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segunda-feira, 12 de março de 2012

Cai Ricardo Teixeira

Teixeira no perfil da Piauí: o começo do fim
E sediar a Copa do Mundo, por vias tortas, deixou a sua primeira herança bendita para o Brasil: Ricardo Teixeira, presidente da CBF, renunciou ao cargo. O controverso Teixeira, oligarca de primeira hora do futebol brasileiro, deixa um legado que pode parecer ambíguo a um primeiro (e desatento) olhar, mas que, na verdade, é pouco equívoco: sua importância histórica é o de ter sido o condutor da erosão do futebol brasileiro, parasitando sua potência cultural no processo que o tornou esse pastiche mercantil.

Nada de má consciência, o problema de Teixeira não está em ter sido, como dirigente, um mau exemplo para a cristandade, mas de ter levado a cabo um processo que, com desvios morais ou não, foi politicamente desastroso para o país e para o futebol. Foi pôr o Brasil em função de um mercado internacional inclemente, como mero exportador, enfraquecendo os clubes e tornando a Seleção uma marca qualquer que, de amistoso caça-níquel a amistoso caça-níquel, se converte em um fantasma.

A problemática da realização da Copa no Brasil, atrasos de obras, ameaça de uso do seu poder para prejudicar jornalistas e determinados órgãos da mídia que não lhe eram simpáticos e afins,  o levaram a inesperada queda. E não preciso muito: Dilma não fez força para que caísse, mas também não lhe serviu de arrimo, coisa que Lula, por uma infinidade de motivos, fez. E isso foi o suficiente para que Teixeira, que balançava desde os anos 90, caísse.

Se era um velho sonho de Lula trazer a Copa para o Brasil, o que o fez aturar Teixeira por tanto tempo, o custo disso para o derretimento do futebol brasileiro foi altíssimo. E Teixeira, achando-se o dono da situação e ameaçando a todo momento melar a competição, morreu como peixe, pela boca: ele achou pairar sobre os interesses econômicos da Copa, quando ele próprio tornou-se um problema, amplamente denunciado pela imprensa internacional e falando pelos cotovelos como na épica entrevista à Piauí.

Sua saída, alegando motivos de saúde, e a posse de José Maria Marin, malufista de carteirinha, ex-governador de São Paulo nos anos 80 - tendo assumido brevemente no lugar de Maluf, de quem era vice -, se não é animador, também não marca qualquer tipo de rearticulação da ordem, mas sim uma solução tampão.Agora, mais do que nunca, o horizonte de possibilidades em relação à democratização do futebol brasileiro se reabre. Ela certamente não virá dos céus, como a queda de Teixeira, não veio, mas é o cenário mais favorável em tempos. Embora a luta seja bem dura.




sábado, 9 de julho de 2011

Acorda, Mano Menezes

Fred se prepara para fazer o gol de empate -- lancenet
O Brasil empatou, na bacia das almas, agora há pouco por 2x2 contra o Paraguai. Tudo tedioso e previsível. Vejamos o caso de Robinho, por exemplo: a imprensa esportiva o linchou ao longo de toda a semana e, adivinhem só o que o treinador do time nacional, o Sr. Mano Menezes, fez? Sacou Robinho do time. Dá até depressão a maneira como o promissor Mano Menezes, das grandes revelações do futebol brasileiro para comando técnico, se apequenou na Seleção Brasileira, tornando-se um mero escravo dos holofotes do sistema Globo/CBF/Patrocinadores. A questão que resta é saber se é possível ser diferente hoje em dia, com Ricardo Teixeira, o chefão da CBF, se achando uma entidade intangível, na medida em que se aproxima a Copa do Mundo no Brasil e que mesmo com a revelação de um sem número de escândalos seus, as autoridades nada façam contra ele. E Teixeira é, no final das contas, a pedra de toque disso tudo. O jogo em si, portanto, é o que menos importa. Um treinador brasileiro inseguro, uma boa porém arrogante seleção e o Paraguai que mesmo sendo inferior, compensa isso jogando de forma aplicada - e Brasil e Paraguai hoje, não se esqueçam, são equipes no mesmo nível; ambos chegaram até às quartas de final da última Copa do Mundo e pararam diante dos dois finalistas daquela competição. Os paraguaios, espertos, falam em guarani para confundirem seus rivais e em tempos em que todos reproduzem o 4/2-3/1 como esquema, eles vão lá, enfiam duas linhas de 4 para anularem seus rivais e posicionam dois (bons) atacantes fechados para apanharem o contra-ataque quebrando a sobra de bola do rival. Uma boa jogada, mas única boa jogada ofensiva que o Brasil caiu por duas vezes.  Quando a derrota brasileira parecia certa, até a Globo desembarcava do seu fiel Mano Menezes - com Casagrande mudando de opinião sobre a boa entrada de Elano; Casão, pelo menos, se manteve na mudança, mas Galvão mudou de lado de novo, lançando rapidamente o "Copa América é assim mesmo, gente". Mas como sabemos, é tudo culpa do Dunga, aquele técnico ranheta.