(A contenda -- Serra e Dilma)
O debate de ontem à noite entre Dilma Rousseff e José Serra na Bandeirantes foi um dos mais acirrados e tensos que eu já vi na minha vida - inclusive entre aqueles que não são da minha época, mas eu tive oportunidade de ver. Depois de um turno inteiro com a candidata petista sendo colocada para ter uma posição contemporizadora tanto nos debates quanto no programa política, o PT finalmente mudou a tática - para a surpresa dos petistas e, sobretudo, do próprio Serra -; isso rendeu um começo nervoso, que logo foi dirimido com Dilma arrebentando na questão do aborto, inclusive com os factóides plantados por Serra, com a pergunta: Nós vamos mandar prender essas meninas ou vamos atendê-las, Serra? Ao que o candidato tucano ficou completamente perdido. Ao tratar de Segurança Pública, Serra se deu mal, seja pela lembrança da crise do PCC, a lembrança de que São Paulo é o estado da Federação que pior remunera seus delegados ou de propor a criação de uma Guarda Nacional - sendo que já existe uma Força Nacional de Segurança Pública. Na questão das privatizações, novamente, ponto para a petista, com o rótulo de privatista sendo jogado para cima de Serra, especialmente no momento em que Serra, ao dizer que o Brasil dos petistas seria o Brasil dos orelhões, para logo ouvir a resposta de Dilma que o Brasil dela é o Brasil da Banda Larga...Para todos. Apesar da pequena audiência - algo próximo de 4% com picos de 6% -, é sabido que hoje, mais do que nunca, a propagação dos resultados do debate se estende por conta da Internet. O debate serviu para animar a militância petista - que ficou demasiadamente deprimida após o resultado do Primeiro Turno - e para dirimir parte da boataria lançada por Serra - o que só é possível no olho a olho mesmo. Isso não altera substancialmente o resultado das intenções de voto, mas marca um ponto para a campanha petista, o que combinado com o progama eleitoral, pode realmente ser fatal para Serra. Ou o candidato tucano adota uma postura mais propositiva ou terá problemas - mas mesmo quando faz isso, se pega em uma das muitas contradições de sua campanha, quando fala do Pré-Sal: Se propõe privatizar, perde votos, se propõe estatizar, assusta aliados - mas no momento, ele não tem nada o que fazer senão a seguir a segunda opção (ou a ter onde der para ele insistir nesse discurso).
