Pois é, meus perseverantes leitores, O Descurvo chega hoje ao seu centésimo post em três meses e meio de existência - e completa essa marca com incontida felicidade depois do milagre do Palmeiras ontem na Ilha do Retiro. Do time inteiro nem tanto, mas pelo menos de Marcos aquele que, sem dúvida alguma, é o maior jogador do Palmeiras que a minha geração viu jogar, um profissional íntegro e, sobretudo, um verdadeiro operador de milagres.
Não sei como, mas eu me lembro da estreia dele como profissional, lá atrás no Paulistão de 96 naquela equipe maravilhosa dos mais de cem gols que foi campeã com louvor. O técnico era Luxemburgo, mas o titular no gol era Veloso que, não sei por qual motivo não pôde jogar. Isso abriu as portas para Marcos fazer sua estreia frente ao glorioso Botafogo de Ribeirão Preto. O resultado? Uma vitória por 4x0 com uma penalidade defendida pelo jovem goleiro reserva palmeirense que ainda fez belas defesas ao longo do jogo.
Só três anos mais tarde, devido a uma grave contusão de Veloso durante a Libertadores, que Marcos, sob o olhar desconfiado de todos, assumiu o manto verde que fora no passado de um Oberdan e de um Leão. Todos desconfiavam, mas eu não: Era o goleiro que eu tinha visto defender um penalti quando eu tinha oito anos e estava certo que ele ia fazer aquilo de novo. E como fez. O Palmeiras foi campeão e Marcos levantou a taça de melhor jogador do torneio.
Um corte: Dia de ontem, quase dez anos depois do título continental. O Palmeiras viaja para Recife depois de ter vencido Sport por um 1x0 no Palestra. Seria uma missão fácil segurar um rival que não marcou gol algum fora de casa na ida? Não foi. Do mesmo jeito que o Palmeiras massacrou o rival em casa, onde venceu por apenas um gol quando podia ter enfiado três, o Sport fez ontem, mas talvez tenha feito pior: Se na ida o Palmeiras poderia ter vencido por dois ou três gols, na volta, o Sport poderia ter feito quatro ou cinco gols. Por que não o fez? Marcos estava lá e só não pegou mesmo aquilo que era metafisicamente impossível de pegar durante o tempo normal.
Penalidades. Nova falha verde. No momento em que o ímpeto dos rubronegros se agigantava, quando corriam decididos para dar o golpe de misericórdia no rival, se depararam com um gigante. Três defesas....ah, a euforia. Mesmo que tropecemos em nossas limitações, mesmo que nos esmaguem mais adiante, não importa, que isso não seja esquecido. Obrigado São Marcos. Muito obrigado.
quarta-feira, 13 de maio de 2009
segunda-feira, 11 de maio de 2009
Primeira Rodada do Brasileirão
Não dá para comentar tudo com detalhes, mas tentarei ir pelos pontos principais:
1. O lance da rodada foi mesmo de Nilmar. Um golaço. Lançamento de gênio de D'Alessandro para o atacante colorado cortar mais de sete jogadores do Corinthians e fazer o gol. Aliás, o alvinegro, que entrou com seu time reserva, jogou bem e só perdeu por 1X0 para um adversário que, hoje, é o melhor time do país.
2. Goiás 3x3 Náutico foi o jogo com maior número de gols na primeira rodada - e foram belos gols. O Goiás tem um time razoável, já os alvirubros provaram que o diabo não é tão feio assim e que podem, pelo menos, brigar para não cair.
3. O atual campeão São Paulo jogou uma partida muito ruim contra o Fluminense no Maracanã. Ano passado, a tese de que os adversários do tricolor progrediram mais do que ele pareceu certa até o time arrancar no segundo turno para ser campeão. Será que dessa vez não vai acontecer o mesmo? Ou não? Eu, sinceramente, não apostaria com tanto afinco assim contra o São Paulo não.
4. No confronto entre o campeão mineiro, Cruzeiro, e o carioca, Flamengo, deu o primeiro no Mineirão. Hoje, a raposa é o único time a jogar um futebol no nível do Inter, o resto está girando abaixo. Os cariocas não foram mal, mas precisam evoluir muito para disputar o título.
5. O verde de Vandeco Luxemba meteu 2x1 no Coritiba jogando no Palestra Itália. Entrou com mistão em campo e a cabeça na Libertadores. Jogou pro gasto e não perdeu pontos que lhe seriam muito caros lá na frente.
6. O Santos arrancou um ótimo empate contra o Grêmio no Sul. Até onde esse santista pode chegar?
7. O Sport, jogando mal e tomando um legítimo gol espírita, empatou contra o fatídico Barueri. Triste, triste.
8. O Botafogo, vice do Rio, apenas empatou com o Santo André.
9. O Galo mineiro, por um fio, não perde do, no máximo, empenhado Avaí em Santa Catarina, mas arrancou um empatizinho com direiro a nó tático de Celso Roth em Silas e tudo.
10. O Vitória surpreendeu o bom time do Atlético-PR em Curitiba e essa foi, na minha visão, a grande surpresa da primeira rodada.
1. O lance da rodada foi mesmo de Nilmar. Um golaço. Lançamento de gênio de D'Alessandro para o atacante colorado cortar mais de sete jogadores do Corinthians e fazer o gol. Aliás, o alvinegro, que entrou com seu time reserva, jogou bem e só perdeu por 1X0 para um adversário que, hoje, é o melhor time do país.
2. Goiás 3x3 Náutico foi o jogo com maior número de gols na primeira rodada - e foram belos gols. O Goiás tem um time razoável, já os alvirubros provaram que o diabo não é tão feio assim e que podem, pelo menos, brigar para não cair.
3. O atual campeão São Paulo jogou uma partida muito ruim contra o Fluminense no Maracanã. Ano passado, a tese de que os adversários do tricolor progrediram mais do que ele pareceu certa até o time arrancar no segundo turno para ser campeão. Será que dessa vez não vai acontecer o mesmo? Ou não? Eu, sinceramente, não apostaria com tanto afinco assim contra o São Paulo não.
4. No confronto entre o campeão mineiro, Cruzeiro, e o carioca, Flamengo, deu o primeiro no Mineirão. Hoje, a raposa é o único time a jogar um futebol no nível do Inter, o resto está girando abaixo. Os cariocas não foram mal, mas precisam evoluir muito para disputar o título.
5. O verde de Vandeco Luxemba meteu 2x1 no Coritiba jogando no Palestra Itália. Entrou com mistão em campo e a cabeça na Libertadores. Jogou pro gasto e não perdeu pontos que lhe seriam muito caros lá na frente.
6. O Santos arrancou um ótimo empate contra o Grêmio no Sul. Até onde esse santista pode chegar?
7. O Sport, jogando mal e tomando um legítimo gol espírita, empatou contra o fatídico Barueri. Triste, triste.
8. O Botafogo, vice do Rio, apenas empatou com o Santo André.
9. O Galo mineiro, por um fio, não perde do, no máximo, empenhado Avaí em Santa Catarina, mas arrancou um empatizinho com direiro a nó tático de Celso Roth em Silas e tudo.
10. O Vitória surpreendeu o bom time do Atlético-PR em Curitiba e essa foi, na minha visão, a grande surpresa da primeira rodada.
domingo, 10 de maio de 2009
Educação Pública
Nos últimos anos, o debate público brasileiro está cada vez mais restrito às questões que envolvem a macroeconomia e aos grandes movimentos no tabuleiro de xadrez político. Da direita à esquerda, passa-se horas debatendo como será a sucessão presidencial ou especulando como a Crise Mundial afetará nossas vidas. Não que isso não seja importante, é sim, mas nós acabamos esquecendo do elementar, do cotidiano, enfim, do que é materialização de todo esse "macro" em nossas vidas. Curiosamente, pouco debatemos qual o motivo disso não estar sendo debatido.
Confesso que quando o Azenha resolveu usar um espaço permanente de seu blog para debater questões de saúde pública, eu mesmo estranhei, mas faz todo sentido. Não debatemos isso. Não debatemos saúde pública. Somos um país cujo PIB per capta é, por exemplo, 2,28 vezes maior do que o de Cuba, no entanto, vivemos quase seis anos menos do que os cubanos. Será que não há algo errado nisso?
A situação de nossa Educação Pública, a qual eu vou me deter mais precisamente nesse post, é inegavelmente problemática, mas não é um problema que pareça estar sendo devidamente pensado ou discutido nos meios supostamente pensantes de nossa sociedade. Mesmo aqui, admito, só vim aborda-lo agora, quando já me aproximo de quase cem posts. O único lugar na blogosfera que me recordo de ter visto essa questão ser tratada de maneira permanente foi o portal de leitores do Nassif. Eles tem lá até um tópico permanente sobre o assunto.
Peguemos um fato recente: As notas no Exame Nacional do Ensino Médio (ENEM). Para quem não o conhece, o ENEM é uma prova bastante simples, composta por uma redação e por uma parte de questões objetivas que consiste, basicamente, em interpretação textual. Quais os resultados? São Paulo, estado mais rico da Federação, conseguiu ficar com 50,5 de nota média; o estado do Rio de Janeiro e o de Minas Gerais ficaram com exatos 50,46; Santa Catarina com 50,56, Distrito Federal com 52,67 e Rio Grande do Sul com 52,25 pontearam a tabela. O que isso significa? Que os adolecentes - e em alguns casos, adultos - concluintes do ensino médio saem da escola sabendo ler e escrever "pela metade". Simples assim.
A que se deveria isso, afinal? Pelo menos na realidade paulistana que eu conheço bem, creio que o buraco da educação, para além do resultado em um teste, é bem, mas bem mais embaixo mesmo. Em primeiro lugar, o que assistimos é uma implosão da estrutura administrativa aliada a falta de projeto substancial para a escola pública. Isso remonta à Ditadura, quando a necessidade de montar um ensino tecnicista que servisse aos interesses de crescimento pau na máquina do regime se aliou com a necessidade de impedir qualquer tipo de educação crítica para os estudantes. Mas veio a democracia e as coisas continuaram piorando - e isso já tem mais de vinte anos.
Aqui, no estado bandeirante, o que temos assistido é um espetáculo deprimente de achatamento salarial da classe magisterial e a quase inviabilização do exercício da profissão, pelo menos nas escolas públicas comuns onde estudam a ampla maioria das crianças e dos adolescentes. Por outro lado, há uma burocratização da administração da Escola. Professores e diretores têm cada vez menos autonomia curricular e gerencial, tornando-se uma mera peça numa engrenagem controlada pela burocracia das superintendências de ensino e da Secretária de Educação, onde burocratas bem pagos - e, não raro, indicados politicamente - dão, sovieticamente, as ordens.
Mas, como eu disse, o buraco é mais embaixo. Entra aí a questão social. Até os anos 90, a classe baixa de São Paulo tinha, bem ou mal, seu empreguinho no chão de fábrica e algum salário. De lá pra cá, a abertura e incorporação tecnológica feita de forma alheia ao trabalhador criaram um fenômeno curioso de desagregação familiar, alcoolismo, tráfico, violência massificada, gravidez na adolescência e favelização.
A conjunção da falência da estrutura familiar com a falência administrativa da escola levou ao descalabro. Era impossível que apenas a segunda questão levasse ao degringolar da Escola Pública. Impossível. No entanto, onde está a classe média progressista numa hora dessas? Pagando rios de dinheiro em escolas privadas e...quieta, silenciosa, calada. Consciente ou inconscientemente a classe média progressista calou. Num mundo cão como esse, pagar escola privada para o filho significa dar-lhe vantagens competitivas. Eis aqui, o velho patrimonialismo brasileiro falando mais alto do que Marx e do que os diplomas de Ciências Sociais e de Direito.
Se a política do PSDB para a Educação Pública do estado é um fracasso, o que o PT estaria propondo pelo seu lado? Nada. Claro, o Partido dos Trabalhadores no estado está rachado em pelo menos cinco partes discutindo a sucessão presidencial e, provavelmente, a do governo estadual. Quem tem tempo para discutir Educação Pública enquanto está se articulando politicamente, não é mesmo?
Eu, cá no meu humilde cantinho, penso que a Educação Pública não pode ser mais pensada hoje apenas pela perspectiva da Escola. Ela deve extravasa-la, a Escola deve ser reconstruída para ser um núcleo articulador de interpretação das informações, não mais o seu núcleo de criação, o que se materializa impossível nos dias atuais. Em suma, se vivemos em um país onde mais de 90% dos lares tem televisão por que não usamos esse elemento de uma maneira inteligente como indagou o Professor Ladislau Dowbor? E a inclusão digital? Por que o Governo não trabalha mais duramente no sentido de baixar impostos de produtos de informática?
Ademais, é preciso ter em vista a importância da Escola mais do que como o mero lugar onde as crianças vão aprender noções técnicas elementares como também o lugar onde elas são iniciadas às práticas de cidadania e ao pensamento político. Educar é, sobretudo, conduzir, portanto, conduzamos as nossas crianças para a Democracia, não mais para o abismo.
Confesso que quando o Azenha resolveu usar um espaço permanente de seu blog para debater questões de saúde pública, eu mesmo estranhei, mas faz todo sentido. Não debatemos isso. Não debatemos saúde pública. Somos um país cujo PIB per capta é, por exemplo, 2,28 vezes maior do que o de Cuba, no entanto, vivemos quase seis anos menos do que os cubanos. Será que não há algo errado nisso?
A situação de nossa Educação Pública, a qual eu vou me deter mais precisamente nesse post, é inegavelmente problemática, mas não é um problema que pareça estar sendo devidamente pensado ou discutido nos meios supostamente pensantes de nossa sociedade. Mesmo aqui, admito, só vim aborda-lo agora, quando já me aproximo de quase cem posts. O único lugar na blogosfera que me recordo de ter visto essa questão ser tratada de maneira permanente foi o portal de leitores do Nassif. Eles tem lá até um tópico permanente sobre o assunto.
Peguemos um fato recente: As notas no Exame Nacional do Ensino Médio (ENEM). Para quem não o conhece, o ENEM é uma prova bastante simples, composta por uma redação e por uma parte de questões objetivas que consiste, basicamente, em interpretação textual. Quais os resultados? São Paulo, estado mais rico da Federação, conseguiu ficar com 50,5 de nota média; o estado do Rio de Janeiro e o de Minas Gerais ficaram com exatos 50,46; Santa Catarina com 50,56, Distrito Federal com 52,67 e Rio Grande do Sul com 52,25 pontearam a tabela. O que isso significa? Que os adolecentes - e em alguns casos, adultos - concluintes do ensino médio saem da escola sabendo ler e escrever "pela metade". Simples assim.
A que se deveria isso, afinal? Pelo menos na realidade paulistana que eu conheço bem, creio que o buraco da educação, para além do resultado em um teste, é bem, mas bem mais embaixo mesmo. Em primeiro lugar, o que assistimos é uma implosão da estrutura administrativa aliada a falta de projeto substancial para a escola pública. Isso remonta à Ditadura, quando a necessidade de montar um ensino tecnicista que servisse aos interesses de crescimento pau na máquina do regime se aliou com a necessidade de impedir qualquer tipo de educação crítica para os estudantes. Mas veio a democracia e as coisas continuaram piorando - e isso já tem mais de vinte anos.
Aqui, no estado bandeirante, o que temos assistido é um espetáculo deprimente de achatamento salarial da classe magisterial e a quase inviabilização do exercício da profissão, pelo menos nas escolas públicas comuns onde estudam a ampla maioria das crianças e dos adolescentes. Por outro lado, há uma burocratização da administração da Escola. Professores e diretores têm cada vez menos autonomia curricular e gerencial, tornando-se uma mera peça numa engrenagem controlada pela burocracia das superintendências de ensino e da Secretária de Educação, onde burocratas bem pagos - e, não raro, indicados politicamente - dão, sovieticamente, as ordens.
Mas, como eu disse, o buraco é mais embaixo. Entra aí a questão social. Até os anos 90, a classe baixa de São Paulo tinha, bem ou mal, seu empreguinho no chão de fábrica e algum salário. De lá pra cá, a abertura e incorporação tecnológica feita de forma alheia ao trabalhador criaram um fenômeno curioso de desagregação familiar, alcoolismo, tráfico, violência massificada, gravidez na adolescência e favelização.
A conjunção da falência da estrutura familiar com a falência administrativa da escola levou ao descalabro. Era impossível que apenas a segunda questão levasse ao degringolar da Escola Pública. Impossível. No entanto, onde está a classe média progressista numa hora dessas? Pagando rios de dinheiro em escolas privadas e...quieta, silenciosa, calada. Consciente ou inconscientemente a classe média progressista calou. Num mundo cão como esse, pagar escola privada para o filho significa dar-lhe vantagens competitivas. Eis aqui, o velho patrimonialismo brasileiro falando mais alto do que Marx e do que os diplomas de Ciências Sociais e de Direito.
Se a política do PSDB para a Educação Pública do estado é um fracasso, o que o PT estaria propondo pelo seu lado? Nada. Claro, o Partido dos Trabalhadores no estado está rachado em pelo menos cinco partes discutindo a sucessão presidencial e, provavelmente, a do governo estadual. Quem tem tempo para discutir Educação Pública enquanto está se articulando politicamente, não é mesmo?
Eu, cá no meu humilde cantinho, penso que a Educação Pública não pode ser mais pensada hoje apenas pela perspectiva da Escola. Ela deve extravasa-la, a Escola deve ser reconstruída para ser um núcleo articulador de interpretação das informações, não mais o seu núcleo de criação, o que se materializa impossível nos dias atuais. Em suma, se vivemos em um país onde mais de 90% dos lares tem televisão por que não usamos esse elemento de uma maneira inteligente como indagou o Professor Ladislau Dowbor? E a inclusão digital? Por que o Governo não trabalha mais duramente no sentido de baixar impostos de produtos de informática?
Ademais, é preciso ter em vista a importância da Escola mais do que como o mero lugar onde as crianças vão aprender noções técnicas elementares como também o lugar onde elas são iniciadas às práticas de cidadania e ao pensamento político. Educar é, sobretudo, conduzir, portanto, conduzamos as nossas crianças para a Democracia, não mais para o abismo.
sábado, 9 de maio de 2009
Campeonato Brasileiro de 2009
Confesso que me decepcionei com o Brasileirão do ano passado. Esperava um torneio muito mais bem disputado, mas no fim das contas, ele ficou mais ou menos na média dos demais campeonatos de pontos corridos; foi melhor tecnicamente que 2003, 2006 e 2007 , mas não foi melhor que 2005 e 2004. O São Paulo com um bom time começou mal, foi comendo pelas beiradas e arrancou no momento certo. Terceiro título seguido, um recorde, ainda que com um futebol friamente germânico, eficiente, mas incapaz de arrancar suspiros ou deixar recordações.
Da outras equipes, não custa lembrar que o Palmeiras tinha o melhor time do ano passado e era a melhor equipe do país lá pelos fins dos estaduais, mas de trapalhada em trapalhada, o campeonato escapou das mãos verdes e o quarto lugar foi um mero consolo com ares de meios de tabela para quem prometia tanto. O Grêmio, jogando não muito diferente do São Paulo chegou ao vice. O Cruzeiro, jogando um futebol mais solto só que bastante irregular conseguiu um terceiro lugar. O Flamengo até chegou a parecer que ia disputar o título, mas um desmanche bisonho realizado no meio do campeonato tirou o time até da Libertadores. Tirando alguns momentos do Botafogo e do Inter - que decepcionaram no cômputo geral -, o resto dos times jogou um futebol quando muito mediano.
Em 2009 as coisas parecem que serão melhores; a Crise fez grandes estragos na economia da Europa e o resultado disso é que craques que não voltariam ao futebol nacional tão cedo - assim como outros tantos que já teriam ido embora - estão por aqui. Inter, Cruzeiro e São Paulo têm times de relevo e nível mundial. Corinthians, Grêmio e Palmeiras têm boas equipes. Some isso com Sport, Atlético-PR, Flamengo, Botafogo e quem sabe Fluminense, Atlético-MG ou Coritiba e temos o prenúncio de um grande torneio. É isso que eu vou analisar aqui, equipe por equipe de acordo com a colocação do ano que passado.
São Paulo: Sob o comando de Muricy Ramalho o tricolor paulista é um gigante nos pontos corridos, mas simplesmente não ganha mata-mata. Foi eliminado do Paulista nas semi-finais pelo rival Corinthians enquanto segue na Libertadores onde enfrentará o San Luís do México após ter feito uma campanha que deu pro gasto na primeira fase do torneio. Isso não é nada diferente do que aconteceu nos últimos três anos; um começo lento e uma arrancada decisiva no momento certo. Pelo seu elenco, estrutura e tradição no Brasileirão jogado no sistema de pontos corridos, o tricolor é novamente um dos favoritos ao título.
Grêmio: Com um time mediano no campeonato passado, o tricolor gaúcho surpreendeu muita gente ao emplacar o vice-campeonato. Esse ano, a diretoria se reforçou bem com jogadores como Maxi López, Ruy e Alex Mineiro, mas o fato de ter sido desancado pelo seu rival, o Inter, no estadual levaram a diretoria a, precipitadamente, demitir o técnico Celso Roth que tirou leite de pedra ano passado. Mesmo assim e depois de um segundo turno do estadual muito ruim, o time, na base do interino emplacou a melhor campanha da primeira fase da Libertadores e depois de vencer o fraco San Martín fora de casa pelas oitavas, praticamente seguiu adiante. Para o nacional desse ano, não o apontaria como um dos favoritos ao título logo de cara, mas ele tem boas chances de brigar por vaga na Libertadores e, se bobearem, dar um voo mais alto.
Cruzeiro: É, certamente, um dos melhores elencos do futebol brasileiro e esse ano entra com o seu melhor time desde 2003, ano da tríplice coroa. Ramires e Kléber estão em estado de graça, jogadores como Marquinhos Paraná, Jonathan ou Wagner complementam muito bem o elenco. Essse ano, o time venceu o seu estado depois de massacrar o Atlético-MG e, na minha modesta opinião, é um dos favoritos ao título.
Palmeiras: O time de Vanderlei Luxemburgo teve um início de ano arrasador, caiu de produção e acabou eliminado na semi do Paulistão para o Santos. Na Libertadores, o time caiu no grupo da morte, quase não se classifica, mas após a heróica vitória frente ao Colo Colo no Chile, acabou conseguindo um reimpulso para a atual temporada. Keirrison, comandante do ataque alviverde, busca recuperar o bom futebol do início do ano; Diego Souza que subiu de produção e o sempre regular Cleiton Xavier juntam-se ao lendário goleiro Marcos e formam uma equipe com qualidade, mas ainda bastante instável que precisa de reforços para poder brigar pelo título.
Flamengo: Atual campeão carioca, treinado por Cuca e com o reforço de Adriano busca o título que não vence desde 1992. Nesse ano, a equipe não foi brilhante no Carioca, mas mostrou poder de decisão e chegou na hora H. Na Copa do Brasil chegou às quartas de final onde pegará o poderoso Internacional. Na minha visão, está no mesmo barco que o Palmeiras.
Internacional: Se uma equipe deu gosto de ver jogar esse ano, ela foi o Inter que, por coincidência, comemora seu centenário. O time treinado por Tite conta com a melhor estrutura do futebol do sul. Venceu todos os torneios internacionais que poderia vencer de 2006 para cá - Mundial, Libertadores, Recopa e Sulamericana -, se sagrou bi do Gauchão jogando um futebol de gala, mas a falta de um título nacional desde os fins dos anos 70 é um problema. A esperança é, justamente, essa atual equipe, sem dúvida, muito forte. Comandada por D'Alessandro que conta com Nilmar e Taison no ataque, os raçudos Magrão e Guiñazu no meio e o experiente Kléber na lateral-esquerda, o Inter é o favorito ao título nesse comecinho. O problema, por incrível que pareça, é que o seu futebol foi tão qualificado no começo do ano que pode antecipar o desmanche do elenco. É esperar para ver, mas se eu fosse um torcedor colorado, estaria otimista.
Botafogo: O time de Ney Franco foi raçudo no Carioca, venceu o primeiro turno e fez uma final eletrizante contra o Flamengo. Perdeu nos penâltis mesmo tendo um time inferior. Mesmo que tenha bons jogadores como Maicosuel e Victor Simões, sua maior força está mesmo no espírito de grupo e na coesão do esquema tático. Brigará pelo título? É improvável, mas pelo jeito ficará na parte da tabela podendo surpreender quem lhe menosprezar.
Goiás: Campeão goiano e depois eliminado pelo Fluminense nas oitavas da Copa do Brasil - dando um trabalho danado -, o esmeraldino é comandado por Hélio dos Anjos e tem a liderança de jogadores experientes como Iarley e Felipe (ex-Náutico). Pelo que mostrou até agora, briga pela Sulamericana do ano que vem, mas pode crescer durante a competição.
Coritiba: Há dois anos atrás, quando estava na Série B, o Coxa revelou uma boa geração de jogadores, entre os quais podemos destacar Keirrison e Henrique, além de Carlinhos Paraíba. Só o último continua no time que prefiriu se desfazer de seus atletas em vez de apostar em conquistar títulos. Sob o comando de Renê Simões, a equipe amargou o vice do Paranaense, mas permanece vivo na Copa do Brasil. A tendência é fazer uma campanha não muito diferente da do ano passado.
Vitória: Campeão Baiano deste ano e classificado para as quartas da Copa do Brasil - depois de ter quase perdido uma vaga inacreditável para o Atlético-MG-, o time comandado por P.C. Carpeggiani conta com jogadores experientes como Ramon e Jackson, mas precisa evoluir bastante para fazer uma campanha convincente no Brasileirão, do contrário, corre o risco de ficar, se muito, no meio da tabela.
Sport: O Leão da Ilha do Retiro montou um dos seus melhores times em todos os tempos, (muito bem) treinado pelo experiente Nelsinho Baptista e contanto com jogadores experientes como Paulo Baier, Dutra e o goleiro Magrão somados a jovens como Ciro e Daniel Paulista, a equipe passeou no Pernambucano onde foi campeão invicto. Também ficou em primeiro lugar no grupo da morte na Libertadores, mas nas oitavas, terá de reverter a vantagem que o Palmeiras abriu em São Paulo. Seu desempenho dependerá de dois fatores centrais: A forma e a duração de sua participação na Libertadores assim como o eventual desmanche que essa boa equipe pode acabar sofrendo ao longo desse longo Brasileirão. Ainda assim, o rubro-negro é o clube fora do eixo Sul-Sudeste que mais enche os olhos e que tem melhores chances de fazer uma boa campanha.
Atlético-MG: O Galo teve um ano de 2008 terrível. Esse ano, evoluiu na mão de Emerson Leão, mas falhou, justamente, ao não conseguir superar seu rival, o Cruzeiro, especialmente no primeiro jogo da final do estadual onde perdeu por sonoros 5x0. A derrota no estadual contaminou sua participação na Copa do Brasil onde perdeu para o Vitória. Empatou o jogo da volta contra o Cruzeiro, perdeu o título e o técnico, mas depois, já sob o comando de Celso Roth, quase - quase - conseguiu superar a diferença de três gols que os baianos lhe haviam imposto na ida, mas perdeu nos penâltis. É fato que o time mineiro desse ano é bem melhor do que o do ano passado, mas enquanto não superar o fantasma do Cruzeiro, pode acabar com toda a temporada comprometida.
Atlético-PR: Sob o comando de Geninho, a equipe venceu o Paranaense e travou um confilito muito equilibrado com o Corinthians pela Copa do Brasil, onde acabou eliminado nos detalhes. Esse é, sem dúvida, o melhor time do furacão em anos; joga num 3/5/2 bem organizadinho, Wallyson é uma bela revelação, os ex-refugos Rafael Moura e Marcinho estão jogando bem e a tendência é de uma campanha bem melhor do que a do ano passado. Provavelmente fica entre os dez melhores.
Fluminense: Desde que perdeu a Libertadores em casa para a LDU, o tricolor vive um inferno astral. No ano passado, faltou um fiozinho de azar para o time cair. Nessa temporada, a renovação do time não foi suficiente para impedir uma campanha muito ruim no Carioca. Vieram Parreira e Fred que ainda se adaptam. Veio uma classificação para as quartas da Copa do Brasil para enfrentar o Corinthians. Permanece a desconfiança sobre o desempenho do time no Brasileirão. Por enquanto, eu não estaria tão otimista assim com seu desempenho.
Santos: O Peixe começou 2009 tão mal quanto terminou 2008 apesar de ter renovado seu elenco. Caiu Márcio Fernandes, entrou Vagner Mancini, subiram de categoria os garotos Neymar e Paulo Henrique, subiu maravilhosamente de produção Madson. Serviu para dar uma arrancada nas finas do Paulista, mas não foi o suficiente para evitar a vexaminosa eliminação para o CSA na Copa do Brasil nem a derrota para o Corinthians na final do Paulistão. Falta experiência para o time - e talvez um Kléber Pereira em melhor fase -, mas sobra potencial de evolução; por ora, o Santos está ali, um ou dois degraus abaixo dos favoritos, mas pode muito bem surpreender.
Náutico; Há dois anos na Série A, o alvirubro pernambucano apenas lutou para não cair; em 2007, tinha um bom time, mas se planejou mal, figurou na lanterna, mas arrebentou no segundo turno; em 2008 capengou do início ao fim e ficou por um fio. Esse ano, renovou quase todo o elenco, mas contusões e dificuldades em regularizar atletas o atrapalharam no estadual, onde não chegou nem perto de ameaçar seu rival, o Sport. Na Copa do Brasil, deu azar ao pegar logo de cara o Inter quando o time estava finalmente se montando e não deu outra: Apanhou no Recife e em Porto Alegre. As suas chances não são nada boas para esse Brasileirão.
Corinthians: Campeão da Série B, o alvinegro comandado por Mano Menezes trouxe Ronaldo e venceu o Paulistão invicto. Já está nas quartas da Copa do Brasil e tem boas chances de chegar a final do torneio. É uma equipe muito sólida defensivamente, muito aguerrida que tem no ataque um dos maiores nomes do futebol mundial. Brigará, pelo menos, por uma vaga na Libertadores.
Santo André; Vice da Série B no ano passado, o time fez uma campanha bem tacanha no Paulistão, ficou para além do meio da tabela, mas em momento algum brigou pela classificação. Vai ter de comer muito arroz com feijão para permanecer na Série A que disputa pela segunda vez (atualização em virtude da oportuna correção do Denis na caixa de comentários) .
Avaí: Subiu no ano em que seu rival Figueirense caiu, mas está longe de ter condições de fazer uma boa campanha. A derrota para a Chapecoense na final do Catarinense foi bem emblemática nesse sentido. Honestamente, é o favorito para a lanterna.
Barueri: Clube empresa bem artificial por sinal, vem subindo de divisões há algum tempo. No Paulistão fez que ia e acabou fondo. Também tá com uma cara danada de que vai bater e voltar.
Da outras equipes, não custa lembrar que o Palmeiras tinha o melhor time do ano passado e era a melhor equipe do país lá pelos fins dos estaduais, mas de trapalhada em trapalhada, o campeonato escapou das mãos verdes e o quarto lugar foi um mero consolo com ares de meios de tabela para quem prometia tanto. O Grêmio, jogando não muito diferente do São Paulo chegou ao vice. O Cruzeiro, jogando um futebol mais solto só que bastante irregular conseguiu um terceiro lugar. O Flamengo até chegou a parecer que ia disputar o título, mas um desmanche bisonho realizado no meio do campeonato tirou o time até da Libertadores. Tirando alguns momentos do Botafogo e do Inter - que decepcionaram no cômputo geral -, o resto dos times jogou um futebol quando muito mediano.
Em 2009 as coisas parecem que serão melhores; a Crise fez grandes estragos na economia da Europa e o resultado disso é que craques que não voltariam ao futebol nacional tão cedo - assim como outros tantos que já teriam ido embora - estão por aqui. Inter, Cruzeiro e São Paulo têm times de relevo e nível mundial. Corinthians, Grêmio e Palmeiras têm boas equipes. Some isso com Sport, Atlético-PR, Flamengo, Botafogo e quem sabe Fluminense, Atlético-MG ou Coritiba e temos o prenúncio de um grande torneio. É isso que eu vou analisar aqui, equipe por equipe de acordo com a colocação do ano que passado.
São Paulo: Sob o comando de Muricy Ramalho o tricolor paulista é um gigante nos pontos corridos, mas simplesmente não ganha mata-mata. Foi eliminado do Paulista nas semi-finais pelo rival Corinthians enquanto segue na Libertadores onde enfrentará o San Luís do México após ter feito uma campanha que deu pro gasto na primeira fase do torneio. Isso não é nada diferente do que aconteceu nos últimos três anos; um começo lento e uma arrancada decisiva no momento certo. Pelo seu elenco, estrutura e tradição no Brasileirão jogado no sistema de pontos corridos, o tricolor é novamente um dos favoritos ao título.
Grêmio: Com um time mediano no campeonato passado, o tricolor gaúcho surpreendeu muita gente ao emplacar o vice-campeonato. Esse ano, a diretoria se reforçou bem com jogadores como Maxi López, Ruy e Alex Mineiro, mas o fato de ter sido desancado pelo seu rival, o Inter, no estadual levaram a diretoria a, precipitadamente, demitir o técnico Celso Roth que tirou leite de pedra ano passado. Mesmo assim e depois de um segundo turno do estadual muito ruim, o time, na base do interino emplacou a melhor campanha da primeira fase da Libertadores e depois de vencer o fraco San Martín fora de casa pelas oitavas, praticamente seguiu adiante. Para o nacional desse ano, não o apontaria como um dos favoritos ao título logo de cara, mas ele tem boas chances de brigar por vaga na Libertadores e, se bobearem, dar um voo mais alto.
Cruzeiro: É, certamente, um dos melhores elencos do futebol brasileiro e esse ano entra com o seu melhor time desde 2003, ano da tríplice coroa. Ramires e Kléber estão em estado de graça, jogadores como Marquinhos Paraná, Jonathan ou Wagner complementam muito bem o elenco. Essse ano, o time venceu o seu estado depois de massacrar o Atlético-MG e, na minha modesta opinião, é um dos favoritos ao título.
Palmeiras: O time de Vanderlei Luxemburgo teve um início de ano arrasador, caiu de produção e acabou eliminado na semi do Paulistão para o Santos. Na Libertadores, o time caiu no grupo da morte, quase não se classifica, mas após a heróica vitória frente ao Colo Colo no Chile, acabou conseguindo um reimpulso para a atual temporada. Keirrison, comandante do ataque alviverde, busca recuperar o bom futebol do início do ano; Diego Souza que subiu de produção e o sempre regular Cleiton Xavier juntam-se ao lendário goleiro Marcos e formam uma equipe com qualidade, mas ainda bastante instável que precisa de reforços para poder brigar pelo título.
Flamengo: Atual campeão carioca, treinado por Cuca e com o reforço de Adriano busca o título que não vence desde 1992. Nesse ano, a equipe não foi brilhante no Carioca, mas mostrou poder de decisão e chegou na hora H. Na Copa do Brasil chegou às quartas de final onde pegará o poderoso Internacional. Na minha visão, está no mesmo barco que o Palmeiras.
Internacional: Se uma equipe deu gosto de ver jogar esse ano, ela foi o Inter que, por coincidência, comemora seu centenário. O time treinado por Tite conta com a melhor estrutura do futebol do sul. Venceu todos os torneios internacionais que poderia vencer de 2006 para cá - Mundial, Libertadores, Recopa e Sulamericana -, se sagrou bi do Gauchão jogando um futebol de gala, mas a falta de um título nacional desde os fins dos anos 70 é um problema. A esperança é, justamente, essa atual equipe, sem dúvida, muito forte. Comandada por D'Alessandro que conta com Nilmar e Taison no ataque, os raçudos Magrão e Guiñazu no meio e o experiente Kléber na lateral-esquerda, o Inter é o favorito ao título nesse comecinho. O problema, por incrível que pareça, é que o seu futebol foi tão qualificado no começo do ano que pode antecipar o desmanche do elenco. É esperar para ver, mas se eu fosse um torcedor colorado, estaria otimista.
Botafogo: O time de Ney Franco foi raçudo no Carioca, venceu o primeiro turno e fez uma final eletrizante contra o Flamengo. Perdeu nos penâltis mesmo tendo um time inferior. Mesmo que tenha bons jogadores como Maicosuel e Victor Simões, sua maior força está mesmo no espírito de grupo e na coesão do esquema tático. Brigará pelo título? É improvável, mas pelo jeito ficará na parte da tabela podendo surpreender quem lhe menosprezar.
Goiás: Campeão goiano e depois eliminado pelo Fluminense nas oitavas da Copa do Brasil - dando um trabalho danado -, o esmeraldino é comandado por Hélio dos Anjos e tem a liderança de jogadores experientes como Iarley e Felipe (ex-Náutico). Pelo que mostrou até agora, briga pela Sulamericana do ano que vem, mas pode crescer durante a competição.
Coritiba: Há dois anos atrás, quando estava na Série B, o Coxa revelou uma boa geração de jogadores, entre os quais podemos destacar Keirrison e Henrique, além de Carlinhos Paraíba. Só o último continua no time que prefiriu se desfazer de seus atletas em vez de apostar em conquistar títulos. Sob o comando de Renê Simões, a equipe amargou o vice do Paranaense, mas permanece vivo na Copa do Brasil. A tendência é fazer uma campanha não muito diferente da do ano passado.
Vitória: Campeão Baiano deste ano e classificado para as quartas da Copa do Brasil - depois de ter quase perdido uma vaga inacreditável para o Atlético-MG-, o time comandado por P.C. Carpeggiani conta com jogadores experientes como Ramon e Jackson, mas precisa evoluir bastante para fazer uma campanha convincente no Brasileirão, do contrário, corre o risco de ficar, se muito, no meio da tabela.
Sport: O Leão da Ilha do Retiro montou um dos seus melhores times em todos os tempos, (muito bem) treinado pelo experiente Nelsinho Baptista e contanto com jogadores experientes como Paulo Baier, Dutra e o goleiro Magrão somados a jovens como Ciro e Daniel Paulista, a equipe passeou no Pernambucano onde foi campeão invicto. Também ficou em primeiro lugar no grupo da morte na Libertadores, mas nas oitavas, terá de reverter a vantagem que o Palmeiras abriu em São Paulo. Seu desempenho dependerá de dois fatores centrais: A forma e a duração de sua participação na Libertadores assim como o eventual desmanche que essa boa equipe pode acabar sofrendo ao longo desse longo Brasileirão. Ainda assim, o rubro-negro é o clube fora do eixo Sul-Sudeste que mais enche os olhos e que tem melhores chances de fazer uma boa campanha.
Atlético-MG: O Galo teve um ano de 2008 terrível. Esse ano, evoluiu na mão de Emerson Leão, mas falhou, justamente, ao não conseguir superar seu rival, o Cruzeiro, especialmente no primeiro jogo da final do estadual onde perdeu por sonoros 5x0. A derrota no estadual contaminou sua participação na Copa do Brasil onde perdeu para o Vitória. Empatou o jogo da volta contra o Cruzeiro, perdeu o título e o técnico, mas depois, já sob o comando de Celso Roth, quase - quase - conseguiu superar a diferença de três gols que os baianos lhe haviam imposto na ida, mas perdeu nos penâltis. É fato que o time mineiro desse ano é bem melhor do que o do ano passado, mas enquanto não superar o fantasma do Cruzeiro, pode acabar com toda a temporada comprometida.
Atlético-PR: Sob o comando de Geninho, a equipe venceu o Paranaense e travou um confilito muito equilibrado com o Corinthians pela Copa do Brasil, onde acabou eliminado nos detalhes. Esse é, sem dúvida, o melhor time do furacão em anos; joga num 3/5/2 bem organizadinho, Wallyson é uma bela revelação, os ex-refugos Rafael Moura e Marcinho estão jogando bem e a tendência é de uma campanha bem melhor do que a do ano passado. Provavelmente fica entre os dez melhores.
Fluminense: Desde que perdeu a Libertadores em casa para a LDU, o tricolor vive um inferno astral. No ano passado, faltou um fiozinho de azar para o time cair. Nessa temporada, a renovação do time não foi suficiente para impedir uma campanha muito ruim no Carioca. Vieram Parreira e Fred que ainda se adaptam. Veio uma classificação para as quartas da Copa do Brasil para enfrentar o Corinthians. Permanece a desconfiança sobre o desempenho do time no Brasileirão. Por enquanto, eu não estaria tão otimista assim com seu desempenho.
Santos: O Peixe começou 2009 tão mal quanto terminou 2008 apesar de ter renovado seu elenco. Caiu Márcio Fernandes, entrou Vagner Mancini, subiram de categoria os garotos Neymar e Paulo Henrique, subiu maravilhosamente de produção Madson. Serviu para dar uma arrancada nas finas do Paulista, mas não foi o suficiente para evitar a vexaminosa eliminação para o CSA na Copa do Brasil nem a derrota para o Corinthians na final do Paulistão. Falta experiência para o time - e talvez um Kléber Pereira em melhor fase -, mas sobra potencial de evolução; por ora, o Santos está ali, um ou dois degraus abaixo dos favoritos, mas pode muito bem surpreender.
Náutico; Há dois anos na Série A, o alvirubro pernambucano apenas lutou para não cair; em 2007, tinha um bom time, mas se planejou mal, figurou na lanterna, mas arrebentou no segundo turno; em 2008 capengou do início ao fim e ficou por um fio. Esse ano, renovou quase todo o elenco, mas contusões e dificuldades em regularizar atletas o atrapalharam no estadual, onde não chegou nem perto de ameaçar seu rival, o Sport. Na Copa do Brasil, deu azar ao pegar logo de cara o Inter quando o time estava finalmente se montando e não deu outra: Apanhou no Recife e em Porto Alegre. As suas chances não são nada boas para esse Brasileirão.
Corinthians: Campeão da Série B, o alvinegro comandado por Mano Menezes trouxe Ronaldo e venceu o Paulistão invicto. Já está nas quartas da Copa do Brasil e tem boas chances de chegar a final do torneio. É uma equipe muito sólida defensivamente, muito aguerrida que tem no ataque um dos maiores nomes do futebol mundial. Brigará, pelo menos, por uma vaga na Libertadores.
Santo André; Vice da Série B no ano passado, o time fez uma campanha bem tacanha no Paulistão, ficou para além do meio da tabela, mas em momento algum brigou pela classificação. Vai ter de comer muito arroz com feijão para permanecer na Série A que disputa pela segunda vez (atualização em virtude da oportuna correção do Denis na caixa de comentários) .
Avaí: Subiu no ano em que seu rival Figueirense caiu, mas está longe de ter condições de fazer uma boa campanha. A derrota para a Chapecoense na final do Catarinense foi bem emblemática nesse sentido. Honestamente, é o favorito para a lanterna.
Barueri: Clube empresa bem artificial por sinal, vem subindo de divisões há algum tempo. No Paulistão fez que ia e acabou fondo. Também tá com uma cara danada de que vai bater e voltar.
sexta-feira, 8 de maio de 2009
Ato Público contra o AI-5 Digital

Dos blogs: Arlesophia e Sergio Amadeu
Dê um MEGANÃO ao Projeto do Senador Azeredo. Conheça a campanha.
Acima, o post que o Eduardo Prado acabou de publicar em seu Conversa de Bar. O Biscoito Fino e a Massa também está nessa parada. Aqui também. É importantíssimo divulgar isso essa ideia. Também serve para aqueles que acham o PT igual ao PSDB refletirem um pouco.
quinta-feira, 7 de maio de 2009
Os Rumos do PPS e a Coalizão de Oposição
Uma das coisas que me levam a apoiar o Governo Lula, mesmo com todas as suas contradições e a queda qualitativa que o PT sofreu nos últimos anos, é a conjuntura político-partidária do país. É fácil questionar o PT. Ele erra bastante mesmo. O duro é apontar outra saída. Temos desde uma extrema-esquerda autista até um PMDB amórfico passando por uma oposição que não tem razão de ser.
O bloquinho oposicionista formado por PSDB, DEM e PPS é um achado. O PSDB é um partido social-democrata que não é social-democrata - cujo único paralelo que me vem à mente é o português, onde o PSD também é social-democrata no nome ao mesmo tempo em que na prática se opõe a ela. O DEM, outrora PFL, é o partido da oligarquia brasileira, a dissidência da ARENA que soube pular do barco na hora certa e conseguiu, por osmose, se infiltrar na democracia formal nascente - outro caso curioso de partido que, definitivamente não é o que o seu nome diz que é. Por fim, temos o PPS, ex-PCB, do glorioso Roberto Freire que, à italiana, pulou do barco da esquerda quando a URSS caiu. É sobre ele que eu vou falar um pouco.
Em primeiro lugar, não tenho como não citar o processo tosco que foi a mudança do nome da legenda. Ora, se o partido era 'comunista' e os regimes blochevistas do leste europeu caíram, ele, mais do que ninguém, tinha a obrigação de fazer uma crítica qualificada sobre o que aconteceu. Mudar de nome é de uma desonestidade e de um infantilismo flagrante - suscita mais ou menos aquela ideia de que o partido só seguia a ideologia que o nomeava por conveniência do momento.
A atuação do PPS ao longo da década de 90 foi opaca. O partido já nasceu morto, nunca teria condições operacionais para se opôr ao que quer que fosse. Sua participação política de maior relevo no período foi nas campanhas presidenciais de Ciro Gomes (98 e 02), um sujeito que eu nem detesto tanto, mas que não posso olvidar o fato de que é ex-arenista e integra hoje o Partido Socialista Brasileiro - e, pelo andar das coisas, se morrer com cem anos, morrerá anarquista.
Durante o governo Lula, a ação do PPS foi repugnante. Freire não recebeu as concessões que queria, se doeu, tentou boicotar Ciro Gomes como ministro e acabou indo parar na oposição. Primeiro, o partido se usou do episódio do mensalão para fazer uma crítica ao melhor estilo udenista, depois foi se apoximando do consórcio PSDB/DEM até ser absorvido por eles nas municipais de 08 - onde sofreu uma derrota expressiva. No fim das contas, ele apostou no discurso de demonização do Governo Lula, só não esperava que além de Lula se reeleger, ainda fosse obter um êxito tão grande quanto no biênio 07-08. O PPS ficou a ver navios.
Temos aí o caso Dantas. Nomes de relevo do partido - como o deputado Raul Jungmann - foram escalados para a defesa de Mendes e para o achincalhe público a Protógenes e a De Sanctis. Humilhante. Vem a crise e o PPS, em seu programa político, surge com a tese de que o Governo Lula iria bloquear a poupança como fez Collor. Indefensável. O PPS, enquanto nanico da oposição, parece ter sido escalado para fazer os ataques mais baixos contra o Governo Lula.
É bem emblemático o caso de Soninha; ela aparece no PT com um discurso bem moderninho, se elege vereadora em 04, dá uma passo maior que a própria perna em 06 se candidatando para deputada, perde, culpa o partido, pula para o PPS e acaba fazendo coisas como apoiar um Kassab para a prefeitura ou fazer médias inacreditáveis como dizer que Serra é de esquerda. Ah, e ainda arruma tempo para fazer contorcionismos lógicos para explicar a história contada pelo seu partido de que o Governo Lula iria confiscar poupança.
Olhando para um horizonte próximo, o futuro do partido é apocalíptico, talvez ser absorvido pelo DEM, talvez virar de vez uma mera ponta de lança do consórcio, sabe-se lá. Mas de qualquer modo, isso ilustra bem como as coisas andam mal no nosso sistema partidário.
O bloquinho oposicionista formado por PSDB, DEM e PPS é um achado. O PSDB é um partido social-democrata que não é social-democrata - cujo único paralelo que me vem à mente é o português, onde o PSD também é social-democrata no nome ao mesmo tempo em que na prática se opõe a ela. O DEM, outrora PFL, é o partido da oligarquia brasileira, a dissidência da ARENA que soube pular do barco na hora certa e conseguiu, por osmose, se infiltrar na democracia formal nascente - outro caso curioso de partido que, definitivamente não é o que o seu nome diz que é. Por fim, temos o PPS, ex-PCB, do glorioso Roberto Freire que, à italiana, pulou do barco da esquerda quando a URSS caiu. É sobre ele que eu vou falar um pouco.
Em primeiro lugar, não tenho como não citar o processo tosco que foi a mudança do nome da legenda. Ora, se o partido era 'comunista' e os regimes blochevistas do leste europeu caíram, ele, mais do que ninguém, tinha a obrigação de fazer uma crítica qualificada sobre o que aconteceu. Mudar de nome é de uma desonestidade e de um infantilismo flagrante - suscita mais ou menos aquela ideia de que o partido só seguia a ideologia que o nomeava por conveniência do momento.
A atuação do PPS ao longo da década de 90 foi opaca. O partido já nasceu morto, nunca teria condições operacionais para se opôr ao que quer que fosse. Sua participação política de maior relevo no período foi nas campanhas presidenciais de Ciro Gomes (98 e 02), um sujeito que eu nem detesto tanto, mas que não posso olvidar o fato de que é ex-arenista e integra hoje o Partido Socialista Brasileiro - e, pelo andar das coisas, se morrer com cem anos, morrerá anarquista.
Durante o governo Lula, a ação do PPS foi repugnante. Freire não recebeu as concessões que queria, se doeu, tentou boicotar Ciro Gomes como ministro e acabou indo parar na oposição. Primeiro, o partido se usou do episódio do mensalão para fazer uma crítica ao melhor estilo udenista, depois foi se apoximando do consórcio PSDB/DEM até ser absorvido por eles nas municipais de 08 - onde sofreu uma derrota expressiva. No fim das contas, ele apostou no discurso de demonização do Governo Lula, só não esperava que além de Lula se reeleger, ainda fosse obter um êxito tão grande quanto no biênio 07-08. O PPS ficou a ver navios.
Temos aí o caso Dantas. Nomes de relevo do partido - como o deputado Raul Jungmann - foram escalados para a defesa de Mendes e para o achincalhe público a Protógenes e a De Sanctis. Humilhante. Vem a crise e o PPS, em seu programa político, surge com a tese de que o Governo Lula iria bloquear a poupança como fez Collor. Indefensável. O PPS, enquanto nanico da oposição, parece ter sido escalado para fazer os ataques mais baixos contra o Governo Lula.
É bem emblemático o caso de Soninha; ela aparece no PT com um discurso bem moderninho, se elege vereadora em 04, dá uma passo maior que a própria perna em 06 se candidatando para deputada, perde, culpa o partido, pula para o PPS e acaba fazendo coisas como apoiar um Kassab para a prefeitura ou fazer médias inacreditáveis como dizer que Serra é de esquerda. Ah, e ainda arruma tempo para fazer contorcionismos lógicos para explicar a história contada pelo seu partido de que o Governo Lula iria confiscar poupança.
Olhando para um horizonte próximo, o futuro do partido é apocalíptico, talvez ser absorvido pelo DEM, talvez virar de vez uma mera ponta de lança do consórcio, sabe-se lá. Mas de qualquer modo, isso ilustra bem como as coisas andam mal no nosso sistema partidário.
quarta-feira, 6 de maio de 2009
Reforma no Sistema Eleitoral Brasileiro

Nesses últimos dias foi trazida novamente à baila a questão da reforma no sistema eleitoral brasileiro e ao que parece, PT e uma parte expressiva do PSDB a apoiam. É, sem dúvida, um debate bem mais complexo do que parece além de ser fundamental para um país que se pretende democrático - pelo menos formalmente. Ela também não deixa de ser profundamente perturbadora, afinal de contas, dos mais de 120 milhões de eleitores brasileiros aptos a votar, pouquíssimos sabem como funciona exatamente o sistema e, misteriosamente, não lhes é explicado.
Antes de mais nada, convém explicar que para os cargos eletivos do Legislativo, excetuando o de Senador, usamos o sistema de voto proporcional com lista aberta. Ele implica no seguinte: Você, quando vota no candidato x, está, na verdade, votando em primeiro lugar no partido ao qual ele pertence e em um segundo momento está votando nele. Os votos de todos os candidatos de um determinado partido são computados juntos e de acordo com a proporção que esse obtenha dos votos válidos - todos os votos menos nulos e brancos -, receberá em correspondência igual número de cadeiras do respectivo parlamento para o qual se disputa o pleito - por exemplo, 2o% dos votos para um partido em eleição para parlamento de oitenta cadeiras dá 16 cadeiras a serem ocupadas pelos 16 candidatos mais bem votados dessa legenda. O voto em legenda, ou seja, aquele só no partido, entra como voto apenas para o partido, não ordenando a lista, mas integrando o montante - e se todos só votassem em legenda, usando ainda o exemplo, entrariam os 16 candidatos mais velhos dessa agremiação.
A intenção disso era boa: Eleger os candidatos proporcionalmente aos votos que o partido ao qual pertencem recebeu e permitir que o eleitor, de fora para dentro, ordenasse a lista, o que serviria para impedir a ação de caciques políticos indicando os seus para cabeça da lista, o que poderia impedir a oxigenação do parlamento. Parece perfeito, mas o buraco é mais embaixo. O x da questão é que o voto se tornou unipessoal, as pessoas votam muito mais nas pessoas do que nos partidos e não entendem porque simplesmente os mais votados não são eleitos. Isso se deve ao fato de que há pouca gente preocupada em explicar ao eleitorado como o sistema funciona e que na Democracia são grupos, e não pessoas isoladas, que realizam os projetos políticos - os candidatos, mesmo de legendas progressistas, por questões eleitoreiras, preferem nem abordar a questão e fazem campanha quase como se fosse candidatos a cargo do poder executivo.
Antes de mais nada, convém explicar que para os cargos eletivos do Legislativo, excetuando o de Senador, usamos o sistema de voto proporcional com lista aberta. Ele implica no seguinte: Você, quando vota no candidato x, está, na verdade, votando em primeiro lugar no partido ao qual ele pertence e em um segundo momento está votando nele. Os votos de todos os candidatos de um determinado partido são computados juntos e de acordo com a proporção que esse obtenha dos votos válidos - todos os votos menos nulos e brancos -, receberá em correspondência igual número de cadeiras do respectivo parlamento para o qual se disputa o pleito - por exemplo, 2o% dos votos para um partido em eleição para parlamento de oitenta cadeiras dá 16 cadeiras a serem ocupadas pelos 16 candidatos mais bem votados dessa legenda. O voto em legenda, ou seja, aquele só no partido, entra como voto apenas para o partido, não ordenando a lista, mas integrando o montante - e se todos só votassem em legenda, usando ainda o exemplo, entrariam os 16 candidatos mais velhos dessa agremiação.
A intenção disso era boa: Eleger os candidatos proporcionalmente aos votos que o partido ao qual pertencem recebeu e permitir que o eleitor, de fora para dentro, ordenasse a lista, o que serviria para impedir a ação de caciques políticos indicando os seus para cabeça da lista, o que poderia impedir a oxigenação do parlamento. Parece perfeito, mas o buraco é mais embaixo. O x da questão é que o voto se tornou unipessoal, as pessoas votam muito mais nas pessoas do que nos partidos e não entendem porque simplesmente os mais votados não são eleitos. Isso se deve ao fato de que há pouca gente preocupada em explicar ao eleitorado como o sistema funciona e que na Democracia são grupos, e não pessoas isoladas, que realizam os projetos políticos - os candidatos, mesmo de legendas progressistas, por questões eleitoreiras, preferem nem abordar a questão e fazem campanha quase como se fosse candidatos a cargo do poder executivo.
Some isso a falta de fidelidade partidária e o que assistimos há mais de duas décadas é um cenário desolador onde os partidos não têm consistência e ao não tê-lo não conseguem tocar uma agenda programática adiante - ou simplesmente nem têm uma por conta de toda essa confusão. O funcionamento do Legislativo, por conseguinte - e por óbvio -, tem sido caótico.
A atual proposta de reforma implica na manutenção do voto proporcional, mas com listas fechadas. Isso resultaria no seguinte: Você votaria no partido que quisesse e ponto final. A ordem da lista seria determinada por meio de processos internos nas agremiações e já teria sido determinado até o dia do pleito. Usando o exemplo anterior, os 16 candidatos que entrariam seriam os 16 na ordem da lista pré-definida pelo partido.
Por sua vez, isso também se configura como uma faca de dois gumes: Se por um lado isso daria destaque à instituição partidária fazendo com que ela tenha mais responsabilidades e, por conseguinte, formulasse propostas claras enquanto grupo, por outro, o poder dos caciques partidários aumentará e o grau de oxigenação de legislatura para legislatura será menor. No fim das contas, resta-me a impressão de que faça-se o que fizer no âmbito formal, não serão mudanças de cima para baixo que mudarão a qualidade da nossa representação legislativa. Qualquer tipo de sistema eleitoral tem sua falhas e elas são potencializadas pelos defeitos materiais do sistema político-partidário. Penso que mudanças funcionais mesmo, só aquelas que se travam no interior dos partidos, fora isso é tudo imponderável e duvidoso.
Palmeiras 1xO Sport
Para tratar de temas leves, ontem, o Palmeiras venceu o jogo da ida no Palestra Itália. Um a zero. O alviverde foi amplamente superior e deixou no ar aquela sensação de que apesar ter jogado muito bem, poderia ter aproveitado melhor as chances e matado a classificação já ontem. O Sport não é o time mais espetacular da face da terra, mas é muito bem armado e sua defesa é digna de respeito. Ontem, no entanto, Luxemburgo devolveu os nós táticos que levou de Nelsinho ano passado ao surpreendê-lo com a escalação de três atacantes e com o time bem avançado marcando sob pressão. Faltou sorte para Keirrison, que vive um mau momento, assim como faltou qualidade para Marquinhos e Willians fazerem gols. No segundo tempo, a providencial entrada do raçudo Ortigoza definiu o jogo; em um de seus primeiros lances, ele cavou a expulsão de Hamilton e a falta que Cleiton Xavier bateria para ele mesmo fazer o único gol do jogo. Para o jogo da volta, não creio que exista nada definido, mas a julgar pela maneira como Palmeiras enfrentou o Sport - três vezes - esse ano, acho difícil que ele perca a vaga.
domingo, 3 de maio de 2009
A Marcha da Maconha

(Foto retirada de O Globo)
ou pelo menos é desse jeito que está sendo chamada essa passeata programada para várias capitais do país em favor do direito ao uso da maconha. A questão das drogas em geral - e mesmo mais especificamente da maconha - é muito polêmica. Se você o traz à baila, surgem divergências mesmo em um grupo majoritariamente de direita ou em outro, de esquerda.
ou pelo menos é desse jeito que está sendo chamada essa passeata programada para várias capitais do país em favor do direito ao uso da maconha. A questão das drogas em geral - e mesmo mais especificamente da maconha - é muito polêmica. Se você o traz à baila, surgem divergências mesmo em um grupo majoritariamente de direita ou em outro, de esquerda.
O debate mais recorrente sobre essa questão é aquele que envolve "meu direito de fazer o que quiser na minha vida privada X os riscos que o uso de drogas proporcionam para o indivíduo e para a 'sociedade'". Outro ponto que não poderia deixar de citar, é a própria proibição da realização da marcha como aconteceu em São Paulo e Rio de Janeiro. Surge a questão de até onde vai o direito do cidadão expressar seu descontentamento com o direito positivo vigente e onde começa a apologia ao crime.
Começo pelo segundo ponto. Juridicamente falando, temos aqui o fato de que a Constituição Federal de 1988 consagra claramente o direito de livre expressão (art. 5º, IV), não servindo, neste caso, a sua vedação à associação para fins ilícitos (art. 5º, XVII) na medida em que as pessoas, teoricamente, não estariam se reunindo para fumar maconha, mas sim para mostrar seu descontentamento com a legislação vigente e exigir que ela contemple seus anseios enquanto cidadãos, o que se concilia com o espírito democrático de nossa Lei Maior.
No entanto, caímos novamente na questão dos diplomas legais pré-constitucionais, neste caso, o Código Penal, essa jóia rara que o Estado Novo nos legou, que dispõe em seu art. 287 sobre a apologia ao crime, um tipo penal que resulta em detenção para quem fizer um mero discurso em favor de algo que seja considerado como crime (ou em favor de alguém que tenha sido considerado como criminoso), ou seja, algo que precisa ser reinterpretado à luz da nossa atual Lei Maior sob o risco de implicar em cerceamento à liberdade de expressão, o que iria em sentido contrário aos seus dispositivos sobre liberdades e garantias individuais. Só que nisso daí há um detalhe, a apologia que o referido tipo penal se refere é ao crime, não à contravenção penal, o que esvazia o mui pertinente debate que eu levantei na oração anterior, explico-me: Crime é o que a Lei proíbe e que resulta em penas de detenção ou reclusão devido sua natureza que implica, teoricamente, em uma agressão aos princípios mínimos éticos que estruturam a 'sociedade', já a contravenção penal é o que a Lei proíbe e se materializa como mera perturbação, resultando em penas de, no máximo, prisão simples.
Pois é, meus caros, pela Lei 11.343/06 ("Lei de Tráfico") em seu artigo 28, encontramos que adquirir, guardar, tiver em depósito, transportar ou trazer droga consigo para uso pessoal será sancionado com advertência sobre os efeitos das drogas (art. 28, I), prestação de serviços à comunidade (art. 28,II) ou medida educativa de comparecimento a programa ou curso educativo (art. 28, III). Logo, o consumo pessoal de droga, seja ela qual for, é contravenção penal, não mais crime, portanto, o caso concreto da "marcha da maconha" não se encaixaria ao tipo penal presente no art. 287 do CP mesmo que defendesse a defesa do uso dela independentemente do Direito Positivo - ainda que esse tipo penal deva ser reinterpretado ou repensado à luz da Constituição vigente, não é sequer o caso aqui. Ademais, reitero: Não temos cidadãos defendendo um ato sequer de desobediência civil, mas sim defendendo que a legislação contemple esse anseio, o que é sim direito constitucional.
Em suma, a marcha não poderia ter sido proibida nem ao menos fazendo uso do direito positivo vigente. Mesmo que fosse possível fazer uso dele nesse sentido, como por exemplo no caso do consumo de drogas ser ainda considerado crime, o instituto da desobediência civil existe desde tempos remotos justamente para se provocar modificações na Lei, seja tanto fazer cair leis anacrônicas quanto derrubar leis irracionais - não é, repito, o caso aqui. Para além do direito, pensando em argumentos políticos, não seria possível defender a não realização dessa marcha sem fazer uso de argumentos de natureza não-democrática - o que, no entanto, a própria democracia admite, sendo justamente essa a sua maior prova de superioridade.
Indo adiante, a questão da luta pelo direito ao uso de maconha é mais simples do que pensam seus defensores; não implica em descriminalizar nada, afinal, como coloquei, seu uso - como de qualquer outra droga -, hoje, é entendido como contravenção penal, não como crime. Também não é questão de se liberalizar nada, posto que liberdade, isto é, condição de exercer o seu poder segundo sua vontade e de acordo com os pressupostos lógicos, existe em relação à maconha na medida em que há oferta no mercado e é logicamente possível adquiri-la e consumi-la, no máximo, o que eles advogam é, na verdade, a retirada de uma liberdade: A do Estado em sancionar de qual maneira for quem faz uso de maconha. Também não é caso de se legalizar nada, afinal não é preciso, como discorrerei, alterar, revogar ou criar lei para o caso especifico da maconha. O que se discute aqui é a permissão de seu uso, a consagração de direito em si.
Indo adiante, a questão da luta pelo direito ao uso de maconha é mais simples do que pensam seus defensores; não implica em descriminalizar nada, afinal, como coloquei, seu uso - como de qualquer outra droga -, hoje, é entendido como contravenção penal, não como crime. Também não é questão de se liberalizar nada, posto que liberdade, isto é, condição de exercer o seu poder segundo sua vontade e de acordo com os pressupostos lógicos, existe em relação à maconha na medida em que há oferta no mercado e é logicamente possível adquiri-la e consumi-la, no máximo, o que eles advogam é, na verdade, a retirada de uma liberdade: A do Estado em sancionar de qual maneira for quem faz uso de maconha. Também não é caso de se legalizar nada, afinal não é preciso, como discorrerei, alterar, revogar ou criar lei para o caso especifico da maconha. O que se discute aqui é a permissão de seu uso, a consagração de direito em si.
Como conseguir isso? Simples: Não há nada na lei que diga "é proibido fumar maconha", mas sim "uso de droga gera, penalmente, x, y ou z", a sanção penal nesse caso decorre de uma norma penal propriamente em branco, ou seja, uma norma que depende de complemento presente em tipo normativo hierarquicamente inferior, no caso, em uma portaria do Ministério da Saúde. Em suma, é droga o que o Ministério da Saúde diz que é. Se o MS, portanto, um órgão do Poder Executivo, entender que a maconha não é mais substância entorpecente, dando, por exemplo, o mesmo status que ele dá ao álcool, acabou-se a história: Maconha deixa de ser droga e acabou-se a sanção penal para plantio, comércio ou uso dela.
Sobre a minha opinião pessoal, admito que tenho dificuldades para debater sobre esse assunto. A única droga que usei na vida foi o álcool, mas, honestamente, usei muito pouco e confesso que não gosto de beber - a sensação de embriaguez me incomoda profundamente. Nunca fumei tabaco ou maconha na minha vida. Mais do que isso, o mundo que eu sonho é aquele onde as pessoas não precisem de drogas para nada, nem para 'diversão', muito menos para suportarem a tensão do cotidiano. O ponto nevrálgico é que a droga em si não é o problema, mas sim as causas que levam ao seu uso e ao eventual exagero neste o são. Em suma, o modo doentio de vida que nós temos nessa pós-modernidade que nos atropela é o problema.
Não é, no entanto, minha opinião que deve prevalecer sobre os interesses da coletividade, eu sei o que é melhor para mim, mas não posso simplesmente obrigar as pessoas a seguirem isso defendendo circunstâncias jurídicas para tanto. Também não posso ignorar o impacto das drogas na comunidade, seria um egocentrismo político muito grande da minha parte. Dessa maneira, defendo que a maconha, pela sua natureza e pelos custo-benefício que isso implicaria, deixe de ser considerada como droga e que o Estado se encarregue de regulamentar e controlar todo o processo de plantio e comercialização disso, inclusive, tributando essas atividades. Em relação às outras substâncias entorpecentes como cocaína, heroína e outros, no entanto, eu não defenderia o mesmo, ao menos, não por ora.
PS: O tema é espinhoso mesmo, por isso comentários são bem-vindos aqui mais do que nunca.
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