quarta-feira, 7 de julho de 2010

Notas da Copa: Espanha e a Final Inédita

(Puyol vibra - Marca)

A Espanha se classificou à final da Copa. Será uma final inédita que nos dará um campeão mundial inédito. Nenhuma novidade quantos aos dois classificados, afinal de contas, são duas das quatro equipes do grupo de seleções que mais se destacou nos últimos quatro anos - junto com a Alemanha e o Brasil, eliminados, certamente não à toa, pelos dois finalistas, muito embora o prognóstico apontasse para um ligeiro favoritismo dos dois derrotados. Não, eu não julgava a Espanha favorita para o jogo de hoje e o mesmo - em maior grau, é verdade - da Holanda em relação ao Brasil. Mas a graça do futebol é essa.

A Espanha, vitoriosa hoje, estreou com derrota para o potente ferrolho suíço, recuperou-se sem brilho contra Honduras, sofreu para derrotar o Chile e bateu Portugal e Paraguai mais apertado do que poderia se supor - o time mostrou brilho, leveza, elasticidade, mas sua defesa assustava e seu ataque mostra pouca qualidade de concretização. Hoje, as coisas foram diferentes, ainda que o placar mínimo frente à Alemanha iluda, a Fúria fez seu melhor jogo na Copa, encaixou a marcação em cima de um time que sabe atacar e soube articular jogadas contra um time que sabe se defender. Até o jogo de hoje, a Espanha parecia mais uma equipe que joga um belo futebol, mas depois, se afirmou como um time campeão.

No entanto, a Alemanha, sem Müller, suspenso, teve uma perda maior do que a ausência de seu ponta-direita: A mudança do seu esquema para o 4/4/2 lhe fez mal, tirando boa parte da força ofensiva com a qual ela marchou sobre a Inglaterra e a Argentina. Hoje, foi diferente. Mesmo a boa marcação sobre a Espanha no primeiro tempo esbarrava numa incrível ausência de jogadas pelas pontas, justamente onde morava sua força. Por outro lado, a estrela de Casillas brilhou novamente, a defesa espanhola jogou bem. Xavi e Xabi Alonso brilharam especialmente hoje. O mesmo se pode dizer de Iniesta. Villa esteve um pouco abaixo da média, Pedro estava nervoso. Mas Puyol foi heroico com sua planada no escanteio perfeitamente batido por Xavi. Foi o diferencial de um jogo profundamente equilibrado.

Na decisão, pegamos uma Espanha que vinha derrapando, mas quando precisou, mostrou firmeza.Muita firmeza. Do outro, uma Holanda que entre erros e acertos, venceu todos os jogos com suas falhas passando batido - e, sobretudo, suas jogadas de ataque acertando, cirurgicamente, o calcanhar de Aquiles do rival. A Espanha me parece mais inteira, mas futurologia e prognósticos não são comigo, mas com esse polvo-profeta que dizem que existe por aí - hoje, ele me venceu, não tenho esperança alguma em vencer caso ele diga o contrário.

terça-feira, 6 de julho de 2010

Notas da Copa: Holanda na Final

(será?)

Hoje, a Holanda de Bert van Merwijk chegou à final da Copa ao derrotar o bravo Uruguai por 3x2. O futebol da Laranja se mostrou, novamente, mecânico, nem tanto por qualquer referência a certa agressividade kubrickiana, mas sobretudo pela maneira previsível e amarrada que joga. Trata-se de um autômato com pouco originalidade. As mesmas falhas do seis jogos anteriores que não foram bem aproveitadas por nenhum dos seus adversários: Todos derrotados - inclusive o Brasil. O Uruguai de Oscar Tabárez bem que tentou, mas errou mais do que o rival e, muito embora tenha lutado bravamente, caiu.

A Celeste Olímpica entrou sem o centroavante Suárez, o que levou a uma mudança de esquema: Saiu o 4/2-3/1 entrou o 4/4/2 com duas linhas, onde Gargano reforçou o meio, liberando asim Forlán e Cavani para o ataque. A Holanda manteve exatamente o mesmo esquema de sempre, seu 4/2-3/1, com um novo espírito operário, fruto da filosofia de seu treinador e de uma inquietação de seu país por nunca ter levado a Copa - o que se explica também pela própria composição do elenco: Apesar de equilibrado nos setores, apenas Sneijder e Robben são capazes de brilhar.

A Holanda impôs seu ritmo de jogo sobre um assustado rival e abriu o placar: Chutaço de Van Bronckhorst no ângulo de Muslera. Depois, seguiu o jogo morno, com os holandeses controlando o jogo frente a um rival que ia crescendo a medida que seus nervos iam se assentando, mas que ainda assim não conseguia aproveitar as muitas falhas da defesa adversária. No fim do Primeiro Tempo, Forlán, o craque uruguaio, se viu sem marcação na frente da área assim como viu um Sketenlemburg adiantado: O Uruguai empatou.

Na segunda etapa do jogo, o improvável acontecia com o Uruguai marcando a Holanda sob pressão e tomando a iniciativa do jogo. A Holanda mal conseguia contra-atacar. Mas de chance perdida em chance perdida, a Holanda foi reassumindo o controle do jogo. o 4/4/2 em linha quando confrontado com o 4/2-3/1 produz coisas interessantes, mas acaba reduzindo o meio de campo há dois homens de cada lado, na medida em que os exteriores de um avançam e os pontas do outra fazem o mesmo - restando ainda um volante que faz a sobra -, o que é minimizado com equipes descansadas reduzindo o campo, mas que fica exposto na Segunda Etapa.

O Uruguai não conseguiu virar, mas a Holanda, em um contra-ataque estranho, retomou a dianteira do placar com Sneijder chutando, a bola desviando na zaga e com o impedido Van Persie atrapalhando Muslera. 2x1. A Celeste sente o gol e a Holanda em contra-ataque pela esquerda e o esforçado Kuyt centrou, como um ponta das antigas, para Robben, sem precisar pular, cabecear e fazer 3x1. O jogo seguiu em banho-maria até que nos acréscimos, o Uruguai, que parecia morto, descontou em belo chute de Maxí Pereira. Por incrível que pareça, os últimos cinco minutos de jogo foram incrivelmente disputados, mas não deu, nada de empate. A Holanda chegou a sua terceira final de Copa.

Honestamente, o time de Van Merwijk, ainda que represente uma das melhores escolas da Europa e venha jogando bem há quatro anos, não me encanta muito nesta Copa. Não é uma questão do time jogar um futebol de resultados, muito pelo contrário, já era mesmo da Holanda largar mão do preciosismo e equilibrar mais seu time, o ponto aqui é o quanto a Holanda erra por jogo e depende de algum lance de efeito de Sneijder e Robben que, por ora, deitaram e rolaram sempre em cima da desatenção das defesas adversárias e não por mérito próprio. A defesa erra muito também. Amanhã, Alemanha e Espanha farão o grande jogo das semi-finais - há quem fale em final antecipada e eu não duvidaria disso -, mas será que a injustiça se inverterá e uma das piores holandas que eu vi jogar romperá com a sina dela ser a seleção mais injustiçada da história das Copas?

segunda-feira, 5 de julho de 2010

O Impasse da Candidatura Serra



Certamente, todos os analistas políticos do país foram surpreendidos com toda a celeuma gerada na candidatura Serra devido a escolha de Álvaro Dias como candidato a vice e, mais ainda, com o seu atabalhoado recuo seguido da exótica escolha de Índio da Costa como seu vice - um quadro de segundo escalão da direita carioca, desconhecido até mesmo por seus conterrâneos. Isso reflete algumas coisas interessantes. Primeiro, é que mesmo os entusiastas de Serra próximos ao esquema do PSDB subestimaram o tamanho da crise pela qual passa sua candidatura. Segundo, as pessoas ainda superestimam o controle que Serra tem de sua campanha e terá de um eventual - porém improvável - governo seu.

Em primeiro lugar, toda a estratégia de Serra para a escolha de seu vice deu errado quando caiu o castelo de José Roberto Arruda, ex-Governador do Distrito Federal, em Dezembro do ano passado. É sabido que Serra mantinha relações próximas com Arruda, o via como um bom sujeito de boa capacidade gerencial, leal e que resolveria o problema da montagem de chapa com o DEM: Serra tinha alguém de confiança e, ao mesmo tempo, alguém que era do partido aliado. No entanto, o staff político de Serra errou o cálculo e não sabia exatamente onde estava se metendo. Veio a queda, a crise no DEM - justo na parte que não convinha a Serra - e Dilma prosseguia subindo nas pesquisas. 

Depois, vieram todas as sabotagens contra as pretensões de candidatura do governador mineiro Aécio Neves, incluso aí, a tentativa de jogar as prévias - ou um processo de escolha qualquer - mais para frente, quando o cenário já estaria delineado -, o que permitiria a Serra desistir se as coisas estivessem muito ruins, deixando a indicação para Aécio disputar uma eleição perdida. O ex-governador paulista foi posto em xeque pelo rival interno: Aécio desistiu da disputa, centrou suas forças na disputa segura por uma vaga no Senado e se prepara para, quem sabe, assumir a posição de líder do governo no Senado, caso Serra vença, ou, de preferência, ser o líder da oposição e construir, de uma segura cadeira de senador, sua candidatura presidencial em 2014.

Com Dilma em alta, Serra lançou mão de uma estratégia desesperada: Tentou cooptar Aécio como vice para agregar votos. Evidentemente, por mais que isso agradasse aos setores empresariais que apóiam Serra e ao próprio DEM - até pelo motivo de que se Aécio aceitasse, eles pouco poderiam fazer -, Aécio não toparia a empreitada. Nesse sentido, a leitura de Luís Nassif é simples e precisa: Se Serra ganhasse não seria uma vitória de Aécio, se Serra perdesse, seria a derrota da chapa. A negativa de Aécio foi fatal e desencadeou a crise na chapa da Serra, como se não bastassem todos revezes - que nem mais "os pontos fora da curva" do Datafolha ajudavam a esconder -, Serra ainda não tinha um vice.

Eis que surge o nome do senador paranaense Álvaro Dias. Isso tudo logo cima de uma articulação perfeita, do ponto de vista estritamente eleitoral, do PT: O partido da estrela fez uma aliança com o PMDB e o PDT local para montar uma grande chapa, na qual Osmar Dias - irmão de Álvaro - seria apoiado para o governo junto com os nomes da petista Gleisi Hoffmann e do peemedebista Roberto Requião para o Senado. Assim, Serra desfazia o impasse do vice, numa manobra qualquer que poderia ser transformada em uma "defesa estratégica da posição sulista" pelo seu staff - afinal, cooptando o irmão, minaria-se a chapa. Ledo engano. Os problemas de Serra mal começaram.

Rapidamente, o DEM, que sequer tinha sido avisado oficialmente da escolha de Álvaro como vice, insurgiu-se, como relatado aqui. Ronaldo Caiado, vice-presidente do partido, ainda pelo twitter, deu duros golpes na manobra de Serra e fez uma ameaça real de rompimento da chapa. Evidentemente, uma chapa puro-sangue com Aécio seria uma coisa, com Álvaro, um pároco de província, outra - some ao alcance meramente regional do senador paranaense o fato de que sua posição, mesmo nos meios tucanos, não é nada agradável: A vida política de Álvaro Dias, seja no antigo MDB ou no PSDB, é de um considerável desdém às regras  tácitas do grande jogo da política nacional; ele sempre teve votos consideráveis em sua região e, talvez por isso, muitas vezes agiu como um verdadeiro franco-atirador contra às estruturas nacionais do seu próprio partido, como no caso em que foi expulso do PSDB nos fins da Era FHC por propor uma CPI contra o Governo, para um ano depois ser readmitido.

A pressão do DEM, com era de se esperar, fez efeito. E rápido. Pressionado, Serra foi obrigado a aceitar um vice demista. César Maia acabou sendo o incumbido da indicação que teria de ser ratificada por Serra. O nome era do obtuso deputado demista carioca Índio da Costa. Disso, primeiro veio a perplexidade geral, depois a possibilidade de ser um mero boato, o que se seguiu da surpresa com a confirmação do nome - bem como do horror em relação as primeiras revelações acerca de sua atuação parlamentar. Passados alguns dias, apurada sua atuação parlamentar, a indagação do NPTO torna-se crível - Índio da Costa: Serra Palin?

Índio já tentou instituir a multa-esmola - isto é, tentar punir os pervertidos cidadãos que tentem dar dinheiro à laia dos mendigos -, foi contra a exploração de petróleo no Pré-Sal (?!) e ainda se ateve a banalidades como a velha questão da proibição da venda de guloseimas nas cantinas das escolas - no entanto, sua atuação parlamentar teve como destaque ter sido um dos parlamentares da Lei da Ficha Limpa, proposta claramente inconstitucional que proíbe a candidatura de cidadãos contra os quais exista algum processo judicial; em suma, falo de um mimo legislativo que foi cinicamente apoiado por boa parte dos candidatos à Presidência por uma questão de "imagem", mas que, como qualquer cidadão bem informado desta República sabe, acabará por ser triturado, no devido tempo, pelo STF, a menos que lhe deem alguma utilidade.

Enfim, isso é um demonstrativo do que venho defendendo já há algum tempo: Serra, mesmo com seu discurso "keynesiano" e "desenvolvimentista" não tem controle sobre nada, tratando-se apenas de uma figura política destinada a realizar o que os grupos de interesse específico que viabilizaram - e formam realmente - sua candidatura querem. Serra não tem controle algum sobre sua própria campanha e estará rifado em um eventual governo seu. Tais interesses que o controlam vão desde os ruralistas à mídia corporativa passando pelo establishment demagógico da direita carioca. Isso não é nada bom.


domingo, 4 de julho de 2010

Notas da Copa: Análise do Brasil


O Brasil venceu três jogos, empatou um e perdeu o outro. Ficamos na sexta colocação da Copa com a eliminação nas quartas de final com 10 pontos - portanto, dois pontos a menos do que a Argentina, três a mais do que Gana e quatro a mais do que o Paraguai. O time marcou nove gols e tomou quatro. Qualitativamente, a equipe fez uma estreia meramente razoável embora tenha vencido, cresceu muito na segunda partida e aproveitou mal o último jogo da primeira fase, quando já estava classificado. A partida contra o Chile nas oitavas marcou a retomada do bom futebol, o que durou até o intervalo do jogo contra a Holanda. O segundo tempo contra a Laranja foi o pior momento do Brasil em toda a Copa - e foi fatal.

Notas do último Jogo:

1. Júlio César: Falhou no primeiro gol e ficou desestabilizado. 4,0
2. Maicon: Bem marcado por Kuyt, ainda tenou bastante. 6,5
3. Lúcio: Em tese, cumpriu sua missão, que era marcar Van Persie, mas falhou, junto com o resto da zaga no posicionamento quando das bolas paradas. 5,5
4. Juan: O mesmo que Lúcio. 5,5
6. Michel Bastos: Marcou Robben melhor do que se esperava, mas em certos lances se afobou demais.  4,5
(16. Gilberto)  Entrou para marcar Robben e nem comprometeu nem acrescentou. 5,0
5. Felipe Melo: Uma bela enfiada de bola no lance do primeiro gol e um segundo tempo desastroso com direito a gol contra e expulsão. 3,0
8. Gilberto Silva: Sua marcação sobre Sneijder estava perfeita, até o time entrar em pane. 6,0
13. Daniel Alves: Realmente não conseguiu fazer a função de Elano. Errou quase tudo, por mais volutarioso que tenha sido. 3,5
10. Kaká: Bem marcado e sem condições físicas ideais, conseguiu ainda produzir dois lances de perigo contra o gol adversário. 6,5
11. Robinho: Fez o gol e um excepcional primeiro tempo. Depois, caiu com o resto do time. 7,0
9. Luís Fabiano: Perdeu a briga para a zaga laranja. 4,0
(21. Nilmar) Poderia ter entrado antes, tentou botar fogo no jogo. 5,5  
Nota Média: 5,11
TDunga:  O time estava bem distribuído em campo e tinha o controle do jogo no primeiro tempo, mas sofreu uma pane no intervalo. Substituiu bem, ainda que Nilmar pudesse ter começado um pouco antes. As ausências de Ramires e Elano fizeram a diferença. 4,5


Nota Média Geral e Avaliações:


1. Júlio César: Mostrou segurança ao longo da Copa, não teve culpa no gol contra a Coreia - embora pudesse ter abafado -, foi vítima da zaga no gol de Drogba, falhou no primeiro gol contra a  Holanda e não teve culpa no segundo. 6,2
2. Maicon: Foi o melhor jogador da equipe na Copa. Não deu brechas na marcação e apoiou com eficácia. Marcou o primeiro gol do time. 7,4
3. Lúcio: Demonstrou técnica, mas foi displicente nos lances dos gols em termos de posicionamento. 6,0
4. Juan: Marcou até gol, mas de resto foi igual a Lúcio. 6,1
6. Michel Bastos: Aposta arriscada numa posição que não deu muitas escolhas para Dunga, fracassou. 4,5
16. Gilberto: Pelas contingências, merecia ser o titular na lateral-esquerda, mas acabou entrando pouco. 5,0
5. Felipe Melo: Outra aposta arriscada, quando ia perdendo a posição, Ramires foi suspenso e acabou indo do céu ao inferno contra a Holanda. 4,2
18. Ramires: Entrou bem nos jogos da primeira fase, mas só ganhou a vaga de titular com a contusão de Felipe Melo. Quando ia dominando a posição, foi suspenso de maneira boba. 7,5
8. Gilberto Silva: Não chegou à Copa no seu auge, mas é de longe o melhor primeiro-volante revelado no futebol brasileiro desde a aposentadoria de César Sampaio. Se não ajudou tanto desta vez, também não comprometeu. 5,7
20. Kléberson: Entrou só no fim de um jogo.
7. Elano: Fez dois jogos muito bons, mas foi criminosamente tirado da Copa. 7,2
13. Daniel Alves: A verdade é que foi mal, sentiu a pressão de uma Copa e diminuiu. 4,4
10. Kaká: Duas Copas, uma em que ele foi traído por um grupo que jogou contra si, outra em que ele foi traído pela sua condição física. Lutou o quanto pôde e foi bem. 7,0
19. Júlio Bapstista: Só teve oportunidade fora de sua posição e foi mal. 4,0
11. Robinho: Jogou para o time e foi crescendo no decorrer da Copa, infelizmente a equipe parou antes de chegar no apíce. 6,8
9. Luís Fabiano: Foi fundamental contra a Costa do Marfim, funcionou contra o Chile, mas foi mal no resto. 5,9
21. Nilmar: Merecia mais oportunidades, entrou sempre no fim dos jogos para dar gás. 5,5

Dunga: Em termos gerais, foi vítima de uma entre-safra do futebol nacional e escalou o melhor que pôde. Falhou na armação do sistema de marcação no meio; na lateral-esquerda, fez o que pôde. Ainda foi prejudicado por contusões - provocadas ou não - e suspensões ao longo do torneio. 6,1

Média da Seleção no jogo a jogo: 5,702

Elas por elas, o nosso melhor jogador foi Maicon, afinal, Ramires só jogou um jogo e a parte final de outro.

Porque é Inverno, afinal

Uma graça Françoise Hardy cantando em inglês com seu sotaquezinho francês:

sábado, 3 de julho de 2010

O Pós-Dunga: Felipão



O Ciclo de Dunga a frente da Seleção Brasileira, como já era sabido, terminou. Com ou sem o hexa, o treinador da seleção já havia adiantado que sua participação na Seleção Brasileira se encerraria nessa Copa. E ele termina com um senhor aproveitamento de 76,66% dos pontos a frente da Seleção principal, dois títulos e a sexta colocação na Copa do Mundo da África do Sul. Agora, a CBF tem uma missão dura pela frente: Trazer um técnico capaz de tocar o insano trabalho da próxima Copa, em relação a qual, por coincidência, seremos o país-sede - e se em uma situação típica as expectativas em torno da Seleção já são absurdas, imagine só daqui a quatro anos...

As especulações, claro, passaram imediatamente a girar em torno do nome de Luís Felipe Scolari, seguramente o melhor treinador brasileiro em exercício e comandante brasileiro do Penta. Agora há pouco, Felipão, que está de retorno ao Brasil para treinar o Palmeiras, declarou que está focado no time paulista e que, pelo menos até 2012, não pensa na Seleção Brasileira. A decisão é óbvia. Primeiro, Felipão jamais descumpriria sua palavra com a direção do Palmeiras, isso nunca foi do seu feitio. Segundo, dividir-se enquanto técnico da Seleção e, ao mesmo tempo, de um clube seria uma tarefa esquizofrênica e insuportável - a experiência de Vanderlei Luxemburgo, em 1999, no Corinthians e na Seleção nos prova disso bem.

Outro aspecto da negativa é que Felipão pensará bem em aceitar o convite da Seleção. O treinador tem uma experiência no mínimo radical com o time nacional: Quando o assumiu, no distante ano de 2001, a equipe vivia a fase mais negra de sua história, arriscado a não conseguir, sequer, a vaga para a Copa da Ásia. Nada funcionava, a ferida causada pela derrota na final de 98 ainda estava aberta, o trauma pelas desditas nos dois anos anteriores estava bloqueando qualquer iniciativa, o modelo de gestão da CBF - disfuncional até na bonança - colapsava diante do impasse - e o futebol do país, ainda por cima, vivia um período de entre-safra.

A pressão que pesa sob a cabeça do treinador do escrete canarinho estava potencializada e as derrotas no início tornaram a situação insustentável. A imprensa esportiva nativa, limítrofe e presunçosa como só ela, já acendia suas tochas numa tentativa prévia de racionalização de um fracasso - que sequer havia acontecido -, escolhendo a via da caça aos bodes-expiatórios - no caso, de um grande e único bode-expiatório: Felipão, que, ainda por cima, tomou duas decisões racionais que serviram para botar mais lenha na fogueira ao colocar o time para jogar no 3/5/2 - tendo em vista a inexperiência dos zagueiros do time e a aptidão dos laterais para apoiar e criar jogadas - e não convocar Romário, ídolo e responsável pelo Tetra que vivia uma crise aguda-extrema de marra, que o tornava fator de desestabilização.

Como apanhou Felipão.O que Dunga passou não foi nada perto daquilo. Pelo menos uma coisa ele teve de vantagem: A crise era tamanha na seleção que sua autonomia como treinador foi uma das maiores desde que o Regime Militar tirar João Saldanha do comando do time nacional nos idos dos anos 70. Suas apostas deram rigorosamente certo. O único erro, a marcação do meio-de-campo, foi acertado durante a própria Copa com a troca de Juninho Paulista por Kléberson. Ganhamos a Copa. Felipão não continuou. Seu último jogo, aliás, foi um amistoso que perdemos para o Paraguai. As exigências da CBF e o modo como o trabalho deveria continuar dali em diante não lhe pareciam incentivos para continuar. Foi o que aconteceu e para seu lugar veio Carlos Alberto Parreira, homem de confiança do poder.

Felipão conhece muito bem os interesses que gravitam em torno do time nacional e de como tudo que ele construiu pode ir por água abaixo facilmente. Sua volta é possível no prazo em que ele estipulou, mas apenas numa situação minimamente digna, o que eu tenho minhas dúvidas se essa CBF será capaz de - ou estará disposta a - produzir.

Notas da Copa: Alemanha e Espanha


(Schweinsteiger e Villa vibram)







A América do Sul colocou quatro equipes nas quartas de final, mas terá apenas um time seu na semi-final. Os três europeus passaram adiante. O único resultado que fugiu à normalidade foi a vitória holandesa diante de um Brasil que apagou no Segundo Tempo e tomou a virada. De resto, hoje assistimos à Argentina tomar uma goleada da Alemanha (4x0) e o Paraguai, valente, sendo eliminado pelo placar mínimo frente à Espanha. Os placares mais parecem ter sido invertidos. De qualquer modo, assistiremos agora à repetição da final da Euro 08 com o jogaço entre Alemanha e Espanha enquanto a Holanda, precocemente eliminada naquela ocasião, pegará o improvável Uruguai - uma boa equipe, mas que necessitará que o espírito do Maracanaço se abata sobre essa Copa.

Pela manhã, prevaleceu a bola cantada: A Alemanha, cuja jogada forte é pelas pontas, pegou uma Argentina, cujo calcanhar-de-aquiles eram as laterais. O conflito pelo domínio do meio, que eu esperava ser mais disputado, resultou numa vitória alemã, com demasiada facilidade. Foi assim que surgiu o lance do primeiro gol. Falta em cima de um ponta Podolski, falta cobrada pelo segundo volante Schweinsteiger e gol do outro ponta, Müller. Tentativa de reação do time argentino durante todo o primeiro, mas a boa zaga alemã salvava, enquanto o quarteto Di Maria, Messi, Higuaín e Tévez abusava da individualidade. Segundo tempo. Ou a Argentina fazia o gol de empate ou tomava o segundo. A Alemanha contra-ataca e faz 2x0. Ali o jogo acabou. O resto foi o desequilíbrio da Argentina resultando em mais dois gols germânicos com Klose se aproveitando para passar Ronaldo na artilharia das Copas. 4x0. Tristeza de Maradona.

Depois, Espanha contra Paraguai. Gerardo Martino, um grande técnico, armou bem a retranca paraguaia, fez seu time marcar sob pressão a Espanha mostrando a deficiência da defesa espanhola em saber sair jogando, chances iguais no primeiro tempo e um gol mal-anulado do seu time. A Espanha parece se restringir a Villa. O resto do time joga bem, mas se o seu camisa 7 não decidir, nada feito. O Paraguai teve a bola do jogo com Cardozo, mas a estrela de Casillas brilhou e ele defendeu o pênalti. Em seguida, pênalti para a Espanha defendido por Justo Villar. As equipes não quiseram administrar para levar para a prorrogação e partiram para fazer o que, na prática, seria um gol de ouro: Num gol chorado, ele, Villa fechou o placar. Passadas chances desesperadas do Paraguai, não convertidas pela falta de categoria dos seus atacantes, acaba o jogo.

Repeteco da final europeia. Para mim, os espanhois precisaram jogar tudo que não jogaram até agora. Os alemães denotam uma certa dificuldade contra times que sabem encaixar a marcação e ter volume de jogo, mas não contra equipes que se lançam ao ataque e, ao meu ver, eles têm tudo para conseguirem a desforra. Do lado de lá, a brava celeste, sem Lugano e Suárez, terá um confronto quase impossível contra a Holanda. Dois germânicos contra dois latinos, três europeus e um intruso sul-americano. As três melhores equipes da Europa contra o mais improvável sul-americano.

sexta-feira, 2 de julho de 2010

Notas da Copa: Uruguai classificado

(A Alegria de Forlán - El País de Motevideo)

Jogo tenso, disputado e equilibrado. O Uruguai, nos pênaltis, eliminou Gana após Muslera, à la Taffarel, pegar duas cobranças e de Suárez, no último minuto da prorrogação ter salvado um gol certo com a mão - resultando em um pênalti que foi parar no travessão. Foi, sem embargo, o jogo mais emocionante da Copa. O escrete de Oscar Tabárez, depois de uma difícil classificação para a Copa, é a equipe que encanta, se não pela técnica, pela disposição e espírito. Há muito o futebol uruguaio merecia isso, tem quarenta anos que o futebol daquele país - bicampeão olímpico quando as Olímpiadas eram o principal torneio futebolístico e vencedor de dois dos quatro primeiros mundiais - fora reduzido à mediocridade - ou menos do isso - e todos as tentativas de renascimento - a saber, no começo da década com a geração de Recoba - fracassaram. Dessa vez parecia ser igual, uma campanha pífia nas eliminatórias sul-americanas onde, ainda que o Equador não tenha conseguido se renovar, os uruguaios se viram ultrapassados pelos chilenos, um doído confronto na repescagem contra a Costa Rica e um grupo complicado na Copa - com a África do Sul anfitriã, o México em boa fase e a França vice-campeã mundial. Primeira colocação, vitória contra os sul-coreanos e, hoje, contra o time mais bem armado da Copa, vitória heroica. De Gana, a ausência de Ayew pesou e bastante. A Celeste Olímpica vai para uma semi-final na qual não é favorita, mas tem chances.

Atualização de 03/07 às 00:33: O Lance de Ontem


Notas da Copa: Brasil eliminado

(Júlio César em prantos - Reuters)

Eu vi o Brasil eliminar por duas vezes a Holanda em Copas. A primeira, quando tinha seis anos - e já me entendia por gente - com aquele gol de Branco. 3x2 apertado. Épico. Quatro anos mais tarde, já grandinho, vi o Brasil de Ronaldo, Dunga e Taffarel eliminar, nos pênaltis, aquele excelente time laranja treinado por Guus Hiddink. Isso foi uma desforra para a geração dos meus pais que viu aquela eliminação doída contra Laranja Mecânica, a legítima, em 74 - o time de Rinus Mitchel, o melhor produto da revolução tática e de preparação física pelo qual a Europa passou no início dos anos 1970. Hoje, foi o meu dia de ver o Brasil perder para o futebol holandês.

Tudo tem um lado bom, antes perder para a Holanda do que para as itálias ou franças da vida - para a segunda, vi duas vezes. Nada contra os países, mas sim em relação às suas escolas. Horríveis. Frias. Espero que o fracasso nesta Copa produza uma revolução em ambos os países e que, daqui a quatro anos, vejamos uma Itália e uma França jogando um futebol mais alegre. Muito embora a Holanda de 2010, do glorioso Bert van Merwijck, seja uma equipe que não necessariamente jogue um futebol tão bom quanto a Holanda poderia, ainda assim, trata-se de uma escola que há quarenta anos representa o melhor que o futebol europeu  produz, em termos técnicos e de inovações, portanto, suas vitórias são merecidas.

Aliás, o esquema 4/2-3/1 que todos jogam atualmente foi desenvolvido, ao que me conste, na Holanda do início dos anos 2000: Trazer de volta a figura dos três atacantes e do ponta - adaptando esta figura à dinâmica do futebol contemporâneo, transformando num jogador que varia do meio para frente conforme a necessidade do jogo. Podem existir outros exemplos, mas quem realmente deu relevo para o esquema foram os laranjas e o mesmo aconteceu também com o 3/5/2 e com o 4/4/2 - na forma que se popularizou no Brasil, não o inglês. A Holanda, mesmo com a vitória de hoje, ainda nos deve uma atuação consistente - e aqui não falo de "futebol-arte" que só existe na cabeça de alguns, mas de um futebol consistente mesmo.

Sobre o Brasil, a equipe a exemplo de 2006, chegou na Copa com os créditos do título da Copa América, da Copa das Confederações e de uma grande eliminatória. A diferença, é que em 2006 Parreira selecionou um grupo de jogadores que era fruto da communis opinio da imprensa esportiva - da rota e da sofisticada. Jogadores acima de qualquer suspeita, de qualquer crítica, mesmo chegando à Copa dez quilos acima do peso. Claro, as críticas vieram quando o óbvio se fez e Parreira se viu rifado por quem o insuflava: O vento mudou, a previsão foi-se junta. Dunga não, seu trabalho teve coerência interna ao longo do ciclo.

Não é porque agora o time perdeu um jogo - e Copas são particularmente traiçoeiras - que agora se deva fazer linchamentos. Primeiro, isso é um esporte, ainda que toda uma série de variáveis políticas e psicológicas faça com que as coisas saíam do controle. Depois, é necessário fixar os olhos no que realmente houve. O exagero nos superlativos é a característica mais patente da má crítica futebolística. A Seleção não estava jogando o melhor futebol, mas não era a pior equipe, alternou momentos, mas os seus piores se concretizaram no jogo de hoje. Isso difere consideravelmente da eliminação para a França há quatro anos. Ali, havia uma linha de coerência entre o que deu errado e a forma como se deu o desfecho.

O Brasil venceu com nervosismo a Coreia do Norte, cresceu contra Costa do Marfim num mata-mata antecipado - e sofreu uma grande baixa, perdendo Elano, violentamente tirado da Copa -, jogou mal contra Portugal num jogo que poderia ter aproveitado melhor, jogou o firme contra o Chile e perdeu um jogo estranho para a Holanda: Num duelo contra uma das boas seleções da Europa, dominou o primeiro tempo, largou na frente, poderia ter definido logo aí, depois, num erro crasso da defesa levou o gol de empate no primeiro tempo e se abateu mortalmente...daí para nova falha e novo gol tomado foram dois passos. Invertemos o anátema, em 2006 foi uma farsa, 2010 foi uma tragédia.

Dunga fez suas apostas e acertou muito mais do que errou, seus erros, no entanto, coincidiram com a tragédia. A defesa, uma das melhores da Copa, foi displicente nos quatro gols que tomou na Copa. Hoje, tomou dois, quando sua média era o inverso disso. Felipe Melo sempre foi um erro, mas hoje, foi mais. Ramires, que poderia ter tomado a posição, tomou um amarelo burro contra o Chile. Michel Bastos, apesar dos pesares, não comprometeu contra Robben. Não foi sua falta que ocasionou o gol de empate, foi a saída errada de Júlio César e a afobação de Felipe. Robinho jogou muito.Como evoluiu esse jogador. Antes, era mais um sou-jovem-craque-risonho-que-faço-pose-para-foto - como Ronaldinho e Cristiano Ronaldo -, hoje, assumiu responsabilidades e aprendeu a ser sério. O mesmo se pode dizer de Kaká que mesmo com sérias limitações físicas fez uma grande Copa. De Maicon.

Enfim, foi uma pena. Que daqui para frente a Holanda jogue o que não jogou até agora e que o Brasil se prepare bem para daqui a quatro anos. A vida dos sul-americanos, como adiantava aqui ontem, não está fácil. Logo mais, o Uruguai terá um jogo difícil, embora seja favorito, amanhã, no meu entendimento, nem a Argentina muito menos o Paraguai o são. É evidente que estarei na torcida pelos três, em especial por Don Diego.

Atualização de 03/07 às 21:23: Fiz algumas alterações no texto para arrumar alguns erros de ortografia.

quinta-feira, 1 de julho de 2010

Notas da Copa: Julho e a Análise das Quartas de Final

Primeiro de Julho. Estamos por volta da metade do primeiro dia da metade final do ano. Mês passado, em ritmo alucinante, estivemos diletando sobre a Copa sem tirar o olho das movimentações eleitorais - ou eleitoreiras, sabe-se lá, mas que elas foram um tanto mais agitadas do que supunha, isso sim. As férias e um ligeiro - porém gratificante - sacrifício da minha vida social contribuíram para que eu achasse tempo. Agora a Copa desacelera e se adensa, o que já não era sem tempo, seja pela qualidade do torneio que aumenta ou porque a overdose de jogos já deu; ontem e hoje foram os dois primeiros dias sem jogos desde que o torneio quadrienal começou, amanhã, começam as quartas de final. Acertei sete dos oito palpites das oitavas. errei só a classificação de Gana sobre os EUA - enfim, Milovan Rajevac pegou a mim e aos gringos de supresa, modificou a forma de sua equipe jogar e despachou o escrete americano e o pé-frio do Clinton de volta para os states.


Agora, o jogo muda. Se antes estava relativamente fácil para acertar os jogos, agora, longe disso. Tirando Espanha x Paraguai, partida na qual a diferença entre as equipes é relativamente grande, acertar pelo menos um dos outros três confrontos é tarefa para quem entende de bola. Ainda que se deva comemorar as quatro vagas sul-americanas nas quartas, é bom abrir o olho, porque os europeus que continuam no torneio são justamente os três melhores times daquele continente. Vamos às análises:


Uruguai x Gana


Pois bem, os uruguaios são a grande supresa da Copa, seja pela eliminatória que fizeram, os resultados na Copa América e demais amistosos - a previsão mais otimista em relação ao time de Oscar Tabárez era de que chegasse, com algum esforço, às oitavas. Pois bem, chegou às quartas em plenas condições de avançar mais. Muslera, apesar das falhas contra a Coreia do Sul, faz uma boa Copa,  Máxí Pereira é um dos três melhores laterais-direitos, Lugano e Godín estão em grande fase, Fucile tem se esforçado, os Areválo e Pérez marcam muito no meio, os dois Álvaros (o Pereira e o Fernández) sabem articular o jogo e, no ataque, o time se segura bem: Como Forlán pela esquerda, Cavani pela direita e Luís Suárez no comando de ataque, a equipe segue marcando gols - normalmente, Forlán volta e complementa o meio de campo, mas Cavani também pode fazer isso. Em suma, trata-se de um time que alcançou se ápice no momento exato em precisa fazê-lo. Pelo seu lado, Gana é o único time africano que restou no torneio, faz sua segunda Copa e avançou em relação à primeira: Se em 2006 o time parou nas oitavas de final frente ao Brasil de Parreira, agora a seleção avança uma casa e disputa as quartas. Para mim, Milovan Rajevac é, até o presente momento, melhor técnico da Copa - em uma competição marcada pela mesmíce tática e pela incapacidade dos treinadores trocarem algo um pouco diferente de seis por meia dúzia, Rajevac foi um dos poucos a conseguir adaptar a forma de sua equipe jogar às necessidades, saindo do seu habituall 4/2-3/1 para enfiar um 3/4/3 em e assim dar um nó tático em Bob Bradley, o hábil treinador americano. A seleção africana tem um bom goleiro, Kingson, e deve voltar ao seu esquema habitual frente a um Uruguai que joga com três na frente: Pantsil que quando necessário vira zagueiro volta para a lateral-direita, os dois Mansah formam uma zaga forte, Sarpei marca bem pela esquerda, embora não apóie e, no meio, encontramos os destaques do time: Annan é fundamental para o time jogando na marcação, Boateng marca e chega de trás, Asamoah arma e sabe atacar pela ponta-direita. Na frente, Ayew, pela esquerda, é a revelação do time, Gyan é preciso no comando de ataque e Tagoe, eventualmente, quebra o galho pela ponta-direita. No duro, o ataque uruguaio leva vantagem sobre a defesa de Gana, mas a briga pelo controle do meio promete ser boa e nela, fisica e até tecnicamente, os africanos são um pouco superiores - enquanto na briga entre o ataque de Gana e a defesa uruguaia, a celeste leva ligeira vantagem. Há quem diga que ser capaz de controlar o meio é o diferencial para a vitória, mas veremos no que dá num jogo onde a equipe que perde no meio é superior nos dois extremos. Honestamente, é jogo para triplo, a ligeira superioridade técnica da celeste é compensada pela motivação do adversário - que deve contar com a torcida a seu favor. Para não ficar em cima do muro, aposto no Uruguai, na dureza, nem sei se no tempo regulamentar.


Brasil x Holanda


Falamos aqui do confronto de duas das melhores seleções dos últimos quatro anos. O Brasil venceu tudo. A Holanda, pos sua vez, teve o quadriênio que só não foi perfeito pelo desastre frente a uma imprevisível Rússia nas quartas da Euro 08 - o time liderado por Arshavin jogou tudo o que jamais jogou (nem voltou a jogar) contra a Laranja e a despachou de forma doída. Na Copa, o Brasil chegou com dois dos seus melhores longe da excelência fisíca - casos de Júlio César e Kaká -, enquanto outros jogadores tiveram problemas ao longo da competição - casos de Robinho, Felipe Melo e Júlio Bapstista, além de Elano, criminosamente vitimado por um jogador marfinense dois minutos depois de feito seu gol na vitória brasileira por 3x1. Apesar disso, Dunga consegue fazer um bom trabalho, com alguns eventuais deslizes, mas que, até agora, funcionou nos momentos decisivos: Seu time joga num 4/2-3/1 como a maior parte dos times já a algum tempo, Júlio tem pegado bem no gol, Maicon é o melhor lateral-direito da Copa, Lúcio e Juan formam uma dupla de zaga primorosa - que teve algumas desatenções na primeira fase, mas tecnicamente é mais capaz do que qualquer miolo de zaga nesta Copa -, Michel Bastos é o ponto fraco da equipe pela lateral-esquerda; no meio, Gilberto Silva compensa com inteligência as sus limitações físicas - e rendeu melhor quando no lugar do travado Felipe Melo atuou ao seu lado Ramires, o que infelizmente não pode se repetir pela suspensão do bom camisa 18 do Brasil - e Kaká, ainda que pareça não estar 100%, sempre que entra no jogo, faz toda diferença; na frente, Elano era um peça essencial ao esquema, atacando pela direita e voltando para compor o meio, sua saída foi suprida por Daniel Alves, que apesar da partida razoável contra o Chile não correspondeu contra Portugal - nem quando entrou antes -, Luís Fabiano não estourou, mas soube marcar gols nos momentos decisivos e Robinho finalmente desencantou na última rodada, mas tem feito partidas taticamente corretas. A Holanda de Bert Van Marwijk não tem o brilho de outrora, tentando jogar de forma mais eficiente do que bela para ganhar o título que sua bela tradição de jogo bonito nunca foi capaz de levar - ainda que muito do futebol opaco da equipe nesta Copa se deva menos a alga tática em especial do que ao desempenho dos seus jogadores; o o mal dessa equipe está numa disposição morna dos atletas que alternam entre o feijão-com-arroz e alguns lampejos. A equipe venceu os três jogos da fase inicial sem muito esforço - o primeiro contra uma Dinamarca pesada, o segundo com a ajuda da Jabulani contra o Japão e o terceiro contra um já eliminado Camarões - e sofreu mais do que o esperado frente a Eslováquia nas oitavas.  Stekelemburg é bom nome no gol, Van der Wiel é sóbrio, mas lhe falta um tanto de arte pela lateral-direita, a zaga é baixa e se não compromete também não acrescenta, Van Bronckhorst é aquele velho poço de vontade;  no meio, De Jong e Van Bommel marcam bastante e tocam rápido a bola, mas não tem grande qualidade, dedicando-se a carregar o piano para Sneijder jogar - o meia, ainda que não tenha estourado nesta Copa, é o maestro do time, com seus passes precisos, belos lançamentos e boas chegadas; na frente, Robben voltou ao time pela ponta-direita e é o outro destaque, Van Persie no comando de ataque e Kuyt pela direita são bons jogadores, mas longe de ser craques. Diante de seus enormes desfalques, Dunga deve manter Daniel pela direita até para liberar Maicon para o ataque, o que aumenta a responsabilidade de Kaká pelo meio e Robinho pela esquerda, o problema está mesmo com o fato de Robben atacar pelo setor que Michel Bastos defende e do time, depois de ter arrumado Ramires pelo meio, tê-lo perdido, restando poucas opções no elenco. Setor por setor, o defesa brasileira leva vantagem sobre o ataque holandês - apesar desse pequeno detalhe que pode acabar decidindo o jogo -, a meia-cancha de ambos se equivalem - pelas contingências - e o ataque brasileiro é melhor que a defesa laranja. Jogo duro, aposta numa vitória apertada do Brasil. 


Alemanha x Argentina


Único jogo que envolve dois campeões mundiais, trata-se da maior atração das quartas. O time alemão dirigido por Joachim Löw é um dos melhores do quadriênio, a equipe, depois de uma das suas maiores crises de renovação da história, usou o mundial passado, o qual sediou, como forma de projetar jovens jogadores e começar a seleção do zero. Deu certo. O time arrancou uma terceira colocação e depois fez um bom quadriênio - sendo vice da última Euro - e fazendo boas campanhas nas últimas duas eliminatórias. Nesta Copa, a Alemanha caiu num grupo bem disputado, surpreendeu a todos jogando o fino da bola contra a Austrália, depois, mais surpreendemente ainda, foi anulada pela Sérvia que lhe derrotou para depois, num jogo tenso, vencer por 1x0 Gana e se classificar - nas oitavas, eliminou a Inglaterra sendo superior em campo, embora tenha sido favorecida pela arbitragem. A Argentina, já há muito se ressente da falta de títulos, sendo que na última Copa foi eliminada, nos pênaltis, por essa mesma Alemanha, iniciando um ciclo doloroso, onde Alfie Basile fracassou no comando da equipe, cedendo lugar para que o astro maior do seu futebol assumisse o time: Maradona voltou e conseguiu contornar momentos difíceis, emplacando uma classificação dura em quarto lugar nas eliminatórias - para uma Copa onde foi premiado com um grupo relativamente simples, onde venceu os três jogos sem muita pressão dos adversários e, quando finalmente topou com um desafio, também acabou ajudada pela arbitragem que validou um gol ilegal de Tevez contra o México - o que além da vantagem no marcador, desestruturou o time adversário. Equipe por equipe, a Alemanha joga num 4/2-3/1 muito parecido com o Brasil: Neuer, seguro, é o goleiro, a defesa tem Lahm pela lateral-direita - disputando com Maicon o título de melhor jogador da posição -, Mertesacker e Friederich formando uma zaga bem concisa, Boateng (o alemão) marcando bem esquerda, ainda que não seja nenhuma virtuose; no meio, Khedira e Schweinsteiger são os volantes - combinando força física, bom toque de bola e inteligência tática - enquanto Özil é o maestro do time - forte candidato a melhor armador da Copa; pelas pontas, Müller, técnico e veloz, é presença forte pela direita e Podolski, com sua categoria e precisão, domina a esquerda e, no comando de ataque, Klose continua sendo matador, eficiente por baixo e muito bom por cima. Já a Argentina, atua também num 4/2-3/1, com algumas peculiaridades: Romero, não muito seguro é o goleiro, Otamendi quebra o galho pela lateral-direita e o mesmo faz Heinze pela esquerda, enquanto Demichelis e Burdisso formam a zaga depois da contusão de Samuel; no meio, Mascherano faz uma excepcional Copa como primeiro volante e Maxí Rodríguez disputa a outra vaga na marcação com o experiente Verón; mais adiante, Tévez joga mais fixo na ponta-esquerda, mas Messi e Di María  se alternam entre o meio e a direita, abastecendo Higuaín. O ataque ainda não jogou o (muito) que pode, mas a defesa dá sustos e faltam laterais. No confronto, o ataque alemão leva vantagem ampla sobre a zaga argentina, no meio, será travado uma das mais qualificadas disputas dessa Copa, o ataque argentino é capaz de infringir dor a qualquer defesa desse torneio e isso vale também para a boa defesa alemã. Em suma, o time germânico parece mais equilibrado, enquanto a Argentina é superior nas individualidades - e no carisma de Maradona -, falamos de duas seleções vencedoras que há muito amargam um jejum em Copas, jogo para quádruplo - um palpite para cada possibilidade, outro para o improvável -, mas já que estamos no inferno, então que ousemos dar uma tapa no diabo: Ainda que eu torça para a Argentina , a Alemanha é favorita por um fiozinho de cabelo, mas não duvide de prorrogação ou pênaltis aqui.


Espanha x Paraguai


A Espanha é o segundo melhor time do mundo dos últimos quatro anos. Venceu a Euro para a qual se classificou depois de boa eliminatória, fez uma boa eliminatória para a Copa, mas rodou na Copa das Confederações contra o time americano. Na atual Copa, tomou um susto logo de cara ao ser neutralizada pelo ferrolho suíço - e derrotada por um gol de contra-ataque -, mas recuperou-se ganhando de Honduras - outra gloriosa retranca, em relação a qual não conseguia golear apesar do amplo domínio - e depois venceu o Chile, em jogo duro, que garantiu sua classificação em primeiro no grupo para confrontar seu arqui-rival Portugal nas oitavas - jogo que venceu como nos demais: Amplo domínio, mas poucos gols, placar magro de 1x0. O Paraguai é, desde os anos 90, um futebol em franca ascensão, joga defensivamente, marca muito é organizado em campo e, mesmo não formando meias criativos, tem lá seus atacantes -  time do técnico argentino Gerardo Martino liderou o início das Eliminatórias Sul-Americanas, mas depois perdeu duas posições, para Brasil e Chile, ainda que tenha ficado apenas um ponto abaixo do líder. Time por time, a Espanha de Vicente del Bosque joga num 4/3/3, com Casillas no gol - grande goleiro, ainda que não esteja no auge -, uma defesa modesta porém esforçada formada por Sergio Ramos pela lateral-direita, Puyol e Piqué pela zaga, Capdevilla pela lateral-esquerda; no meio, Busquets é volante, Xabi Alonso é o segundo volante - homem das saídas rápidas - e Xavi é o armador; pela frente já jogara Navas, como um legítimo ponta-direita, e Iniesta, fazendo um misto de ponta e exterior-direito, David Villa é o craque do time pela ponta-esquerda - e, por ora, é ele quem tem efetivamente feito o ataque espanhol funcionar - e Fernando Torres no comando de ataque = contestado e em má fase, o que abre espaço para Llorente na frente. O Paraguai joga num 4/4/2 que se torna 4/3/3, mas que no jogo em questão deve se resumir às duas linhas de quatro mesmo - para tentar fazer com que o raio caia duas vezes no mesmo lugar, depois da vitória suíça -, com Justo Villar, muito bem, no gol, dois excepcionais laterais defensivos que apóiam mal - Bonet pela direita e Morel Rodríguez pela esquerda -, uma zaga tecnicamente qualificada e bem postada - formada por Alcaraz e Da Silva -, um meio com Cárceres fazendo o primeiro volante e Riveros mais adiante, Vera fazendo um extremo-direito - meia-armador aberto dos 4/4/2 europeus - recuado, Barreto ou Benítez fazendo o mesmo, só que mais avançados, pela esquerda e um ataque variante, com a figura de Lucas Barrios enfiado na zaga adversária e algum outro nome por fora da área, seja ele Cardozo, Roque Santa Cruz ou Haedo Váldez. No duro, será mais um jogo de ataque contra defesa, onde a Espanha se manda para o ataque e o adversário planta duas linhas de quatro para se defender e achar o contra-ataque salvador. Três das quatro equipes que enfrentaram a Espanha fizeram o mesmo, mas  só a Suíça levou a melhor. Por mais que um milagre paraguaio fosse um espetáculo, é difícil que ocorra.