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domingo, 30 de dezembro de 2012

Feliz Ano Novo

aos leitores, comentaristas e admiradores de O Descurvo. Manter este blog vivo e animado durante o ano de 2012, em virtude das obrigações todas referentes ao meu último ano na graduação, foi um grande desafio -- felizmente cumprido. Mesmo diante de todos os revezes, foram publicados mais de 100 posts este ano -- este, por sinal, é o 101º --, cuja temática se ateve a dois eixos fundamentais que dominaram o debate comum brasileiro neste ano que se encerra: a questão metropolitana, marcada pela eleições municipais, e a crise na justiça brasileira, acirrada pelo julgamento da ação penal 470.

Ainda assim, quatro outros temas de fundo perpassaram a agenda como pano de fundo óbvio e evidente: os caminhos e descaminhos do governo Dilma -- o que implica em analisar o estado da arte da esquerda no país --; o agravamento da crise mundial -- agravamento permanente como natureza da crise --; o estado de coisas na blogosfera -- interditado e frustrado, em razão tanto do avanço das redes sociais de massa contra a velha rede selvagem, ao mesmo tempo em que o debate (e a disposição para tanto) se esgarça; por fim, a situação dos movimentos insurgentes que eclodiram entre o fim de 2010 e o início de 2011, e a reação referente a eles que se instaurou em 2012.

O governo Dilma e os destinos do PT. Como a instituição de um macroprojeto socialista de massa é distante -- e distanciante -- do comum e como, por outro lado, certas forças que causaram o evento Dilma com uma vontade diversa disso, giram não mais à esquerda, mas sim mais ao ideal[ilismo]. Ainda assim, a força principal que causou Dilma, e causou e sustentou Lula, está aí, como uma classe sem nome. Algo acontece, apesar do nevoeiro de má consciência, comiseração e ressentimento. É essa tendência real, para usar aqui um jargão marxista, que anima o Brasil, para além do bem e do mal. Esse processo monstruoso, social -- com a classe sem nome de um lado -- e político -- marcado pelo Lulismo -- produz interações e faíscas que dizem respeito ao globo em 2013. 

Os rumos da máquina mundo estão postos. A crise mundial é crise, por sua própria natureza, no sentido de que a indignação com o descalabro cotidiano veio à tona. E o descalabro em questão tem um nome, é o próprio Império global, em termos não muito diferentes do que Negri e Hardt conceberam. Mas o globo não é só Império, é multidão que luta e afirma um direito comum das gentes frente à exceção soberana, frente à expansão do Estado pelos recônditos do inconsciente.

É isso, um grande ano para nós todos.

P.S.: pessoalmente, 2012 foi um ano extremo, cheio de ritos de passagem e situações limite. Só num futuro próximo acho que vou ser capaz de avaliar isso tudo.

P.S. 2: Seguem as postagens mais lidas de 2012:




domingo, 29 de janeiro de 2012

Aniversário de Três Anos d'O Descurvo

O Tapete Voador de Vasnetsov


Hoje, este blog completa três anos. De 2009 para cá muita coisa aconteceu, foram anos intensos sob o efeito de uma crise global que mudou profundamente nossas certezas. Se os nossos pais viveram em um mundo disputado por dois projetos de futuro, hoje vivemos em um no qual não há mais projeto algum - o que é terrível na medida em que isso se deu pelo fracasso recíproco de ambas as vias, mas ironicamente permite à nossa geração, pela primeira vez em séculos, operar uma verdadeira transformação.

Esses três anos também equivalem à boa parte da minha estadia na graduação - que se encerra este ano, ou seja, até Dezembro, estarei definitivamente no mundo cão. O que eu escrevi por aqui retrata, portanto, o meu amadurecimento pessoal, político e intelectual. Isso sem falar nos bons encontros que ele me proporcionou e me proporciona. Não à toa, eu tenho uma inegável e profunda relação afetiva com este espaço. É um dos poucos lugares onde eu consigo dar vazão à minha potência produtiva e onde eu consigo ser feliz.

O blog segue (bem) acompanhado por sua pequena e fiel multidão de leitores/comentaristas, registrando aumentos constantes de movimento a cada ano, o que me anima a continuar produzindo firme por aqui, superando todos os sacrifícios que um blogueiro precisa fazer - seja no que diz respeito à própria sustentabilidade de um espaço autoral e que não resulta em retornos financeiros, ou mesmo naquilo que concerne ao desafio constante de manter a crítica afiada e, ao mesmo tempo, escrever para mais e mais pessoas.  

Neste último ano, acompanhamos atentamente a revoada de movimentos libertários pelo mundo, a começar pela Revolução dos Jasmins na Tunísia, que derrubou o ditador Ben Ali e serviu como pedra de toque para a chamada Primavera Árabe e, dali, para o movimento global Occupy. Ditaduras aparentemente inatingíveis caíram, mas foi mais do que isso: a própria tirania em si mesma foi posta em xeque. 

Enquanto isso, no plano interno, assistimos ao primeiro ano do pós-Lula, ainda que nas mãos de uma adversária direta da ditadura, trata-se de um verdadeiro corte histórico: pela primeira vez somos governados por uma mulher, pela primeira vez a governança se debate com a ascensão efetiva de setores que estavam incluídos marginalmente na nossa sociedade. A radical mudança no plano interno brasileiro choca-se com a mudança extrema no plano global e as consequências são imprevisíveis.

2012 começa com uma virada. Seja à reação aos ventos da liberdade ou uma nova etapa do capitalismo global: lembremos que a crise eclode no mercado imobiliário americano, um dos principais pilares do New Deal: A implosão do mercado imobiliário americano deflagra uma crise que é ao mesmo tempo macroeconômica - falência de bancos, imobiliárias e seguradoras - e social - milhões de pessoas correndo o risco, ou mesmo perdendo, de perder sua casa.  A crise é na Vida, não simplesmente no "econômico" ou no "social".



No Brasil, em ano de eleições municipais, não existe pauta mais nacional do que a questão local da moradia. Embora não tenhamos vivido uma experiência semelhante à da construção do sistema imobiliário americano, que ora morre, assistimos à nossa falta de política para a área explodir simultaneamente ao estouro da bolha que os nossos irmãos do norte criaram para dar conta do mesmo problema.   


Tanto é que a dois meses temos nos debruçado sobre essa problemática. O post mais lido do Ano III foi, precisamente, Dez Mentiras que Cercam o Pinheirinho, curiosamente, o mais recente deles - e o que mais gostei de escrever, ainda que diga respeito a um evento que eu preferia que não tivesse acontecido.


Portanto, o Ano IV deste blog, se inicia voltado para a cidade - como ambiente de coexistência primeiro e central da nossa cultura, naquilo que ela se entrecruza com a atual crise global, usando isso como artifício para desdobrar os binarismos local-global, dentro-fora, micro-macro e outros tantos. Segue aí a lista de posts mais lidos no Ano III segundo as estatísticas do blog:


1º Dez Mentiras que Cercam o Pinheirinho (Janeiro de 2012)
2º A Revolução Árabe: Líbia (Fevereiro de 2011)
3º O Corpo, a Mulher e o Egito (Novembro de 2011)
4º O Verdismo e o Nosso Tempo (Fevereiro de 2011)
5º O Papel dos Intelectuais no Contemporâneo (Outubro de 2011)
6º  A Tragédia do Rio (Abril de 2011)
7º Em Defesa do Pinheirinho (Janeiro de 2012)

O Google, o Facebook e o Twitter, nessa ordem, foram as maiores fontes de tráfego para cá, como é natural que seja. Na blogosfera, aqueles que mais enviaram público para cá foram o saudoso Biscoito Fino e a Massa de Idelber Avelar - e recentemente seu blog no portal da Revista Fórum, Outro Olhar -, o blog do João Villaverde e o Quadrado dos Loucos do Bruno Cava. 


É isso, minha gente, vamo que vamo.

quinta-feira, 29 de dezembro de 2011

2011

Fuga -- Kandinsky
foi um ano esquisito, ou pelo menos me deixou com a mesma sensação esquisita que eu senti quando vi Terra em Transe, do mestre Gláuber, pela primeira vez - tardiamente, só no final do ano passado. O ano começou com a multidão nas ruas, nas praças e se espalhando, fazendo os idiotas da objetividade - de lado a lado - verem seus dogmas, certezas e caminhos únicos se desfazerem. Foi o ano da Primavera Árabe, dos movimentos occupy, da crise na União Europeia, da continuação da derrocada americana, dos vinte anos sem URSS acontecendo sob o abalo do império putinista, o primeiro ano do pós-Lula (e sua posterior doença) etc. 


Um transe varreu a terra em onda e a virou de ponta cabeça. O centro do mundo virou às avessas de modo a não haver mais novo centro - ou mesmo centro algum. Mas há algo de amargo nisso tudo, que só pode ser superado com algum bom humor - e aqui mora algo importante: a auto-ironia, a capacidade de rir de si mesmo antes de mais nada, é ponto central para se construir uma crítica e uma ética nestes tempos. Sem isso, faz-se um sátira na qual você mesmo acaba sendo protagonista involuntário de uma ópera bufa. Não resta dúvida, essa é a grande lição que eu aprendi neste ano em encerramento, em cima de todo seu legado ambíguo que será, possivelmente, a tendência da década recém-inciada - sim, nisso eu concordo com o Safatle.


Não, eu não gosto do modo como está posto o debate político no Brasil atual. De canto a canto. Tivemos nossas piores eleições presidenciais em 2010 e temos, hoje, o pior debate da nossa história recente. Existe, sem dúvida, uma efeito respiração suspensa como eu já falei por aqui. Isso vai para além do estilo gerencial de Dilma, mas do fato que a esquerda ainda não se tocou que o problema é mais do que isso, mesmo essa coisa do controle político da gestão estatal - que o peronismo pôs em prática antes do PT - é uma falácia. Ainda estamos discutindo como consertar a democracia representativa - e ainda não nos tocamos do lado B do welfare. Mas isso, eu deixo para um balanço do governo Dilma, para o imediato começo de 2012.


A blogosfera, no lugar de inovar, acabou ecoando (de forma histérica, ainda) essa crise e vai mal. Também não sei se eu consegui fazer daqui exatamente o que eu queria, construir um jeito melhor de dialogar, uma formulação de blog mais efetiva - até fiquei satisfeito, em Janeiro, depois, não sei. Ainda assim, os posts que eu mais gostei de escrever foram os que tiveram o melhor retorno, o que indica um caminho. Ainda assim, preciso pensar em algo novo para 2012, de alguma forma. Seja com for, fica um forte e sincero agradecimento aos que vieram aqui trocar ideia, fazer intercâmbios, polemizar e quetais. Vocês não têm ideia do quanto isso é gratificante. Tenhamos todos um grande 2012!


   

sábado, 3 de dezembro de 2011

Meu Aniversário

Ando um tanto sumido, perdido no massacre interminável das provas da Faculdade - ó, a mimética, a arte mais extenuante dentre todas! - e em busca de boas notícias, embora elas  se recusem a aparecer - quero crer que elas só estejam tardando (verdade seja dita, eu que não estou me empenhando em produzi-las, talvez por pura preguiça). Segue a vida, a existência insiste - e eu, narcisisticamente, reapareço cá para postar que, hoje, faz qualquer número de ciclos solares desde que eu, por qualquer motivo, apareci por aí. Vivemos um tempo curioso, as utopias nos levaram às utoyas e o presente está largado para morrer: resgatar a memória de um aqui-agora em processo de esquecimento torna-se, pois, a nossa grande, e primeira, tarefa positiva. O presente que me interessa hoje é o próprio e verdadeiro presente - ou mesmo sua ausência, desde que ela se dê por alguma astúcia de resistência e não por seu sequestro, como vemos acontecer agora, vítimas que somos todos de uma promessa impossível: o futuro.

sábado, 29 de janeiro de 2011

Aniversário de Dois Anos d'O Descurvo

O Cairo como a expressão de um mundo em mutação/ AFP retirada daqui

Hoje faz dois anos que eu iniciei esta aventura aqui. Uma luta danada para conciliar faculdade, vida pessoal e blogagem, mas valeu a pena. Em 2009, as movimentações para as eleições de 2010 já se desenhavam no começo do ano - com um certo editorial que falava em Ditabranda e a divulgação de uma ficha falsa contra Dilma Rousseff - e  e o processo, como apostávamos aqui, tendia a ser  dos mais sujos da nossa breve história democrática - e foi sufocante, embora não tenha acontecido o pior no desfecho graças à vitória de Dilma. No mundo, o Governo Obama mal começava e, embora, não tivéssemos grandes ilusões por aqui, sua degeneração em uma pasmaceira de hesitações e concessões absurdas não deixa de ter um ar dramático: O que poderia ser um governo favorável à reforma no sistema global, terminou sendo um arranjo conservador (e em certa medida cínico) de uma velha ordem sem mais ora nem lugar - e que agora mesmo se desfaz, diante dos nossos próprios olhos, pelo mundo, seja na América Latina ou no Mundo Árabe. A Europa segue na crise que de lá para cá só se aprofundou, vítima de todas as disfuncionalidades relativas à Crise Mundial e ao próprio chão falso sobre o qual se assenta o Euro. A Rússia foi bisonhamente afetada pela Crise Mundial e as ganas de retomada da sua importância, projeto-mór da era Putin desfez-se no ar - assim como a ascensão chinesa não avança sem dar mostras de suas limitações como a repressão às minorias que ela promove, a censura à Internet e outras peculiaridades suas suscitam (muito embora ela não esteja disposta a embarcar numa aventura imperialista seja por realismo político ou pela sua cultura). Nunca na história da humanidade os mecanismos de dominação e controle foram tão concretos e nunca eles puderam ser desmanchados com tamanha facilidade. A História morta em boatos, nos prega peças diárias se fazendo passar por assombração. É tudo um grande espetáculo aterrador e magnífico tal como uma tempestade em alto-mar - e cá seguimos com o nosso bravo barquinho...

segunda-feira, 8 de novembro de 2010

Administrativas: A Blogosfera Puquiana e mais Algumas Dicas

Depois do João e do Tsavkko, que acompanhamos e pelos quais somos acompanhados já há um tempo, do bom e velho Taquaral que também está na área, o Ivan Sampaio é outro puquiano que também resolveu vir para o lado de cá da blogosfera, depois de ter se cansado de ficar só tuitando e resolveu montar seu blog, o desmontador de verdades - espero ter boas discussões e trocar umas boas ideias com ele por aqui. O Taquaral e o Ivan entram na nossa lista de blogs. Para além dos muros puquianos,  também entra na parada o Pádua Fernandes, que eu conhecia já há algum tempo lá do Alexandre Nodari, mas só recentemente descobri que tem um blog bem legal. Para completar as novas conexões do nosso buteco, entra também o espetacular Linkillo  que eu não sei como não estava na minha lista ainda. Também tirei alguns blogs que estavam parados há algum tempo. Bem, por ora, é isso.

sexta-feira, 8 de outubro de 2010

22 Anos da Constituição: Lei de Anistia e a Constitucionalidade do Estado Brasileiro

Hélio Bicudo, Maria Garcia, Jéssica, Camila e Barroso



O Público Lotou o 333

Hoje, encerramos o nosso ciclo de palestras sobre os 22 anos da Constituição. Ontem, tivemos o nosso grande dia - apesar de alguns problemas de última hora que apareceram, graças ao fato da PUC ter alugado o auditório para gente e para o pessoal de Relações Internacionais
ao mesmo tempo, o que foi, felizmente, contornado; vieram palestrar o constitucionalista Luis Roberto Barroso, a professora da Casa Maria Garcia e o jurista Hélio Bicudo para tratar de Lei de Anistia. Barroso, com a oratória descomunal que lhe é peculiar, não falou sobre a Lei de Anistia como ele já tinha nos avisado previamente - fez isso, afinal de contas, para se poupar de desgastes e armadilhas que possam ser montadas, dado que ele é o advogado do militante italiano Cesare Battisti -, mas nessa que foi sua primeira palestra na PUC, passou a limpo toda a nossa semana, tratando do histórico da Constituição, da questão urgente da comunicação social (que ele sente na pela no caso Battisti) e de questões polêmicas como aborto e direitos dos homossexuais. Maria Garcia entrou no tema da Anistia, denunciando o absurdo do julgamento recente do STF que entendeu ser constitucional tal norma e Hélio Bicudo concordou esboçando críticas ao julgamento e passando por itens como impossibilidade de autoanistia e quetais - ambos, no entanto, fizeram críticas ao atual momento pelo qual passa o país e aquilo que eles entendem como ameaça a Liberdade de Expressão. Em cima disso, quando das perguntas eu levantei o ponto da postura anti-democrática da própria mídia, citando os casos da Ditabranda e depois da demissão de Maria Rita Kehl pelo artigo que ela escreveu sobre os dois pesos, duas medidas com os quais o Governo Lula é tratado - Hélio Bicudo falou que a Folha sempre foi ambígua, mas que nunca foi censurado quando escreveu no Estadão e Maria Garcia levantou a possibilidade de poderiam ser só boatos a questão de Maria Rita (pois é, não eram boatos mesmo), Barroso concordo comigo a esse respeito e, inclusive, falou sobre a importância do advento dos blogs (depois até me pediu que eu lhe mandasse o link deste humilde blog quando eu fui lhe pedir autógrafo na saída e contei que acompanhei o caso Battisti por aqui, coisa que farei logo mais). Foi uma grande palestra, foi bacana lotar o auditório 333 em plena semana de provas realizando um evento desse porte com um grupo de amigos.


(encerramento, hoje -- Willis Guerra, Robson, Carlos, Paulo Iotti, Gustavo Henrique Amorim)

Hoje, no encerramento, tivemos um belo debate para uma pequena (e animada) multidão que veio assistir o debate sobre a Constitucionalidade do Estado com Professor Willis Guerra, o jurista Paulo Iotti e o procurador regional da Advocacia Geral da União Gustavo Henrique Amorim. Baita debate: Passamos desde o debate Hesse x Lassale sobre a natureza da Constituição, a ideia da materialidade da Constituição, sua eficácia e por aí vai. Todos foram muito bem, mas o Willis, para variar, teve uma fala espetacular. 


Sem dúvida, foi das coisas mais legais que eu organizei na Faculdade. Uma boa pedida para dar uma pausa das eleições e da grande política e recarregar a bateria para voltar com a corda toda. 

quarta-feira, 6 de outubro de 2010

22 Anos da Constituição: Comunicação Social e Direitos Fundamentais

(Vidal Serrano, Mariz, Eu e Camila)


Estou numa correria imensa nesta semana, organizando um ciclo de palestras de Direito Constitucional na PUC-SP. Ontem tivemos um debate sobre a questão da comunicação social no país com o advogado militante Antônio Cláudio Mariz e o Professor de Direito Constitucional Vidal Serrano. Foi interessante de um penalista como Mariz sobre a não rara incitação da turba promovida pela mídia e, embora discorde de alguns pontos do que o Vidal Serrano levante sobre a mídia, em geral, concordamos [i] a questão da mídia demanda uma pulverização do sistema de concessões e deve ser resolvido por uma via positiva, isto é, ampliando espaços e não estabelecendo censura pela óbvia falta de critérios efetivos para censurar como regra; [ii] sobre a impropriedade em que se constitui o AI-5 digital. A plateia - de estudantes na maioria - levantou boas questões e eu confesso que me surpreendi com interesse do pessoal, o impacto da atuação da mídia nessas eleições cujas urnas jazem quentes ainda, ficou bem marcado. Uma delas, a última, trouxe à baila o lamentável caso da Folha, que censurou o blog satírico da Falha de São Paulo - e a própria questão da censura que ocorre dentro das próprias redações como no caso da psicanalista Maria Rita Kehl, demitida do Estadão por escrever, nesse jornal, uma coluna em que respondia a críticas ao Bolsa Família"

(Carlos Gonçalves Jr., Barry Wolf, Laura e Marina)

Hoje, tivemos um debate sobre a Direitos Fundamentais com enfoque na questão dos homossexuais sob a égide da atual Constituição, evidentemente, a emergência da questão dos direitos civis, especialmente de gays, tavestis e transexuais não pode mais ser vista sem pensar a questão da laicidade do Estado, posta à prova neste último pleito. A palestra do Professor Antônio Carlos Malheiros (Foto), um soberbo jurista, histórico militante dos direitos humanos e um ser humano de uma dignidade imensa, a bela exposição sobre o princípio constitucional da Igualdade com o Professor Carlos Gonçalves Júnior, a presença do jovem Paulo Iotti, advogado atuante na defesa dos direitos dos homossexuais, que desfilou uma enorme cultura jurídica e, por fim, o advogado britânico Barry Wolf, fundador da ONG SOS Dignidade, que atua na proteção de travestis. Esta palestra última foi das melhores que eu já vi e levantou belas bolas no que toca aos riscos que estamos a correr.

sábado, 2 de outubro de 2010

Evento sobre os 22 anos da Constituição na PUC-SP

Segunda-feira, imediatamente após as eleições, acontecerá na PUC-SP um ciclo de palestras sobre os 22 anos da Constituição - no qual estarei na organização. Para quem estiver em São Paulo, fica a dica: Elas acontecerão todos os dias da semana que vem, das 08:30 às 11:00 da manhã, na PUC-SP (Rua Monte Alegre, nº 1104, Perdizes, São Paulo-SP), Prédio Novo, auditório 239 (2º andar). O evento será gratuito e terá a participação de nomes como Celso Antônio Bandeira de Mello, Dalmo Dallari, Silvio Luís Ferreira da Rocha , Vidal Serrano, Luís Roberto Barroso e Willis Guerra dentre tantos outros.

"A Semana dos 22 anos da Constituição é, ao mesmo tempo, uma comemoração e uma reflexão profunda; é comemoração porque trata da reinstauração de uma ordem democrática em nosso país; é reflexão porque está preocupada em indagar como as coisas, 22 anos depois, se encontram na prática. 22 anos é uma vida, 22 anos é a idade de muitos dos estudantes da nossa Faculdade e 22 é o nome do nosso Centro Acadêmico. Não há coincidências. Pensar sobre o que foram os últimos 22 anos da nossa história sob a égide da atual Constituição não é diletar sobre o passado, posto que narrativas histórias voltam-se irremediavelmente para o futuro: Trata-se da urgência de debater as nossas vidas, enquanto partícipes dessa enorme coletividade chamada Brasil. E assim segue nossa semana, começando literalmente do começo, com uma análise de todo processo histórico que desencadeou a elaboração e promulgação da nossa Constituição, a questão iminente da comunicação social, a causa não menos importante dos direitos fundamentais, o controverso legado da Lei de Anistia em nosso ordenamento e, por fim, o debate sobre a constitucionalidade do nosso Estado. É isso, sintam-se todos bem-vindos a participar da nossa semana.


(Clique na Imagem para amplia-la)




segunda-feira, 19 de julho de 2010

Administrativas e a Burca na Blogosfera

Andei mexendo na minha lista de blogs, tirei alguns, acrescentei outros. Entram o Blog do Sakamoto, do próprio e arguto jornalista, o Brasília, eu vi de Leandro Fortes - seguramente um dos melhores blogs brasileiros da atualidade - e o Dando um Drible nas Certezas do André Egg - que, como aqui, trata de futebol e política (ou não necessariamente nessa ordem). Saem alguns que estavam parados há algum tempo, ainda que tenha mantido alguns blogs em hibernação. Aliás, falando em André Egg, lá rolou um debate bacana sobre a questão da burca na França; vale a pena dar uma olhada (eu, pra variar, me meti na conversa). Quem escreveu textos excepcionais sobre a questão foram o Sérgio Leo - "O fim da Burca é só o Começo" - e, claro, o Raphael Neves em a "Proibição da Burca e a Autonomia" - primeiro post que eu li sobre a questão na blogosfera próxima, também chamada de Mundo Conhecido. Ainda que o André não concorde integralmente comigo, senti falta de algum bom post com argumentação exatamente contrária - Alexandre? Flávia?


Atualização (14:16): O Tsavkko acaba de escrever um post muito bom a respeito; do lado de lá, o Daniel Lopes, com quem polemizei no blog do André, também escreveu a respeito.


Atualização 2 (18:57): O Iberê também escreveu a respeito e o Murilo Costa fez um post interessantíssimo jogando um outro olhar sobre a questão.

terça-feira, 15 de junho de 2010

Novo visual

Basicamente, dei uma repaginada no blog usando a nova ferramenta de design do blogger - que facilitou uma maravilha a vida de símios blogosféricos como eu. O tema e as cores são praticamente os mesmos de quando eu adotei o thisaway como modelo, a vantagem é que eu dei uma limpada e ampliei o campo de leitura. Vamo que vamo

quinta-feira, 3 de junho de 2010

Eu na Rádio Esquemas Táticos

Segue aí o link de um bate-papo meu com o Marcelo Santos, editor do excelente Esquemas Táticos, na última segunda feira, sobre o Campeonato Brasileiro de 2010, avaliações prognósticos, pitacos, avaliações etc (eis o link).

sexta-feira, 29 de janeiro de 2010

Aniversário d'O Descurvo

Há um ano atrás, este blog teve início. De lá pra cá, foram 253 postagens. Passei por altos e baixos, fiz correrias inacreditáveis para continuar postando, mas sempre tentei manter-me fiel à ideia fundante deste espaço: Fomentar o debate e provocar a reflexão em relação a todo esse fluxo informacional que nos sufoca diariamente. Não é uma tarefa nada fácil - e é assim que ela deve ser encarada, sem se perder no idealismo nem no niilismo, dando um passo de cada vez e chamando as pessoas para construírem junto. Estivemos juntos acompanhando momentos que vão desde o protesto contra a ditabranda até o golpe hondurenho, sempre provocando um cadinho e chamando para o debate. A blogosfera é um meio profundamente dinâmico e um ano aqui equivale a décadas no "mundo real" - seja lá o que isso signifique -; quando eu lembro que a minha carreira de comentarista obsessivo-compulivo de blog tem só dois anos e meio, e que eu escrevo aqui há apenas um, chega a ser chocante. Nesse período, não acho que a blogosfera evoluiu qualitativamente, muito pelo contrário, em muitos momentos ela me preocupa -  e do mesmo modo, eu sou cada vez mais crítico em relação ao que eu escrevo e ao que eu estou fazendo nesse espaço. Espero continuar aqui por mais um bom tempo ou pelo menos enquanto eu continuar achando que ainda faço alguma diferencinha por aqui - dentro da minha humilde pequenez -, sigamos juntos, portanto e matemos os nossos leões de cada dia.

Um abraço

segunda-feira, 23 de novembro de 2009

Administrativas

Desculpem os dias sem postagem e quase sem dar notícias. É que meu pai teve um probleminha de saúde um pouco chato e foi parar no hospital. Esses dias foram um caos para mim e minha mãe. Felizmente, a situação dele já evoluiu bem e, tão logo, ele estará conosco em casa.

Atualização de 25/11 às 18:46: Meu velho acabou de receber alta do hospital. Vai ter de se tratar, aprender a ter hábitos alimentares mais saudáveis etc, mas o pior já passou. Um agradecimento especial para aqueles que muito gentilmente manifestaram a sua solidariedade por aqui.

abração

segunda-feira, 19 de outubro de 2009

Esclarecimentos, Razões e Paixões


Choveu bastante hoje em São Paulo. Aliás, tomei uma baita chuva. Meu Palmeiras, por sua vez, tomou ferro do Flamengo ontem - não pude acompanhar o jogo, não vi ainda os gols, mas já suspeitava de que um espectro esquálido realmente rondava o Palestra por esses dias. Também ando muito ocupado com uma série de coisas na Universidade, desde política estudantil até os estudos - e tenho extraído algumas experiências interessantes de ambos. Talvez as conte um dia, talvez isso nunca aconteça, mas uma coisa que me tem ocorrido é o quanto toda a questão do
Iluminismo merece um debate sério: Ainda nos vemos às voltas com a Escolástica; ela realmente insiste em não morrer nos mais variados - e inesperados - setores. Será que o Esclarecimento ainda estaria seguindo um tortuoso curso histórico rumo a sua consolidação ou, simplesmente, ele teria falhado por não considerar corretamente o peso e a profundidade que a tensão dialética entre razões e paixões tem na composição do nosso ser? Não seríamos vítimas de uma acidente cósmico que nos produz racionais ao mesmo tempo em que desesperadamente passionais? Não nos arrastaria a razão para a vertical enquanto a paixão faz o mesmo na direção horizontal, nos restando apenas a vã esperança de que uma hipotenusa ideal nos impeça de ser partidos ao meio? Nesses dias que se seguirão O Descurvo seguirá num ritmo mais lento do que o habitual. Sigo tentando interpretar o mundo e, quem sabe, muda-lo nem que seja um pouquinho.

quinta-feira, 30 de julho de 2009

Sobre a CONFECOM

No Liberdade de Expressão, blog coletivo sobre a Conferência Nacional de Comunicação (CONFECOM), você encontra os informes sobre as etapas regionais que antecedem a realização da Conferência assim como uma série de outros pontos e questões sobre a problemática da Comunicação no país. Só para não passar batido, a pré-conferência de comunicação em São Paulo será realizada no dia 1º de Agosto (sábado próximo) no Sindicato dos Engenheiros (Rua Genebra nº 25, Centro de São Paulo - do lado da Câmara Municipal).

quarta-feira, 15 de julho de 2009

domingo, 5 de julho de 2009

Administrativas

Como você deve ter percebido, andei dando uma mexida no visual do blog. Mantive basicamente as mesmas cores de antes, mas saiu o Son of Moto e entrou o Thisaway.

Também aderi ao Twitter (pois é...). Quem quiser me encontrar lá é
@hugoalbuquerque.

É isso, aguardo opiniões.

quinta-feira, 11 de junho de 2009

Construção Coletiva

Entre alguns blogs que eu acrescentei à Lista deste nos últimos dias está o da Construção Coletiva, um coletivo de estudantes de Direito da PUC-SP do qual esse humilde escrevinhador faz parte. O Blog andava um pouco parado, mas com um pouco de insistência minha e de mais alguns colegas, vamos botar ele pra funcionar, num momento, aliás, bem pertinente, levando em consideração os recentes - e lastimáveis - eventos que se abatem sobre o mundo acadêmico brasileiro e, em especial, sobre as universidades paulistanas. Discutiremos um pouco de tudo por lá, com ênfase, claro, na questão estudantil. Vale a pena dar uma olhada.