![]() |
| retirado daqui |
A Tunísia, uma república árabe do norte da África, está passando por um processo revolucionário. Falamos de terras cuja história é simplesmente fantástica: Sua aparição na História Universal começa com a expansão fenícia para o norte da África, o que resulta na construção de um importante entreposto comercial sobre o qual é edificada Cartago, das mais poderosas cidades da Antiguidade. Durante séculos a fio, cartagineses disputaram com as cidades-estado helênicas e com os romanos a hegemonia do Mediterrâneo. Sua derrota definitiva para os romanos foi dos maiores eventos da Antiguidade e seus ecos sentimos até hoje, o centro do mundo conhecido passou irremediavelmente para a Europa de onde a cultura ocidental (europeia ou, se muito, euro-originária) se projetou continuamente, num processo ainda em curso - o obstinado Delenda Carthago est de Catão, pelo jeito, surtiu efeitos. O que hoje é a Tunísia passou de colônia romana para o domínio árabe, depois otomano e, por fim, francês, até sua independência nos anos cinquenta. Sua independência foi parte do grande movimento nacionalista e anti-imperialista que, ao fim da Segunda Mundial, agitou o mundo - em especial África e Ásia, onde França e Portugal ainda mantinham uma decrépita estrutura imperial. Mas nem tudo são flores e a História nos ensina que irrupções revolucionárias nem sempre se traduzem em libertação real. Não, o problema não são os romanos, os árabes, os turcos ou os franceses - nem mesmo o colonialismo -, mas sim os velhos mecanismos de dominação que eles puseram em prática; mantenha-os e você apenas estará trocando os atores, mas a peça encenada ainda será a mesma. Cinquenta e quatro anos de autoritarismo nacionalista - e apenas dois presidentes em sua existência independente - somados a muita corrupção e exploração depois, irrompem revoltas populares e o velho Estado entra em colapso - com direito até ao habitual, e ensurdecedor, silêncio da mídia ocidental, o que é a praxe quando das quedas de tiranias amigas. Mas há algo de novo aqui: Como bem observa Elizabeth Dickinson na Foreign Policy (aqui, em português), essa pode ser a primeira Revolução Wikileaks, afinal de contas, um dos grandes deflagradores da revolta foi, justamente, o conteúdo dos telegramas da diplomacia americana sobre a Tunísia revelados por aquele site (movimento?), seguido por uma medida atabalhoada do regime local em tentar censurar a rede e perseguir ciberativistas. Ainda é cedo para dizer o que pode acontecer com a Tunísia, as coisas estão em plena ebulição, mas esperemos que elas se encaminhem bem desta vez. Seja como for, as informações do Wikileaks não são tão inofensivas quanto alguns gostariam que fossem.*
*fiz algumas pequenas correções e alterações no texto, mas nada que tenha mudado o sentido dele. A maldita pressa, sempre ela.
Atualização de 16/01 às 00:25: Interessante ler o post do embaixador português na França (sim, ele tem um blog) sobre o caso - ele exprime bem uma visão, não muito incomum, da diplomacia europeia sobre a questão: Os europeus perderam uma ditadura amiga bruscamente e estão temerosos enquanto resmungam.
*fiz algumas pequenas correções e alterações no texto, mas nada que tenha mudado o sentido dele. A maldita pressa, sempre ela.
Atualização de 16/01 às 00:25: Interessante ler o post do embaixador português na França (sim, ele tem um blog) sobre o caso - ele exprime bem uma visão, não muito incomum, da diplomacia europeia sobre a questão: Os europeus perderam uma ditadura amiga bruscamente e estão temerosos enquanto resmungam.
