipes estarem disputando as finais da Libertadores e da Copa do Brasil e início de projetos - o que agravou-se este ano, ainda, pela disputa da Copa do Mundo -, onde quem desviou contornou melhor os buracos e desviou dos abismos se deu bem. E Muricy soube, à sua maneira, fazer seu time aproveitar as rodadas pré-Copa do Mundo e depois administrar o torneio, ajustando a defesa - a melhor do torneio - em um esquema fechado e de certo modo burocrático, deixando os jogadores de frente livres para definir. O centenário Corinthians acabou prejudicado pelas últimas rodadas, nas quais o Fluminense pegou seus rivais Palmeiras e o São Paulo sem mais pretensões de chegar a lugar algum no torneio.
Dos meus favoritos iniciais, Cruzeiro e Grêmio, depois de uma início particularmente preocupante, se recuperaram, mas não deu - no caso do Cruzeiro, diria que faltou força em um dado momento do Segundo Turno, ao Grêmio, sobraram problemas no elenco, só resolvidos com a tardia chegada de Renato Gaúcho ao comando do time. O Santos já classificado pela Copa do Brasil e desmontado ao longo do ano apenas administrou o torneio e o mesmo vale para o Inter, surpreendentemente campeão da Libertadores e classificado para o Mundial. O Atlético-MG viveu o inferno na terra e quase caiu. Dos rebaixados, a surpresa fica por conta do Vitória, vice da Copa do Brasil, que perdeu o prumo. Goiás, Guarani e Grêmio-SP eram candidatos desde o início.
Aliás, outro destaque fica pela queda de dois paulistas para a Séria B, nenhuma ascensão da Séria B para a A e um mal campeonato de Palmeiras e São Paulo somado a uma participação desinteressada do Santos. Os cariocas, além de levarem com o Fluminense, ainda tiveram o Botafogo disputando com dignidade, apesar do mau desempenho de Vasco e Flamengo. A surpresa positiva mesmo ficou pela boa campanha do Atlético-PR que capengou bastante no início do campeonato. E o pontos corridos segue como sistema de disputa. Eu, particularmente, não gosto muito. Claro, detalhes como o calendário atravessado atrapalham, mas não me resta dúvida que o Brasileirão era mais empolgante nos tempos em que era disputado em turno único e play-offs. Agora, o campeonato é letárgico como uma palestra chata.

