Mostrando postagens com marcador Política municipal.. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Política municipal.. Mostrar todas as postagens

sábado, 31 de janeiro de 2009

Representação política nos municípios.

Como nós sabemos, a República Federativa do Brasil é dividida em 26 estados mais um Distrito Federal, no entanto, sua divisão não pára por aí, posto que ela é dividida secundariamente em cerca de 5564 municípios - um número que tende a aumentar, nunca a diminuir, graças ao perene processo de emancipação de vilas, bairros e distritos como, por exemplo, Caetés-PE, município natal de Lula, que na época de seu nascimento era parte de Garanhuns.

Por conta da Constituição de 1988, não resta dúvida que a figura do Município saiu fortalecida, gozando de uma autonomia da qual os próprios estados-membros da Federação se ressentem há décadas - mais precisamente desde o fim da República Velha, sendo que sai Constituição entra Constituição e sua situação permanece praticamente inalterada.

Dentro de todos os municípios brasileiros ocorrem eleições quadrienais simultâneas, tanto para decidir quem será o chefe do executivo quanto para quem vai integrar a câmara de vereadores - o parlamento municipal.

A eleição para prefeito é majoritária em dois turnos - ganha em primeiro turno quem conseguir a metade mais um dos votos válidos, sendo que caso isso não aconteça, os dois primeiros colocados disputam um segundo turno, cujo vencedor torna-se prefeito.

A eleição para vereador obedece o sistema de voto proporcional, sem, no entanto, exististirem listas fechadas. Em suma, quando votamos no candidato X estamos votando em primeiro lugar na legenda dele e em segundo lugar nele próprio, ordenando a lista partidária de fora para dentro (podendo haver também o voto apenas na legenda, que conta, claro, unicamente para o partido).

Se o partido X conseguiu 25% dos votos válidos para uma câmara de 12 cadeiras, terá 3 delas que serão ocupadas justamente pelos seus três candidatos mais bem votados nominalmente, ou seja, os 3 primeiros da lista que foi ordenada de fora para dentro.

Mas é aí que porca torce o rabo: Boa parte do eleitorado desconhece como funciona o sistema, pois pensa que ele é puramente nominal - os 12 mais bem votados nominalmente ocupando as 12 cadeiras. Claro, o sistema de voto proporcional é o mesmo que vale para a eleição de deputados federais e estaduais - e é igualmente ignorado nessas circunstâncias também, mas no caso do município a confusão é mais flagrante pela maior proximidade do eleitorado com os candidatos e a enorme fraqueza que os partidos têm no plano municipal, especialmente em cidades médias e pequenas, muito mais grave que no plano nacional.

O eleitor está associando seu voto a uma pessoa, não sabendo que, na verdade, está votando em um partido. Mas qual partido, afinal de contas? Muitas vezes o próprio candidato, por ignorância, não sabe como funciona sistema funciona; em outros casos, sabe, mas pede o voto nominal, porque, na prática, esse sistema faz os candidatos do mesmo partido concorrerem entre sim no dia do pleito.

Reitero: Os partidos, que já são fracos no plano nacional, não passam de meros lançadores de candidatos nos municípios pequenos e médios. Eles não existem, são mais pulverizados ainda pelo sistema de voto que apesar de ser proporcional, permite o voto nominal e, no fim das contas, acabam não possuindo identidade, programa, unidade...

A representação decorrente disso, como não poderia ser diferente, é tenebrosa. Pela falta de capacidade do legislativo, as Prefeituras levam o município à reboque pelos quatro anos, fazendo mais ou menos o que bem quer. As câmaras, pela vez delas, tornam-se mero ambiente de clientelismo e fruto de gastos públicos.

Devido a essa pasmaceira total, nem o aspecto técnico é contemplado, muito menos a Democracia é aprofundada. Então, o que fazer? O ideal mesmo seria alterar isso por completo, eliminar a figura do vereador de cidade pequena e criar um legislativo em parte técnico - e concursado -, em parte diretamente democrático - com as associações de moradores de bairro (ou da cidade, dependendo do tamanho dela) tendo direito a indicar delegados (voluntários) para votar as leis e participar do processo -, com a presença também de mais plebiscitos e referendos assim como a existência de um orçamento participativo. Nas grandes e médias cidades, voto distrital puro, mas dentro de um ambiente que privilegiasse mais a participação de associações de moradores de bairro e movimentos sociais.

Claro, seria uma idéia que precisaria ser mais maturada e trabalhada, no entanto, uma coisa que deve ser levada em consideração é que para avançarmos com a Democracia - ou mesmo fazê-la existir um pouquinho além do que na teoria - no nosso país, devemos remover esses entraves cartoriais que sobreviveram à Carta de 88 e colaboram para tornar a Política algo distante do povo mesmo no seu âmbito local.