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sexta-feira, 2 de julho de 2010

Notas da Copa: Uruguai classificado

(A Alegria de Forlán - El País de Motevideo)

Jogo tenso, disputado e equilibrado. O Uruguai, nos pênaltis, eliminou Gana após Muslera, à la Taffarel, pegar duas cobranças e de Suárez, no último minuto da prorrogação ter salvado um gol certo com a mão - resultando em um pênalti que foi parar no travessão. Foi, sem embargo, o jogo mais emocionante da Copa. O escrete de Oscar Tabárez, depois de uma difícil classificação para a Copa, é a equipe que encanta, se não pela técnica, pela disposição e espírito. Há muito o futebol uruguaio merecia isso, tem quarenta anos que o futebol daquele país - bicampeão olímpico quando as Olímpiadas eram o principal torneio futebolístico e vencedor de dois dos quatro primeiros mundiais - fora reduzido à mediocridade - ou menos do isso - e todos as tentativas de renascimento - a saber, no começo da década com a geração de Recoba - fracassaram. Dessa vez parecia ser igual, uma campanha pífia nas eliminatórias sul-americanas onde, ainda que o Equador não tenha conseguido se renovar, os uruguaios se viram ultrapassados pelos chilenos, um doído confronto na repescagem contra a Costa Rica e um grupo complicado na Copa - com a África do Sul anfitriã, o México em boa fase e a França vice-campeã mundial. Primeira colocação, vitória contra os sul-coreanos e, hoje, contra o time mais bem armado da Copa, vitória heroica. De Gana, a ausência de Ayew pesou e bastante. A Celeste Olímpica vai para uma semi-final na qual não é favorita, mas tem chances.

Atualização de 03/07 às 00:33: O Lance de Ontem


quinta-feira, 1 de julho de 2010

Notas da Copa: Julho e a Análise das Quartas de Final

Primeiro de Julho. Estamos por volta da metade do primeiro dia da metade final do ano. Mês passado, em ritmo alucinante, estivemos diletando sobre a Copa sem tirar o olho das movimentações eleitorais - ou eleitoreiras, sabe-se lá, mas que elas foram um tanto mais agitadas do que supunha, isso sim. As férias e um ligeiro - porém gratificante - sacrifício da minha vida social contribuíram para que eu achasse tempo. Agora a Copa desacelera e se adensa, o que já não era sem tempo, seja pela qualidade do torneio que aumenta ou porque a overdose de jogos já deu; ontem e hoje foram os dois primeiros dias sem jogos desde que o torneio quadrienal começou, amanhã, começam as quartas de final. Acertei sete dos oito palpites das oitavas. errei só a classificação de Gana sobre os EUA - enfim, Milovan Rajevac pegou a mim e aos gringos de supresa, modificou a forma de sua equipe jogar e despachou o escrete americano e o pé-frio do Clinton de volta para os states.


Agora, o jogo muda. Se antes estava relativamente fácil para acertar os jogos, agora, longe disso. Tirando Espanha x Paraguai, partida na qual a diferença entre as equipes é relativamente grande, acertar pelo menos um dos outros três confrontos é tarefa para quem entende de bola. Ainda que se deva comemorar as quatro vagas sul-americanas nas quartas, é bom abrir o olho, porque os europeus que continuam no torneio são justamente os três melhores times daquele continente. Vamos às análises:


Uruguai x Gana


Pois bem, os uruguaios são a grande supresa da Copa, seja pela eliminatória que fizeram, os resultados na Copa América e demais amistosos - a previsão mais otimista em relação ao time de Oscar Tabárez era de que chegasse, com algum esforço, às oitavas. Pois bem, chegou às quartas em plenas condições de avançar mais. Muslera, apesar das falhas contra a Coreia do Sul, faz uma boa Copa,  Máxí Pereira é um dos três melhores laterais-direitos, Lugano e Godín estão em grande fase, Fucile tem se esforçado, os Areválo e Pérez marcam muito no meio, os dois Álvaros (o Pereira e o Fernández) sabem articular o jogo e, no ataque, o time se segura bem: Como Forlán pela esquerda, Cavani pela direita e Luís Suárez no comando de ataque, a equipe segue marcando gols - normalmente, Forlán volta e complementa o meio de campo, mas Cavani também pode fazer isso. Em suma, trata-se de um time que alcançou se ápice no momento exato em precisa fazê-lo. Pelo seu lado, Gana é o único time africano que restou no torneio, faz sua segunda Copa e avançou em relação à primeira: Se em 2006 o time parou nas oitavas de final frente ao Brasil de Parreira, agora a seleção avança uma casa e disputa as quartas. Para mim, Milovan Rajevac é, até o presente momento, melhor técnico da Copa - em uma competição marcada pela mesmíce tática e pela incapacidade dos treinadores trocarem algo um pouco diferente de seis por meia dúzia, Rajevac foi um dos poucos a conseguir adaptar a forma de sua equipe jogar às necessidades, saindo do seu habituall 4/2-3/1 para enfiar um 3/4/3 em e assim dar um nó tático em Bob Bradley, o hábil treinador americano. A seleção africana tem um bom goleiro, Kingson, e deve voltar ao seu esquema habitual frente a um Uruguai que joga com três na frente: Pantsil que quando necessário vira zagueiro volta para a lateral-direita, os dois Mansah formam uma zaga forte, Sarpei marca bem pela esquerda, embora não apóie e, no meio, encontramos os destaques do time: Annan é fundamental para o time jogando na marcação, Boateng marca e chega de trás, Asamoah arma e sabe atacar pela ponta-direita. Na frente, Ayew, pela esquerda, é a revelação do time, Gyan é preciso no comando de ataque e Tagoe, eventualmente, quebra o galho pela ponta-direita. No duro, o ataque uruguaio leva vantagem sobre a defesa de Gana, mas a briga pelo controle do meio promete ser boa e nela, fisica e até tecnicamente, os africanos são um pouco superiores - enquanto na briga entre o ataque de Gana e a defesa uruguaia, a celeste leva ligeira vantagem. Há quem diga que ser capaz de controlar o meio é o diferencial para a vitória, mas veremos no que dá num jogo onde a equipe que perde no meio é superior nos dois extremos. Honestamente, é jogo para triplo, a ligeira superioridade técnica da celeste é compensada pela motivação do adversário - que deve contar com a torcida a seu favor. Para não ficar em cima do muro, aposto no Uruguai, na dureza, nem sei se no tempo regulamentar.


Brasil x Holanda


Falamos aqui do confronto de duas das melhores seleções dos últimos quatro anos. O Brasil venceu tudo. A Holanda, pos sua vez, teve o quadriênio que só não foi perfeito pelo desastre frente a uma imprevisível Rússia nas quartas da Euro 08 - o time liderado por Arshavin jogou tudo o que jamais jogou (nem voltou a jogar) contra a Laranja e a despachou de forma doída. Na Copa, o Brasil chegou com dois dos seus melhores longe da excelência fisíca - casos de Júlio César e Kaká -, enquanto outros jogadores tiveram problemas ao longo da competição - casos de Robinho, Felipe Melo e Júlio Bapstista, além de Elano, criminosamente vitimado por um jogador marfinense dois minutos depois de feito seu gol na vitória brasileira por 3x1. Apesar disso, Dunga consegue fazer um bom trabalho, com alguns eventuais deslizes, mas que, até agora, funcionou nos momentos decisivos: Seu time joga num 4/2-3/1 como a maior parte dos times já a algum tempo, Júlio tem pegado bem no gol, Maicon é o melhor lateral-direito da Copa, Lúcio e Juan formam uma dupla de zaga primorosa - que teve algumas desatenções na primeira fase, mas tecnicamente é mais capaz do que qualquer miolo de zaga nesta Copa -, Michel Bastos é o ponto fraco da equipe pela lateral-esquerda; no meio, Gilberto Silva compensa com inteligência as sus limitações físicas - e rendeu melhor quando no lugar do travado Felipe Melo atuou ao seu lado Ramires, o que infelizmente não pode se repetir pela suspensão do bom camisa 18 do Brasil - e Kaká, ainda que pareça não estar 100%, sempre que entra no jogo, faz toda diferença; na frente, Elano era um peça essencial ao esquema, atacando pela direita e voltando para compor o meio, sua saída foi suprida por Daniel Alves, que apesar da partida razoável contra o Chile não correspondeu contra Portugal - nem quando entrou antes -, Luís Fabiano não estourou, mas soube marcar gols nos momentos decisivos e Robinho finalmente desencantou na última rodada, mas tem feito partidas taticamente corretas. A Holanda de Bert Van Marwijk não tem o brilho de outrora, tentando jogar de forma mais eficiente do que bela para ganhar o título que sua bela tradição de jogo bonito nunca foi capaz de levar - ainda que muito do futebol opaco da equipe nesta Copa se deva menos a alga tática em especial do que ao desempenho dos seus jogadores; o o mal dessa equipe está numa disposição morna dos atletas que alternam entre o feijão-com-arroz e alguns lampejos. A equipe venceu os três jogos da fase inicial sem muito esforço - o primeiro contra uma Dinamarca pesada, o segundo com a ajuda da Jabulani contra o Japão e o terceiro contra um já eliminado Camarões - e sofreu mais do que o esperado frente a Eslováquia nas oitavas.  Stekelemburg é bom nome no gol, Van der Wiel é sóbrio, mas lhe falta um tanto de arte pela lateral-direita, a zaga é baixa e se não compromete também não acrescenta, Van Bronckhorst é aquele velho poço de vontade;  no meio, De Jong e Van Bommel marcam bastante e tocam rápido a bola, mas não tem grande qualidade, dedicando-se a carregar o piano para Sneijder jogar - o meia, ainda que não tenha estourado nesta Copa, é o maestro do time, com seus passes precisos, belos lançamentos e boas chegadas; na frente, Robben voltou ao time pela ponta-direita e é o outro destaque, Van Persie no comando de ataque e Kuyt pela direita são bons jogadores, mas longe de ser craques. Diante de seus enormes desfalques, Dunga deve manter Daniel pela direita até para liberar Maicon para o ataque, o que aumenta a responsabilidade de Kaká pelo meio e Robinho pela esquerda, o problema está mesmo com o fato de Robben atacar pelo setor que Michel Bastos defende e do time, depois de ter arrumado Ramires pelo meio, tê-lo perdido, restando poucas opções no elenco. Setor por setor, o defesa brasileira leva vantagem sobre o ataque holandês - apesar desse pequeno detalhe que pode acabar decidindo o jogo -, a meia-cancha de ambos se equivalem - pelas contingências - e o ataque brasileiro é melhor que a defesa laranja. Jogo duro, aposta numa vitória apertada do Brasil. 


Alemanha x Argentina


Único jogo que envolve dois campeões mundiais, trata-se da maior atração das quartas. O time alemão dirigido por Joachim Löw é um dos melhores do quadriênio, a equipe, depois de uma das suas maiores crises de renovação da história, usou o mundial passado, o qual sediou, como forma de projetar jovens jogadores e começar a seleção do zero. Deu certo. O time arrancou uma terceira colocação e depois fez um bom quadriênio - sendo vice da última Euro - e fazendo boas campanhas nas últimas duas eliminatórias. Nesta Copa, a Alemanha caiu num grupo bem disputado, surpreendeu a todos jogando o fino da bola contra a Austrália, depois, mais surpreendemente ainda, foi anulada pela Sérvia que lhe derrotou para depois, num jogo tenso, vencer por 1x0 Gana e se classificar - nas oitavas, eliminou a Inglaterra sendo superior em campo, embora tenha sido favorecida pela arbitragem. A Argentina, já há muito se ressente da falta de títulos, sendo que na última Copa foi eliminada, nos pênaltis, por essa mesma Alemanha, iniciando um ciclo doloroso, onde Alfie Basile fracassou no comando da equipe, cedendo lugar para que o astro maior do seu futebol assumisse o time: Maradona voltou e conseguiu contornar momentos difíceis, emplacando uma classificação dura em quarto lugar nas eliminatórias - para uma Copa onde foi premiado com um grupo relativamente simples, onde venceu os três jogos sem muita pressão dos adversários e, quando finalmente topou com um desafio, também acabou ajudada pela arbitragem que validou um gol ilegal de Tevez contra o México - o que além da vantagem no marcador, desestruturou o time adversário. Equipe por equipe, a Alemanha joga num 4/2-3/1 muito parecido com o Brasil: Neuer, seguro, é o goleiro, a defesa tem Lahm pela lateral-direita - disputando com Maicon o título de melhor jogador da posição -, Mertesacker e Friederich formando uma zaga bem concisa, Boateng (o alemão) marcando bem esquerda, ainda que não seja nenhuma virtuose; no meio, Khedira e Schweinsteiger são os volantes - combinando força física, bom toque de bola e inteligência tática - enquanto Özil é o maestro do time - forte candidato a melhor armador da Copa; pelas pontas, Müller, técnico e veloz, é presença forte pela direita e Podolski, com sua categoria e precisão, domina a esquerda e, no comando de ataque, Klose continua sendo matador, eficiente por baixo e muito bom por cima. Já a Argentina, atua também num 4/2-3/1, com algumas peculiaridades: Romero, não muito seguro é o goleiro, Otamendi quebra o galho pela lateral-direita e o mesmo faz Heinze pela esquerda, enquanto Demichelis e Burdisso formam a zaga depois da contusão de Samuel; no meio, Mascherano faz uma excepcional Copa como primeiro volante e Maxí Rodríguez disputa a outra vaga na marcação com o experiente Verón; mais adiante, Tévez joga mais fixo na ponta-esquerda, mas Messi e Di María  se alternam entre o meio e a direita, abastecendo Higuaín. O ataque ainda não jogou o (muito) que pode, mas a defesa dá sustos e faltam laterais. No confronto, o ataque alemão leva vantagem ampla sobre a zaga argentina, no meio, será travado uma das mais qualificadas disputas dessa Copa, o ataque argentino é capaz de infringir dor a qualquer defesa desse torneio e isso vale também para a boa defesa alemã. Em suma, o time germânico parece mais equilibrado, enquanto a Argentina é superior nas individualidades - e no carisma de Maradona -, falamos de duas seleções vencedoras que há muito amargam um jejum em Copas, jogo para quádruplo - um palpite para cada possibilidade, outro para o improvável -, mas já que estamos no inferno, então que ousemos dar uma tapa no diabo: Ainda que eu torça para a Argentina , a Alemanha é favorita por um fiozinho de cabelo, mas não duvide de prorrogação ou pênaltis aqui.


Espanha x Paraguai


A Espanha é o segundo melhor time do mundo dos últimos quatro anos. Venceu a Euro para a qual se classificou depois de boa eliminatória, fez uma boa eliminatória para a Copa, mas rodou na Copa das Confederações contra o time americano. Na atual Copa, tomou um susto logo de cara ao ser neutralizada pelo ferrolho suíço - e derrotada por um gol de contra-ataque -, mas recuperou-se ganhando de Honduras - outra gloriosa retranca, em relação a qual não conseguia golear apesar do amplo domínio - e depois venceu o Chile, em jogo duro, que garantiu sua classificação em primeiro no grupo para confrontar seu arqui-rival Portugal nas oitavas - jogo que venceu como nos demais: Amplo domínio, mas poucos gols, placar magro de 1x0. O Paraguai é, desde os anos 90, um futebol em franca ascensão, joga defensivamente, marca muito é organizado em campo e, mesmo não formando meias criativos, tem lá seus atacantes -  time do técnico argentino Gerardo Martino liderou o início das Eliminatórias Sul-Americanas, mas depois perdeu duas posições, para Brasil e Chile, ainda que tenha ficado apenas um ponto abaixo do líder. Time por time, a Espanha de Vicente del Bosque joga num 4/3/3, com Casillas no gol - grande goleiro, ainda que não esteja no auge -, uma defesa modesta porém esforçada formada por Sergio Ramos pela lateral-direita, Puyol e Piqué pela zaga, Capdevilla pela lateral-esquerda; no meio, Busquets é volante, Xabi Alonso é o segundo volante - homem das saídas rápidas - e Xavi é o armador; pela frente já jogara Navas, como um legítimo ponta-direita, e Iniesta, fazendo um misto de ponta e exterior-direito, David Villa é o craque do time pela ponta-esquerda - e, por ora, é ele quem tem efetivamente feito o ataque espanhol funcionar - e Fernando Torres no comando de ataque = contestado e em má fase, o que abre espaço para Llorente na frente. O Paraguai joga num 4/4/2 que se torna 4/3/3, mas que no jogo em questão deve se resumir às duas linhas de quatro mesmo - para tentar fazer com que o raio caia duas vezes no mesmo lugar, depois da vitória suíça -, com Justo Villar, muito bem, no gol, dois excepcionais laterais defensivos que apóiam mal - Bonet pela direita e Morel Rodríguez pela esquerda -, uma zaga tecnicamente qualificada e bem postada - formada por Alcaraz e Da Silva -, um meio com Cárceres fazendo o primeiro volante e Riveros mais adiante, Vera fazendo um extremo-direito - meia-armador aberto dos 4/4/2 europeus - recuado, Barreto ou Benítez fazendo o mesmo, só que mais avançados, pela esquerda e um ataque variante, com a figura de Lucas Barrios enfiado na zaga adversária e algum outro nome por fora da área, seja ele Cardozo, Roque Santa Cruz ou Haedo Váldez. No duro, será mais um jogo de ataque contra defesa, onde a Espanha se manda para o ataque e o adversário planta duas linhas de quatro para se defender e achar o contra-ataque salvador. Três das quatro equipes que enfrentaram a Espanha fizeram o mesmo, mas  só a Suíça levou a melhor. Por mais que um milagre paraguaio fosse um espetáculo, é difícil que ocorra.

sábado, 26 de junho de 2010

Notas da Copa: Uruguai e Gana

Hoje, o Uruguai bateu a Coreia do Sul por 2x1 no tempo normal e, logo depois, Gana bateu os EUA pelo mesmo placar só que na prorrogação. O Uruguai, com mais dificuldade do que eu supunha inicialmente, confirmou seu favoritismo, já Gana reverteu a pequena vantagem americana - seja vantagem em termos de qualidade técnica ou de ânimo - e manteve o continente africano vivo na competição.


Do jogo uruguaio, uma grande atuação do centro-avante Suárez (foto: Getty Images) com dois gols e outra bela atuação do trio de ataque como um todo, também formado por Forlán - hoje abaixo da sua média nesta Copa - pela esquerda e Cavani pela direita. O time do Uruguai, em uma falha da defesa sul-coreana, abriu o placar aos oito minutos do primeiro tempo, o ataque funcionava, o meio mesmo sem muita criatividade atuava bem - Pérez e Arévalo na marcação e Álvaro Pereira armando -, a zaga formada por Lugano e Godin continuava firme, Maxi Pereira voava pela latera-direita apesar de Fucile ir mal pela esquerda. A Coreia do Sul buscava compensar sua fragilidade técnica com lances de velocidade em seu 4/4/2, mas só levou vantagem no Segundo Tempo, quando a celeste além de ter recuado, demonstrava cansaço físico;  Chu Yung comandava bem o ataque, os laterais funcionavam e o meio tocava bem a bola. De repente, a Coreia do Sul passou a apresentar o seu melhor futebol na Copa e o gol era iminente. Lugano, matando contra-ataque, fez falta e na falha de Muslera, que saiu mal do gol, a Coreia empatou. Aí, o Uruguai resolveu voltar para o jogo, Oscar Tabárez mexeu bem ao tirar Álvaro Pereira para colocar Lodeiro e o time foi para o ataque. Suárez fez mais um em lindo lance de ataque. Quando tudo parecia definido, Muslera não segurou e Lugano salvou em cima da linha. Mas fim de jogo. O Uruguai chega às quartas de final numa Copa que marca seu renascimento bem como a ascenção do futebol sul-americano. Vitória merecida.

No outro jogo, os EUA vinham com toda a empolgação de uma primeira fase muito bem jogada, um grupo unido e entrosado contra Gana, única equipe africana no torneio, treinada pelo sérvio Milovan Rajevac. Enquanto os americanos desfilavam seu clássico 4/4/2 à inglesa - com duas linhas de 4 jogadores e armação sendo feita por meias abertos -, Rajevac armou seu time para anular esse jogo: Kingson era goleiro e junto aos dois Mansah, Pantsil atuou como zagueiro pela direita (ao invés de lateral-direito) para pegar os dois atacantes americanos, Altidore e Findley; no meio, Inkoom era ala-direito e marcava Dempsey - que jogava invertido pela esquerda - e Sarpei era ala-esquerda para pegar Donovan - invertido pela direita -, enquanto Boateng e Annan ficavam pelo meio batendo de frente com Clark e Bradley; na frente Ayew e Asamoah eram pontas e batiam de frente com os laterais Cherundolo e Bornstein enquanto Gian era o centro-avante brigando contra De Merit e Bocanegra (hoje, zagueiro-esquerdo). O pulo do gato do esquema é que Boateng (foto: Reuters) marcava e  vinha de trás quebrando a sobra de bola americana. Foi assim que Gana fez o primeiro gol logo no começo do jogo.

Na segunda etapa, os americanos melhoraram, Feilhaber, atacante nascido no Brasil, entrou no lugar de Findley e deu mais velocidade ao ataque. Donovan e Dempsey cresceram e a entrada de Edu no lugar de Clark, realizada ainda no primeiro tempo, surtiu efeito. Os americanos passaram a mandar no jogo e empataram em cobrança de pênalti, realizado por Jonathan Mansah sobre Dempsey, batida por Donovan. O problema é que chegada metade do Segundo Tempo e as equipes passaram a administrar o placar, mais preocupadas em não tomar gol do que em definir o jogo. Deu prorrogação, claro. No comecinho dela, Gyan recebeu lançamento longo de Ayew, entrou em profundidade, a zaga não alcançou e ele definiu. Bem que os EUA tentaram empatar em lances de desespero, mas não criaram nada de produtivo enquanto os ganenses se defendiam com destreza. Vitória merecida.

Amanhã

A Argentina é favorita diante do México. O time treinado por Maradona vem contagiado pela força de vontade e alegria de seu treinador, tem um leque de opções absurdo para o ataque e, apesar dos defeitos defensivos, enfrenta uma equipe que se ressente da falta de criatividade no meio-de-campo - seja para armar ou para fazer a transição. Alemães e ingleses já fazem um confronto bem mais complicado; a Alemanha foi o único grande a estrear bem e depois comeu bola na derrota para a Sérvia e não me convenceu contra Gana, enquanto isso a Inglaterra jogou apenas um tempo convincente em toda Copa - o primeiro, contra a Eslovênia -, mas elas por elas vem crescendo. Aposto na Alemanha, mas por um placar apertado num jogo desgastante - o que seria ótimo para a Argentina.

sexta-feira, 25 de junho de 2010

Notas da Copa: Enfim, definidas as Oitavas de Final

Agora há pouco, a Espanha meteu 2x1 no Chile atuando com um jogador a mais. Foi um bom início de jogo do time espanhol frente a um Chile afobado que, ainda por cima, acabou prejudicado pela arbitragem. Os dois gols tomados puseram dúvidas quanto à classificação chilena, mas depois o time diminuiu e equilibrou o jogo - enquanto no conflito de retrancas, Suíça e Honduras acabaram terminando no previsível e justo 0x0. Sim, Honduras merece um prêmio da FIFA por ter deixado a Suiça de fora das oitavas, até porque isso implicou na classificação de duas equipes que jogam um futebol ofensivo, leve e veloz, coisa rara na Copa sul-africana. Pena o Chile não ter ficado em primeiro, mas de qualquer modo, sua classificação já se constitui numa grande vitória para o futebol sul-americano, cujas cinco seleções se encontram nas oitavas.

A melhor seleção da primeira fase foi a Argentina de Maradona e Messi, seguida da Holanda - a outra equipe a fechar com 100% de aproveitamento -, Uruguai e Brasil. Vamos à análise dos confrontos:

Uruguai x Coreia do Sul
A Copa que os uruguaios estão fazendo surpreende (positivamente) a todos; o time marca com firmeza e tem um belo poder de fogo nos contra-ataques com Forlán. Os sul-coreanos caíram num grupo onde a Argentina sobrou e a Nigéria sumiu, souberam jogar com inteligência, mostrando um futebol veloz e disciplinado, mas lhes falta muita coisa ainda. Aqui, para o Uruguai não se classifica não basta a carruagem virar abóbora, mas também um milagre do lado de lá.

EUA x Gana
O time americano é bom: Joga há muito tempo junto, tem jogadores experientes, um bom condicionamento físico e até certa qualificação técnica - com jogadores como Donovan, Dempsey e Bradley. A equipe encarou bem a Inglaterra, arrancando um empate e depois, mesmo sendo vítima de erros de arbitragem, empatou com a Eslovênia e venceu a Argélia demonstrando superioridade. Gana estreou mal contra a Sérvia, mas foi beneficiada pelos erros do rival e venceu o jogo, depois empatou com a Austrália jogando pouco e perdeu para a Alemanha em seu melhor jogo no campeonato - sim, é o único time africano que restou no torneio; trata-se de uma equipe forte fisicamente e com boa técnica. O confronto será parelho. A vantagem está como os americanos, mas ela é pequena.

Holanda x Eslováquia
A Laranja Mecânica não encantou, mas venceu todos os jogos da primeira fase e foi a segunda melhor equipe naquela fase. O time está junto há algum tempo, Robben está voltando, Sneijder está jogando, Van Persie está por aí. Em outros tempos, o time holandês voava em campo e era surpreendido logo mais, será que dessa vez a falta de brilho esconda finalmente o prenúncio de uma chegada firme? Os eslovacos são a maior surpresa da Copa, ainda mais depois de terem eliminado a Itália, atual campeã mundial. Não os vi jogando grande coisa, sofreram empatando com a Nova Zelândia, perderam para o Paraguai e ganharam de um time esgotado que não sabe atacar - apesar de sua grandeza. Aposto firme na Holanda.

Brasil x Chile
No confronto entre sul-americanos, o Brasil vem de uma campanha oscilante na primeira fase, embora tenha jogado quando realmente precisou. Kaká, Elano, Maicon e Robinho dão a tônica do time nacional que ainda tem Júlio César no gol e Luís Fabiano no ataque, mas ainda persistem problemas graves no setor de marcação do meio-de-campo e na esquerda da defesa. O Chile atual é a melhor geração do futebol daquele país desde Salas e Zamorano, conta com jogadores como Suazo, Valdivia, Beausejour, Sánchez e Paredes além do técnico argentino Marcelo Bielsa, ao meu ver, o melhor treinador da primeira fase - a equipe joga bem e joga para frente como já adiantei. Será um belo jogo, mas o Brasil é favorito sim.

Argentina x México
A Argentina foi o melhor time da primeira fase devido à estrela de Maradona no banco, às estrelas do setor ofensivo - Messi, Higuaín, Tévez e Di Maria - e ao banco privilegiado, tudo isso somado a um sorteio que lhe  jogou num grupo fraco o suficiente para não saber explorar o seu calcanhar de aquiles: A defesa. O México pode até ser superior a qualquer equipe que a Argentina já enfrentou no torneio, mas demonstra problemas no meio de campo - falta gente para executar a saída de bola e a armação não funciona bem - assim como o seu ataque não encanta - sua classificação, a rigor, se deve a um bom segundo tempo contra a morta-viva França. É pouco e los hermanos devem seguir aqui também.

Alemanha x Inglaterra
A Alemanha teve uma estreia arrebatadora ao enfiar uma goleada com propriedade na Austrália, mas depois foi imprudente demais para um time que quer ser campeão contra a Sérvia, protagonizando um dos jogos mais estranhos dessa Copa. Depois, veio a classificação suada e sem brilho contra Gana. A Inglaterra empatou com os EUA jogando melhor que o adversário, foi horrorosa contra a Argélia e melhorou contra a Eslovênia. Por ora, o time alemão mostra mais consistência tática - seja pela variabilidade ou pela disposição em campo -, capacidade técnica - Gerrard e Lampard estão bem na Inglaterra, mas o resto do time ou não é bom ou está quebrado, enquanto a Alemanha tem Ozil, Podolski, Muller, Klose - e até mesmo banco. Não será fácil, mas eu creio que a Alemanha é favorita.

Paraguai x Japão
Os paraguaios são outra boa surpresa do torneio ao se classificarem em primeiro no grupo da atual campeã - e veja só, eliminada - Itália. O time mantém as linhas-gerais do futebol de seu país, a precisão defensiva e a robustez na marcação somada, dessa vez, com um poder de fogo razoável na frente, com Lucas Barrios e outros bons atacantes. O Japão, por sua vez, prossegue crescendo. O time atual fez partidas táticas contra Camarões e Holanda - ganhando o primeiro por 1x0 e perdendo o segundo pelo mesmo placar - e teve um jogo simplesmente luminoso contra a Dinamarca, na última rodada. Se a trajetória de crescimento do time nipônico se mantiver no torneio, ele deve se classificar, mas o Paraguai é inteligente o suficiente para anula-lo. Situação complicada, mas eu aposto nos sul-americanos.

Espanha x Portugal
A Espanha era apontada como uma das favoritas ao título, mas não teve um desempenho lapidar: Perdeu para o glorioso ferrolho suíço na estreia, sofreu para furar a retranca hondurenha e teve lampejos contra o Chile - muito embora deva se considerar que administrou o placar em vários momentos. O ataque, especialmente David Villa, se destacou assim como a dupla de meias de criação, formada por Xavi e Xabi Alonso - a defesa, assusta. Portugal, por sua vez, se classificou em segundo sem ter um jogado nem levado um gol sequer - o que não significa que tenha jogado bem, pois foi pior do que Costa do Marfim, pegou uma Coreia do Norte arrasada e um Brasil desfalcado e acomodado. Clássico é clássico como diz a máxima do futebol, mas a Espanha me parece favorita aqui.





 

quarta-feira, 23 de junho de 2010

Notas da Copa: Definição dos Grupos C e D

Hoje, mais dois grupos da Copa foram definidos. Agora, metade dos jogos das oitavas de final foram definido. Pelo Grupo C, passaram, na ordem, EUA e Inglaterra - enquanto Eslovênia e Argélia rodaram - e, pelo Grupo D, classificaram-se Alemanha e Gana, enquanto Sérvia e Austrália voltam para casa. Portanto, teremos EUA x Gana e Alemanha x Inglaterra na próxima rodada.

Dos jogos de hoje, os EUA fizeram um jogo emocionante contra a Argélia: Os americanos pressionaram, jogaram o adversário no campo de defesa, novamente foram prejudicados pela arbitragem e, no último minuto, definiram a classificação com um gol de Donovan. EUA 1x0. Merecido. Aliás, se classificar com Bill Clinton torcendo para você nas arquibancadas não é para qualquer um - isto é, sem o devido trabalho espiritual, descarregos e banhos de arruda para não se contaminar pela notória urucubaca clintoniana, não é fácil. No outro jogo, os ingleses jogaram tudo o que ainda não tinham jogado na Copa contra a Eslovênia e, apesar de terem diminuído o ritmo nos segundo tempo, também passaram como uma vitória pela placar mínimo - a composição do time com Gerrard indo para a armação com Barry entrando como volante ficou melhor, Rooney vai recuperando aos poucos sua forma física assim como Cole e, apesar dos pesares, os ingleses estão lá, mas ainda precisam melhorar muito.

(foto retirada daqui/ foto de cima, festa de Donovan/reuters)

Pelo Grupo D, a Alemanha travou um jogo nervoso contra Gana. No Primeiro Tempo, ainda demonstrasse uma técnica mais apurada do que o rival, os alemães viram seu esquema 4/2-3/1 se anular com o esquema 4/4/2 ganense, depois, os alemães voltaram melhor no segundo tempo e fizeram um belo gol com Ozil. Gana não sabia se administrava ou se ia para ataque e acabou assistindo ao domínio germânico ao longo da segunda etapa. Alemanha 1x0. A Alemanha foi o melhor time da primeira rodada, depois fez um jogo onde, num misto de incompetência e azar, acabou derrotado pelo Sérvia e agora teve problemas para furar o esquema defensivo de Gana, a única seleção africana classificada até o momento - mas que demonstra problemas ofensivos, ainda que seu balanço defensivo e seu esquema de marcação funcionem relativamente bem. A Sérvia dominou o primeiro tempo contra a Austrália, mas não converteu domínio em gols, tomou dois gols logo no início do segundo tempo e quando acordou para reagir já era tarde demais. Os australianos, aliás, tomaram uma sapecada dos alemães na estreia - perderiam de qualquer modo, mas isso foi agravado pelo desequilíbrio do time - e depois empataram com Gana desperdiçando chances - e novamente mostrando destempero.

A única equipe que chama a atenção nos dois grupos é o time alemão mesmo, mas ele provou ser oscilante, foi imprudente contra a Sérvia e depois teve dificuldades par jogar sob pressão contra Gana. Pega a Inglaterra que, em tese, vem numa crescente. Será jogo duro, mas eu aposto dos alemães. EUA e Gana é uma partida entre times médios do futebol mundial que já há alguns anos tentam se afirmar. Ambos os times jogam juntos há algum tempo e demonstram não apenas bom entrosamento como uma boa sinergia. É jogo para triplo, mas o time americano parece ter mais recursos ofensivos que o rival e isso, no limite, pode fazer toda a diferença.

segunda-feira, 14 de junho de 2010

Notas da Copa: Itália 1x1 Paraguai e a Estreia da Holanda



Começando pela estreia da Itália, a atual campeã, o que se viu agora há pouco contra o Paraguai foi mais um jogo triste. A Itália não joga um futebol de resultados, ela joga um anti-futebol, onde a defesa e a marcação funcionam efetivamente ao contrário do ataque, uma engrenagem travada. Foi assim, é verdade, que o time venceu a última Copa, mas não há como não relembrar o quanto a Copa de quatro anos atrás foi igualmente disfuncional e sem opções, com o retumbante fracasso da única equipe capaz de encantar, justo a nossa, sobrou  para decidirem o título a Azurra tal como ela é hoje e um time sub-50 da França.


Do jogo de hoje, a Itália começou num 4/2-3/1, com Buffon; Zambrotta, Canavarro, Chiellini e Criscito; De Rossi, Montolivo, Pepe, Marchisio e Iaquinta. Gillardino - treinada por Marcello Lippi. O Paraguai, num 4/4/2, entrou com Villar; Bonet, Da Silva, Alcaraz e Rodríguez; Vera, Cáceres, Torres e Riveros; Lucas Barrios e Valdez - treinada por Gerardo Martino.


No começo, a Itália marcava sob pressão e sufocava os paraguaios, no que prática era um 4/3/3, mas o time sulamericano, apesar de inferior, se defendia bem ao mesmo tempo que de seus desarmes só resultassem chutões tentando alcançar seus dois atacantes enfiados. Foi essa a dinâmica de boa parte do Primeiro Tempo , italianos acossando paraguaios, sem criatividade ou mera ousadia, e paraguaios incapazes de encaixar contra-ataques - isso até o fim da primeira etapa, quando Torres bateu falta cometida por Chiellini sobre Valdez para Alcaraz, no meio de De Rossi e Canavarro, cabecear para abrir o placar em favor do time paraguaio. O jogo italiano não funcionava, seus pontas (Pepe e Iaquinta) eram perfeitamente neutralizados pelos laterais paraguaios (Bonet e Rodríguez), Marchisio não armava e Gillardino permanecia como permaneceu o jogo inteiro: Anulado pela zaga adversária. Muito embora o Paraguai não conseguisse construir jogadas ofensivas, se o jogo seguisse aquela tônica no Segundo Tempo, fatalmente, acabaria com vitória por 1x0 para os paraguios.


Na segunda etapa, o Paraguai começou melhor, mas depois de desperdiçar uma chance emblemática: Vera isolou uma bola que deveria ter convertido e a partir dali, a Itália recuperou o terreno que lhe daria o empate - especialmente depois de Marcelo Lippi ter modificado a forma da equipe jogar, colocando Iaquinta junto com Gillardino no ataque (depois colocando Di Natale no seu lugar) e colocando Camoronesi no lugar de Marchisio para ser o extremo-direito do meio, em suma saiu, o 4/2-3/1 para entrar o 4/4/2. O lance do empate só saiu mesmo depois de escanteio bem batido por Pepe, má saída do goleiro paraguaio, e conclusão, na raça, de De Rossi. Daí até o final, os italianos pressionaram ainda bastante, mas não conseguiram virar.


Nada animador de lado a lado, ainda que imaginar a desclassificação das duas seleções num grupo com Nova Zelândia e Eslováquia seja duro. Ainda assim, a sobrevivência de ambos no torneio vai demandar uma melhora aprofundada. A Itália foi o sexto time campeão mundial a estreiar num mundial que reúne todos os campeões mundiais, agora falta apenas o Brasil entrar em campo - até agora, ninguém perdeu, mas só a Alemanha não só encantou como goleou. 


Holanda e Grupo E


A Laranja Mecânica estreou hoje atuando ofensivamente, mas muito travada; faltou leveza no ataque e um cadinho de criatividade para jogar em cima da defesa dinamarquesa, pesada toda vida, que assim como o resto do time me surpreendeu negativamente. Ainda assim, ela soube manter a posse de bola e conseguiu o domínio suficiente para marcar dois gols - um deles, aliás, contra da dinamarca. Fim de jogo 2x0. O Japão e Camarões fizeram o outro jogo do grupo e a seleção nipônica, num lance de oportunismo, venceu os africanos - com a derrota de hoje, Camarões se junta à Nigéria e à Argélia entre os africanos derrotados na primeira rodada, o que depois do empate de África do Sul e México, torna Gana o único time do continente a ter vencido. Futebol por futebol, depois da estreia de 22 seleções, a única que jogou bola mesmo foi a Alemanha e não tem conversa.

domingo, 13 de junho de 2010

Notas da Copa: Alemanha 4x0 Austrália e o Domingo

(Schwensteiger em ação Foto - AFP)

Como já era de se esperar, a estreia da Alemanha acabou sendo a grande atração do primeiro domingo de Copa do Mundo. Ainda assim, há de se ressalvar que a estreia do time germânico superou as melhores expectativas: Depois de metade dos times terem estreiado na Copa, os alemães mostraram, ao mesmo tempo, a melhor disposição tática e a maior qualificação técnica com a sonora goleada enfiada na Austrália, 4x0. Ainda que algumas contusões de atletas que resultaram em cortes tenham assustado o técnico Joachin Löw - principalmente a de Ballack -, o que se viu hoje foi um time bem treinado, entrosado, que se defende e ataca bem.


É difícil avaliar o time australiano, a equipe chegou às oitavas da última Copa e foi eliminada pela futura campeã Itália - que contou, ainda, com apito amigo. De lá para cá, a equipe progrediu, se tornou mais leve, mas foi atropelada. Sem exageros, a Austrália, apesar da goleada jogou mais do que a Sérvia ou Gana no outro jogo do Grupo D; faltou-lhe inteligência no Segundo Tempo quando a afobação de Cahill facilitou o trabalho da Alemanha - assim como a prática de linha-burra.


O alemães entraram em campo no mesmo 4/2-3/1 de Brasil, Argentina, Holanda e Espanha, onde Neuer estava no gol - e nem teve trabalho -; a defesa foi formada por Lahm - que jogou ofensivamente e jogou muito -, Metesacker, Friedrich - os dois últimos no miolo de zaga - e Badsturber; o meio tinha dois volantes -  Khedira e Schwensteiger - e Oezil armando - no lugar de Ballack; dois pontas, Muller pela direita e Podolski pela esquerda e o centroavante Klose. Todos os jogadores de ataque marcaram, inclusive o brasileiro naturalizado alemão Cacau que entrou no lugar do polaco-alemão Klose no comando de ataque.


A maneira como os alemães controlaram o bom início australiano, marcando firme e com a zaga bem postada, impressionaram. Depois, veio a imposição, boas jogadas de ataque com variações, entradas em diagonal e tabelas - além de Lahm que vinha de trás e fazia horrores. Dois golaços na primeira etapa com Klose e Podolski. Na segunda etapa a Austrália passou a atacar mais, tocar a bola e quando parecia que ia endurecer para o time alemão, veio a expulsão de Cahill, daí, a Alemanha reassumiu o controle do jogo e massacrou. Antes Muller havia perdido uma bela chance, mas fez o terceiro - um golaço, corte seco no zagueiro e arremate no canto. No fim do jogo, Oezil cruza para Cacau fechar o caixão.


Pelo que eu vi hoje, a Alemanha entra forte na disputa pelo título. Historicamente, os alemães são donos da  segunda melhor campanha em mundiais, muito embora a Itália os tenha ultrapassado em títulos na última edição do torneio - coincidentemente disputado na própria Alemanha - e o Brasil já esteja com duas taças de vantagem. Isso, mais o longo jejum de títulos, é um belo incentivo para a Seleção Alemã. O jogo de hoje me fez lembrar a última grande geração do futebol alemão, aquela formada por Bierhoff, Matthäus, Sammer e Klinsmann. Aliás, é bom que os ingleses tratem de jogar bola e peguem a primeira colocação do seu grupo porque pelo que eu vi hoje, eles vão precisar melhorar muito para bater esse time alemão logo nas oitavas.


Outros jogos


É triste assistir a jogos como Eslovênia 1x0 Argélia ou Sérvia 0x1 Gana em uma Copa do Mundo - ainda mais numa manhã fria como a de hoje. Nada mais a declarar sobre essas partidas.

sábado, 12 de junho de 2010

Notas da Copa: Palpites para o Domingo

Amanhã será o primeiro domingo da Copa e teremos uma programação morna. A Eslovênia pega a Argélia no fechamento da primeira rodada do Grupo C, num jogo no qual a vitória é fundamental para as duas equipes, dada a inferioridade de ambas as seleções em relação a americanos e ingleses que hoje empataram - o que aumenta um tantinho as chances ainda remotas dos dois. Honestamente, não sei se é o tipo de jogo que fará valer a pena acordar cedo - principalmente se levarmos em conta uma noite friorenta de junho como essa -, mas farei um esforço e aposto numa vitória eslovena apertada - talvez com um gol de canela. Pelo Grupo D, a Sérvia pega Gana num jogo que promete ser equilibrado, mas eu acredito que os sérvios levarão por um golzinho de diferença - isso para não ficar em cima do muro porque o jogo é pau a pau mesmo. O destaque do dia é o jogo que fecha o Grupo D e marca a estreia da Alemanha no mundial: Alemanha é sempre Alemanha e o time depois de quatro anos bons - apesar de não ter levado nada - vem para África com a perda do título em casa há quatros anos engasgada - sua adversária, a Austrália, deve pagar o pato bonito.