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sábado, 19 de dezembro de 2009

Uma Crônica de Quase Final de Ano

Não, eu não tenho espírito natalino. Mas não nego que um dia já tive, talvez lá pelos tempos em que eu ainda era liberal - por volta dos meus oito ou dez anos de idade -, mas felizmente, a gente cresce. Ainda assim, somos escravos desses referenciais cronológicos-culturais - com efeito, um fenômeno social. As aulas na PUC, por exemplo, acabaram só ontem, o que me deu uma sensação estranha: Acabar as aulas me deparando com o final de ano. Fiz uma prova de recuperação, mas fui bem nela, felizmente.

Aliás, eu poderia ter tido problemas acadêmicos sérios neste semestre: Além de uma campanha para Centro Acadêmico extremamente polarizada - e, por tabela, extenuante -, só faltou cair uma bigorna na minha cabeça - levando em conta alguns problemas pessoais meus até o problema de saúde que o meu pai teve. Foi por um triz, mas, feliponicamente, no melhor espírito bola pro mato que o jogo é de campeonato, acabei atingindo algumas metas importantes, vivi experiências profundas e minimizei danos.

A minha experiência aqui n'O Descurvo, aliás, tem sido muito produtiva também, para quem é jovem, se intriga um cadinho com essa epocazinha em que vivemos e ainda vive numa cidade como a São Paulo de hoje, a blogosfera além de um instrumento político cada vez mais poderoso - e válido -, também é uma válvula de escape interessante na medida em que te ajuda a conhecer pessoas interessantes - não só as que moram longe e você dificilmente conheceria pessoalmente como também as que moram ou estudam do seu lado e você não conheceria jamais por conta dessa impessoalização pós-moderna, levada às últimas consequências na Pauliceia do século 21º.

Enfim, 2009 foi um ano bastante intenso na minha vida - que passa cada vez mais rápido, vejamos, já tenho 22! Que absurdo! -, ainda que eu mantenha lá as minhas preocupações sobre o futuro: Tudo bem, todas as pessoas, em todas as épocas, devem ter tido preocupações sobre o futuro, mas tem uma coisas que me inquietam e não podem passar batido - sim, a paranoia salva vidas.

O que mais me preocupa - e me intriga - é um avanço de um pesadelo hobbesiano, com seus desdobramentos
kantianos - o segundo é um caminho possível para a realização do primeiro, na verdade, o mais efetivo - no qual vemos uma hipernormatização da vida caminhar pari passu com o avanço do pensamento - e da prática- policialesca. Os avanços sociais e políticos que estamos assistindo parecem ser, em sua maior parte, frutos inerciais do que foi feito sob a bota da Ditadura. Isso precisa - e pode - ser revertido.

Politicamente falando, 2010 será um ano particularmente tenso, onde dois projetos de país se degladiam nas eleições gerais mais estéreis da Nova República e talvez no quadro mais negro da nossa história: A melhor opção será manter tudo como está, o que implica em dizer que a possibilidade da superação dialética, presente em todas as eleições - e momentos políticos - anteriores, nos foi retirada e o conservadorismo é agora a única saída - pelo menos, saída aceitável.

Os otimistas hão de argumentar que isso deve ao fato de que o passado do nosso presente é melhor do que o passado do nosso passado, mas eu tenho de lembrar que se isso é verdade, também pode se dizer que o futuro do nosso presente é pior do que o futuro passado. Combatamos esse futuro, então - e o façamos na única esfera possível: O aqui e agora, supondo que eles não sejam a mesma coisa.