Neste final de semana, serão realizadas as decisões dos estaduais de São Paulo, Minas, Rio e Bahia. No Paraná, ocorre a última rodada do octogonal final. Em São Paulo assim como em Minas, as coisas estão decididas; no Rio, longe disso. No meio da semana que vem, teremos os jogos de volta das oitavas da Copa do Brasil e o mais importante: Os jogos de ida das oitavas da Libertadores.
No estadual de São Paulo, o Corinthians enfiou 3 a 1 no Santos em plena Vila Belmiro na ida e precisará perder por uma diferença de no mínimo 3 gols para não levantar a taça. O Santos tem uma boa equipe, mas jogou como um pequeno afobado, mesmo tendo mais volume de jogo, a perna tremeu na hora de transformar isso em gols. O alvinegro do Parque São Jorge tem Ronaldo e um time extremamente bem armado, em especial no que toca sua defesa. Era desde o começo do torneio a equipe mais focada em vencer esse estadual e a sua mui provável vitória será justa. Não é, no entanto, uma equipe invencível, como a derrota contra o Atlético-PR pela ida das oitavas da Copa do Brasil provou - e mesmo tendo se livrado do pior ao fazer dois gols quando perdia por 3 a 0, terá uma dura missão por aqui no meio de semana.
No Rio, o Botafogo fez uma grande partida, mas perdeu dois de seus melhores jogadores contundidos e ainda tomou o empate do Flamengo. Que dizer das duas equipes? O Botafogo é um time razoável, bem disciplinadinho e que poderia ter matado essa campeonato vencendo os dois turnos. No entanto, não venceu. Assim como conseguiu ser eliminado pelo Americano de Campos na Copa do Brasil. O Flamengo de Cuca, por sua vez, é o melhor time do Rio, individualmente falando, mas carece de regularidade e de firmeza como o empate contra o Fortaleza pela Copa do Brasil sugeriu. Eu continuaria apostando no Botafogo, apesar dos pesares.
Em Minas o Cruzeiro meteu cinco no Atlético e vai entrar em campo hoje só para cumprir tabela. O time celeste ainda é um dos favoritos para vencer a Libertadores e o próprio Brasileirão que virá. Ainda tem Kléber e Ramires em estado de graça. O Galo montou um de seus melhores times nos últimos anos, mas tremeu frente ao Cruzeiro e isso pode lhe custar toda a temporada. Na Bahia, o Vitória deve confirmar sua superioridade e ganhar do Bahia. No Paraná, as Atlético e Coritiba chegam na última rodada cabeça a cabeça, mas eu apostaria no Furacão, mas tanto ele quanto o Coxa têm bons times que podem incomodar bastante no Nacional.
Pensando na Copa do Brasil, se não fosse um torneio tão maluco, eu apostaria numa final eletrizante entre o Corinthians e esse time maravilhoso do Internacional. O Corinthians, como eu disse, se livrou do pior no Paraná e creio que elimine o Atlético em casa, podendo ter pela frente o razoável Fluminense de Parreira e, quem sabe, um jogo de dificuldade mediana contra um Vitória, por exemplo. O Inter, pra variar, deu um baile no meu pobre Náutico - que periga feio nesse Brasileirão -, pode pegar um instável Flamengo nas quartas e na Semi um Coritiba ou uma Ponte, em suma, sua chave é até mais fácil que a do Corinthians. Mas não duvide, meu caro leitor: Na Copa do Brasil acontece de tudo e se você fora assisitir um Icasa x Americano na final, não vá dizer que eu não avisei que se trata de um torneio imprevisível.
Na Libertadores, teremos um confronto de brasileiros, Sport x Palmeiras. Eles vieram, coincidentemente, do grupo da morte. Mesmo que o alviverde tenha ficado em segundo, ele levou a melhor no confronto direto contra os pernambucanos e ainda se classificou de uma maneira simplesmente heróica contra o Colo Colo, o que pode dar o impulso que o time precisava nesse torneio. Os demais brasileiros, não vão pegar ninguém muito relevante; o Cruzeiro, que teoricamente é o melhor dos brasileiros nesse mata-mata, pega o esforçado Universidad de Chile e deve atropelar. O São Paulo poderia ter algum trabalho contra o Chivas, mas como os mexicanos não poderão jogar em casa devido a epidemia de gripe suína em seu país, acabe bastante favorecido, não esquecendo que ainda por cima é superior ao rival. O Grêmio tem uma barbada frente ao San Martín do Peru. Creio que é bem provável que tenhamos um brasileiro na final dessa Libertadores e quem mais ameaça nossos times, para variar, são os times da Argentina, nessa ocasião, Boca e Estudiantes.
Atualização: Desculpem, disse que as finais seriam disputadas hoje, esqueci, por culpa do feriado, que hoje ainda é sábado :-))
sábado, 2 de maio de 2009
sexta-feira, 1 de maio de 2009
Primeiro de Maio

é o Dia Internacional do Trabalhador. Ele se refere ao grande movimento operário de 1886 - cujo foco principal foi Chicago. Puxada pela AIT (Associação Internacional do Trabalho), a reivindicação central dizia respeito, pasmem, ao turno de oito de horas de trabalho. Os manifestantes foram massacrados na Praça Haymarket e os líderes do movimento foram presos e passaram por um julgamento burlesco no qual foram condenados a penas que variaram na condenação de alguns à morte, de outros à prisão perpétua ou a penas de quinze anos. Seis anos mais tarde, os que tiveram a sorte de ter sido presos foram indultados. O congresso americano, diga-se, até aprovou a bendita jornada de oito horas.
O Primeiro de Maio tornou-se um símbolo para a luta operária e passou a ser comemorado pelo mundo. Paradoxalmente, nos EUA dos tempos do marcatismo, o Primeiro de Maio deixou de ser comemorado como Dia do Trabalhador por conta de suas origens, digamos, esquerdistas - e também pelo seu significado muito forte nos países socialistas. O Labor Day deles é comemorado na primeira segunda-feira de Setembro.
Hoje, pelo Brasil, teremos certamente um sem número de mobilizações cujo caráter festivo destoa em demasia do verdadeiro significado do dia. As centrais sindicais, em grande parte, medem forças entre si. Fora isso, temos o componente da Crise. Esse ano, por certo, há mais desempregados do que no Primeiro de Maio do ano passado. No Brasil, geramos muitos empregos até o fatídico Dezembro do ano passado. Ainda passamos ao largo da situação de alguns países, mas a situação aqui também apresenta nuvens negras - não obstante as habituais, presença fixa no nosso cenário desde os anos 90.
Creio que o momento histórico em que vivemos suscita uma reflexão interessante; o modo que a humanidade se organiza para produzir, estruturada no taylorismo, fordismo e, depois, no toyotismo é intrinsecamente fracassada. O reflexo delas nas superestruras é desastroso. Não custa dizer, aliás, que isso foi um das causas da queda do bloco socialista; as revoluções no leste da Europa não foram capazes de inovar nesse sentido, bebeu-se na fonte do taylorismo e sob grande corporação estatal, o resultado foi uma grande não-Revolução. Como diria Chomsky, apostaram num modelo que valorizava mais o controle do que a eficiência produtiva. Não há nada mais anti-marxista que a China 'socialista' de hoje e há poucas coisas mais capitalistas do que seu partido comunista.
Entre os países capitalistas, que são quase a totalidade dos países do globo, a situação varia do desastre na África, na super exploração na maior parte da Ásia, no descalabro que é a Rússia pós-soviética - onde praticamente não há legislação trabalhista. Temos as ricas economias centrais, em especial a Europa, onde as condições trabalhistas lentamente se degeneram por meio de fenômenos como a terceirização ou pela migração de grande parte do setor produtivo para a China e para a Ásia. O único diferencial disso tudo são os países sul-americanos, que depois de terem descido ao fundo do poço nos anos 90, se recuperam sob o comando de líderes populares, mas ainda assim, a situação passa longe do mínimo aceitável.
Reitero, o fato é que nosso modelo de organização é desastroso. Qualquer grupo que se julgue revolucionário ou reformista, mais do que pensar na tomada do Estado - e nesse sentido não há como negar a competência dos movimentos de inspiração Leninista -, devem pensar no "e depois ? ", em suma, como organizar a cadeia produtiva para não cair na falácia Stalinista, que condena, irremediavelmente, as coisas a voltarem a ser o que eram antes - como anteviu Trotsky - e como se concretizou de maneira tão pungente no Leste Europeu e na Rússia.
quinta-feira, 30 de abril de 2009
Fins de Abril
O mês de Abril se aproxima de seu fim. Hoje, estou sentindo um misto de sentimentos e sensações, alguma alegria, um bocado de irritação e bastante tédio. De notícias de destaque nesse mês, temos aí o prosseguimento da Crise Econômica e uma sensação de que as coisas pararam um pouco de piorar por aqui - quem sabe até melhorem nesse trimestre ainda - a descida ladeira abaixo da Folha, a covardia da mídia corporativa em cima de Dilma, a crise no STF que se agrava, enfim. Muita coisa tosca, mas, acima de tudo, muita coisa previsível.
Lembro quando houve o debate acalourado entre o Joaquim Barbosa e Gilmar Mendes; muitos leitores na caixa de comentários do Nassif já insinuavam coisas como "esperem amanhã para ver a cobertura que o 'PIG' vai fazer, vão descer a lenha em Barbosa". Pessoalmente, não gosto de usar o termo 'PIG' por achar ele simplista demais e mesmo sendo crítico da mídia corporativa, também não achei que as coisas fossem acontecer exatamente desse modo.
No outro dia, qual não foi a minha surpresa ao entrar em determinados sites, blogs e portais ou abrir a página de determinados jornalões ou semanários e me deparar com isso daí mesmo, a tentativa de desconstrução do ethos do Ministro Barbosa de uma maneira bem tosca, bem previsível. Não é apenas a mídia fazendo política, é a mídia fazendo política de uma maneira muito pouco sofisticada, democrática ou sensata, defendendo posicionamentos tacanhos e figuras questionável.
Não é uma crítica ao fato dela ter se inserido no jogo político, mas o de tê-lo feito de uma maneira absolutamente questionável. A estratégia que a mídia corporativa está fazendo uso é terrível, se ela der errado num primeiro momento é o equivalente a ser atropelado por um trem, se der certo, dará errado no curto prazo. É um fenômeno que eu denominaria por venezuelificação midiática, ou seja, o uso do rebaixamento da linguagem e de táticas incendiárias e alheias à ética para insuflar um sentimento anti-democrático na população e assim realizar algum projeto político que lhe seja simpático.
Isso me deixa entediado. É um discurso que foge ao racional por completo.
Lembro quando houve o debate acalourado entre o Joaquim Barbosa e Gilmar Mendes; muitos leitores na caixa de comentários do Nassif já insinuavam coisas como "esperem amanhã para ver a cobertura que o 'PIG' vai fazer, vão descer a lenha em Barbosa". Pessoalmente, não gosto de usar o termo 'PIG' por achar ele simplista demais e mesmo sendo crítico da mídia corporativa, também não achei que as coisas fossem acontecer exatamente desse modo.
No outro dia, qual não foi a minha surpresa ao entrar em determinados sites, blogs e portais ou abrir a página de determinados jornalões ou semanários e me deparar com isso daí mesmo, a tentativa de desconstrução do ethos do Ministro Barbosa de uma maneira bem tosca, bem previsível. Não é apenas a mídia fazendo política, é a mídia fazendo política de uma maneira muito pouco sofisticada, democrática ou sensata, defendendo posicionamentos tacanhos e figuras questionável.
Não é uma crítica ao fato dela ter se inserido no jogo político, mas o de tê-lo feito de uma maneira absolutamente questionável. A estratégia que a mídia corporativa está fazendo uso é terrível, se ela der errado num primeiro momento é o equivalente a ser atropelado por um trem, se der certo, dará errado no curto prazo. É um fenômeno que eu denominaria por venezuelificação midiática, ou seja, o uso do rebaixamento da linguagem e de táticas incendiárias e alheias à ética para insuflar um sentimento anti-democrático na população e assim realizar algum projeto político que lhe seja simpático.
Isso me deixa entediado. É um discurso que foge ao racional por completo.
Colo Colo 0x1 Palmeiras
Não gosto de ser comentarista de resultado feito, mas não tive tempo de postar nada sobre os vários jogos que iriam acontecer hoje. Foi uma noite de quarta maravilhosa para quem gosta de futebol. O Palmeiras, por sua vez, tinha uma missão praticamente impossível no Chile. Tinha mais time, mas jogava fora e sequer tinha a vantagem do empate. Mais que isso, jogava contra o time que lhe dera uma pancada de 3x1 no jogo do turno da primeira fase. Este era, sem dúvida, o grupo da morte. O Palmeiras fora derrotado pela LDU em Quito (normal), mas a derrota pro Colo Colo no Palestra determinava que o time não poderia mais perder se quisesse se classificar. Depois vieram uma vitória espetacular contra o Sport no Recife, mas empatou em casa contra o brasileiro. Venceu a LDU no Palestra. Nesse ingrato jogo de hoje, venceu o Colo Colo com um jogador a menos depois de ter metido duas bolas na trave e, detalhe, venceu com um único gol, de fora da área de Cleiton Xavier, aos 42 minutos do segundo tempo - precisa de mais? Pela primeira vez no ano, o Palmeiras venceu um jogo verdadeiramente decisivo. Esse tipo de classificação é um verdadeiro estímulo na hora do mata-mata.
quarta-feira, 29 de abril de 2009
A Folha e a Carta de Dilma
Enquanto a gripe suína faz vítimas pelo mundo e gera cada vez mais pânico - como se não bastasse a Crise Mundial -, alguns órgãos de mídia parecem tomados por um verdadeiro espírito de porco que somado à sua habitual sutileza paquidérmica, provocam engulhos.
O desenrolar do caso da falsa ficha da Ministra Dilma Rousseff é tosco. A Folha, como se não bastasse o escândalo da Ditabranda, publicou uma reportagem que expõe a luta armada contra a ditadura fora de seu contexto histórico, fazendo, ainda por cima, uma acusação contra uma ministra de Estado que, por coincidência, será candidata à presidência é questionável, mas se amparar em uma ficha do DOPS flagrantemente falsa é o cúmulo da desonestidade intelectual.
Como discorreu hoje em seu blog, Luís Nassif expôs as duas possibilidades lógicas para aquela ficha: Ou foi escrita em computador ou em máquina de escrever elétrica. No DOPS não havia nem um nem outro. A falsificação, por sua vez, pode ter se originado de algum site de extrema-direita apologista da ditadura militar, mas até agora não se sabe ao certo. A alegação da Folha, esdrúxula, é de que não se podia verificar a falsidade da ficha ou não. Na dúvida, o jornal optou por fazer a acusação. Para completar o trabalho, Dilma escreveu uma carta ao ouvidor do jornal denunciando isso e ela não foi sequer publicada. Enfim, a Folha fez barba, cabelo e bigode e completou um perfeito trabalho anti-jornalístico. Brilhante. O fato é que o tiro saiu pela culatra novamente.
Sobre a Folha ter um candidato favorito à presidência, nada contra, é pleno direito dela, mas não assumir isso, é criticável. Agora, agir como veículo de oposição é imoral, pois consiste em um claro desvirtuamento da função jornalística em prol do sectarismo político - como, diga-se de passagem, é fenômeno recorrente pelo mundo e em nosso país como já abordado neste espaço. Fazê-lo do modo que está sendo feito, aí, meu arguto leitor, já é esculhambação além de ser uma faca de dois gumes: Ou é um tiro que vai sair pela culatra ou, se der certo, vai dar errado porque seria a conquista de um objetivo político via insuflamento pára-golpista - à venezuelana, para ser mais claro -, o que gera um evidente e perigoso bumerangue.
O desenrolar do caso da falsa ficha da Ministra Dilma Rousseff é tosco. A Folha, como se não bastasse o escândalo da Ditabranda, publicou uma reportagem que expõe a luta armada contra a ditadura fora de seu contexto histórico, fazendo, ainda por cima, uma acusação contra uma ministra de Estado que, por coincidência, será candidata à presidência é questionável, mas se amparar em uma ficha do DOPS flagrantemente falsa é o cúmulo da desonestidade intelectual.
Como discorreu hoje em seu blog, Luís Nassif expôs as duas possibilidades lógicas para aquela ficha: Ou foi escrita em computador ou em máquina de escrever elétrica. No DOPS não havia nem um nem outro. A falsificação, por sua vez, pode ter se originado de algum site de extrema-direita apologista da ditadura militar, mas até agora não se sabe ao certo. A alegação da Folha, esdrúxula, é de que não se podia verificar a falsidade da ficha ou não. Na dúvida, o jornal optou por fazer a acusação. Para completar o trabalho, Dilma escreveu uma carta ao ouvidor do jornal denunciando isso e ela não foi sequer publicada. Enfim, a Folha fez barba, cabelo e bigode e completou um perfeito trabalho anti-jornalístico. Brilhante. O fato é que o tiro saiu pela culatra novamente.
Sobre a Folha ter um candidato favorito à presidência, nada contra, é pleno direito dela, mas não assumir isso, é criticável. Agora, agir como veículo de oposição é imoral, pois consiste em um claro desvirtuamento da função jornalística em prol do sectarismo político - como, diga-se de passagem, é fenômeno recorrente pelo mundo e em nosso país como já abordado neste espaço. Fazê-lo do modo que está sendo feito, aí, meu arguto leitor, já é esculhambação além de ser uma faca de dois gumes: Ou é um tiro que vai sair pela culatra ou, se der certo, vai dar errado porque seria a conquista de um objetivo político via insuflamento pára-golpista - à venezuelana, para ser mais claro -, o que gera um evidente e perigoso bumerangue.
segunda-feira, 27 de abril de 2009
35 anos da Revolução dos Cravos

"Há diversas modalidades de Estado: os estados socialistas, os estados corporativos e o estado a que isto chegou! Ora, nesta noite solene, vamos acabar com o estado a que chegámos. De maneira que quem quiser, vem comigo para Lisboa e acabamos com isto. Quem é voluntário sai e forma. Quem não quiser vir não é obrigado e fica aqui."
(Salgueiro Maia, Capitão de Abril).
Quase me ocorre uma falha imperdoável: Por pouco me esqueço de registrar que hoje, 27 de Abril, comemora-se trinta e cinco da Revolução dos Cravos, evento histórico pelo qual foi posto abaixo a Ditadura Salazarista em Portugal. É verdade que Salazar já havia morrido anos antes, mas ele deixara seu inequívoco legado; um regime ditatorial fascista, uma guerra colonial interminável, infernal e implacável, uma metrópole empobrecida e emburrecida e, sobretudo, o isolamento português da Europa.
Foi nesse cenário árido e áspero que foi se solidificando o núcleo duro do qual decorreria a Revolução. O país estava inquieto e esse desconforto aturdia os mais variados setores da sociedade - e ia para além dela, não olvidando que o Partido Socialista foi fundado na Alemanha, sob as bençãos do poderoso SPD, por inúmeros intelectuais exilados pelo regime no continente. Em Portugal por mais que seja relevante as ebulições entre os operários e nas universidades - principalmente nas Faculdades de Direito de Lisboa e Coimbra -, o setor chave foi o Exército, principalmente entre os capitães, muitos dos quais tinham conhecido o horror da Guerra Colonial nos anos anteriores. Foi o Movimento das Forças Armadas que encabeçou a conspiração e desencadeou o golpe que poria abaixo o Estado Novo depois da Grândola Vila Morena, senha nº2 da Revolução, ter sido tocada em rede nacional.
Os fascistas caíram, o país passou pelo duro processo revolucionário até a promulgação da Constituição Portuguesa de 1976, uma das Cartas modernas mais belas. Portugal, a duras penas tornara-se uma Democracia e iniciaria, dali há poucos anos, o processo de integração à União Europeia, o que resultou nos anos 80 e 90 num processo que apesar de seus altos e baixos conduziu o país a uma melhora considerável na sua qualidade de vida.
O Portugal de hoje é, no entanto, um país com problemas. Haveria motivos para se comemorar, ainda, a Revolução dos Cravos? Só um parvo ou um fascista diria que não, mas não resta dúvida que não há como fazê-lo sem ser criticamente; o governo liderado por José Sócrates do PS é mais um exemplo da esquerda estilo New Labour e isso não é nenhuma novidade, afinal, o ilustre premiê daquele país não esconde sua profunda admiração por uma figura como Blair. Por outro lado, o PSD, raro exemplo de agremiação social-democrata que só o é de nome - onde foi que já ouvimos isso antes? -, vive uma crise pesada. O país, pelo seu lado, está estagnado. Que dizer do futuro?
Atualizado em 10 de Maio de 2009
Quase me ocorre uma falha imperdoável: Por pouco me esqueço de registrar que hoje, 27 de Abril, comemora-se trinta e cinco da Revolução dos Cravos, evento histórico pelo qual foi posto abaixo a Ditadura Salazarista em Portugal. É verdade que Salazar já havia morrido anos antes, mas ele deixara seu inequívoco legado; um regime ditatorial fascista, uma guerra colonial interminável, infernal e implacável, uma metrópole empobrecida e emburrecida e, sobretudo, o isolamento português da Europa.
Foi nesse cenário árido e áspero que foi se solidificando o núcleo duro do qual decorreria a Revolução. O país estava inquieto e esse desconforto aturdia os mais variados setores da sociedade - e ia para além dela, não olvidando que o Partido Socialista foi fundado na Alemanha, sob as bençãos do poderoso SPD, por inúmeros intelectuais exilados pelo regime no continente. Em Portugal por mais que seja relevante as ebulições entre os operários e nas universidades - principalmente nas Faculdades de Direito de Lisboa e Coimbra -, o setor chave foi o Exército, principalmente entre os capitães, muitos dos quais tinham conhecido o horror da Guerra Colonial nos anos anteriores. Foi o Movimento das Forças Armadas que encabeçou a conspiração e desencadeou o golpe que poria abaixo o Estado Novo depois da Grândola Vila Morena, senha nº2 da Revolução, ter sido tocada em rede nacional.
Os fascistas caíram, o país passou pelo duro processo revolucionário até a promulgação da Constituição Portuguesa de 1976, uma das Cartas modernas mais belas. Portugal, a duras penas tornara-se uma Democracia e iniciaria, dali há poucos anos, o processo de integração à União Europeia, o que resultou nos anos 80 e 90 num processo que apesar de seus altos e baixos conduziu o país a uma melhora considerável na sua qualidade de vida.
O Portugal de hoje é, no entanto, um país com problemas. Haveria motivos para se comemorar, ainda, a Revolução dos Cravos? Só um parvo ou um fascista diria que não, mas não resta dúvida que não há como fazê-lo sem ser criticamente; o governo liderado por José Sócrates do PS é mais um exemplo da esquerda estilo New Labour e isso não é nenhuma novidade, afinal, o ilustre premiê daquele país não esconde sua profunda admiração por uma figura como Blair. Por outro lado, o PSD, raro exemplo de agremiação social-democrata que só o é de nome - onde foi que já ouvimos isso antes? -, vive uma crise pesada. O país, pelo seu lado, está estagnado. Que dizer do futuro?
Atualizado em 10 de Maio de 2009
domingo, 26 de abril de 2009
Islândia e a Vitória da Esquerda
A Crise Econômica Mundial se mostra como o primeiro grande advento do processo de Globalização. Ela é, sobretudo, um grande ponto de convergência que decorre do processo de mundialização dos mercados capitalistas - uma consequência natural desse sistema de produção como já anteviu, muito antes de nós, Marx. O mundo, muito provavelmente, não acabará, no entanto, depois dela haverá um novo equilíbrio no globo.
Como eu tenho batido na tecla literal e insistentemente, ela operará mudanças mais profundas em especial, no continente europeu. Isso não é pouco. A Europa do pós-Muro de Berlim é um continente onde velhas barreiras e muros políticos desabam a cada dia, mas, paradoxalmente, é um lugar onde velhas certezas - e a velha segurança - misteriosamente acabaram; a social-democracia com a qual sonhavam os jovens que botaram o bolchevismo abaixo no leste europeu é disfuncional e inoperante em relações às demandas do mundo em globalização. A situação do leste após o fim do socialismo era caótica, depois se reverteu, implicou em avanços e agora as coisas voltam a ficar tensas.
A pequena Islândia, no alto de seus 300 mil habitantes, é um caso sui generis (como esse blog abordou em seus primórdios): Mais conservador dentre os países nórdicos, a ilha desfez o sistema social-democrático comum aos Estados dessa região nos anos 80 e ingressou numa viagem neoliberal como poucos; a experiência desregulamentatória fez com que o país, habitual líder do ranking de IDH nos últimos anos, fosse abalado de maneira decisiva por essa Crise. O governo de direita tombou e a Social-Democracia, depois de décadas, voltou ao poder num governo interino, ainda por cima com uma primeira-ministra assumidamente lésbica. Há poucas horas, a imprensa internacional anuncia a vitória da coalização entre social-democratas e verdes. A esquerda, praticamente varrida do poder na ilha, volta à baila de vez.
Seus desafios não serão pequenos; como eu coloquei, no atual momento, o consenso que guiou a esquerda europeia ocidental por muito tempo está em xeque. Na Islândia, ele fracassou já nos anos 80 e é daí que surgiu o espaço para o projeto neoliberal de Daniel Oddson. O país, por outro lado, está novamente falido depois de uns vinte anos de prosperidade ilusória que se assentou sobre a base movediça de um sistema financeiro desregulamentado - ao menos, pelo Estado. Seja como for, a coalizão liderada por Johanna Sigurdardottir teve mais da metade dos votos e terá o desafio de elaborar novas saídas. A importância em números é pequena. Ainda assim, a simbologia da vitória é enorme: Uma coalizão de esquerda liderada por uma lésbica assumida em meio a uma Europa em crise que se vê às voltas com o fantasma da intolerância e do ódio. Aguardemos.
Como eu tenho batido na tecla literal e insistentemente, ela operará mudanças mais profundas em especial, no continente europeu. Isso não é pouco. A Europa do pós-Muro de Berlim é um continente onde velhas barreiras e muros políticos desabam a cada dia, mas, paradoxalmente, é um lugar onde velhas certezas - e a velha segurança - misteriosamente acabaram; a social-democracia com a qual sonhavam os jovens que botaram o bolchevismo abaixo no leste europeu é disfuncional e inoperante em relações às demandas do mundo em globalização. A situação do leste após o fim do socialismo era caótica, depois se reverteu, implicou em avanços e agora as coisas voltam a ficar tensas.
A pequena Islândia, no alto de seus 300 mil habitantes, é um caso sui generis (como esse blog abordou em seus primórdios): Mais conservador dentre os países nórdicos, a ilha desfez o sistema social-democrático comum aos Estados dessa região nos anos 80 e ingressou numa viagem neoliberal como poucos; a experiência desregulamentatória fez com que o país, habitual líder do ranking de IDH nos últimos anos, fosse abalado de maneira decisiva por essa Crise. O governo de direita tombou e a Social-Democracia, depois de décadas, voltou ao poder num governo interino, ainda por cima com uma primeira-ministra assumidamente lésbica. Há poucas horas, a imprensa internacional anuncia a vitória da coalização entre social-democratas e verdes. A esquerda, praticamente varrida do poder na ilha, volta à baila de vez.
Seus desafios não serão pequenos; como eu coloquei, no atual momento, o consenso que guiou a esquerda europeia ocidental por muito tempo está em xeque. Na Islândia, ele fracassou já nos anos 80 e é daí que surgiu o espaço para o projeto neoliberal de Daniel Oddson. O país, por outro lado, está novamente falido depois de uns vinte anos de prosperidade ilusória que se assentou sobre a base movediça de um sistema financeiro desregulamentado - ao menos, pelo Estado. Seja como for, a coalizão liderada por Johanna Sigurdardottir teve mais da metade dos votos e terá o desafio de elaborar novas saídas. A importância em números é pequena. Ainda assim, a simbologia da vitória é enorme: Uma coalizão de esquerda liderada por uma lésbica assumida em meio a uma Europa em crise que se vê às voltas com o fantasma da intolerância e do ódio. Aguardemos.
sábado, 25 de abril de 2009
Estaduais: Reta Final


Corinthians x Santos é a decisão do Campeonato Paulista, onde, respectivamente, se enfrentam a equipe mais coesa do torneio e o time que deu o arranque na reta final. Os santistas hão de exclamar que isso lembra o Brasileirão de 2002, quando o time fez algo parecido e ganhou do poderoso Corinthians de Parreira. Naquele ano, a geração de Robinho e Diego despontava no Santos. Nesse ano de 2009, no Paulistão, o Santos foi o time que mais oscilou, mas acabou chegando lá. O Corinthians, por outro lado, foi pragmático ao extremo, é a melhor defesa do torneio, único invicto, quando deu pra ganhar, ganhou, quando havia risco de perder, se defendeu - e me parece ser o time mais focado nesse estadual - que venceu pela última vez em 2003. Sou completamente insuspeito para falar bem do Corinthians, mas o fato é que Mano Menezes deve levantar a taça, jogando ali bonitinho com o regulamento debaixo do braço.
Botafogo x Flamengo decidem o Campeonato Carioca. A distância e o falta de tempo não me ajudam muito a ter uma noção exata do que se passa no Rio. Do que eu vi esse ano, o Flamengo parece ter o melhor elenco do estado na atualidade, mas sofre com as inconstâncias próprias de seu treinador que por todos os lugares onde passou alternou do besta ao bestial. O Botafogo é a cara de Ney Franco, quietinho, arrumadinho e pragmático, mas lhe falta mais brilho, tanto é que sofreu uma bisonha eliminação nas mãos do Americano na Copa do Brasil. Time por time, o Flamengo vence. Momento por momento também daria Flamengo. Ainda assim, tenho um palpite que vai dar Botafogo.
Atlético MG x Cruzeiro fazem a melhor decisão do Campeonato Mineiro em anos, afinal, fazia tempo que os dois grandes de Minas estavam tão bem ao mesmo tempo. A volta de Leão para o Galo só ilustra a tremenda burrice que foi não ter ficado com ele no ano do centenário; esse ano com o retorno de Éder Luís e o reforço dos ex-são paulinos Júnior e Diego Tardelli somado ao ex-palmeirense Lopes dão uma força considerável para ao alvinegro. O x da questão é o Cruzeiro também evoluiu brutalmente do ano passado pra cá. A fase de Ramires é espetacular e o negócio envolvendo Kléber foi seguramente um dos melhores feitos nessa temporada - senão o melhor. Repito: Aqui, os dois fatores que me atrapalham para analisar o futebol do Rio também valem, mas eu ousaria em apontar um ligeiro favoritismo para o Cruzeiro, mas com certeza não será fácil - mais que isso, pelo que eu vi de futebol esse ano, ousaria em dizer que essa vai ser a melhor final dentre as três que eu abordei nesse post.
sexta-feira, 24 de abril de 2009
Futebol e Racismo na Europa
Há alguns dias, Michel Platini, ex-craque francês, carrasco brasileiro na Copa de 86 e atual presidente da UEFA, órgão que dirige o futebol europeu, fez uma proposta interessante: Paralisar por dez minutos as partidas em que alguma torcida proferir ofensas racistas de alguma natureza e só retoma-la quando a normalidade voltar ao estádio. A idealização dessa medida se dá em um momento em que a intolerância é cada vez mais presente no futebol europeu.
Curiosamente, o futebol europeu é uma verdadeira Babel; atuam nele jogadores latino-americanos, norte-americanos, africanos, asiáticos bem como os próprios europeus hoje, com o advento da União Europeia, atuam muitas vezes em algum outro país da comunidade continental que não o seu de origem. Como se não bastasse, toda uma geração de filhos de imigrantes já começa a despontar no futebol europeu enquanto nacionais; boa parte da Seleção Francesa é composta por negros, nascidos na África e criados na França ou mesmo já nascidos no país.
O que teria então a ver futebol europeu e racismo? Nada. O futebol, seja na Europa ou em qualquer outra parte do mundo, conserva um incontido caráter cosmopolita integrando negros, brancos e asiáticos. O fenômeno que se vê na Europa não é, de maneira alguma, futebolístico, mas sim social e político. Ele contamina os mais variados setores da população e, por óbvio, se adentra no meio futebolístico, esse inequívoco fenômeno de massas. Do mesmo modo em que a violência urbana se reflete no nosso futebol por meio da inflitração de gangues nas torcidas, o mesmo se dá na Europa com seus racistas.
Como esse blog já dissertou longamente há pouco tempo, a situação da Europa não é boa. O continente está estagnado economicamente, será um dos mais afetados pela Crise e o somatório disso com o esgotamento das forças políticas, à direita e à esquerda, gera um terrenos fértil para a intolerância e para a xenofobia. De Moscou até Lisboa, de Helsinki até Atenas, grupos neonazistas são formados por jovens que se reúnem para massacrar minorias - especialmente imigrantes. Mesmo dentre os setores médios da população, cresce um discurso fácil e demagógico onde imigrantes e minorias de um modo geral são apontadas como os culpadas pela situação do continente.
Nesse contexto, o futebol não pode nem deve se omitir. A UEFA, enquanto instituição máxima do futebol europeu, não pode se eximir de fazer o que puder contra isso. No entanto, não será a sua mui valorosa iniciativa, por si só, que mudará o panorama. Desse modo, que ela seja entendida - e tomada - como um pontapé inicial para poder virar esse jogo e que do conhecimento das limitações de seu poder surjam medidas práticas em parceria com os governos nacionais e com a UE.
Curiosamente, o futebol europeu é uma verdadeira Babel; atuam nele jogadores latino-americanos, norte-americanos, africanos, asiáticos bem como os próprios europeus hoje, com o advento da União Europeia, atuam muitas vezes em algum outro país da comunidade continental que não o seu de origem. Como se não bastasse, toda uma geração de filhos de imigrantes já começa a despontar no futebol europeu enquanto nacionais; boa parte da Seleção Francesa é composta por negros, nascidos na África e criados na França ou mesmo já nascidos no país.
O que teria então a ver futebol europeu e racismo? Nada. O futebol, seja na Europa ou em qualquer outra parte do mundo, conserva um incontido caráter cosmopolita integrando negros, brancos e asiáticos. O fenômeno que se vê na Europa não é, de maneira alguma, futebolístico, mas sim social e político. Ele contamina os mais variados setores da população e, por óbvio, se adentra no meio futebolístico, esse inequívoco fenômeno de massas. Do mesmo modo em que a violência urbana se reflete no nosso futebol por meio da inflitração de gangues nas torcidas, o mesmo se dá na Europa com seus racistas.
Como esse blog já dissertou longamente há pouco tempo, a situação da Europa não é boa. O continente está estagnado economicamente, será um dos mais afetados pela Crise e o somatório disso com o esgotamento das forças políticas, à direita e à esquerda, gera um terrenos fértil para a intolerância e para a xenofobia. De Moscou até Lisboa, de Helsinki até Atenas, grupos neonazistas são formados por jovens que se reúnem para massacrar minorias - especialmente imigrantes. Mesmo dentre os setores médios da população, cresce um discurso fácil e demagógico onde imigrantes e minorias de um modo geral são apontadas como os culpadas pela situação do continente.
Nesse contexto, o futebol não pode nem deve se omitir. A UEFA, enquanto instituição máxima do futebol europeu, não pode se eximir de fazer o que puder contra isso. No entanto, não será a sua mui valorosa iniciativa, por si só, que mudará o panorama. Desse modo, que ela seja entendida - e tomada - como um pontapé inicial para poder virar esse jogo e que do conhecimento das limitações de seu poder surjam medidas práticas em parceria com os governos nacionais e com a UE.
quarta-feira, 22 de abril de 2009
A Intervenção do Ministro Barbosa
Agora há pouco, o Ministro Joaquim Barbosa se insurgiu com uma coragem e franqueza como há muito tempo não via nesse país. O Ministro se insurgiu contra Gilmar Mendes e a forma lamentável como ele vem conduzindo a nossa Suprema Corte. Foi brilhante. Há pouco mandei esse e-mail parabenizando-o. Faça o mesmo. O e-mail do Ministro é gabminjoaquim@stf.gov.br.
Minhas Congratulações
Excelentíssimo Ministro Joaquim Barbosa,
Prometo ser breve e franco.
Enquanto cidadão e estudante de Direito, confesso que me encontrava deprimido, já há muito, com o nosso Judiciário, em especial, com nossa Suprema Corte. Deprimido a ponto de não ter mais estímulo para continuar estudando e, simplesmente, não conseguir vislumbrar meu futuro profissional na área. Além de todos os problemas de nosso país, confesso que os rumos que traçavam para nossa Suprema Corte - os quais me indignavam e me afligiam profundamente - eram uma das principais causas da minha frustração.
Era paradoxal; se de um lado, finalmente via o avanço de nossa democracia formal e a possibilidade de consolidação do nosso STF no papel que cabe a uma Suprema Corte em um regime democrático, do outro, via esse momento histórico ser desperdiçado por conta da atuação indigna de muitos dos ministros da referida Corte, o que, ainda por cima, vinha acompanhado de um silêncio ensurdecedor e insuportável por parte de seus pares. Acima de tudo, causava-me espécie - como ainda me causa - a conduta do excelentíssimo Ministro Gilmar Mendes e a forma como ele vinha presidindo a referida Corte - ignominiosamente, sem dúvida.
Qual não foi a minha surpresa ao ver há pouco, no blog do renomado jornalista Luís Nassif, a providencial - e histórica - intervenção de Vossa Excelência no que toca a conduta pouco adequada do Ministro Mendes enquanto presidente de nossa - nossa - Suprema Corte. Peguei-me surpreso, positivamente surpreso, como há muito não me sentia. Faço de vossas palavras as minhas. Compartilho de vossa indignação. Mais do que isso: Vossa atitude me encantou e provou que há uma luz no fim do túnel. Meus parabéns, senhor Ministro. Meus parabéns.
Abraços fraternais
Atualização de 23/04 às 17:30 Além do e-mail divulgado acima, na verdade, do gabinete do Ministro, também existe esse: mjbarbosa@stf.gov.br. Ademais, a repercurssão hoje foi forte. A reação de Gilmar Mendes não tardou e os ministros que participaram daquela sessão plenária se reuniram por três horas a portas fechadas para decidir o que fazer. Informes apontam que Mendes desejava uma punição dura para Barbosa e alguns ministros como Menezes Direito e César Peluzo o apoiaram. Outro grupo integrado pelo Ministro Ayres Britto defendeu uma nota de repúdio sobre o que aconteceu, mas não concordaram com a citação do nome do Ministro Barbosa nem apoiaram uma punição - e essa posição aparentemente foi vitoriosa. O Ministro Barbosa manteve sua posição. Os setores de sempre da mídia da mantiveram o discurso de sempre a favor de Mendes hoje. O ar no Supremo, por certo, está irrespirável hoje, mas uma coisa é certa; nada voltará a ser como antes. A crise suscitada pela maneira como Gilmar Mendes vem presidindo a mais alta corte do país não parará por aí. Nunca antes o STF esteve numa situação tão frágil e isso é simplesmente terrível para o país. Outros desdobramentos virão, por certo. Estejamos atentos.
Minhas Congratulações
Excelentíssimo Ministro Joaquim Barbosa,
Prometo ser breve e franco.
Enquanto cidadão e estudante de Direito, confesso que me encontrava deprimido, já há muito, com o nosso Judiciário, em especial, com nossa Suprema Corte. Deprimido a ponto de não ter mais estímulo para continuar estudando e, simplesmente, não conseguir vislumbrar meu futuro profissional na área. Além de todos os problemas de nosso país, confesso que os rumos que traçavam para nossa Suprema Corte - os quais me indignavam e me afligiam profundamente - eram uma das principais causas da minha frustração.
Era paradoxal; se de um lado, finalmente via o avanço de nossa democracia formal e a possibilidade de consolidação do nosso STF no papel que cabe a uma Suprema Corte em um regime democrático, do outro, via esse momento histórico ser desperdiçado por conta da atuação indigna de muitos dos ministros da referida Corte, o que, ainda por cima, vinha acompanhado de um silêncio ensurdecedor e insuportável por parte de seus pares. Acima de tudo, causava-me espécie - como ainda me causa - a conduta do excelentíssimo Ministro Gilmar Mendes e a forma como ele vinha presidindo a referida Corte - ignominiosamente, sem dúvida.
Qual não foi a minha surpresa ao ver há pouco, no blog do renomado jornalista Luís Nassif, a providencial - e histórica - intervenção de Vossa Excelência no que toca a conduta pouco adequada do Ministro Mendes enquanto presidente de nossa - nossa - Suprema Corte. Peguei-me surpreso, positivamente surpreso, como há muito não me sentia. Faço de vossas palavras as minhas. Compartilho de vossa indignação. Mais do que isso: Vossa atitude me encantou e provou que há uma luz no fim do túnel. Meus parabéns, senhor Ministro. Meus parabéns.
Abraços fraternais
Atualização de 23/04 às 17:30 Além do e-mail divulgado acima, na verdade, do gabinete do Ministro, também existe esse: mjbarbosa@stf.gov.br. Ademais, a repercurssão hoje foi forte. A reação de Gilmar Mendes não tardou e os ministros que participaram daquela sessão plenária se reuniram por três horas a portas fechadas para decidir o que fazer. Informes apontam que Mendes desejava uma punição dura para Barbosa e alguns ministros como Menezes Direito e César Peluzo o apoiaram. Outro grupo integrado pelo Ministro Ayres Britto defendeu uma nota de repúdio sobre o que aconteceu, mas não concordaram com a citação do nome do Ministro Barbosa nem apoiaram uma punição - e essa posição aparentemente foi vitoriosa. O Ministro Barbosa manteve sua posição. Os setores de sempre da mídia da mantiveram o discurso de sempre a favor de Mendes hoje. O ar no Supremo, por certo, está irrespirável hoje, mas uma coisa é certa; nada voltará a ser como antes. A crise suscitada pela maneira como Gilmar Mendes vem presidindo a mais alta corte do país não parará por aí. Nunca antes o STF esteve numa situação tão frágil e isso é simplesmente terrível para o país. Outros desdobramentos virão, por certo. Estejamos atentos.
Assinar:
Postagens (Atom)